Se a vida te der um limão, faça um bolo de tâmaras!

A vida da gente traça caminhos tão tortuosos que, às vezes, a gente se vê com um "limão nas mãos". Aquele, que o ditado diz ser melhor transformar numa limonada. Ocorre que nem sempre é tão fácil assim encontrar a receita da tal limonada. E, mesmo que seja algo aparentemente simples de fazer - porque demanda apenas 2 ou 3 ingredientes -, as condições em que aquela limonada deverá ser feita interferirão em todo o processo. 

A primeira vez que experimentei tâmaras foi no Mercado Municipal de São Paulo. Confesso que eu não consegui entender por que tanta gente celebrava a dita, iguaria caríssima e doce como melado. Depois desta experiência, só consigo me lembrar de tê-las comido novamente quando um casal de amigos, que vive em Doha, veio nos visitar e nos deram uma caixa de tâmaras recheadas de presente. E daí a experiência foi outra. Maravilhosa! Desenvolvimento de paladar? O fato de estar vivendo como expatriada? Outras referências? Tudo junto?

 "Quem planta tâmaras, não colhe tâmaras." Provérbio oriental.

"Quem planta tâmaras, não colhe tâmaras." Provérbio oriental.

Eu já disse que quando eu tinha 15 anos eu  achava minha vida chata porque morava no mesmo apartamento desde que tinha nascido. Tempo voa e hoje eu sou uma pessoa que monta e desmonta a vida inteira em lugares diferentes a cada 2 ou 3 anos. A idéia da limonada, que serviu para as tâmaras, se aplicou significativamente neste processo. A gente muda o tempo todo. Porém, ouso dizer que a vida meio nômade que levo hoje me virou do avesso de uma forma que eu fiquei um tempo procurando "cadê a Paula que estava aqui?". Muito mais do que lidar com o envelhecimento inevitável, as mudanças de cenário, a irregularidade nas atividades profissionais, a perda da proximidade da família e dos amigos, além de uma vida nova com data de validade pra construir quase do zero. O estilo de vida que levo desde que saí do Brasil me fez questionar praticamente tudo o que eu sabia ao meu respeito. Percebi coisas sobre mim mesma que eu desconhecia e que foram-me reveladas em situações das mais diversas. Quando há choque de culturas então, parece que o processo de reconhecimento toma uma dimensão incrível, porque ele envolve uma desconstrução nível-hard. Você se vê com medo e acuado. E este medo é o seu limão. Como transformar o medo em limonada? 

 Fonte: Gazeta do Povo

Fonte: Gazeta do Povo

Quando meu marido chegou em casa com 4 pacotes, de 1 quilo cada, de tâmaras eu pensei "o que eu vou fazer com tantas tâmaras?". Isso me incomodou e eu coloquei os pacotes na despensa pra pensar um pouco. Como pode um carregamento de tâmaras, de presente, aborrecer uma pessoa? Até que eu entendi que da mesma forma que eu estava aprendendo a lidar com as perdas e ganhos da vida expatriada fazendo minha limonada, eu deveria receber os presentes que vinham de maneira a transformá-los em algo mais prazeroso. Eu percebi que eu poderia agradar outras pessoas com o presente que tinha ganhado. Desta forma, dois pacotes foram oferecidos a amigos e os outros dois foram oferecidos em forma de bolo. O mais interessante disso tudo foi que, compreendendo que eu só poderia resolver meu problema sendo generosa com outras pessoas, eu acabei sendo muito mais generosa comigo mesma. E ainda, de quebra, voltei a escrever no blog! 

Esta receita foi garimpada na internet e adaptada. Fiz em 3 ocasiões distintas, uma delas para celebrar os 90 anos de uma amiga que fiz aqui no Sri Lanka. Muitas pessoas comeram dele. Elogiaram. Eu amei. E agora divido esta delícia com quem quiser, finalizando com a certeza de que minha vida de expatriada tem me proporcionado mais ganhos do que eu pensava. E que compartilhar minhas experiências por meio deste blog me faz um bem danado e eu devo valorizar mais isso. Bom apetite!

Bolo de tâmaras, nozes e uísque, com cobertura de chocolate e caramelo levemente salgado.

Para o bolo:

250ml de água filtrada

430g de tâmaras secas, descaroçadas

3 colheres de sopa de uísque (pode ser rum ou conhaque também)

2 colheres de sopa de café coado forte

4 colheres de sopa de cacau em pó

200g de farinha de trigo 

1 pitada de sal

1 colher de sobremesa de canela em pó (se quiser pode por mais ou incrementar com outras especiarias como cravo, cardamomo, noz-moscada)

130g de manteiga sem sal, temperatur ambiente (mais uma colher para untar a forma)

120g de açúcar demerara

3 ovos inteiros grandes

1 colher de chá de fermento em pó

1 colher de chá de bicarbonato de sódio

60g de nozes pecã ou comuns picadas

Modo de fazer: 

 Descaroce as tâmaras, pese-as e coloque-as numa tigeja resistente ao calor. Faça a mise en place completa da pasta de tâmaras. Ferva a água e verta-a sobre as tâmaras - a quantidade será suficiente para cobri-las. Passe o café bem forte e adicione as duas colheres dele à tigela. Junte o cacau em pó peneirado, a bebida alcoólica (aqui na foto eu coloquei 2 colheres de uísque e uma de rum, mas pode ser tudo de uma coisa só) e misture. Deixe esfriar pra continuar a receita.

Descaroce as tâmaras, pese-as e coloque-as numa tigeja resistente ao calor. Faça a mise en place completa da pasta de tâmaras. Ferva a água e verta-a sobre as tâmaras - a quantidade será suficiente para cobri-las. Passe o café bem forte e adicione as duas colheres dele à tigela. Junte o cacau em pó peneirado, a bebida alcoólica (aqui na foto eu coloquei 2 colheres de uísque e uma de rum, mas pode ser tudo de uma coisa só) e misture. Deixe esfriar pra continuar a receita.

 Enquanto espera a pasta de tâmaras esfriar, pré-aqueça o forno a 180 graus e separe o restante dos ingredientes. Unte a forma de  cm com manteiga e forre com um papel manteiga. Unte por cima do papel. Reserve.

Enquanto espera a pasta de tâmaras esfriar, pré-aqueça o forno a 180 graus e separe o restante dos ingredientes. Unte a forma de  cm com manteiga e forre com um papel manteiga. Unte por cima do papel. Reserve.

 Quando a mistura de tâmaras estiver fria processe-a com um mixer, ou no liquidificador, até que vire uma pasta. Reserve. 

Quando a mistura de tâmaras estiver fria processe-a com um mixer, ou no liquidificador, até que vire uma pasta. Reserve. 

 Bata a manteiga pomada com o açúcar até que ganhe volume e fique esbranquiçado. Adicione um ovo por vez, batendo sempre para que ele se incorpore inteiro na massa. Ao acrescentar o terceiro ovo você perceberá que a massa estará com um aspecto levemente talhado. É normal. 

Bata a manteiga pomada com o açúcar até que ganhe volume e fique esbranquiçado. Adicione um ovo por vez, batendo sempre para que ele se incorpore inteiro na massa. Ao acrescentar o terceiro ovo você perceberá que a massa estará com um aspecto levemente talhado. É normal. 

 Misture os secos todos numa tigela grande e tenha à mão as 3 tigelas. 

Misture os secos todos numa tigela grande e tenha à mão as 3 tigelas. 

 Incorpore a pasta de tâmaras em 3 partes, intercalando com os secos. Adicione as nozes picadas no início da mistura, assim que adicionar a primeira parte da pasta de tâmaras. 

Incorpore a pasta de tâmaras em 3 partes, intercalando com os secos. Adicione as nozes picadas no início da mistura, assim que adicionar a primeira parte da pasta de tâmaras. 

 Finalize a mistura dos ingredientes de maneira bem delicada. A massa é bastante densa e aveludada. Verta sobre a forma e nivele-a com a ajuda da espátula/pão-duro. Leve ao forno pro aproximadamente 1 hora, ou até que um palito inserido no centro do bolo saia limpo. Tire o bolo do forno e espere que esfrie completamente.

Finalize a mistura dos ingredientes de maneira bem delicada. A massa é bastante densa e aveludada. Verta sobre a forma e nivele-a com a ajuda da espátula/pão-duro. Leve ao forno pro aproximadamente 1 hora, ou até que um palito inserido no centro do bolo saia limpo. Tire o bolo do forno e espere que esfrie completamente.

Cobertura

50g de manteiga sem sal

60g de açúcar demerara

1 colher de sopa rasa de água filtrada

1 a 2 pitadas de sal

100g de chocolate meio amargo (de preferência acima de 60% cacau)

2 colheres de sopa de uísque (ou a bebida que você escolheu usar no bolo)

Modo de fazer: 

 Enquanto esfria o bolo, faça a cobertura: leve o açúcar, a manteiga e a água ao fogo. Assim que a manteiga derreter inteiramente, conte 3 minutos em fogo baixo. 

Enquanto esfria o bolo, faça a cobertura: leve o açúcar, a manteiga e a água ao fogo. Assim que a manteiga derreter inteiramente, conte 3 minutos em fogo baixo. 

 Quando o caramelo estiver com borbulhas médias é hora de tirar. Adicione as duas colheres de creme de leite fresco gelado à mistura. Isso vai ajudar a arrefecer a temperatura. Adicione o chocolate e misture até que ele derreta por completo. Junte o uísque, misture e deixe que atinja a temperatura ambiente. 

Quando o caramelo estiver com borbulhas médias é hora de tirar. Adicione as duas colheres de creme de leite fresco gelado à mistura. Isso vai ajudar a arrefecer a temperatura. Adicione o chocolate e misture até que ele derreta por completo. Junte o uísque, misture e deixe que atinja a temperatura ambiente. 

 

Montagem: 

 Com o 1/4 restante da pasta de tâmaras, cubra a parte superior do bolo...

Com o 1/4 restante da pasta de tâmaras, cubra a parte superior do bolo...

 nivelando-a bem para que receba o creme de chocolate. Aproveite para a certar alguma imperfeição da superfície do bolo com a pasta. 

nivelando-a bem para que receba o creme de chocolate. Aproveite para a certar alguma imperfeição da superfície do bolo com a pasta. 

 Coloque o creme de chocolate por cima e nivele com uma espátula de confeitaria ou com as costas de uma colher de sopa. Aqui em Colombo é muito quente, a cobertura estava muito líquida e eu a queria mais firme. Adicionei um pouco mais de cacau em pó e amido de milho pra deixá-la mais densa. 

Coloque o creme de chocolate por cima e nivele com uma espátula de confeitaria ou com as costas de uma colher de sopa. Aqui em Colombo é muito quente, a cobertura estava muito líquida e eu a queria mais firme. Adicionei um pouco mais de cacau em pó e amido de milho pra deixá-la mais densa. 

 Espalhe o creme de chocolate com cuidado para não trazer a pasta de tâmaras à superfície. Decore por cima com nozes ou tâmaras e sirva. 

Espalhe o creme de chocolate com cuidado para não trazer a pasta de tâmaras à superfície. Decore por cima com nozes ou tâmaras e sirva. 

 Uma fatia é um ótimo acompanhamento para um chá preto! 

Uma fatia é um ótimo acompanhamento para um chá preto! 

Love Cake: um bolo popular no Sri Lanka para celebrar um ano neste país!

O tempo voa!

Todo mundo sabe disso, mas algumas coisas fazem você perceber isso com mais força. Crianças costumam nos mostrar isso de maneira muito evidente: se você tem filhos, vê-los crescer fascina e assusta ao mesmo tempo. Se você não os tem, mas tem amigos, irmãos ou alguém próximo que os tenha, poderá perceber o quão rápido o tempo passou toda vez que você vir aquela pessoinha; e perceber que ela já é totalmente diferente da última vez em que você a viu. Minha sobrinha já está passando minha mãe em altura. já fazem quase 5 anos que eu não acompanho seu crescimento e nas poucas vezes que a vi, tomei um susto!

Outra maneira de ver como o tempo passa rápido é quando mudamos de país. Tanta novidade junta vai sendo incorporada aos poucos e, de repente, tcharã: Um ano se passou! 

O Sri Lanka nos proporcionou muitas coisas, entre estranhamentos e similaridades identificadas, aqui e ali, com o Brasil. Passamos por momentos complicados, outros bastante agradáveis, conhecemos pessoas novas, fizemos amigos, incorporamos novos hábitos... E é interessante perceber o quanto a gente foi mudando neste processo, lapidando coisas que a gente nem sabia que existiam, percebendo vontades que tínhamos aprendido a guardar no fundo da memória. Aprendemos a viver a vida num ritmo diferente do de Miami, onde tudo costumava ser muito rápido e fluido. Aqui as coisas são mais lentas e a contemplação acabou ganhando mais força. Todos estes contrastes foram muito interessantes de serem vividos e, apesar de toda a dificuldade que por vezes enfrentamos (e ainda enfrentamos) por aqui, o saldo é positivo. Um saldo de amor. Daquele que se sente mesmo quando se conhece os defeitos do objeto amado. 

Escolhi o Love Cake para celebrar este primeiro ano porque é um bolo diferente, mas ao mesmo tempo traz uma familiaridade. Eu encontrei neste bolo a síntese do meu primeiro ano de Sri Lanka e o resultado é um bolo ideal para um chá da tarde. De sabores muito particulares e familiares ao mesmo tempo, o sabor leve e a textura da castanha de caju predomina, mas também é possível perceber as especiarias e o leve perfume da água de rosas. Dizem que os pedaços devem ser cortados suficientes para uma bocada só. E que o seu pedaço deve ser dado a outra pessoa, na boca, como bons bocadinhos de amor como uma troca de carinho. O Love Cake é a minha maneira de dizer muito obrigada dando um bocadinho de bolo na boca de quem está lendo este post. E o melhor: dá pra replicar em casa!

Love Cake (rende bastante, então pode fazer meia receita sem culpa)

250g de semolina levemente tostada

200g de manteiga sem sal

300g de açúcar (usei demerara, mas pode ser do branco)

4 ovos inteiros

4 gemas

80g de mel de abelhas

2 colheres de sopa de água de rosas

1 colher de chá de canela em pó

1 colher de chá de cardamomo em pó

1 pitada de nox moscada ralada na hora

300g de castanha de caju crua, sem sal, triturada

gengibre desidratado (opcional. Pode usar abacaxi seco no lugar que vai ficar ótimo!)

Açúcar de confeiteiro para polvilhar por cima. 

Modo de fazer: 

 Pese e separe todos os ingredientes antes de começar. Pré-aqueça o forno a 150 graus. Unte a forma (mesmo se for antiaderente) e forre com um papel manteiga, untando a superfície do papel também. Este bolo tem muita gordura, mas se não untar deste jeito ele gruda na forma sem dó!

Pese e separe todos os ingredientes antes de começar. Pré-aqueça o forno a 150 graus. Unte a forma (mesmo se for antiaderente) e forre com um papel manteiga, untando a superfície do papel também. Este bolo tem muita gordura, mas se não untar deste jeito ele gruda na forma sem dó!

 Leve a semolina numa frigideira seca ao fogo. Toste-a levemente. 

Leve a semolina numa frigideira seca ao fogo. Toste-a levemente. 

 Com cuidado pra não deixar queimar. use uma espátula e mexa sem parar. É só pra dar uma tostadinha mesmo. Desligue o fogo, passe a semolina para um outro recipiente e deixe esfriar.

Com cuidado pra não deixar queimar. use uma espátula e mexa sem parar. É só pra dar uma tostadinha mesmo. Desligue o fogo, passe a semolina para um outro recipiente e deixe esfriar.

Como em toda receita tradicional, existem várias versões e modos de fazer o Love Cake. Mas a verdade é que este bolo é quebradiço, não tem muita estrutura. Portanto, a melhor maneira de fazê-lo é incorporando menos ar. Escolhi o método de cremado por ser o melhor pra garantir que o resultado seria perto do que eu esperava. 

 Junte a manteiga em ponto pomada (fácil de passar no pão) com o açúcar numa batedeira e bata até que a mistura fique esbranquiçada. 

Junte a manteiga em ponto pomada (fácil de passar no pão) com o açúcar numa batedeira e bata até que a mistura fique esbranquiçada. 

 Acrescente as gemas, uma a uma, esperando que elas incorporem antes de adicionar a outra. Estamos fazendo uma emulsão aqui. Adicionar tudo de uma vez pode desandar a massa. 

Acrescente as gemas, uma a uma, esperando que elas incorporem antes de adicionar a outra. Estamos fazendo uma emulsão aqui. Adicionar tudo de uma vez pode desandar a massa. 

 Faça o mesmo com os ovos. Como as claras têm muita umidade, aqui você terá de esperar um pouco mais até que o ovo incorpore à massa. Tenha um pouco de paciência.

Faça o mesmo com os ovos. Como as claras têm muita umidade, aqui você terá de esperar um pouco mais até que o ovo incorpore à massa. Tenha um pouco de paciência.

 Adicione o mel e continue a bater, potência média, com o batedor raquete. Adicione também a água de rosas.

Adicione o mel e continue a bater, potência média, com o batedor raquete. Adicione também a água de rosas.

 Misture as especiarias em pó na semolina e adicione à massa, batendo em potência mínima.

Misture as especiarias em pó na semolina e adicione à massa, batendo em potência mínima.

 Incorpore as castanhas de caju trituradas. Este processo deverá ser feito no início da receita, antes de começar a bater os ingredientes. Você pode deixar as castanhas mais pedaçudas, se quiser. Mas pelo menos metade dos 300g que a receita pede devem estar assim como na foto. 

Incorpore as castanhas de caju trituradas. Este processo deverá ser feito no início da receita, antes de começar a bater os ingredientes. Você pode deixar as castanhas mais pedaçudas, se quiser. Mas pelo menos metade dos 300g que a receita pede devem estar assim como na foto. 

 Bata até incorporar. Adicione as frutas desidratadas, misture um pouco e desligue a batedeira. Verta a mistura na assadeira previamente preparada. Asse por aproximadamente 1 hora ou até que o palito saia limpo. Espere esfriar com a assadeira numa grade por uns 20 minutos e desenforme com a ajuda de uma espátula. Não esqueça de retirar o papel! 

Bata até incorporar. Adicione as frutas desidratadas, misture um pouco e desligue a batedeira. Verta a mistura na assadeira previamente preparada. Asse por aproximadamente 1 hora ou até que o palito saia limpo. Espere esfriar com a assadeira numa grade por uns 20 minutos e desenforme com a ajuda de uma espátula. Não esqueça de retirar o papel! 

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[Série amigos] Bolo "Elma Chips" ou "A amizade é uma tarde de bolo com café...".

Quando eu penso em cada amiga minha, é quase que automático lembrar de um prato que sintetiza a nossa amizade. Um sabor, aliado à um momento que ficou parado no tempo e no espaço. Que cristaliza a relação de carinho mútuo e pra onde minha memória sempre volta quando eu sinto saudades. No caso da Ana Flávia é este bolo, que eu apelidei de Elma Chips por conta do slogan que a companhia usava quando eu era mais nova: "É impossível comer um só!". Muitos o conhecem como "Bolo de Vó"; outros, como "Bolo de Nada". Mas este último nome é completamente injusto. Tem muita história aqui.

Eu e a Aninha nos conhecemos por conta de um fracasso mútuo. Ambas éramos repetentes do 1o ano do segundo grau. Fomos estudar numa turma pequena, do turno vespertino, num colégio particular da asa sul em Brasília. Lembro nitidamente do nosso primeiro contato. Ela, baixinha e de cabelos longos, o rosto quadrado e muito expressivo, iniciava cada frase com uma expressão que usa até hoje: "Ow garôta!". Não sei muito bem o que foi que nos uniu, assim, tão imediatamente: o fato de termos Minas Gerais no sangue; termos estudado numa mesma escola anteriormente; termos mães nascidas no mesmo dia, ou o fato de morarmos relativamente perto uma da outra e nunca termos nos visto antes. Mas uma coisa é certa: a conversa começou pra nunca mais parar. Começamos a dividir o mesmo caminho de volta pra casa à pé e a identificação foi surgindo. Foram muitos quilômetros percorridos, onde a gente falava mal do mundo, desejava comer sem engordar, compartilhava dietas malucas, lamentava os infortúnios amorosos, "previmos" a invenção do telefone celular e desejamos que, ao invés de calçadas, a cidade tivesse esteiras rolantes para que a gente não precisasse andar de volta pra casa. 

Passamos de ano e fomos separadas de turma. Eu tinha começado a namorar a distância nas férias e minha cabeça vivia em outro lugar. Nós nos encontrávamos na hora do recreio (onde eu conheci o irmão mais novo dela) mas eu acabei mudando de escola no final do ano e nos afastamos. Ela me contou que eu arranjei um emprego pra ela numa loja onde trabalhei, mas eu não me lembro. Pouco mais de um ano depois, me mudei pra Belo Horizonte e nunca mais ouvi falar dela. Até que um dia, uns 4 anos depois, ela me viu num bar de rock em BH e me chamou. A partir daí a gente nunca mais se perdeu uma da outra. Incrível como algumas pessoas permanecem na nossa vida, né? O mundo dá voltas e elas sempre surgem de novo pra nos fazer felizes. 

Voltei pra Brasília, ela descobriu que estava grávida. Eu acompanhei toda a gravidez e ia constantemente à sua casa para passar as tardes. Foi aí que entrou este bolo na minha vida. Não chega a ser nenhuma novidade, é um bolo como os que todo mundo já provou por aí. Mas essa receita acabou virando a síntese da nossa amizade: simples, gostosa, rápida e reconfortante. Como boa mineira, Aninha sempre me recebe com algum quitute. Invariavelmente ela o faz enquanto conversamos: aquece o forno, bate o bolo e prepara o café. E assunto nunca faltou. Somos capazes de comer a roda inteira do bolo emendando um caso no outro... Aliás, ouso dizer que a Ana Flávia é a amiga com quem eu mais tive contato e com a qual nunca faltou assunto. A identificação entre a gente é incrível e eu me sinto parte da família dela. A gente tem uma forma parecida de ver o mundo e discutimos sobre tudo, vida pessoal e trabalho, num nível de compreensão tão absurdo que me é difícil descrever. Houve uma época em que me sentia mais à vontade na casa dela do que na minha. Então este bolo tem, pra mim, um significado especial que se traduz em aconchego. É quase como seu eu pudesse comer nossa história, me apropriar dela. 

Aninha sempre me apoiou. Quando eu me formei em Psicologia, optei por receber meu diploma numa cerimônia sem-graça e cafona numa sala comum da faculdade. Ela e o marido fizeram questão de ir. Ela foi minha madrinha de casamento e, mesmo com a vida corrida que ela levava (e ainda leva), sempre encontrava um tempinho pra me acompanhar nas provas do vestido. Aninha foi me encontrar no salão no dia do casamento. Foi pra ela que eu contei que, desde criança, quando tive minha primeira crise de herpes labial, eu morria de medo de ter uma crise no dia do meu casamento. Só contei no dia porque não queria dar margem para que acontecesse. Fiz a cara que eu achei que ia ficar se tivesse de casar com herpes. Ela riu demais. Nunca vou me esquecer! 

Sempre fizemos questão de participar da vida uma da outra. Nas menores coisas. Já cuidei de sua filha mais velha para que ela e o marido pudessem ir a um show de Sandy & Junior. Fui a primeira de "fora da família" que a viu com o segundo filho nos braços (me redimi de ter estado longe quando a primeira filha nasceu). Procurei estar o mais próxima possível (graças ao Whatsapp) dela quando o pai adoeceu. Tive a sorte de ter podido abraçá-la e dividir o momento tão triste que foi a missa de sétimo dia dele. Depois de 24 anos nós vivemos tantas coisas juntas e, ainda assim, sinto nossa amizade fresca e renovada. Porque como dizia Vinícius "amigos a gente reconhece por aí". E eu tive que repetir de ano na escola só pra reconhecer a Aninha. No fim, o nome de salgadinho pra esse bolo significa muito mais do que comer até estourar. Significa que a cada encontro nosso outros inúmeros se farão necessários. Porque metade de mim é amor, e a outra metade é esse bolo aí. Sorte a minha!

Bolo Elma Chips

200g de manteiga

200g de açúcar

6 gemas

200g de farinha de trigo peneirada

1 colher de sopa de fermento em pó

1 pitada de sal

4 claras batidas em neve

Modo de fazer

  Pré aqueça o forno a 180 graus Celsius. Unte uma assadeira com manteiga e um pouco de farinha de trigo. Bata a manteiga com o açúcar até ficar fofo e esbranquiçado. 

Pré aqueça o forno a 180 graus Celsius. Unte uma assadeira com manteiga e um pouco de farinha de trigo. Bata a manteiga com o açúcar até ficar fofo e esbranquiçado. 

 Adicione as gemas, uma a uma, sempre batendo. Espere cada gema incorporar à massa para adicionar a outra. Reserve

Adicione as gemas, uma a uma, sempre batendo. Espere cada gema incorporar à massa para adicionar a outra. Reserve

 Bata as claras em neve a picos moles. 

Bata as claras em neve a picos moles. 

 Junte 1/3 da farinha peneirada com o sal e o fermento em pó e misture até incorporar. Adicione 1/3 das claras e misture suavemente. Não precisa incorporar tudo pra adicionar o segundo terço da farinha. Junte mais 1/3 das claras e mexa com movimentos de baixo pra cima. Adicione o último terço de farinha e depois de mexer um pouco, o último terço das claras em neve delicadamente à massa. 

Junte 1/3 da farinha peneirada com o sal e o fermento em pó e misture até incorporar. Adicione 1/3 das claras e misture suavemente. Não precisa incorporar tudo pra adicionar o segundo terço da farinha. Junte mais 1/3 das claras e mexa com movimentos de baixo pra cima. Adicione o último terço de farinha e depois de mexer um pouco, o último terço das claras em neve delicadamente à massa. 

 Coloque a massa na assadeira, previamente untada, niveland a massa com o auxílio de uma espátula. É uma massa mais densa, então precisa ser espalhada direitinho pra que fique uniforme. No caso desta forma que usei, precisei 'untar' a forma com uma camada de massa por cima do untado inicial (usei um colher de sopa para espalhar) para que a massa entrasse nas ranhuras da forma. Depois foi só acrescentar o resto da massa e fazer um fosso com a mesma colher de sopa no meio da superfície do bolo. Isso impede que ele cresça demais no meio e fique com bordas muito baixas. 

Coloque a massa na assadeira, previamente untada, niveland a massa com o auxílio de uma espátula. É uma massa mais densa, então precisa ser espalhada direitinho pra que fique uniforme. No caso desta forma que usei, precisei 'untar' a forma com uma camada de massa por cima do untado inicial (usei um colher de sopa para espalhar) para que a massa entrasse nas ranhuras da forma. Depois foi só acrescentar o resto da massa e fazer um fosso com a mesma colher de sopa no meio da superfície do bolo. Isso impede que ele cresça demais no meio e fique com bordas muito baixas. 

 Leve ao forno até que fazer o teste do palito.  Mesmo assim ele cresceu bastante no centro. 

Leve ao forno até que fazer o teste do palito. Mesmo assim ele cresceu bastante no centro. 

Sirva quentinho, acompanhado de manteiga e/ou geléia, além de um cafezinho passado na hora.

Um viva às grandes amizades! 

[Dia sem carne] Palak Panner: a combinação de espinafre e queijo mais perfeita que existe. Pelo menos na Índia.

A primeira vez que comi em um restaurante indiano foi em Nova Iorque. Me lembro de ter dividido prato principal e sobremesa com minha mãe e de ter ficado bastante decepcionada com aquilo que provei. Pra piorar, tive problemas de digestão no dia seguinte e fiquei impossibilitada de curtir meu último dia na cidade. Acabei ficando no hotel, comendo um quilo de MM's e assistindo a um programa de TV que mostrava uma garota que era alérgica a água. Mas isso aconteceu quando eu era ainda muito chata pra comer. Quase vinte anos se passaram e a comida indiana é uma das minhas favoritas.

Ir à Índia está nos meus planos imediatos. Não vejo a hora de conhecer um pouco deste país de tantos contrastes. Das coisas que mais me chamam a atenção na comida deles, além do sabor, são suas cores vivas. É incrível pensar que se atinja colorações tão vibrantes usando apenas ingredientes naturais. Vegetais, raízes, especiarias... tudo numa combinação muito interessante para os olhos e o paladar. É claro que é preciso coragem (e preparo digestivo) para descobrir o nível de especiarias/picância suportável em sua comida. Mas aqui no blog nós temos o controle! ;)

Depois que morei nos EUA resolvi diminuir meu consumo de carne. Mesmo que nós brasileiros também sejamos grandes consumidores, eu só fui me dar conta da quantidade que eu comia em Miami. Talvez o distanciamento da minha cultura original tenha me propiciado pensar sobre isso. Mas foi mais provavelmente porque eu passei a cozinhar a minha comida de todo dia. Fiquei incomodada e resolvi diminuir. Uma grande vantagem é que eu gosto muito de comida vegetariana. Então a "transição" foi um pulo e eu nem senti tanta falta. Sou capaz de comer comida vegetariana várias vezes por semana, mas não sou capaz de deixar de comer carne para o resto da vida. Eu adoro um churrasco! E sempre que vou a uma churrascaria me jogo no buffet de saladas, antes de comer do rodízio. Sempre me criticaram por isso, mas a principal vantagem é essa: eu já tenho repertório vegetal invejável. Meu prato costuma ser muito mais colorido e variado do que os dos vegetarianos com os quais já comi. E a redução no consumo me fez sentir um bem danado!

 Aconselho que você prove um pouco de todas as especiarias que compõem esta receita antes de usá-las. Pode ser que você decida usar um pouco menos delas do que a receita pede. Meça tudo e deixe separadinho. Depois prove-as secas mesmo. Isso vai te dar mais segurança para usá-las e definir o nível de picância que você gosta.

Aconselho que você prove um pouco de todas as especiarias que compõem esta receita antes de usá-las. Pode ser que você decida usar um pouco menos delas do que a receita pede. Meça tudo e deixe separadinho. Depois prove-as secas mesmo. Isso vai te dar mais segurança para usá-las e definir o nível de picância que você gosta.

Palak Panner foi um dos primeiros pratos vegetarianos da cozinha indiana que experimentei e ainda é um dos meus favoritos. Uma boa opção pra um dia em que você queira deixar a carne de lado. É simples, saboroso, picante e lindamente verde. O prato consiste em um creme grosso e delicioso feito à base de espinafre e especiarias, onde cubos de queijo são a proteína principal. O Paneer é um tipo de queijo caseiro, cujo ingrediente coagulante é de origem vegetal: limão ou vinagre. Os sólidos do leite se separam do soro, que é drenado. Prensa-se a massa num pano de prato limpo pra tirar o restante do soro e pronto. É só dar forma e cortar. O que usei na receita foi comprado pronto, pois aqui é muito fácil achar no mercado. Em outra oportunidade mostrarei como fazê-lo, mas se você quiser fazer o prato com o que tem mais facilidade pra encontrar, o queijo coalho se comporta mais ou menos como o paneer: pode ser grelhado mantendo o formato original sem derreter. Não é a mesma coisa e o queijo coalho tende a ser bem salgado. Mas pode ser uma boa adaptação. 

Os pratos indianos podem ser servidos com Naan (um p˜ao achatado de origem persa, semelhante - em aspecto - ao pão sírio, roti paratha (um pão chato folhado muito saboroso) ou arroz jasmim neutro. A escolha é sua. Vamos à receita!

Palak Paneer (rendimento: 4 porções)

 Tenha sempre todos os ingredientes já preparados e porcionados antes de começar uma receita. Isso costuma tomar mais tempo que o de preparo da refeição, mas organiza tudo e te salva de perceber que falta algum ingredientes fundamental já no meio da execução da receita. 

Tenha sempre todos os ingredientes já preparados e porcionados antes de começar uma receita. Isso costuma tomar mais tempo que o de preparo da refeição, mas organiza tudo e te salva de perceber que falta algum ingredientes fundamental já no meio da execução da receita. 

Ingredientes:

ghee ou manteiga clarificada

250g de paneer

300g de espinafre

1/2 colher de chá de sementes de cominho

2 tomates tipo italiano em cubos, sem as sementes

1/2 colher de chá de gengibre fresco picado (eu usei em pó)

1 pimenta fresca verde picada, sem as sementes

1/4 de colher de chá de açafrão da terra

1 colher de chá de coentro em pó

1/2 colher de pimenta vermelha em pó

1/2 colher de chá de sal

1/2 colher de açúcar

80g de creme de leite (pode ser o de lata, adicionado no último minuto e sem ferver muito pra não talhar)

 Comece dourando o queijo cortado em cubos em um pouco de  ghee  derretido. Este passo é opcional e a maioria dos pratos que já comi levam o  paneer  sem dourar e imerso em água previamente para hidratar. Eu gosto dele lindo, tostado e crocante. Qualquer dúvida, veja este vídeo  aqui  (em inglês indiano) para prepará-lo à maneira tradicional.

Comece dourando o queijo cortado em cubos em um pouco de ghee derretido. Este passo é opcional e a maioria dos pratos que já comi levam o paneer sem dourar e imerso em água previamente para hidratar. Eu gosto dele lindo, tostado e crocante. Qualquer dúvida, veja este vídeo aqui (em inglês indiano) para prepará-lo à maneira tradicional.

 Vire os cubos de queijo até que todos os lados fiquem dourados e reserve. 

Vire os cubos de queijo até que todos os lados fiquem dourados e reserve. 

 Na mesma panela, acrescente um pouco mais de  ghee  e salteie o espinafre. Há duas maneiras de cozinhar espinafre, esta é conhecida como "à italiana". O outro método de cocção é imerso em água fervente por alguns segundos e depois parar a cocção num banho maria invertido (água gelada). O método à italiana é mais saboroso e menos trabalhoso, mas o "à inglesa" (imerso na água) costuma fixar melhor a cor verde do espinafre, mesmo que dê um pouco mais de trabalho. A escolha é sua. Leve ao processador de alimentos para que vire uma pasta e reserve. 

Na mesma panela, acrescente um pouco mais de ghee e salteie o espinafre. Há duas maneiras de cozinhar espinafre, esta é conhecida como "à italiana". O outro método de cocção é imerso em água fervente por alguns segundos e depois parar a cocção num banho maria invertido (água gelada). O método à italiana é mais saboroso e menos trabalhoso, mas o "à inglesa" (imerso na água) costuma fixar melhor a cor verde do espinafre, mesmo que dê um pouco mais de trabalho. A escolha é sua. Leve ao processador de alimentos para que vire uma pasta e reserve. 

 Usando a mesma panela, um pouco mais de  ghee  e coloque as sementes de cominho. Deixe-as começarem a pipocar antes de adicionar as outras especiarias.

Usando a mesma panela, um pouco mais de ghee e coloque as sementes de cominho. Deixe-as começarem a pipocar antes de adicionar as outras especiarias.

 Adicione os tomates para cortar a cocção do cominho e evitar que ele queime. Junte as outras especiarias e misture para que elas liberem seu perfume pela casa. Cozinhe até que os tomates comecem a se desmanchar. Adicione o sal e o açúcar e misture bem.

Adicione os tomates para cortar a cocção do cominho e evitar que ele queime. Junte as outras especiarias e misture para que elas liberem seu perfume pela casa. Cozinhe até que os tomates comecem a se desmanchar. Adicione o sal e o açúcar e misture bem.

 Adicione a pasta processada de espinafre e misture até que incorpore. O espinafre vai ficando amargo e com gosto metálico à medida em que se prolonga seu cozimento. Depois de acrescentá-lo você precisa finalizar o prato rapidamente para evitar que isso aconteça. Adicione o creme de leite e misture para incorporá-lo. Prove e ajuste o sal. Se por acaso você achar que o amargor já começou a aparecer, umas gotas de limão ajudam a ajustar o sabor. Junte os cubos de  paneer  ao molho, reservando alguns deles para servir por cima. 

Adicione a pasta processada de espinafre e misture até que incorpore. O espinafre vai ficando amargo e com gosto metálico à medida em que se prolonga seu cozimento. Depois de acrescentá-lo você precisa finalizar o prato rapidamente para evitar que isso aconteça. Adicione o creme de leite e misture para incorporá-lo. Prove e ajuste o sal. Se por acaso você achar que o amargor já começou a aparecer, umas gotas de limão ajudam a ajustar o sabor. Junte os cubos de paneer ao molho, reservando alguns deles para servir por cima. 

Para apresentação, você pode usar um pouco de iogurte natural para dar um toque no prato. Bom apetite!

Watalappan: a sobremesa que é parente do nosso conhecido pudim.

Em tempos de xenofobia e intolerância pipocando pelos quatro cantos do mundo, é interessante percebermos como aquilo que para nós é característico de um país, na maioria das vezes é herança de outro povo. Acho estranha a idéia do nacional puro. Porque há muito tempo que os povos se encontram, migram, guerreiam, confraternizam, casam-se entre si, têm filhos... Onde é que existe este ser puro, que não teve contato com quem vem "de fora"? Talvez algumas tribos indígenas na Amazônia e outros lugares remotos... E o que é o "de fora"? Ele é realmente tão ameaçador assim nos dias de hoje?

Quando penso que foram estas migrações, invasões e encontros ao longo da história que propiciaram a entrada de ingredientes e saberes culinários novos nos mais diversos países, me pergunto: Será possível pensar a comida italiana sem o tomate e o trigo? A confeitaria na França sem o açúcar e o cacau? A vida boêmia na Bélgica sem as batatas e o malte? Os fast foods dos EUA sem o hambúrguer e o sorvete? A Índia sem a castanha de caju e a pimenta fresca? No Brasil, a mesma coisa: se perguntarmos nas ruas quais são as frutas brasileiras mais saborosas na opinião das pessoas, as respostas serão algo como banana, melancia, manga, uva, morango... Carmen Miranda carregava um monte destas frutas na cabeça como símbolo de brasilidade. Mas nenhuma destas frutas são originais do Brasil. Muito menos Carmen Miranda, que era de origem portuguesa. Aliás, foram os portugueses os grandes responsáveis por levar tantas plantas nativas da Ásia para o Brasil e para o mundo. Outros povos também fizeram isso. Além das frutas, temos também a cana de açúcar, o arroz...

 Fonte: http://1.bp.blogspot.com/-qIOpV3NBykQ/U_-utn9nHpI/AAAAAAAA7ds/l6TxLmhz3ME/s1600/carmen-miranda.jpg

Fonte: http://1.bp.blogspot.com/-qIOpV3NBykQ/U_-utn9nHpI/AAAAAAAA7ds/l6TxLmhz3ME/s1600/carmen-miranda.jpg

Tudo isso pra dizer que o Sri Lanka, em tudo o de exótico que pode oferecer - especialmente nas comidas - é também um grande caldeirão de influências que foram sendo incorporadas à cultura. O país foi dominado pelos portugueses por mais de 100 anos. Estes foram expulsos pelos holandeses que aqui ficaram por mais de 100 anos também. Depois disso, vieram os ingleses, responsáveis pela introdução do cultivo do chá, o uso do curry dentre outras coisas, na grande Índia. Isso tudo aliado a quem já estava aqui, junto às influências dos países vizinhos, forjou o país como podemos conhecer hoje.

  Watalappan : um pudim mais escuro, cor de café com leite, com sabor presente de côco e especiarias, além do sabor característico do  jaggery,  um tipo de rapadura que fazem aqui com açúcar de palma.

Watalappan: um pudim mais escuro, cor de café com leite, com sabor presente de côco e especiarias, além do sabor característico do jaggery, um tipo de rapadura que fazem aqui com açúcar de palma.

Uma das sobremesas mais festejadas por aqui é um exemplo disso. De origem malaia, é um tipo de pudim: o Watalappan. O nome da sobremesa na península malaia é "Siri-Kaya", que consiste em uma pasta feita com leite de côco, açúcar caramelizado e ovos. A pasta se parece visualmente com nosso doce de leite depois de pronto. Ainda não provei Siri-Kaya, mas como gosto de doces feitos com ovos já estou salivando. Lá, essa pasta é usada para passar no pão. Quando foi trazida pra cá, foram feitas adaptações com os ingredientes locais e no modo de fazer: o açúcar caramelizado foi substituído pelo jaggery, um açúcar de palma muito usado por aqui (algo semelhante à nossa rapadura).

 Parece doce de leite de corte, mas é um tipo de rapadura. Há várias marcas de  jaggery  na praça, esta é a primeira que uso que tem esta aparência mais densa e úmida. Normalmente eles são quebradiços e porosos como um tijolo de rapadura. Mas o sabor é o mesmo para todos os tipos. Forte como açúcar mascavou ou rapadura.

Parece doce de leite de corte, mas é um tipo de rapadura. Há várias marcas de jaggery na praça, esta é a primeira que uso que tem esta aparência mais densa e úmida. Normalmente eles são quebradiços e porosos como um tijolo de rapadura. Mas o sabor é o mesmo para todos os tipos. Forte como açúcar mascavou ou rapadura.

A coloração do Jaggery é bem intensa e por isso eliminou-se a necessidade de caramelização do açúcar. O modo de fazer foi alterado e hoje a sobremesa se parece com um pudim e não com o doce de leite pastoso. Foram incorporadas especiarias, para aromatizar o creme e utilizar o que a região tem de mais nobre e atraente. Finalizou-se com castanhas de caju e daí surgiu o Watalappan tão festejado por aqui, sobremesa obrigatória até em festas de casamento. Nele você tem influências malaias, portuguesas, francesas, árabes, srilanquesas... 

 Pela quantidade de ovos, a textura do pudim é mais firme e possibilita o corte. A apresentação mais comum da sobremesa é em pedaços quadrados ou retangulares. Castanhas de caju picadas ou separadas em duas metades finalizam a sobremesa. 

Pela quantidade de ovos, a textura do pudim é mais firme e possibilita o corte. A apresentação mais comum da sobremesa é em pedaços quadrados ou retangulares. Castanhas de caju picadas ou separadas em duas metades finalizam a sobremesa. 

O universo da comida é assim: você encontra algo familiar mesmo no estranhamento. Lendo sobre a história da sobremesa, lembrei da Benedita feita pela minha família há mais de 100 anos. Pensei na minha tataravó, que tinha feições árabes e que ninguém na família sabe direito a história dela até hoje, muito menos de onde ela veio. Era a filha dela quem fazia a Benedita. Seria herança da mãe?

Esta é uma sobremesa relacionada à cultura dos muçulmanos aqui no Sri Lanka. É muito consumido no fim do Ramadan. É gostoso, lembra pudim de café na aparência - mas é diferente - e pode ser consumido tranquilamente por intolerantes à lactose. Acredito que o uso de rapadura/açúcar mascavo no lugar do jaggery não interferirá tanto no resultado final. Pra saber se comprometeria o sabor da sobremesa eu teria de provar os dois ao mesmo tempo. 

Outra coisa: já fiz a sobremesa com metade da quatidade de jaggery porque acho a original muito doce. Particularmente eu preferi a minha adaptação. O sabor do côco e das especiarias ficaram mais presentes. Fica a seu critério definir a quantidade. Se quiser experimentar, adicione metade da quantidade pedida na receita e misture os ingredientes. Prove. Se achar que está bom de doce, não precisa colocar mais. 

Watalappan

Ingredientes:

5 ovos inteiros

500g Kithul Jaggery ou rapadura ou açúcar mascavo

400ml de leite de côco

Noz moscada, cardamomo e canela a gosto

Modo de fazer:

 Rale ou triture a rapadura de modo que ela fique com uma apresentação parecida com a do açúcar mascavo. 

Rale ou triture a rapadura de modo que ela fique com uma apresentação parecida com a do açúcar mascavo. 

 Numa tigela funda, adicione o leite de côco, o  jaggery  e os ovos, mexendo bastante com um  fouet , até que o açúcar se dissolva. Adicione o cardamomo (pode ser em pó ou as bagas em infusão) a canela e a noz moscada ralada fina. Passe a mistura por uma peneira para assegurar que tudo se dissolveu e verificar se não havia impurezas no açúcar utilizado.

Numa tigela funda, adicione o leite de côco, o jaggery e os ovos, mexendo bastante com um fouet, até que o açúcar se dissolva. Adicione o cardamomo (pode ser em pó ou as bagas em infusão) a canela e a noz moscada ralada fina. Passe a mistura por uma peneira para assegurar que tudo se dissolveu e verificar se não havia impurezas no açúcar utilizado.

 Verta a mistura numa forma retangular ou num  ramekin  grande untados com um pouco de manteiga. Espere a espuma ficar toda a superfície e retire-a com uma colher. 

Verta a mistura numa forma retangular ou num ramekin grande untados com um pouco de manteiga. Espere a espuma ficar toda a superfície e retire-a com uma colher. 

 Assim a superfície ficará mais lisa depois de assada. Calce os refratários com toalha de papel para evitar que trepidem com água embaixo. Assim eles ficam firmes e a base da sobremesa, lisinha. 

Assim a superfície ficará mais lisa depois de assada. Calce os refratários com toalha de papel para evitar que trepidem com água embaixo. Assim eles ficam firmes e a base da sobremesa, lisinha. 

Asse em banho maria, forno a 150 graus Celsius, por aproximadamente 30 minutos (porções individuais) ou até a sobremesa atingir firmeza semelhante à do pudim (por volta de uma hora). Se você bater na porta do fogão, a superfície deverá estar relativamente firme. A água do banho-maria deve estar quente desde o início e preencher até metade da altura da forma. Fique atento: pode ser que você necessite adicionar mais água até que a sobremesa fique pronta.

 Não é preciso fazer calda. Como é um pudim de corte, normalmente serve-se em pedaços quadrados como na foto mais acima. Adicione algumas castanhas de caju picadas por cima do pudim assado antes de servir. Se decidir servi-lo em potinhos individuais, pode servir morno, é bem gostoso assim. Para servir cortado, melhor gelado pra dar mais firmeza. 

Não é preciso fazer calda. Como é um pudim de corte, normalmente serve-se em pedaços quadrados como na foto mais acima. Adicione algumas castanhas de caju picadas por cima do pudim assado antes de servir. Se decidir servi-lo em potinhos individuais, pode servir morno, é bem gostoso assim. Para servir cortado, melhor gelado pra dar mais firmeza. 

[Receitas de Família] Canjica de milho com côco da minha mãe

Se há uma coisa que eu gosto da época das festas juninas, e que sinto muita falta neste meu período fora do Brasil, é a Canjica da minha mãe. Cremosa, branquinha, sabor de côco na medida certa e bem quentinha. Na verdade minha mãe costuma fazer canjica fora de época. E como a família é grande, ela sempre aproveita pra fazer em maior quantidade pra congelar boa parte. Dessa forma, sempre tem canjica pra comer mais vezes durante o ano. Hoje é aniversário da minha mãe. E eu fiquei pensando em como eu poderia escrever um post pra tentar sintetizar o quanto eu sou grata por tê-la em minha vida. Ela nasceu no dia de São João e daí me lembrei que eu tinha um pacote de canjica em casa: "É isso! Canjica da mamãe!". 

 Canjica pronta pra comer, fumegante e com bastante canela em pó. Fiquei tentada a colocar a canela do Ceilão ao invés da Canela da China, mas a segunda é que faz parte da memória afetiva, né? 

Canjica pronta pra comer, fumegante e com bastante canela em pó. Fiquei tentada a colocar a canela do Ceilão ao invés da Canela da China, mas a segunda é que faz parte da memória afetiva, né? 

Dona Sílvia Teresa é uma mulher incrível! Qualquer memória que eu tenho é sempre com ela em ação: seja no trabalho; primeiro no serviço público quando ainda exercia a profissão de psicóloga; seja com decoração de interiores e arquitetura, profissão de destino que ela demorou a abraçar por medo de não dar conta da disciplina de cálculo na faculdade, quando se mudou pra Brasília; seja na cozinha, fazendo mil e uma guloseimas para gente. Ela herdou aquele gosto de agradar pela comida que minha avó tinha... É quase impossível pra mim escolher apenas um prato, feito por ela, como o meu favorito. Já publiquei duas receitas que ela faz com maestria aqui no blog: a Benedita e a Casquinha de Siri. E a Canjica vem agora se juntar à elas. 

 Faltam zeros no mundo para acrescentar nesta nota pra dizer o quanto vale ter a minha mãe tão saudável, ativa e encantada com a vida. Não há dinheiro que pague! Nada palpável é capaz de significar o valor de tê-la como minha mãe. Te amo!

Faltam zeros no mundo para acrescentar nesta nota pra dizer o quanto vale ter a minha mãe tão saudável, ativa e encantada com a vida. Não há dinheiro que pague! Nada palpável é capaz de significar o valor de tê-la como minha mãe. Te amo!

Eu tenho uma memória especial de minha mãe, que vez por outra me aquece: Numa noite, eu estava dormindo e ela entrou no meu quarto. Me acariciou enquanto eu "fingia que dormia". Ela repetiu baixinho que me amava muito e que nada no mundo mudaria esse sentimento nela. Eu continuei fingindo que dormia até ela sair do quarto. E me lembro de ter lutado até o fim contra um nó que se instalou na minha garganta. As razões de eu ter "permanecido adormecida" me escapam. Da mesma forma o que havia acontecido naquele dia em especial. O que eu sei é que eu andava muito ressabiada, disso eu lembro. E talvez eu quisesse que aqueles carinhos durassem pra sempre. Achava que, se eu acordasse, eles parariam. Lógicas infantis. 

 Ainda criança, vestida de caipira pra festinha junina da escola.

Ainda criança, vestida de caipira pra festinha junina da escola.

É incrível que dentre tantas memórias que eu tenho com minha mãe, seja esta, ocorrida na minha infância, uma das que eu mais tenho revisitado ultimamente. Acredito que viver como expatriado nos deixa, em alguns momentos, muito fragilizados perante o mundo novo que nos cerca. Daí a gente quer voltar pra um período em que se sentia protegido. E por isso, também, resolvi fazer a canjica. 

Até hoje, quando dona Sílvia resolve fazer o prato, ela chega pertinho da gente com a melhor cara do mundo e diz: "Me deu vontade de comer canjica, que tal?". É o suficiente pra gente já ficar feliz, esperando por uma caneca cheia desse creme espesso e aveludado de côco, cheio de flocos redondinhos de milho branco a serem mastigados lentamente, até o gosto sumir na boca. O amor pode assumir várias formas. A comida é uma das maneiras mais lindas delas. 

Te amo, mãe!

Receita simples, mas de valor inestimável: 

Canjica de côco

Ingredientes:

500g de milho para canjica

1 litro de leite

1 canela em pau

1 lata de leite condensado

1 garrafinha de leite de côco (eu usei em pó, diluído em leite)

90g de côco ralado seco (se você tiver a sorte de tê-lo fresco, use-o!)

Canela em pó para servir

Opcional: Açúcar o quanto baste.

Modo de preparo: Deixe a canjica de molho em água filtrada por 6 horas. 

 Deixe a canjica de molho em água filtrada por 6 horas. Depois, coloque os grãos hidratados numa panela de pressão e cubra-os com água filtrada, dois dedos acima dos grãos. Lembre-se de que a panela de pressão, por segurança, só pode ser preenchida por líquidos até metade de sua altura. Assim que a pressão pegar, cozinhe por 15 minutos. 

Deixe a canjica de molho em água filtrada por 6 horas. Depois, coloque os grãos hidratados numa panela de pressão e cubra-os com água filtrada, dois dedos acima dos grãos. Lembre-se de que a panela de pressão, por segurança, só pode ser preenchida por líquidos até metade de sua altura. Assim que a pressão pegar, cozinhe por 15 minutos. 

 Tire a pressão da panela e avalie a cocção do grão. Eu gosto do milho mais "mastigável",  al dente , então este tempo foi suficiente. Mantenha a panela no fogo até quase secar a água do cozimento. Assim que a água evaporar, junte o leite integral. Ferva a canjica no leite por uns 15 minutos, até que ela pegue o seu gosto. Adicione o leite de côco e o leite condensado. Misture e prove pra saber se quer adicionar açúcar extra. Eu preferi não colocar mais. Adicione o côco ralado e ferva por mais alguns minutos, até que o sabor esteja do seu agrado e o caldo esteja engrossado. Ajuste o açúcar, se quiser, e sirva.

Tire a pressão da panela e avalie a cocção do grão. Eu gosto do milho mais "mastigável", al dente, então este tempo foi suficiente. Mantenha a panela no fogo até quase secar a água do cozimento. Assim que a água evaporar, junte o leite integral. Ferva a canjica no leite por uns 15 minutos, até que ela pegue o seu gosto. Adicione o leite de côco e o leite condensado. Misture e prove pra saber se quer adicionar açúcar extra. Eu preferi não colocar mais. Adicione o côco ralado e ferva por mais alguns minutos, até que o sabor esteja do seu agrado e o caldo esteja engrossado. Ajuste o açúcar, se quiser, e sirva.

Sobremesa de Goiabada com queijo

A primeira vez que um mineiro experimenta a combinação doce e salgada é na sobremesa Romeu e Julieta. Ou no queijo com doce de leite. E é tudo muito simples: basta cortar uma fatia de queijo e outra de goiabada, colar as duas fatias uma na outra e comer. Ou você pode fazer um sanduíche com a fatia de goiabada entre duas fatias de queijo, o que se não me falha a memória chama-se Caixeta. Os pernambucanos também têm essa combinação presente na Cartola, mas ela acaba sendo sempre mais doce por conta da quantidade de açúcar na mistura com canela que vem por cima do queijo manteiga. O importante é que desde muito criança a gente tem esta referência na diversidade de sabores que podem compor um prato. 

Quando fiz o almoço para os estrangeiros que nos visitaram em Miami, fiz pratos brasileiros para apresentar um pouco da nossa comida à eles. E a sobremesa, é claro, foi uma versão de Romeu e Julieta que todos gostaram bastante. É um idéia muito simples, que utiliza ingredientes fáceis de usar e um copo bonito pra ajudar na apresentação. E que dá um ar de familiaridade a quem vive nos EUA, por causa da massa feita com cream cheese. É gostosa demais, vale fazer alguns copinhos extras porque não sobra! 

Romeu e Julieta Cremoso com crocante de parmesão

 Eu tinha um  sorbet  de frutas vermelhas na geladeira e resolvi usá-lo na decoração. É totalmente opcional

Eu tinha um sorbet de frutas vermelhas na geladeira e resolvi usá-lo na decoração. É totalmente opcional

 Ingredientes:  226g de cream cheese  50g de açúcar refinado (1)  1 limão (suco e raspas)  3 claras  50g de açúcar refinado (2)  100ml de creme de leite fresco  125g de goiabada cascão  125ml de água  100g de queijo parmesão ralado   Modo de preparo:

Ingredientes:

226g de cream cheese

50g de açúcar refinado (1)

1 limão (suco e raspas)

3 claras

50g de açúcar refinado (2)

100ml de creme de leite fresco

125g de goiabada cascão

125ml de água

100g de queijo parmesão ralado

Modo de preparo:

 Bata o  cream cheese , as raspas e o suco de limão, o açúcar (1). 

Bata o cream cheese, as raspas e o suco de limão, o açúcar (1). 

 Até ficar homogêneo e fofo.

Até ficar homogêneo e fofo.

 Numa outra tigela, bata à mão o creme de leite a meio ponto. Quando o chantilly ainda está mole, mas já fica preso na ponta do  fouet , como na foto. 

Numa outra tigela, bata à mão o creme de leite a meio ponto. Quando o chantilly ainda está mole, mas já fica preso na ponta do fouet, como na foto. 

 Faça um merengue suíço com as claras e o açúcar (2). Para isso você vai precisar de uma terceira tigela e uma panela com água fervendo. Coloque o  bowl  na boca da panela (sem que o fundo do  bowl  entre em contato com a água quente) e misture as claras com um fouet de um lado para o outro, até que o açúcar derreta por completo. Você precisa misturar constantemente para não deixar que as claras cozinhem. Pra saber se os cristais de açúcar derreteram, só colocando o dedo no fundo da tigela pra checar. Portanto, mãos extremamente limpas!!! Assim que o açúcar tiver "sumido" nas claras, leve-as à batedeira. 

Faça um merengue suíço com as claras e o açúcar (2). Para isso você vai precisar de uma terceira tigela e uma panela com água fervendo. Coloque o bowl na boca da panela (sem que o fundo do bowl entre em contato com a água quente) e misture as claras com um fouet de um lado para o outro, até que o açúcar derreta por completo. Você precisa misturar constantemente para não deixar que as claras cozinhem. Pra saber se os cristais de açúcar derreteram, só colocando o dedo no fundo da tigela pra checar. Portanto, mãos extremamente limpas!!! Assim que o açúcar tiver "sumido" nas claras, leve-as à batedeira. 

 Bata o merengue até atingir este ponto.Brilhante e firme, a ponta não se curva por completo.

Bata o merengue até atingir este ponto.Brilhante e firme, a ponta não se curva por completo.

 Tudo batido, tenha as três misturas juntas. Verta do chantilly sobre a mistura de  cream cheese  e misture delicadamente pra incorporar. É importante que o creme de leite esteja batido ao meio ponto, porque se estiver batido ao ponto de servir, virará manteiga quando incorporado ao  cream cheese . Depois, junte o merengue suíço e misture novamente até que incorpore. Coloque a massa num saco de confeitar e reserve na geladeira. 

Tudo batido, tenha as três misturas juntas. Verta do chantilly sobre a mistura de cream cheese e misture delicadamente pra incorporar. É importante que o creme de leite esteja batido ao meio ponto, porque se estiver batido ao ponto de servir, virará manteiga quando incorporado ao cream cheese. Depois, junte o merengue suíço e misture novamente até que incorpore. Coloque a massa num saco de confeitar e reserve na geladeira. 

 Para fazer a goiabada cremosa, é muito simples. Pique o doce em cubos e leve ao fogo numa panela com a água. Em fogo baixo, vá mexendo de vez em quando para que os cubos derretam. 

Para fazer a goiabada cremosa, é muito simples. Pique o doce em cubos e leve ao fogo numa panela com a água. Em fogo baixo, vá mexendo de vez em quando para que os cubos derretam. 

 O doce estará no ponto certo quando estiver cobrindo as costas da colher. Pra testar o ponto, faça um risco com o dedo. Se este risco ficar intacto, está pronto. Esfrie e coloque o doce num saco de confeitar. 

O doce estará no ponto certo quando estiver cobrindo as costas da colher. Pra testar o ponto, faça um risco com o dedo. Se este risco ficar intacto, está pronto. Esfrie e coloque o doce num saco de confeitar. 

 Para montar o doce, escolha o copo de sua preferência e intercale as camadas. A primeira de creme dequeijo, a intermediária de doce de goiaba e a última de creme de queijo novamente. Assim, o doce não fica muito enjoativo e ainda fica bem bonito. Leve os copos à geladeira e deixe-os passar a noite lá. Este doce é melhor servido geladinho.

Para montar o doce, escolha o copo de sua preferência e intercale as camadas. A primeira de creme dequeijo, a intermediária de doce de goiaba e a última de creme de queijo novamente. Assim, o doce não fica muito enjoativo e ainda fica bem bonito. Leve os copos à geladeira e deixe-os passar a noite lá. Este doce é melhor servido geladinho.

 Perto do horário que for servir (uma hora antes dos convidados chegarem), faça os crocantes. Para isso rale o queijo na parte fina do ralador. Tenha o forno pré-aquecido a 180 graus. Numa assadeira coberta de  silpat  (creio que papel manteiga também dá certo. É testar antes pra ver!), coloque montinhos de queijo, bem separados uns dos outros. Leve ao forno até que derretam e dourem ligeiramente. Cuidado para não queimá-los!!! Retire a assadeira do forno e deixe os crocantes esfriarem. 

Perto do horário que for servir (uma hora antes dos convidados chegarem), faça os crocantes. Para isso rale o queijo na parte fina do ralador. Tenha o forno pré-aquecido a 180 graus. Numa assadeira coberta de silpat (creio que papel manteiga também dá certo. É testar antes pra ver!), coloque montinhos de queijo, bem separados uns dos outros. Leve ao forno até que derretam e dourem ligeiramente. Cuidado para não queimá-los!!! Retire a assadeira do forno e deixe os crocantes esfriarem. 

 Decore os copos da maneira que achar melhor. Você pode colocar uns cubinhos de goiabada na base do crocante ou colocar um sorvete como eu fiz. Ou, simplesmente espetar o crocante de parmesão e servir. 

Decore os copos da maneira que achar melhor. Você pode colocar uns cubinhos de goiabada na base do crocante ou colocar um sorvete como eu fiz. Ou, simplesmente espetar o crocante de parmesão e servir. 

[Série Amigos] Antipasto de Berinjela

Durante um tempo da minha juventude eu trabalhei como vendedora em lojas de shopping. Foram quase 4 anos no comércio, onde aprendi bastante. Inclusive que a vida não era tão cor de rosa como eu supunha e que existia muita gente a fim de puxar o seu tapete.

Foi trabalhando no comércio eu comecei a fumar. Sempre detestei cheiro de cigarro, mas logo percebi que os fumantes tinham uma vantagem naquele mundo que eu não tinha: podiam fazer uns intervalos da loucura da loja, ir pro corredor e acender um cigarro, conversar, falar das pessoas que passavam e rir. Passei a gostar do mise en scene do ato de fumar, a reunião que ele provocava, a formação de vínculos afetivos que ele proporcionava. Nem tudo tem só um lado ruim, né? O cigarro teve essa função recreadora pra mim. Houve um tempo onde abusei dele, mas logo depois eu decidi que seria um instrumento de diversão, não algo cotidiano. Parei. De vez em quando eu fumo, mas só pra dividir um momento, rememorar um tempo específico da minha vida ou dividir uma confidência com alguém especial.

 Fonte: http://farm9.staticflickr.com/8126/8644795796_560faab46b.jpg

Fonte: http://farm9.staticflickr.com/8126/8644795796_560faab46b.jpg

Conheci a Renata numa das lojas onde trabalhei. Ambas fumávamos e acabamos ficando amigas muito rápido, porque tínhamos vários pontos em comum e gostávamos do jeito uma da outra. Logo depois a minha fase de comércio acabou e eu fui me enveredar por outros ares, mas nossa amizade já estava sólida o suficiente. Tenho várias memórias muito bacanas de nossa amizade naquela época, a mais marcante, porque envolve comida, foi esta que vou contar. 

Uma vez, Renata me ligou convidando para passar a tarde na casa dela. Quando cheguei lá, ela abriu a porta de casa toda feliz, dizendo: "Paulette, comprei uma caixa de cervejas pra gente entornar todas assistindo Seal!" Eu adorava Seal. Eu detestava cerveja... Já estava toda sem-graça quando ela foi pra cozinha e voltou serelepe com um vidro na mão: "Inda fiz uma conserva de berinjela show pra gente comer com pão sírio, enquanto a gente bebe!". Eu odiava berinjela... Lá estava eu, numa situação desconfortável, pra falar o mínimo. Minha amiga achando que estava arrasando e eu preocupada em não tirar a alegria dela. Pensei que tinha de experimentar ao menos, pra não decepcionar. Se não gostasse, deixava pra lá e tudo certo. Ela ainda facilitou um pouco as coisas servindo um macarrão delicioso antes, cuja receita virou hit na minha casa em tempos de república (e na casa da minha mãe também). Daí, comi todo o macarrão, planejando malignamente só provar a berinjela por educação, dando a desculpa de que estava já satisfeita. Ledo engano!

Provei a dita da conserva e quase pirei de tão boa que era. Na verdade comi o pote inteiro, quase que instantaneamente. Não dei a mínima pro Seal. Depois, além de pedir desculpas pela falta de educação em acabar com o pote todo, acabei confessando meu trauma com berinjela. Ela achou o máximo ter me convertido e eu nunca mais esqueci desta berinjela da Rê. Minha mãe morria de ciúmes quando eu me recusava a comer qualquer outro prato feito com o vegetal, dizendo que "só comia berinjela se a Renata fizesse". Perturbei tanto a minha amiga pra ela me dar a receita que consegui, e agora eu posso fazer pra espalhar no corpo todo se eu quiser! Já fiz em duas festas diferentes e o povo levou o que sobrou pra casa. Dá até pra fazer rifa porque todo mundo sempre quer. 

Nossa amizade sobreviveu ao tempo e à distância e lá se vão quase 20 anos. Eu voltei pra Brasília, perdemos contato. Ela mudou-se pra Brasília sem eu saber e um dia nos reencontramos 5 anos depois, ao acaso, numa empresa onde eu trabalhava. Tudo por causa de uma chuva que me fez desviar de meu caminho habitual. Ela mudou-se para Orlando algum tempo depois; eu, para Miami uns 4 anos depois dela. E aí a gente viu que esse lance de "destino-que-segura-algumas-pessoas-na-vida-da-gente-no-matter-what" é algo muito interessante. Pra mim é uma dádiva, dado que muitas das minhas amizades morreram por conta da distância, embora eu tenha feito esforços incríveis para que isso não acontecesse. Daí, a gente percebe que fica quem quer e faz questão, quem gosta mesmo de você. Que te procura quando te perde e quando finalmente te acha, é como se dissesse: "não vá mais embora porque você é importante pacas.". Tenho sorte! Agora, morando Sri Lanka e estando distante quase um dia inteiro de viagem, tenho a certeza de que nunca mais perderemos este vínculo, este grande amor chamado amizade e que é um dos grandes presentes da vida. Eu vou morrer de saudades, mas essa garota não me escapa nunca mais! "My precious..."

A receita que publico aqui leva quase os mesmos ingredientes que a dela e o modo de fazer eu modifiquei um pouco. Foi uma maneira de dar meu toque pessoal e também de preservar a obra-prima dela. Porque parte da minha memória afetiva é comer a berinjela ao lado da Renata, vendo ela olhar com satisfação pra mim e perguntando se gostei. A conserva sempre vai ter mais sabor assim. E enquanto a gente não se encontra de novo eu vou fazendo esta versão pra ficar mais perto dela.

Garanto que vai te fazer sorrir também. Mãos à obra! 

 Esta é a aparência do antepasto quando ingredientes são misturados todos juntos num  bowl  antes de irem para o vidro. 

Esta é a aparência do antepasto quando ingredientes são misturados todos juntos num bowl antes de irem para o vidro. 

Antipasto de Berinjela (inspirada na berinjela Rêal, da fofa da minha amiga querida)

600g de berinjelas com casca (se preferir descascá-las, coloque aí mais uns 150g)

1 cebola média 

250ml de vinagre de maçã

250ml de azeite de oliva extra-virgem

sal a gosto 

orégano seco a gosto

alho cru picado em lâminas finas (sem o broto do meio) a gosto 

Castanhas do Pará picadas a gosto

Passas brancas sem sementes a gosto (pode ser a escura)

Pimenta do reino moída na hora.

Modo de preparo: 

 Lave bem as berinjelas e retire a coroa folhosa delas. 

Lave bem as berinjelas e retire a coroa folhosa delas. 

 Pique-as em fatias e depois as fatias em quadrantes. Disponha-as em camadas numa assadeira, tomando o cuidado de polvilhar sal por cima de cada camada. 

Pique-as em fatias e depois as fatias em quadrantes. Disponha-as em camadas numa assadeira, tomando o cuidado de polvilhar sal por cima de cada camada. 

 Tampe a assadeira, vedando bem, com papel alumínio. Leve ao forno pré-aquecido a 180 graus, por 30 minutos. Vá checando de 30 em 30 minutos, até que as fatias estejam totalmente cozidas e meio murchas. 

Tampe a assadeira, vedando bem, com papel alumínio. Leve ao forno pré-aquecido a 180 graus, por 30 minutos. Vá checando de 30 em 30 minutos, até que as fatias estejam totalmente cozidas e meio murchas. 

 Enquanto você assa as berinjelas, asse a cebola também. Descasque-a e enrole em papel alumínio. 

Enquanto você assa as berinjelas, asse a cebola também. Descasque-a e enrole em papel alumínio. 

 Assim. coloque numa assadeira separada.

Assim. coloque numa assadeira separada.

 Quando as berinjelas estiverem cozidas, retire o papel alumínio imediatamente para deixar o vapor sair (cuidado para não se queimar!).. Quanto menos líquido as berinjelas retiverem neste momento, melhor!  Pra ter certeza, espete a ponta de uma faca de corte nelas. Se entrar e sair fácil, sem a berinjela "segurar" na faca, está pronto!

Quando as berinjelas estiverem cozidas, retire o papel alumínio imediatamente para deixar o vapor sair (cuidado para não se queimar!).. Quanto menos líquido as berinjelas retiverem neste momento, melhor! Pra ter certeza, espete a ponta de uma faca de corte nelas. Se entrar e sair fácil, sem a berinjela "segurar" na faca, está pronto!

 Quando a cebola estiver macia, espete uma faca até o centro. Se a faca sair facilmente, está pronta! Retire o papel e deixe esfriar pra picar. 

Quando a cebola estiver macia, espete uma faca até o centro. Se a faca sair facilmente, está pronta! Retire o papel e deixe esfriar pra picar. 

 Quando a berinjela esfriar, esprema-a para retirar alguma sobra de líquido delas e coloque-as num  bowl . 

Quando a berinjela esfriar, esprema-a para retirar alguma sobra de líquido delas e coloque-as num bowl

 Agora é o momento de acrescentar os demais ingredientes. Misture todos os ingredientes picados primeiro e deixe os líquidos pra serem adicionados por último. Eu fiz ao contrário aqui e cheguei à conclusão de que é melhor deixar o óleo e o vinagre pro final. Castanhas, cebola, alho, ervas, pimenta, passas... Junte tudo no  bowl  e misture. Prove o sabor e corrija. Provavelmente não será necessário usar mais sal. Mesmo assim, prove para ter certeza. Você pode acrescentar o azeite e o vinagre na tigela e misturar, antes de colocar a mistura em vidros esterilizados (fervidos em água quente, a tampa também e secos naturalmente), ou você pode colocar camadas da mistura no vidro e ir adicionando os líquidos aos poucos, até completar o vidro. 

Agora é o momento de acrescentar os demais ingredientes. Misture todos os ingredientes picados primeiro e deixe os líquidos pra serem adicionados por último. Eu fiz ao contrário aqui e cheguei à conclusão de que é melhor deixar o óleo e o vinagre pro final. Castanhas, cebola, alho, ervas, pimenta, passas... Junte tudo no bowl e misture. Prove o sabor e corrija. Provavelmente não será necessário usar mais sal. Mesmo assim, prove para ter certeza. Você pode acrescentar o azeite e o vinagre na tigela e misturar, antes de colocar a mistura em vidros esterilizados (fervidos em água quente, a tampa também e secos naturalmente), ou você pode colocar camadas da mistura no vidro e ir adicionando os líquidos aos poucos, até completar o vidro. 

 Quando você acrescentar os líquidos ainda na tigela, a berinjela tende a se desfazer com o ato de misturar. Se você quiser seu antipasto mais pedaçudo, fazer as camadas no vidro é mais indicado. Vá enchendo o vidro com as camadas (4 colheres de ingredientes em pedaços, 2 colheres de azeite, 2 de vinagre. Assim sucessivamente), até 2 dedos abaixo da abertura e complete com o azeite de oliva até a boca, pra vedar. Feche bem e guarde na geladeira. Fica melhor se feita uma semana antes de servir. Sirva com pão sírio ou  Focaccia . Se bem que até com uma cream cracker vai muito bem! 

Quando você acrescentar os líquidos ainda na tigela, a berinjela tende a se desfazer com o ato de misturar. Se você quiser seu antipasto mais pedaçudo, fazer as camadas no vidro é mais indicado. Vá enchendo o vidro com as camadas (4 colheres de ingredientes em pedaços, 2 colheres de azeite, 2 de vinagre. Assim sucessivamente), até 2 dedos abaixo da abertura e complete com o azeite de oliva até a boca, pra vedar. Feche bem e guarde na geladeira. Fica melhor se feita uma semana antes de servir. Sirva com pão sírio ou Focaccia. Se bem que até com uma cream cracker vai muito bem! 

 Aqui, a aparência do antepasto quando as camadas são feitas dentro do vidro, sem serem misturadas com os líquidos no  bowl . O sabor será o mesmo. A escolha é sua! 

Aqui, a aparência do antepasto quando as camadas são feitas dentro do vidro, sem serem misturadas com os líquidos no bowl. O sabor será o mesmo. A escolha é sua! 

No fim, pra quem odiava berinjela, este é um dos ingredientes que mais aparecem neste blog. Obrigada, Rê! 

[Café da manhã] Shakshuka

O café da manhã é uma das refeições mais importantes do dia. Lá em casa nos acostumamos, desde cedo, a fazer a primeira refeição em casa. Por isso eu tenho tanta dificuldade em sair de casa sem comer algo. Fico mal humorada, tenho dor de cabeça... Mesmo em meus tempos de moradora de república eu fazia meu café, raramente comia algo na rua.

É claro que tomar café na rua é bacana e gostoso e existem muitos lugares que oferecem opções super bacanas para isso. Estas reservo para os fins de semana. Foi numa destas saídas pra tomar café fora de casa que provei, num restaurante que frequentávamos em Miami para o Brunch, a Shakshuka pela primeira vez. Já tinha ouvido falar e estava louca pra experimentar. Pedi e me apaixonei! Tratam-se de ovos assados num molho denso de tomates e pimentões com especiarias típicas da Tunísia. Quer dizer, uma das versões é assim. O prato pode ser modificado de acordo com o que está disponível em cada estação. 

O livro Jerusalém, de autoria do Yottam Ottolenghi e Sami Tamimi, é um dos livros adquiridos recententemente que eu mais gosto. Aliás, quando me mudei para Miami passei a ter um maior contato com a comida israelense que me fez morrer de amores. Na verdade, é um tanto quanto complicado definir o que é, de fato, a comida israelense, porque ela tem muitos pontos de contato com a comida árabe, como conhecemos. E é isso que o livro tenta mostrar. Os povos têm a mesma origem, né? 

Abaixo, uma visita que Ottolenghi fez à Tunísia.

Uma das coisas mais bacanas do livro é que os dois autores são, cada um deles, representantes dos dois povos em conflito - há tanto tempo - na tentativa de estabelecerem-se sua terra. E o que pode parecer esquisito pra muita gente na verdade retrata uma realidade escondida dos noticiários: o desejo de convivência e coexistência pacífica por significativa parte dos israelenses e palestinos em Jerusalém. Eu tenho muita vontade de conhecer a cidade sagrada, muito mais pelos gostos e cheiros que as comidas oferecem e as diferentes culturas que coexistem ali. A parte religiosa me chama a atenção, sim. Mas com menor intensidade, devo confessar. Não dá pra ignorar que esta é a cidade sagrada das três grandes religiões monoteístas do mundo. Mas eu morro de vontade mesmo é de passear sem pressa pelos corredores do mercado principal da cidade velha. A comida tem o poder de reunir estas pessoas tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo. 

Esta receita a primeira de várias que eu desconfio que aparecerão no blog. É um prato lindo, quente, perfumado  e apimentado, pra ser comido com um pão bem gostoso. 

Seus cafés da manhã jamais serão os mesmos. 

Shakshuka de tomates e pimentões

 Você pode fazer a sua própria harissa em pasta, basta clicar na palavra dentre os ingredientes para assistir ao vídeo explicativo. Eu usei uma em pó que encontrei pronta. 

Você pode fazer a sua própria harissa em pasta, basta clicar na palavra dentre os ingredientes para assistir ao vídeo explicativo. Eu usei uma em pó que encontrei pronta. 

2 colheres de sopa de azeite de oliva

2 colheres de sobremesa de harissa*

2 colheres de chá de extrato de tomate

300g de pimentões vermelhos grandes cortados em "cubos"

4 dentes grandes de alho finamente cortados

1 colher de chá de cominho moído

800g de tomates maduros grandes ou a mesma quantidade de tomates pelados enlatados

4 ovos + 4 gemas

120g de Labne ou iogurte grego sem açúcar. 

sal a gosto

 Aqueça a panela em fogo médio. Coloque o azeite, o harissa, o extrato de tomates, o alho, o cominho e metade do sal. Misture de modo que a mistura aqueça por igual e libere seu perfume. 

Aqueça a panela em fogo médio. Coloque o azeite, o harissa, o extrato de tomates, o alho, o cominho e metade do sal. Misture de modo que a mistura aqueça por igual e libere seu perfume. 

 Adicione os pimentões picados, mexendo sempre em fogo baixo. Cozinhe até que os pedaços fiquem macios e quase se dissolvam. Adicione os tomates e continue em fogo baixo até que os tomares virem purê. 

Adicione os pimentões picados, mexendo sempre em fogo baixo. Cozinhe até que os pedaços fiquem macios e quase se dissolvam. Adicione os tomates e continue em fogo baixo até que os tomares virem purê. 

 Distribua a pasta em partes iguais nos  ramekins  (ou você pode fazer tudo na mesma frigideira onde cozinhou tudo. Basta fazer alguns buracos na pasta para acomodar os ovos e as gemas.), fazendo um buraco no meio para os ovos. 

Distribua a pasta em partes iguais nos ramekins (ou você pode fazer tudo na mesma frigideira onde cozinhou tudo. Basta fazer alguns buracos na pasta para acomodar os ovos e as gemas.), fazendo um buraco no meio para os ovos. 

 Com a ajuda de um garfo, misture um pouco as claras com o molho espesso, tomando cuidado para manter as gemas intactas. Se fizer nos  ramekins , asse-os em forno a 180 graus pré-aquecido por uns 15 minutos (vai depender do seu forno). Se optar for fazer na frigideira, basta levá-la ao fogo baixo novamente, até que as claras cozinhem e as gemas fiquem ainda moles. você pode tampar um pouco pra ajudar. 

Com a ajuda de um garfo, misture um pouco as claras com o molho espesso, tomando cuidado para manter as gemas intactas. Se fizer nos ramekins, asse-os em forno a 180 graus pré-aquecido por uns 15 minutos (vai depender do seu forno). Se optar for fazer na frigideira, basta levá-la ao fogo baixo novamente, até que as claras cozinhem e as gemas fiquem ainda moles. você pode tampar um pouco pra ajudar. 

 O  labne  é um queijo parecido com o  Chanclish  que temos abundantemente no Brasil. Mas este daqui é cremoso, como um iogurte. Você pode fazer um misturando um pouco de iogurte natural em  chanchish  ralado se quiser. ou pode tentar fazer o seu próprio   labne   em casa. 

O labne é um queijo parecido com o Chanclish que temos abundantemente no Brasil. Mas este daqui é cremoso, como um iogurte. Você pode fazer um misturando um pouco de iogurte natural em chanchish ralado se quiser. ou pode tentar fazer o seu próprio labne em casa. 

 Antes de comer, misture um pouco o ovo no molho. Ele se encarregará de terminar de cozinhar a gema. Mas se você gosta de gema mole como eu, se joga! 

Antes de comer, misture um pouco o ovo no molho. Ele se encarregará de terminar de cozinhar a gema. Mas se você gosta de gema mole como eu, se joga! 

 Sirva com um belo pão tostado, uma colherada de labne ou iogurte grego polvilhado com cebolinha por cima. Bom apetite!

Sirva com um belo pão tostado, uma colherada de labne ou iogurte grego polvilhado com cebolinha por cima. Bom apetite!

Tarta Crocante: a famosa receita da CrackPie da Christina Tosi.

E lá vou eu de Christina Tosi novamente! Meu encantamento com as coisas dela deve-se, principalmente, pela reinvenção da confeitaria americana. Quem já foi aos Estados Unidos e, como eu, tem por programa principal de viagens provar as comidas diferentes do país ou estado onde está, sabe que a confeitaria americana prima por preparações rápidas, muito doces, com bastante massa, creme ou glacê, num visual um tanto quanto desleixado (se comparada com a francesa, por exemplo). Christina pega tudo isso e reinventa, tornando coisas que seriam simples em verdadeiros projetos de confeitaria, com mais etapas que muitos doces franceses por ai. O resultado são doces simples, mas que demandam muita organização e esmero para serem feitos. O visual é limpo e prático, sem os excessos que costumamos ver de vez em quando. E não há espaço pra pasta americana, o que já é uma imensa vantagem. Aqui, o que é simples não é fácil. Penso que simplicidade não está de mãos dadas com facilidade. Ainda mais nos dias de hoje. Enfim...

Esta tarta é muito famosa! E como não há Momofuku Milk Bar em Miami, eu tinha duas opções: comprar online e esperar a entrega ou fazer a minha própria. Como a confeiteira mantém algumas de suas receitas em seu próprio site, advinha o que eu escolhi? Decidi fazê-la para o natal e fazer a quantidade que ela recomenda na receita, 2 tartas. Daí eu acondicionei as duas em formas diferentes pra ver qual ficava melhor e foi bacana passar por todo o processo. 

A CrackPie, como o próprio nome diz, é uma tarta crocante feita de ovos, açúcar e manteiga basicamente. O resultado é que a capa e a massa ficam bem crocantes e o recheio cremoso, como um quindim mais molinho, mas com sabor meio caramelo. É uma tarta muito doce e interessante, que por conta disso rende bastante. Pode ser servida com um pouco de sorvete de baunilha pra dar um bom contraste. Vamos lá!

Tarta Crocante

Massa de biscoito de aveia

115g de manteiga em temperatura ambiente

75g de açúcar demerara

40g de açúcar cristal

1 gema de ovo

80g de farinha de trigo

120g de aveia em flocos achatados

0,5g de fermento químico em pó

0.25g de bicarbonato de sódio

2g de sal

Modo de preparo: Pré-aqueça o forno a 180 graus Celsius.

 Combine a manteiga com os açúcares e leve à batedeira com o batedor raquete. Bata até que a mistura fique esbranquiçada e fofa. A minha não ficou tão esbranquiçada porque o açúcar que usei foi orgânico e não alvejado. A cor dele, como pode ser visto na  mise en place  logo acima desta foto, é creme, parecida com a do açúcar demerara. No lugar do demerara eu usei um mascavo que eu já tinha, que é diferente dos que temos no Brasil e não é tão forte no sabor.

Combine a manteiga com os açúcares e leve à batedeira com o batedor raquete. Bata até que a mistura fique esbranquiçada e fofa. A minha não ficou tão esbranquiçada porque o açúcar que usei foi orgânico e não alvejado. A cor dele, como pode ser visto na mise en place logo acima desta foto, é creme, parecida com a do açúcar demerara. No lugar do demerara eu usei um mascavo que eu já tinha, que é diferente dos que temos no Brasil e não é tão forte no sabor.

 Raspe as bordas da tigela e, usando velocidade baixa, acrescente a gema de ovo. Aumente a velocidade, batendo até incorporar. Estará bom quando os grãos de açúcar dissolverem por completo. 

Raspe as bordas da tigela e, usando velocidade baixa, acrescente a gema de ovo. Aumente a velocidade, batendo até incorporar. Estará bom quando os grãos de açúcar dissolverem por completo. 

 Em baixa velocidade, acrescente todos os secos. Misture até que tudo se incorpore.

Em baixa velocidade, acrescente todos os secos. Misture até que tudo se incorpore.

 Ficará parecida com uma massa de cookie, só que mais mole e gordurosa.

Ficará parecida com uma massa de cookie, só que mais mole e gordurosa.

 Forre uma assadeira com papel manteiga ou tapete de silicone e espalhe a massa até que ficar com pouco menos de 1 cm de altura. Não há massa suficiente para cobrir a assadeira toda. Nenhum problema! Deixe espaços de uns 3 dedos entre a massa e as laterais da forma porque a massa cresce. Veja abaixo e compare.

Forre uma assadeira com papel manteiga ou tapete de silicone e espalhe a massa até que ficar com pouco menos de 1 cm de altura. Não há massa suficiente para cobrir a assadeira toda. Nenhum problema! Deixe espaços de uns 3 dedos entre a massa e as laterais da forma porque a massa cresce. Veja abaixo e compare.

 Asse por aproximadamente 15 minutos (dependerá do forno). O ponto é quando as bordas estiverem douradas, mas a massa ainda cede um pouco ao toque. Sua casa deverá estar cheirando a cookie!

Asse por aproximadamente 15 minutos (dependerá do forno). O ponto é quando as bordas estiverem douradas, mas a massa ainda cede um pouco ao toque. Sua casa deverá estar cheirando a cookie!

Recheio

300g de açúcar refinado

180g de açúcar demerara

20g de leite em pó

14g de fubá mimoso

10g de amido de milho

6g de sal

225g de manteiga derretida

160g de creme de leite fresco

2g de extrato de baunilha

8 gemas de ovos

Modo de preparo:

 Combine os açúcares, o leite em pó, o fubá com amido de milho e o sal e misture na batedeira, com o batedor raquete até misturar bem. Adicione a manteiga derretida e misture até incorporar, por 2 ou 3 minutos.

Combine os açúcares, o leite em pó, o fubá com amido de milho e o sal e misture na batedeira, com o batedor raquete até misturar bem. Adicione a manteiga derretida e misture até incorporar, por 2 ou 3 minutos.

 Vai ficar uma mistura líquida arenosa.

Vai ficar uma mistura líquida arenosa.

 Adicione o creme de leite fresco e bata por mais uns 2 ou 3 minutos em velocidade baixa até que ele se incorpore na massa. É importante que a velocidade seja baixa porque você não quer fazer chantilly aqui. 

Adicione o creme de leite fresco e bata por mais uns 2 ou 3 minutos em velocidade baixa até que ele se incorpore na massa. É importante que a velocidade seja baixa porque você não quer fazer chantilly aqui. 

 Raspe as laterais da tigela. Adicione as gemas e o extrato de baunilha, misturando para que incorporem bem. Quanto menos bater, melhor, porque incorpora-se menos ar à massa. O ar se expande dentro da massa no forno e pode prejudicar o resultado final de sua tarta. O resultado que procuramos é uma mistura brilhante e homogênea. É um recheio muito saboroso! Difícil não pegar uma provinha! 

Raspe as laterais da tigela. Adicione as gemas e o extrato de baunilha, misturando para que incorporem bem. Quanto menos bater, melhor, porque incorpora-se menos ar à massa. O ar se expande dentro da massa no forno e pode prejudicar o resultado final de sua tarta. O resultado que procuramos é uma mistura brilhante e homogênea. É um recheio muito saboroso! Difícil não pegar uma provinha! 

O recheio pode ser usado imediatamente, ou refrigerado em um recipiente hermético na geladeira por até uma semana. 

Montagem:

1 receita de cookie previamente feita, assada, fria e quebrada em pedaços pequenos, para caber no processador. 

15g de açúcar demerara

1g de sal

55g de manteiga derretida

A receita de recheio previamente pronto

Açúcar impalpável para decorar

Modo de preparo: pré-aqueça o forno a 180 graus Celsius.

 Coloque a massa quebrada de  cookie , o açúcar e o sal num processador até virar uma farofa. Se você não tiver um processador de alimentos, pode usar um mixer ou o liquidificador. Só terá de dividir a massa em 3 ou 4 partes, pra ter condições de transformá-la em farofa. Se preferir fazer o trabalho a mão, um rolo de macarrão pode ajudar. Embrulhe os pedaços de massa num pano limpo, feche-o como um saco e segurando as extremidades com uma mão, apoiado sobre uma mesa firme, bata o rolo de massa em cima do pano até que esfarele tudo É um ótimo método para desestressar! 

Coloque a massa quebrada de cookie, o açúcar e o sal num processador até virar uma farofa. Se você não tiver um processador de alimentos, pode usar um mixer ou o liquidificador. Só terá de dividir a massa em 3 ou 4 partes, pra ter condições de transformá-la em farofa. Se preferir fazer o trabalho a mão, um rolo de macarrão pode ajudar. Embrulhe os pedaços de massa num pano limpo, feche-o como um saco e segurando as extremidades com uma mão, apoiado sobre uma mesa firme, bata o rolo de massa em cima do pano até que esfarele tudo É um ótimo método para desestressar! 

  Adicione a manteiga e misture até que possa ser formada uma bola com a massa. Aperte-a na mão pra ver se ela se une. Aqui a massa sem a manteiga extra.

Adicione a manteiga e misture até que possa ser formada uma bola com a massa. Aperte-a na mão pra ver se ela se une. Aqui a massa sem a manteiga extra.

 Se não der pra formar a bola, adicione um pouco mais de manteiga derretida, até que a bola seja formada. Aperte a massa novamente na mão pra ver se aglutina.

Se não der pra formar a bola, adicione um pouco mais de manteiga derretida, até que a bola seja formada. Aperte a massa novamente na mão pra ver se aglutina.

 Divida a massa em duas partes iguais. Molde-as nas formas onde serão assadas as tortas. Se a forma que estiver usando for flexível como a de alumínio da foto (direita), coloque numa assadeira antes de forrá-la com a massa, pra evitar que a massa se quebre no transporte da forma para a assadeira.

Divida a massa em duas partes iguais. Molde-as nas formas onde serão assadas as tortas. Se a forma que estiver usando for flexível como a de alumínio da foto (direita), coloque numa assadeira antes de forrá-la com a massa, pra evitar que a massa se quebre no transporte da forma para a assadeira.

 Aperte a massa contra a base e as paredes das formas, usando seus dedos e costas da mão, pressionando bem pra que forre a superfície.  Divida o recheio em duas partes iguais e verta-o sobre a massa pressionada nas formas, preenchendo 3/4 da altura da massa. 

Aperte a massa contra a base e as paredes das formas, usando seus dedos e costas da mão, pressionando bem pra que forre a superfície.  Divida o recheio em duas partes iguais e verta-o sobre a massa pressionada nas formas, preenchendo 3/4 da altura da massa. 

 Asse por aproximadamente 20 minutos (sempre depende do forno). A superfície da tarta deve estar dourada, mas o interior ainda meio-líquido. Para saber, bata com a mão na porta ou lateral do forno. O recheio deve mover-se um pouco. Assim que atingir este ponto, abra a porta do forno e reduza a temperatura para 160 graus. Mantenha a porta do forno aberta por aproximadamente 7 minutos, para deixar a temperatura arrefecer. Feche a porta do forno e asse as tartas por mais uns 15 minutos. O ponto certo é quando somente o centro da torta ainda se move um pouco quando se bate na porta ou na lateral do forno. Desligue o fogo e deixe as tartas dentro por mais uns 7 minutos. 

Asse por aproximadamente 20 minutos (sempre depende do forno). A superfície da tarta deve estar dourada, mas o interior ainda meio-líquido. Para saber, bata com a mão na porta ou lateral do forno. O recheio deve mover-se um pouco. Assim que atingir este ponto, abra a porta do forno e reduza a temperatura para 160 graus. Mantenha a porta do forno aberta por aproximadamente 7 minutos, para deixar a temperatura arrefecer. Feche a porta do forno e asse as tartas por mais uns 15 minutos. O ponto certo é quando somente o centro da torta ainda se move um pouco quando se bate na porta ou na lateral do forno. Desligue o fogo e deixe as tartas dentro por mais uns 7 minutos. 

Retire as tartas do forno e transfira-as para uma grade para que possam resfriar até a temperatura ambiente. Quando totalmente frias, embale-as em plástico filme e leve ao freezer ou congelador por 3 horas. Isso vai ajudar a condensar o interior da tarta. Transfira-a para a geladeira e deixe descongelar por aproximadamente 1 hora. Sirva só, acompanhando um café. Ou incremente com uma generosa bola de sorvete de creme ou baunilha. 

 Aqui dá pra ver o interior da tarta. Crocante por fora e cremosa por dentro. Há uma expressão em inglês para descrever este ponto,  "Ooey Gooey",  que não tem tradução para o português eu acho. 

Aqui dá pra ver o interior da tarta. Crocante por fora e cremosa por dentro. Há uma expressão em inglês para descrever este ponto, "Ooey Gooey", que não tem tradução para o português eu acho. 

Eu achei que a tarta fica melhor assada em forma de alumínio fino. A massa da que assei na forma de cerâmica ficou mais dura, além de ter levado mais tempo pra descongelar e ter sido servida ainda um pouco congelada. Esta da última foto estava perfeita depois de seguidos todos os passos. É uma receita para fazer de vez quando, quando você estiver sentindo vontade de algo mais doce, crocante e diferente. E como a receita dá pra duas tarts você pode manter a outra no congelador para quando houver uma próxima vontade. Vale demais fazer! 

 Polvilhe açúcar impalpável sobre a tarta antes de servir. Use uma peneira pra distribuir melhor e usar menos açúcar. Bom apetite! 

Polvilhe açúcar impalpável sobre a tarta antes de servir. Use uma peneira pra distribuir melhor e usar menos açúcar. Bom apetite! 

 

 

 

 

 

 

 

[Receitas de Família] "Casquinha" de Caranguejo com Tapioca.

Este é um dos pratos mais emblemáticos que se pode comer em casa de minha mãe. A receita não é dela, mas é executada com tanta maestria que é como os compositores dizem de Maria Bethânia com suas músicas: ela se apropria do que interpreta. Não foi à toa que Nara Leão, espertíssima, não quis mais reassumir seu lugar no palco do mítico show do Teatro Opinião.  

Eu me aventurei a fazer a receita pra convidados estrangeiros, como que para apresentar um pouco da comida brasileira para eles. Um japonês, uma peruana e uma venezuelana. Aproveitei que eles não tinham referência do prato pra fazer a minha versão, consciente de que jamais serei a Bethânia desta receita. Mas mesmo assim, fiz bonito e encantei! 

 Estreando a  cerâmica Honjo  lindíssima que minha amiga Letícia me deu. 

Estreando a cerâmica Honjo lindíssima que minha amiga Letícia me deu. 

Como eu não tenho as carapaças de siri secas para apresentá-la como se deve, resolvi incrementar na brasilidade e servir o recheio com tapioquinhas, em tamanho aperitivo. A combinação funcionou tão bem que atingiu o objetivo de abrir um almoço de comida baiana, com sobremesa inspirada em Minas Gerais. Além de substituir a carapaça do siri, também substituí a carne pela de Caranguejo. Ficou gostoso demais e eu lamentei não ter sobrado nadinha pra gente beliscar sozinho depois de tudo acabado. Dica especial: guarde um pouquinho separado pra você comer em paz depois. Abra uma garrafa de um bom Sauvignon Blanc e ponha Bethânia na radiola. Ser feliz é só uma questão de saber cozinhar! Hahahaha.

Casquinha de Caranguejo com Tapioca pra beliscar.

Ingredientes

Para o recheio:

250g de carne de caranguejo cozida, limpa e desfiada grosseiramente

cebolinha verde a gosto

coentro fresco picadinho a gosto

1 limão

pimenta do reino a gosto

sal a gosto

1 colher de sopa de manteiga sem sal

1 colher de sopa de óleo de girassol ou outro de sabor neutro

1 cebola média picada em brunoise

1 colher de sopa rasa de farinha de trigo

1 tomate, sem sementes, picado em brunoise

1 fatia de pão amanhecido

100ml de caldo de vegetais

2 gemas 

100ml de creme de leite fresco

1 colher de sopa de queijo parmesão ralado

salsinha picada a gosto + para a finalização

1 colher de sopa rasa de azeite de dendê

80ml de leite de côco

pimenta vermelha fresca picadinha

 Leve ao fogo uma panela com a manteiga e 1 colher de óleo. Deixe aquecer e refogue a cebola até que fique transparente. Acrescente a farinha de trigo e toste levemente.

Leve ao fogo uma panela com a manteiga e 1 colher de óleo. Deixe aquecer e refogue a cebola até que fique transparente. Acrescente a farinha de trigo e toste levemente.

 Em seguir a adicione o tomate e o pão (previamente amolecido no caldo de vegetais. Passe-o pela peneira). Deixe em fogo brando, mexendo para não grudar, at;e formar um bolo. 

Em seguir a adicione o tomate e o pão (previamente amolecido no caldo de vegetais. Passe-o pela peneira). Deixe em fogo brando, mexendo para não grudar, at;e formar um bolo. 

 Retire do fogo e junte as gemas, mexendo sempre. Torne a levar ao fogo brando por mais 5 minutos. Adicione o creme de leite, o queijo ralado e a casinha picadinha. Adicione a carne de caranguejo e mexa por aproximadamente 10 minutos, ou até que a umidade extra que a carne trouxe para o creme desapareça. Junte a pimenta vermelha picadinha, o dendê e o leite de côco. Adicione o suco de limão, o coentro e cebolinha frescos picadinhos e ajuste o tempero com sal e pimenta. Desligue o fogo. Sirva numa panelinha com tampa e finalize com ervas frescas picadinhas por cima. 

Retire do fogo e junte as gemas, mexendo sempre. Torne a levar ao fogo brando por mais 5 minutos. Adicione o creme de leite, o queijo ralado e a casinha picadinha. Adicione a carne de caranguejo e mexa por aproximadamente 10 minutos, ou até que a umidade extra que a carne trouxe para o creme desapareça. Junte a pimenta vermelha picadinha, o dendê e o leite de côco. Adicione o suco de limão, o coentro e cebolinha frescos picadinhos e ajuste o tempero com sal e pimenta. Desligue o fogo. Sirva numa panelinha com tampa e finalize com ervas frescas picadinhas por cima. 

Para as tapiocas:

500g de polvilho doce

300ml de água

sal a gosto. 

Modo de preparo: Fazer tapioca exige "ciência". Isto quer dizer que a quantidade de água a ser utilizada na hidratação do polvilho não pode ser determinada com precisão antes da realização da receita. Portanto, os 300ml aqui são apenas uma estimativa: poderão ser utilizados em sua totalidade ou não. Também pode ser necessário um pouco mais. No blog Come-se, da Neide Rigo, ela ensina a hidratar da melhor maneira. A técnica toma metade de um dia, mas é certeira. A que ensino aqui é mais emergencial, pra ser feita na hora. 

 O que se deve ter em mente quando se faz tapioca é que a textura e aparência desejados são semelhantes às da ricota (veja foto acima). A melhor forma de atingí-lo com sucesso é ir adicionando a água aos poucos, incorporando-a com as mãos. Misture bem antes de adicionar mais água, para não correr o risco de obter aquela mistura que parece líquida, mas que fica dura com o toque, conhecida cientificamente como "líquido não-newtoniano". Por isso também é importante reservar um pouco do polvilho seco, antes de começar a hidrata-lo. Se você errar a mão na água e ficar com o "líquido-duro", é só usar o polvilho seco pra ajustar o teor de água da mistura. 

O que se deve ter em mente quando se faz tapioca é que a textura e aparência desejados são semelhantes às da ricota (veja foto acima). A melhor forma de atingí-lo com sucesso é ir adicionando a água aos poucos, incorporando-a com as mãos. Misture bem antes de adicionar mais água, para não correr o risco de obter aquela mistura que parece líquida, mas que fica dura com o toque, conhecida cientificamente como "líquido não-newtoniano". Por isso também é importante reservar um pouco do polvilho seco, antes de começar a hidrata-lo. Se você errar a mão na água e ficar com o "líquido-duro", é só usar o polvilho seco pra ajustar o teor de água da mistura. 

 Uma vez atingido o ponto certo, passe-a por uma peneira fina. Aqueça uma frigideira de uns 20cm de diâmetro, distribuindo porções dessa farofa sobre o fundo quente. Assim que puder tocar a superfície da tapioca e sentir que está firme, mova a frigideira para que a tapioca se solte e vire-a para firmar o outro lado. Coloque-as umas sobre as outras numa tábua, até terminar a mistura de polvilho peneirada. Depois é só usar um cortador redondo de uns 8cm de diâmetro para fazer as tapioquinhas. O meu rendeu 4 tapioquinhas pra cada tapioca grande. 

Uma vez atingido o ponto certo, passe-a por uma peneira fina. Aqueça uma frigideira de uns 20cm de diâmetro, distribuindo porções dessa farofa sobre o fundo quente. Assim que puder tocar a superfície da tapioca e sentir que está firme, mova a frigideira para que a tapioca se solte e vire-a para firmar o outro lado. Coloque-as umas sobre as outras numa tábua, até terminar a mistura de polvilho peneirada. Depois é só usar um cortador redondo de uns 8cm de diâmetro para fazer as tapioquinhas. O meu rendeu 4 tapioquinhas pra cada tapioca grande. 

 sirva as tapioquinhas com o creme de caranguejo para que seus convidados as recheiem à medida em que comerem. Mas não esqueça de salvar umas pra você comer depois. Não vai sobrar, pode ter certeza disso! 

sirva as tapioquinhas com o creme de caranguejo para que seus convidados as recheiem à medida em que comerem. Mas não esqueça de salvar umas pra você comer depois. Não vai sobrar, pode ter certeza disso! 

[Thanksgiving] Cheesecake de abóbora com especiarias e chocolate.

O dia de Ação de Graças aqui nos EUA é tão importante quanto o natal. É o feriado que lota aeroportos e distribui pessoas de um canto ao outro do país, normalmente no intuito de reunir-se com seus familiares e amigos para comer e beber absurdamente e refletir o quão gratos são pela vida, o antiácido e tudo o mais que os rodeia. A festividade tem origem numa refeição compartilhada entre os indígenas norte-americanos e os imigrantes ingleses recém chegados à época da colonização. Eles trouxeram pouca comida em sua bagagem e estavam condenados a morrerem de inanição e doenças na nova terra. É um festejo bastante interessante, onde os pratos clássicos utilizam ingredientes nativos e sazonais (embora todos possam ser encontrados o ano todo nos supermercados, inclusive na forma de enlatados...).

Um dos ingredientes mais emblemáticos dos festejos do outono é a abóbora, que reina absoluta no Halloween e no Thanksgiving. A forma mais tradicional de usá-la nesta época do ano é a "Pumpkin Pie". Só que eu provei da famosa tarta e não gostei. Daí, achei esta receita que mistura abóbora, especiarias e chocolate numa mesma cheesecake! Resolvi experimentar no Thanksgiving do ano passado, quando inventei de fazer toda a ceia sozinha pra ver como era. Tudo pra descobrir que é, realmente, um trabalho muito cansativo e que deve ser compartilhado! Esta Cheesecake foi um dos pontos altos da ceia e até hoje tem gente que lembra dela com saudades. A receita só não veio parar no blog antes porque coloquei mil e um defeitos na aparência, achando que deveria fazer novamente para postar aqui.

 Essa foi a primeira vez em que fiz a receita. Ela ficou muito bem executada, mas a altura da cheesecake e o dourado da superfície deixaram a desejar. Eu queria ela mais alta e menos coradinha, para o marmorizado aparecer bastante. Dessa vez, o marmorizado virou uma camada inteira de chocolate, porque eu não soube solucionar o problema da superfície menor com a mesma quantidade de massa de chocolate. Se tivesse parado pra pensar um pouco e separado um pouco da massa de abóbora pra intercalar, teria ficado como essa. Mas isso é agora um desafio para a terceira vez. Ou pra você, que aprendeu com os meus erros e não vai passar por isso. ;)

Essa foi a primeira vez em que fiz a receita. Ela ficou muito bem executada, mas a altura da cheesecake e o dourado da superfície deixaram a desejar. Eu queria ela mais alta e menos coradinha, para o marmorizado aparecer bastante. Dessa vez, o marmorizado virou uma camada inteira de chocolate, porque eu não soube solucionar o problema da superfície menor com a mesma quantidade de massa de chocolate. Se tivesse parado pra pensar um pouco e separado um pouco da massa de abóbora pra intercalar, teria ficado como essa. Mas isso é agora um desafio para a terceira vez. Ou pra você, que aprendeu com os meus erros e não vai passar por isso. ;)

Eu ainda não estou satisfeita com o visual que consegui. Mas decidi que ela está bonita o suficiente para merecer um post. E o sabor dela é incrível! A textura é super macia e a camada de biscoito faz um contraponto interessante. No final das contas, essa receita vai entrar pro rol das Cheesecakes mais gostosas que já fiz e fatalmente será feita de novo. E se ficar mais bonita na melhor de 3, eu troco a foto aqui. Yes!!!! Claro, que com as devidas explicações. ;)

Não sei se será possível fazer a ceia novamente este ano. Mas a sobremesa já está garantida! 

 Pra não dizer que só falei dos meus erros, vamos a alguns acertos muito bons: a receita original instrui que assemos o bolo a 180 celsius, mas isso me rendeu bordas levemente mais altas e superfície um pouco rachada na primeira vez que a fiz. Reduzi a temperatura para 150 celsius desta vez e  voilá ! Nunca tinha feito uma  Cheesecake  assada com um topo tão retinho! Isso também colaborou, junto com a redução no uso da batedeira pra não incorporar tanto ar à massa, para que a massa ficasse bem compacta e cremosa, numa receita em que os únicos agentes aglutinadores são os ovos. 

Pra não dizer que só falei dos meus erros, vamos a alguns acertos muito bons: a receita original instrui que assemos o bolo a 180 celsius, mas isso me rendeu bordas levemente mais altas e superfície um pouco rachada na primeira vez que a fiz. Reduzi a temperatura para 150 celsius desta vez e voilá! Nunca tinha feito uma Cheesecake assada com um topo tão retinho! Isso também colaborou, junto com a redução no uso da batedeira pra não incorporar tanto ar à massa, para que a massa ficasse bem compacta e cremosa, numa receita em que os únicos agentes aglutinadores são os ovos. 

Cheesecake de abóbora, especiarias e chocolate amargo

Para a base:

 Separe e pese todos os ingredientes antes de começar o preparo. Essa etapa toma um certo tempo, mas garante que sua receita seja executada de maneira mais ágil e atenta, com mais chances de dar certo. 

Separe e pese todos os ingredientes antes de começar o preparo. Essa etapa toma um certo tempo, mas garante que sua receita seja executada de maneira mais ágil e atenta, com mais chances de dar certo. 

142g de biscoito do tipo maisena

30g de açúcar refinado

75g de manteiga derretida sem sal

20g de cacau em pó

 Triture os biscoitos no liquidificador ou processador de alimentos. Junte o açúcar, o cacau em pó e processe até incorporar.

Triture os biscoitos no liquidificador ou processador de alimentos. Junte o açúcar, o cacau em pó e processe até incorporar.

 Misture a manteiga derretida à farinha processada e misture bem.

Misture a manteiga derretida à farinha processada e misture bem.

 Coloque a farofa obtida com os ingredientes processados no fundo da forma (20 cm de diâmetro) e faça uma camada compacta, apertando-a com os dedos. Você pode usar uma colher ou um pote de vidro com o fundo liso para nivelar bem esta camada e deixa-la lisinha como a da foto.

Coloque a farofa obtida com os ingredientes processados no fundo da forma (20 cm de diâmetro) e faça uma camada compacta, apertando-a com os dedos. Você pode usar uma colher ou um pote de vidro com o fundo liso para nivelar bem esta camada e deixa-la lisinha como a da foto.

Para a massa:

 Com os ingredientes da massa todos pesados e separados, você pode começar a trabalhar. Suja um pouco mais de louça, mas garante um resultado muito melhor da sua receita. Vai por mim!

Com os ingredientes da massa todos pesados e separados, você pode começar a trabalhar. Suja um pouco mais de louça, mas garante um resultado muito melhor da sua receita. Vai por mim!

454g de Cream cheese em temperatura ambiente

155g de açúcar refinado

1 xícara de chá de purê fino de abóbora moranga

3g de canela em pó

1 colher de chá de cravo em pó ou mais à gosto

1 colher de chá de noz moscada ralada ou mais à gosto

2 ovos grandes em temperatura ambiente

1 gema grande em temperatura ambiente

225g de creme de leite fresco

1 colher de sobremesa de extrato de baunilha

85g de chocolate meio-amargo picado

60g de creme de leite fresco [2]

 Leve o cream cheese à batedeira, misturando-o até que esteja macio. Acrescente o açúcar e bata até incorporar. Com a batedeira desligada, adicione o purê de abóbora, as especiarias e o extrato de baunilha. Bata até que tudo esteja bem homogêneo. lembre-se de raspar a superfície e o fundo da tigela com uma espátula de silicone. Isso impede que sobre massa não misturada. 

Leve o cream cheese à batedeira, misturando-o até que esteja macio. Acrescente o açúcar e bata até incorporar. Com a batedeira desligada, adicione o purê de abóbora, as especiarias e o extrato de baunilha. Bata até que tudo esteja bem homogêneo. lembre-se de raspar a superfície e o fundo da tigela com uma espátula de silicone. Isso impede que sobre massa não misturada. 

 Acrescente os ovos e a gema, um a um, com a batedeira em velocidade baixa. Aguarde até que cada um deles seja incorporado à massa antes de adicionar o outro. Pare de bater. Reserve. 

Acrescente os ovos e a gema, um a um, com a batedeira em velocidade baixa. Aguarde até que cada um deles seja incorporado à massa antes de adicionar o outro. Pare de bater. Reserve. 

 Aqueça o creme de leite no fogo até que ameace levantar fervura. Verta-o sobre o chocolate picado e aguarde 5 minutos antes de misturar os dois ingredientes. 

Aqueça o creme de leite no fogo até que ameace levantar fervura. Verta-o sobre o chocolate picado e aguarde 5 minutos antes de misturar os dois ingredientes. 

 Com a massa de abóbora pronta e o chocolate derretido, incorporado ao creme de leite e frio, separe uma xícara da mistura de cream cheese numa outra tigela e adicione o chocolate derretido. Misture delicadamente até que fique homogêneo. 

Com a massa de abóbora pronta e o chocolate derretido, incorporado ao creme de leite e frio, separe uma xícara da mistura de cream cheese numa outra tigela e adicione o chocolate derretido. Misture delicadamente até que fique homogêneo. 

 Agora é a hora da montagem. Com a base assada e já fria, as duas massas prontas e o forno já aquecido a 150 Celsius, coloque água para ferver, suficiente para encher uma forma retangular pela metade. 

Agora é a hora da montagem. Com a base assada e já fria, as duas massas prontas e o forno já aquecido a 150 Celsius, coloque água para ferver, suficiente para encher uma forma retangular pela metade. 

 Coloque a massa de abóbora por cima da camada de biscoito, deixando uma quantidade próxima a de uma xícara reservada para fazer o marmorizado. Com uma colher de sopa, distribua a massa de chocolate por cima da de abóbora, como na foto acima. Tá vendo como a quantidade quase tampa a superfície da primeira camada? Foi aqui que eu cometi o meu erro. Se você reservar uma xícara da massa de abóbora pra intercalar com a de chocolate, você vai garantir um resultado próximo ao que obtive da primeira vez que fiz. É só colocá-la com uma colher de sopa, nos intervalos entre uma porção de chocolate e a outra. 

Coloque a massa de abóbora por cima da camada de biscoito, deixando uma quantidade próxima a de uma xícara reservada para fazer o marmorizado. Com uma colher de sopa, distribua a massa de chocolate por cima da de abóbora, como na foto acima. Tá vendo como a quantidade quase tampa a superfície da primeira camada? Foi aqui que eu cometi o meu erro. Se você reservar uma xícara da massa de abóbora pra intercalar com a de chocolate, você vai garantir um resultado próximo ao que obtive da primeira vez que fiz. É só colocá-la com uma colher de sopa, nos intervalos entre uma porção de chocolate e a outra. 

 Aqui, como o meu marmorizado acabou se tornando uma camada-cobertura de chocolate. O que eu deveria ter conseguido era o resultado abaixo:

Aqui, como o meu marmorizado acabou se tornando uma camada-cobertura de chocolate. O que eu deveria ter conseguido era o resultado abaixo:

 Aqui, a cheesecake pronta para ir ao forno da primeira vez que fiz. Na forma de cm que usei da segunda vez, a xícara reservada da massa de abóbora será adicionada às colheradas, como a de chocolate, nos espaços entre as porções marrons. Com isso, fazer o efeito marmorizado com o palito será bem mais interessante e próximo do desta foto. Para fazê-lo, divida a forma em 4 quadrantes imaginários. Afunde um palito para churrasco na massa do primeiro quadrante a ser trabalhado, com cuidado para não danificar a camada de biscoito. Com a ponta dele submersa, escreva a letra L cursiva várias vezes, para que as duas cores de massa se entrelacem, criando desenhos. Quando achar que já está bom neste quadrante, gire a forma e repita o processo. Assim sucessivamente, até que termine. Dê algumas leves batidas da forma contra a bancada, pra assentar a massa e eliminar possíveis bolhas de ar. 

Aqui, a cheesecake pronta para ir ao forno da primeira vez que fiz. Na forma de cm que usei da segunda vez, a xícara reservada da massa de abóbora será adicionada às colheradas, como a de chocolate, nos espaços entre as porções marrons. Com isso, fazer o efeito marmorizado com o palito será bem mais interessante e próximo do desta foto. Para fazê-lo, divida a forma em 4 quadrantes imaginários. Afunde um palito para churrasco na massa do primeiro quadrante a ser trabalhado, com cuidado para não danificar a camada de biscoito. Com a ponta dele submersa, escreva a letra L cursiva várias vezes, para que as duas cores de massa se entrelacem, criando desenhos. Quando achar que já está bom neste quadrante, gire a forma e repita o processo. Assim sucessivamente, até que termine. Dê algumas leves batidas da forma contra a bancada, pra assentar a massa e eliminar possíveis bolhas de ar. 

 Leve a cheesecake ao forno, já com a forma cheia de água quente na grade de baixo, por aproximadamente 1 hora e quinze. Ela estará pronta quando as bordas estiverem firmes, mas o centro ainda estiver faltando um pouco pra cozinhar. Para ver o ponto, bata a mão levemente na porta do forno fechado e veja como a superfície se comporta. Se o centro tremer levemente, está ok. Desligue o forno, coloque uma colher de pau entreabrindo a porta dele e deixe a cheesecake dentro por mais 1 hora. Faça o teste do palito, que deverá sair limpo. Coloque sobre uma grade para esfriar. Leve a geladeira até o dia seguinte. 

Leve a cheesecake ao forno, já com a forma cheia de água quente na grade de baixo, por aproximadamente 1 hora e quinze. Ela estará pronta quando as bordas estiverem firmes, mas o centro ainda estiver faltando um pouco pra cozinhar. Para ver o ponto, bata a mão levemente na porta do forno fechado e veja como a superfície se comporta. Se o centro tremer levemente, está ok. Desligue o forno, coloque uma colher de pau entreabrindo a porta dele e deixe a cheesecake dentro por mais 1 hora. Faça o teste do palito, que deverá sair limpo. Coloque sobre uma grade para esfriar. Leve a geladeira até o dia seguinte. 

 Na receita original, recomendam que o bolo seja servido com chantilly. Eu servi só a cheesecake e acho que é suficiente! O sabor é incrível e, se você conseguir fazer um bom marmorizado, o visual também. 

Na receita original, recomendam que o bolo seja servido com chantilly. Eu servi só a cheesecake e acho que é suficiente! O sabor é incrível e, se você conseguir fazer um bom marmorizado, o visual também. 

Tagine de cordeiro e ameixa

Eu não sei muito bem quando e em que preparação foi que comi cordeiro pela primeira vez. Mas me lembro que até bem pouco tempo atrás, eu costumava passar mal logo depois de comer a carne. Apesar do problema, eu gostei muito do sabor desde o início e resolvi insistir. Achei que eu passava mal porque a carne era novidade pro meu organismo, já que minha mãe não gosta e nunca a preparou em casa. Mas, depois de muita insistência, o mau estar deixou de aparecer. Ainda bem porque, por conta disso, pude provar delícias como o Cordero Siete Horas e este prato aqui. 

Esta receita eu aprendi na faculdade de gastronomia. E foi feita e servida para o aniversário da Val, pra quem eu fiz uma festa com este bolo aqui. Ela e o marido gostam muito da comida com influência árabe e têm uma Tagine original do Marrocos em casa. Tagine é uma panela cuja tampa tem formato cônico, onde todo o vapor circula internamente e, quando condensado, retorna para o preparo durante o cozimento. O prato recebe o nome de Tagine por ser feito na panela de mesmo nome. Ocorre que a panela deles é de barro e eu tenho um fogão elétrico em casa, sem fogo. Portanto não era possível usar a panela para cozinhar. Fiz o prato numa frigideira grande e funcionou muito bem!

O grande lance desta receita é que os sabores das especiarias, mesclados com o adocicado das ameixas, dão um sabor todo especial à carne. O prato fica lindo, bem escuro e brilhante. Quase não há molho: as ameixas se desmancham nele fazendo as vezes de espessante. Este engrossado envolve os pedaços de carne, agregando um sabor incrível! E os pinholi adicionados ao final trazem uma crocância muito bem vinda. 

Servi com pão pita e hummus, mas também ofereci a opção de acompanhar com cuscuz marroquino. Os convidados rasparam a travessa e fiquei com a impressão de que, se tivesse feito o dobro da receita, ela também não teria sobrado. Vai por mim, é de lamber os beiços!

 Ficou ótimo como recheio de pão pita, mas também fica excelente com cuscuz marroquino neutro ou arroz branco. 

Ficou ótimo como recheio de pão pita, mas também fica excelente com cuscuz marroquino neutro ou arroz branco. 

Tagine de cordeiro com ameixas (rendimento: 6 a 8 pessoas, como prato principal.)

 Parte dos ingredientes que usei. Faltaram aí as ameixas, o caldo, os pinholi, o azeite e as ervas frescas.

Parte dos ingredientes que usei. Faltaram aí as ameixas, o caldo, os pinholi, o azeite e as ervas frescas.

1,5 kg de paleta de cordeiro desossada e cortada em cubos pequenos

4 cebolas brancas cortadas em cubos pequenos

100g de ameixas secas cortadas em 3

5g de gengibre fresco picadinho

açafrão à gosto

3 dentes de alho picadinhos

10g de canela em pó

50g de pinholi ou amêndoas

sal à gosto

pimenta do reino branca moída à gosto

10g de salsinha picada

30g de coentro picado

azeite de oliva à gosto

quantidade necessária de caldo de carne ou vegetais

Modo de fazer: 

 Aqueça bem a panela. Coloque azeite e imediatamente adicione as especiarias. Deixe que elas exalem seu perfume, misturando-as ao azeite.

Aqueça bem a panela. Coloque azeite e imediatamente adicione as especiarias. Deixe que elas exalem seu perfume, misturando-as ao azeite.

 Junte o alho e o gengibre picadinhos e refogue até que soltem perfume. 

Junte o alho e o gengibre picadinhos e refogue até que soltem perfume. 

 Junte a carne e sele-a na mistura de especiarias. Doure bem e deixe secar. 

Junte a carne e sele-a na mistura de especiarias. Doure bem e deixe secar. 

 Baixe o fogo. Junte as cebolas e mexa para incorporá-las à carne e envolve-las no tempero. Junte uma pitada de sal e refogue até que as cebolas fiquem transparentes. 

Baixe o fogo. Junte as cebolas e mexa para incorporá-las à carne e envolve-las no tempero. Junte uma pitada de sal e refogue até que as cebolas fiquem transparentes. 

 Adicione o caldo de carne até a metade da panela e cubra o preparo com uma  tampa feita de papel manteiga . Se a panela que você escolheu usar tem a sua respectiva tampa, é só usar a que você tem. Cozinhe em fogo baixo por aproximadamente 20 minutos. Depois, acrescente as ameixas e cozinhe por mais 20 minutos. Se for preciso, coloque um pouco mais de caldo, sem encharcar. Eu gosto de deixar as ameixas desmancharem bem no molho, de modo que desapareçam os pedaços. Tempere com sal e pimenta. Quase na hora de servir, adicione a salsinha e o coentro, reservando um pouco para colocar por cima, na finalização. Depois de servido, distribua os pinholi e o restante das ervas frescas. 

Adicione o caldo de carne até a metade da panela e cubra o preparo com uma tampa feita de papel manteiga. Se a panela que você escolheu usar tem a sua respectiva tampa, é só usar a que você tem. Cozinhe em fogo baixo por aproximadamente 20 minutos. Depois, acrescente as ameixas e cozinhe por mais 20 minutos. Se for preciso, coloque um pouco mais de caldo, sem encharcar. Eu gosto de deixar as ameixas desmancharem bem no molho, de modo que desapareçam os pedaços. Tempere com sal e pimenta. Quase na hora de servir, adicione a salsinha e o coentro, reservando um pouco para colocar por cima, na finalização. Depois de servido, distribua os pinholi e o restante das ervas frescas. 

Lutenitsa: pastinha búlgara deliciosa de vegetais.

Sou fã de manteiga, requeijão cremoso, cream cheese e quase tudo o que pode ser espalhado sobre uma fatia de pão. Tanto, que sou consumidora regular de pesto, receita que já apareceu aqui no blog e que sempre tenho na geladeira. Porém, Bruno tem uma certa preferência por pesto como molho e mesmo assim me disse que já estava meio enjoado. Como isso é possível, eu não sei. Mas fiquei com isso na cabeça e comecei a procurar uma alternativa ao meu spread favorito pra poder agradá-lo um tiquinho. E daí me veio a idéia de fazer Lutenitsa

Esta é uma pasta búlgara muito gostosa, que eu já tive oportunidade de comer duas vezes. A primeira, num restaurante especializado em comida dos países dos Bálcãs em Nova Iorque e outra, num restaurante de comida israelense em Nova Orleans. Em ambos momentos eu gostei demais da textura, da cor e do sabor da Lutenitsa e achei que seria uma boa tentar fazer em casa pra comer. E acabei esbarrando nesta receita aqui. A partir dela eu consegui fazer uma pastinha bastante gostosa e que durou a semana inteira. Ela é meio adocicada e combina perfeitamente com pão e ovos. Bruno a devorou todos os dias no café da manhã e eu acredito, embora não tenha testado, que ela funcionaria muito bem numa massa longa, como molho. Originalmente todos os ingredientes meio que se fundem uma pasta bem vermelha. Eu quis fazê-la um pouco pedaçuda, por isso não processei os vegetais. Também quis que ela tivesse um sabor mais defumado, então decidi assar, além dos pimentões, a berinjela e as cenouras. Preferi uma consistência mais seca, para poder passar no pão e concentrar mais os sabores. E resolvi suprimir o açúcar da receita base, optando por desenvolver o açúcar da cebola e dar o toque adocicado sem adicionar nada além do que já havia nos vegetais. Fiquei bastante satisfeita com o resultado, que agora divido com vocês. 

Lutenitsa (rendimento: um pote e meio de g)

 No pão. Um sabor adocicado, picante e defumado, com textura de vegetais em pedaços. 

No pão. Um sabor adocicado, picante e defumado, com textura de vegetais em pedaços. 

1 berinjela média/grande

3 pimentões vermelhos grandes

2 cenouras médias descascadas

3 tomates sem pele, com sementes, picados grosseiramente

1 cebola grande picada em cubos pequenos

1 colher de sobremesa rasa de extrato de tomate

quantidade necessária de azeite 

páprica doce a gosto

tomilho seco a gosto

sal e pimenta do reino moída na hora

Modo de fazer: 

 Lave bem a berinjela e enxugue. Corte-a ao meio e faça cortes na carne, formando quadradinhos. Regue-a com azeite e tempere com um pouquinho de sal e pimenta do reino moídas na hora. Não coloque muito tempero agora. Lembre-se que você vai reduzir a mistura ao mínimo de água possível e que o ideal é acertar o sabor no final do preparo. Embrulhe-as em papel alumínio.

Lave bem a berinjela e enxugue. Corte-a ao meio e faça cortes na carne, formando quadradinhos. Regue-a com azeite e tempere com um pouquinho de sal e pimenta do reino moídas na hora. Não coloque muito tempero agora. Lembre-se que você vai reduzir a mistura ao mínimo de água possível e que o ideal é acertar o sabor no final do preparo. Embrulhe-as em papel alumínio.

 Embrulhe cada metade da berinjela no papel alumínio e coloque numa assadeira. Aproveitei e coloquei as cenouras junto porque tinha bastante espaço. Leve-as ao forno até que ao espetar uma faca na parte mais grossa da cenoura, ela solte imediatamente. O ponto da berinjela é quando ela estiver transparente e muito macia. Retire do forno. Reserve as cenouras para esfriarem. Abra os pacotes de berinjela e raspe a polpa, com a ajuda de uma colher de sobremesa, deixando só a casca pra trás. Reserve e deixe esfriar. 

Embrulhe cada metade da berinjela no papel alumínio e coloque numa assadeira. Aproveitei e coloquei as cenouras junto porque tinha bastante espaço. Leve-as ao forno até que ao espetar uma faca na parte mais grossa da cenoura, ela solte imediatamente. O ponto da berinjela é quando ela estiver transparente e muito macia. Retire do forno. Reserve as cenouras para esfriarem. Abra os pacotes de berinjela e raspe a polpa, com a ajuda de uma colher de sobremesa, deixando só a casca pra trás. Reserve e deixe esfriar. 

 Lave bem os pimentões e coloque-os numa assadeira. Leve-os ao forno, sem cobrir. A pele deles vai começar a criar bolhas, vai trincar e começar a ficar com aspecto de queimado, Vire-os de vez em quando para que eles dourem ao máximo por todos os lados. Assim que estiverem assados com queimadinhos por todos os lados, retire-os do forno. A melhor maneira de retirar a pele dos pimentões é dar um sabor defumado é coloca-los direto sobre a chama do fogão. Põe o pimentão na boca do fogo e liga a chama. Vire de vez em quando (cuidado para não se queimar! Use uma pinça própria!) e retire quando a pele estiver trincada e bem queijadinha. Adoraria fazer este processo aqui, mas meu fogão é elétrico. Por isso usei o forno. 

Lave bem os pimentões e coloque-os numa assadeira. Leve-os ao forno, sem cobrir. A pele deles vai começar a criar bolhas, vai trincar e começar a ficar com aspecto de queimado, Vire-os de vez em quando para que eles dourem ao máximo por todos os lados. Assim que estiverem assados com queimadinhos por todos os lados, retire-os do forno. A melhor maneira de retirar a pele dos pimentões é dar um sabor defumado é coloca-los direto sobre a chama do fogão. Põe o pimentão na boca do fogo e liga a chama. Vire de vez em quando (cuidado para não se queimar! Use uma pinça própria!) e retire quando a pele estiver trincada e bem queijadinha. Adoraria fazer este processo aqui, mas meu fogão é elétrico. Por isso usei o forno. 

 Passe os pimentões imediatamente para um refratário e vede-o com plástico filme. O calor e o vapor vão ajudar a soltar a pele dos pimentões e facilitar o processo de descasca-los. Deixe abafado até esfriar. Retire a pele e as sementes, além dos veios interios brancos. 

Passe os pimentões imediatamente para um refratário e vede-o com plástico filme. O calor e o vapor vão ajudar a soltar a pele dos pimentões e facilitar o processo de descasca-los. Deixe abafado até esfriar. Retire a pele e as sementes, além dos veios interios brancos. 

 Coloque uma panela com água suficiente para cobrir os tomates para ferver. Lave os tomates e faça cortes em cruz na parte contrária à posição da coroa. 

Coloque uma panela com água suficiente para cobrir os tomates para ferver. Lave os tomates e faça cortes em cruz na parte contrária à posição da coroa. 

 Assim que a água ferver, coloque os tomates na água e deixe-os imersos por 1 minuto ou até que você perceba que a casca começou a se romper e a sair fácil.

Assim que a água ferver, coloque os tomates na água e deixe-os imersos por 1 minuto ou até que você perceba que a casca começou a se romper e a sair fácil.

 Numa tigela já preparada com um banho maria invertido (água com gelo) mergulhe os tomates recém-retirados da água quente para interromper o processo de cocção. Aguarde até que eles estejam frios. 

Numa tigela já preparada com um banho maria invertido (água com gelo) mergulhe os tomates recém-retirados da água quente para interromper o processo de cocção. Aguarde até que eles estejam frios. 

 Retire a pele dos tomates, com cuidado para não amassa-los. 

Retire a pele dos tomates, com cuidado para não amassa-los. 

 Tomates pelados. ;)

Tomates pelados. ;)

 Corte os tomates em quatro e retire aquela parte branca que fica junto onde antes ficava o cabo. Corte-os grosseiramente, com as sementes, e reserve. 

Corte os tomates em quatro e retire aquela parte branca que fica junto onde antes ficava o cabo. Corte-os grosseiramente, com as sementes, e reserve. 

 Numa frigideira quente, coloque um fio de azeite e junte a cebola picadinha. Mexa, em fogo médio, até dourar. Quanto mais você caramelizar a cebola, mais açúcar você desenvolverá nela. veja o processo de caraterização  aqui. 

Numa frigideira quente, coloque um fio de azeite e junte a cebola picadinha. Mexa, em fogo médio, até dourar. Quanto mais você caramelizar a cebola, mais açúcar você desenvolverá nela. veja o processo de caraterização aqui. 

 Assim que a cebola estiver no ponto, adicione o extrato de tomates e mexa por uns cinco minutos. O contato com o calor reduzirá a acidez do extrato. 

Assim que a cebola estiver no ponto, adicione o extrato de tomates e mexa por uns cinco minutos. O contato com o calor reduzirá a acidez do extrato. 

 Junte os tomates e cozinhe até que amoleçam e possam ser amassados com a colher. 

Junte os tomates e cozinhe até que amoleçam e possam ser amassados com a colher. 

 Cozinhe até que os tomates e a cebola se incorporem num molho espesso. Adicione um pouco do tomilho seco.

Cozinhe até que os tomates e a cebola se incorporem num molho espesso. Adicione um pouco do tomilho seco.

 Adicione os vegetais previamente preparados: os pimentões picados grosseiramente, a berinjela e a cebola amassadas. Continue mexendo de vez em quando. 

Adicione os vegetais previamente preparados: os pimentões picados grosseiramente, a berinjela e a cebola amassadas. Continue mexendo de vez em quando. 

 Durante o cozimento prolongado, os vegetais ficarão mais macios e se incorporarão ao molho de tomate com cebola. Aqui você já pode começar a ajustar o tempero: sal, pimenta, páprica, corrija o tomilho, tomando cuidado pra não por demais... Vá adicionando aos poucos e lembre-se que ainda precisará reduzir a água da mistura um pouco mais. 

Durante o cozimento prolongado, os vegetais ficarão mais macios e se incorporarão ao molho de tomate com cebola. Aqui você já pode começar a ajustar o tempero: sal, pimenta, páprica, corrija o tomilho, tomando cuidado pra não por demais... Vá adicionando aos poucos e lembre-se que ainda precisará reduzir a água da mistura um pouco mais. 

 Quando a pasta estiver bem mais seca, ajuste o tempero ao seu gosto. Desligue o fogo e deixe esfriar. Adicione azeite à mistura antes de envasar. 

Quando a pasta estiver bem mais seca, ajuste o tempero ao seu gosto. Desligue o fogo e deixe esfriar. Adicione azeite à mistura antes de envasar. 

 Coloque num pote esterilizado com tampa. Dê batidinhas do pote numa superfície dura (coberta com um pano pra amortecer) a cada colherada de pasta que colocar, para que ela assente e elimine ao máximo as bolhas de ar. Ao final, cubra a superfície da massa com azeite extra virgem, tampe e guarde em geladeira. Melhor consumir a partir do dia seguinte e por no máximo, 1 semana. 

Coloque num pote esterilizado com tampa. Dê batidinhas do pote numa superfície dura (coberta com um pano pra amortecer) a cada colherada de pasta que colocar, para que ela assente e elimine ao máximo as bolhas de ar. Ao final, cubra a superfície da massa com azeite extra virgem, tampe e guarde em geladeira. Melhor consumir a partir do dia seguinte e por no máximo, 1 semana. 

Bolo de aniversário americano ou Birthday Cake da Christina Tosi.

A primeira vez que ouvi falar da Christina Tosi foi num programa do David Chang, para o The Mind of a Chef. Ela é a chef confeiteira responsável pelo Momofuku Milkbar e tornou-se um case de sucesso recentemente, porque suas criações são consideradas inusitadas, sem deixar de lado o rol de clássicos da confeitaria americana. Explico: pra mim, a grande sacada da chef foi ter investido no paladar um tanto quanto infantil dos americanos quando se fala em bolos, biscoitos e tortas. Ela busca sabores em reminiscências da infância e em produtos industriais consagrados, criando novos modos de fazer e apresentar seu trabalho. Mas ela vai além disso, incluindo ingredientes diferentes ou em outros estágios de maturação e aplicando-os de maneira inusitada. Pra você ter uma idéia, ela fez cookies com fubá, nos quais eu me inspirei na primeira receita publicada no blog. Nada demais? Não para os norte-americanos, ela muito sucesso com a receita! Aqui, milho é ingrediente de pratos salgados, até o Corn Cake (bolo de fubá) deles é salgado, como um pão, comumente um acompanhamento para sopas e pratos com caldos mais ricos.

Com a receita que une inovação e resgate de sabores da infância, além de muito trabalho e dedicação, ela foi de confeiteira de uma lojinha a dona de um império que produz bolos (e outras delícias) despachados para os quatro cantos do país, cada um custando em média 100 dólares. E ela é, também, desde a última temporada, jurada do Masterchef EUA, ao lado de Gordom Ramsay e Grant Elliot . Achei a história dela muito interessante e comecei a prestar atenção a tudo que saía sobre na internet. E aí, um dia, apareceu este bolo na minha timeline

A apresentação dele é bem divertida e me fez lembrar aquele bolo formigueiro, que minha mãe fazia pra gente quando éramos crianças. Eu fiquei encantada com a idéia de usar uma massa pintainha. Tentei me lembrar se já tinha visto um bolo recheado cuja massa fosse a do formigueiro e não consegui. A vontade de fazer foi imediata, mas ainda me faltava uma ocasião especial como um aniversário: o meu ainda está um pouquinho longe. Aí outubro chegou e a Val, boa amiga que fiz aqui em Miami, fez aniversário. Daí resolvi fazer uma festinha pra ela, comemorar e fazer o bolo - que a esta altura já estava me consumindo.

Eu a a Val já dividimos alguns momentos bem marcantes neste período de expatriadas e acabamos ficando muito próximas. Ao ponto da filhinha dela me chamar de Tia Paula e me incluir na lista de amiguinhos da festinha de aniversário, toda gracinha, porque "Tia Paula is my friend". Val é uma mulher e mãe incrível, elegante, de uma simplicidade que traz conforto e oferece abrigo, além de fotografar com uma sensibilidade ímpar. No fim, a comemoração era mais pela minha sorte de ter encontrado nela uma amiga estando tão longe de casa. Era uma excelente oportunidade de podermos celebrar, juntas, um aniversário dela. Até porque, em breve, nos mudaremos de Miami e cada uma vai para um país diferente. 

A receita pode parecer complicada por conta da quantidade de passos a cumprir, até que o bolo fique pronto. Na verdade é mais uma questão de organização do que de complicar a receita. Outra coisa que eu acho bem interessante no trabalho da Christina é que a apresentação dos doces é bem prática, sem muita frescura e bordados. Nada mais americano que praticidade, né? Gostei disso e quis tentar. 

Acabei fazendo algumas modificações na receita original. Alguns dos ingredientes não são comuns de serem usados na minha cozinha:

  • Usei granulados coloridos com corantes naturais, o que fez com que o bolo não tivesse a massa salpicada de cores tão vibrantes como as que você vê no bolo que ilustra a receita publicada na Bon Appetít, que usei de referência.
  • Substituí a essência transparente de baunilha pelo extrato de baunilha que eu já tenho em casa. Ele escurece um pouco a massa e o creme de recheio e cobertura, mas não vi motivos para comprar uma essência artificial, se podia usar o extrato. Entendo que um dos motivos pelos quais elas fez a escolha dos ingredientes era reproduzir o sabor do bolo feito pela mãe dela, com produtos pré-prontos. Porém achei que isso não seria um problema, já que não tenho a mesma memória afetiva que ela.
  • E, por último, usei manteiga no lugar da gordura vegetal. Aqui só é possível encontrar potes gigantes deste ingrediente e, depois de fazer este bolo, provavelmente não usaria isso pra mais nada. Não queria ter de jogar fora. Particularmente não gosto de sentir aquela capa de gordura que fica no céu da boca, quando se come produtos feitos com gordura vegetal. E, além disso, a manteiga é mais saborosa. 

Porém é importante alertar que substituições em receitas podem ser algo complicado, porque cada um tem uma razão de ser. Fiquei um pouco preocupada com a substituição da gordura vegetal, porque a manteiga derrete numa temperatura inferior à ela. Pensei que isso poderia ser um problema e até sonhei com o bolo desmontando na mesa durante a festa. Felizmente, isso não aconteceu. Mas tenho ar condicionado em casa. Numa cidade quente, dependendo do horário da festa e de quanto tempo o bolo ficará exposto na mesa antes de ser cortado, talvez seja prudente usar. Você pode fazer as etapas com antecedência, como eu fiz, e montar o bolo no dia anterior, para ele passar um tempo bom na geladeira. Mas se você quiser fazer tudo de uma vez e tiver um freezer onde caiba o bolo pronto, pode fazer também, desde que o bolo fique no freezer por 3 horas. Fora isso, eu o classifico como de relativa facilidade.

O sabor é de um bolo de aniversário de baunilha, bastante gostoso! Se você tiver condições de usar o sal moído na hora vai fazer diferença, porque os cristais no meio do bolo dão um toque salgadinho bem interessante! E os biscoitinhos também são um achado. Dão uma crocância fundamental na hora de comer o bolo.Vamos lá? Se quiser ter uma panorama geral do modo de preparo, aqui você pode ver a própria Christina fazendo o bolo (em inglês).

Bolo de aniversário com massa tipo formigueiro

 Este bolo serviu bem umas 20 pessoas. 

Este bolo serviu bem umas 20 pessoas. 

Utensílios

uma assadeira retangular

Manteiga para untar a forma duas vezes

papel manteiga para forrar a forma

batedeira

pão duro ou espátula de silicone

Para a massa:

2 xícaras de farinha de trigo para bolo

1 e 1/2 colher de sobremesa de fermento em pó

3/4 colher de sobremesa de sal (preferência pelo grosso, moído na hora em grãos irregulares)

granulados coloridos a gosto

1/2 xícara de chá de buttermilk (leitelho*)

1/3 xícara de chá de óleo de girassol ou outro de sabor neutro

1 colher de sobremesa de extrato ou essência de baunilha

1 e 1/4 xícaras de açúcar refinado

1/2 de xícara de manteiga na temperatura ambiente

3 colheres de sopa rasas de açúcar demerara

3 ovos grandes

 Tive de fazer uma receita e meia porque tanto a minha forma retangular, quando o meu aro de montagem são maiores dos que os pedidos na receita. 

Tive de fazer uma receita e meia porque tanto a minha forma retangular, quando o meu aro de montagem são maiores dos que os pedidos na receita. 

Modo de preparo:

Pré-aqueça o forno a 180 graus. Forre uma forma retangular de 33 X 22 cm (aproximadamente) com papel manteiga, untando com manteiga antes, pra grudar o papel, e untando depois por cima do papel. Reserve.

Misture farinha, fermento, sal e os granulados numa tigela grande. Eu outra, misture o leitelho com o óleo. 

 Usando uma batedeira em velocidade média, bata o açúcar e a manteiga e até que se torne uma mistura fofa e esbranquiçada (aproximadamente 4 minutos). Com a batedeira trabalhando, junte o demerara e a baunilha. Adicione e os ovos, um a um, deixando a batedeira trabalhar um tempo entre eles, para que possam ser emulsionados na gordura. Se você adicionar tudo de uma vez, a mistura desanda.

Usando uma batedeira em velocidade média, bata o açúcar e a manteiga e até que se torne uma mistura fofa e esbranquiçada (aproximadamente 4 minutos). Com a batedeira trabalhando, junte o demerara e a baunilha. Adicione e os ovos, um a um, deixando a batedeira trabalhar um tempo entre eles, para que possam ser emulsionados na gordura. Se você adicionar tudo de uma vez, a mistura desanda.

 Com uma espátula de silicone, raspe as laterais e o fundo da tigela de quando em quando, pra que a massa fique bem homogênea. Bata a mistura por mais 4 minutos, ou até que dobre de volume e fique bem leve, esbranquiçada e fofa. Reduza a velocidade da batedeira e adicione a mistura de leitelho e óleo em fio, bem devagar. Mais uma vez: se juntar tudo de uma vez, a mistura não ficará boa e poderá comprometer o resultado final. Bata um pouco para incorporar.

Com uma espátula de silicone, raspe as laterais e o fundo da tigela de quando em quando, pra que a massa fique bem homogênea. Bata a mistura por mais 4 minutos, ou até que dobre de volume e fique bem leve, esbranquiçada e fofa. Reduza a velocidade da batedeira e adicione a mistura de leitelho e óleo em fio, bem devagar. Mais uma vez: se juntar tudo de uma vez, a mistura não ficará boa e poderá comprometer o resultado final. Bata um pouco para incorporar.

 Pare a batedeira, adicione os ingredientes secos de uma vez e ligue em velocidade baixa somente para misturar e agregar os ingredientes (algo em torno de 1 minuto).

Pare a batedeira, adicione os ingredientes secos de uma vez e ligue em velocidade baixa somente para misturar e agregar os ingredientes (algo em torno de 1 minuto).

 A massa fica assim depois de todos os ingredientes incorporados. Olhando hoje eu acho que poderia ter colocado mais granulados na massa. 

A massa fica assim depois de todos os ingredientes incorporados. Olhando hoje eu acho que poderia ter colocado mais granulados na massa. 

 Verta a massa na assadeira previamente untada e forrada. Com a ajuda a espátula, distribua a massa, nivelando-a na forma. É uma massa muito gostosa, com um gosto incrível de sorvete de creme e a consistência é bem espumosa, não se adapta à forma sem ajuda da espátula.

Verta a massa na assadeira previamente untada e forrada. Com a ajuda a espátula, distribua a massa, nivelando-a na forma. É uma massa muito gostosa, com um gosto incrível de sorvete de creme e a consistência é bem espumosa, não se adapta à forma sem ajuda da espátula.

 Salpique granulados sobre a superfície da massa e leve-a ao forno por aproximadamente 35 minutos. Faça o teste do palito. Ele deverá sair úmido, mas limpo.

Salpique granulados sobre a superfície da massa e leve-a ao forno por aproximadamente 35 minutos. Faça o teste do palito. Ele deverá sair úmido, mas limpo.

 A massa fica com o aspecto de pão de ló, mas depois que você desenforma verifica que ela é até bem densa. Coloque a forma quente sobre uma grade, de modo que entre a forma e a superfície fique um colchão de ar. Dessa forma o bolo esfria mais rápido. 

A massa fica com o aspecto de pão de ló, mas depois que você desenforma verifica que ela é até bem densa. Coloque a forma quente sobre uma grade, de modo que entre a forma e a superfície fique um colchão de ar. Dessa forma o bolo esfria mais rápido. 

 Uma vez fria, é hora de cortar o que serão as camadas do bolo. Vire o bolo sobre uma superfície limpa e lise e retire o papel manteiga com cuidado. Raspe o resíduo que ficar no papel. Você poderá precisar dele e, se não, pode comê-lo depois. Delícia! 

Uma vez fria, é hora de cortar o que serão as camadas do bolo. Vire o bolo sobre uma superfície limpa e lise e retire o papel manteiga com cuidado. Raspe o resíduo que ficar no papel. Você poderá precisar dele e, se não, pode comê-lo depois. Delícia! 

 Com um aro de 15 cm de diâmetro, corte as camadas da montagem. O bolo dá pra cortar duas fatias: uma perfeita e uma quase. Se você observar bem, verá que a fatia cortada que ainda está junto dos outros pedaços tem uma pequena imperfeição. Não tem problema! Depois de montado, não aparece. As sobras de massa vão compor a camada intermediária, o que vai demandar seus conhecimentos e habilidades de quebra-cabeças. 

Com um aro de 15 cm de diâmetro, corte as camadas da montagem. O bolo dá pra cortar duas fatias: uma perfeita e uma quase. Se você observar bem, verá que a fatia cortada que ainda está junto dos outros pedaços tem uma pequena imperfeição. Não tem problema! Depois de montado, não aparece. As sobras de massa vão compor a camada intermediária, o que vai demandar seus conhecimentos e habilidades de quebra-cabeças. 

 Eu fiz o bolo com 3 dias de antecedência. Por isso, depois de cortado, eu embrulhei as camadas em plástico filme, uma a uma, pra colocar na geladeira. aproveitei pra já deixar mais ou menos esquematizado o quebra-cabeças da camada de retalhos. Achei o período de geladeira importante porque a massa ficou mais fácil de usar, mais firme. Na hora de montar, isso fez diferença! 

Eu fiz o bolo com 3 dias de antecedência. Por isso, depois de cortado, eu embrulhei as camadas em plástico filme, uma a uma, pra colocar na geladeira. aproveitei pra já deixar mais ou menos esquematizado o quebra-cabeças da camada de retalhos. Achei o período de geladeira importante porque a massa ficou mais fácil de usar, mais firme. Na hora de montar, isso fez diferença! 

Para os Crumbles ou as pedrinhas de biscoito que enfeitam e recheiam o bolo.

3/4 de xícara de chá de farinha de trigo para bolo

1/2 xícara de chá de açúcar refinado

2 colheres de sopa rasas de açúcar demerara

2 colheres de sopa cheias de granulados coloridos

1/2 xícara de chá de fermento químico em pó

1/2 colher de chá de sal (preferencialmente do grosso, moído na hora e em grão irregulares)

1/4 xícara de chá de óleo de girassol ou outro óleo de sabor neutro

1 colher de sopa de extrato ou essência de baunilha.

Modo de fazer: pré-aqueça o forno a 150 graus celsius. Forre uma assadeira com papel manteiga ou tapete de silicone. Reserve.

 Misture a farinha de trigo, os açúcares refinado e demerara, granulados, fermento em pó e o sal numa tigela.

Misture a farinha de trigo, os açúcares refinado e demerara, granulados, fermento em pó e o sal numa tigela.

 Adicione o óleo e misture rapidamente com a mão, até que se forme uma farofa e não sobre nenhum ingrediente sem misturar.

Adicione o óleo e misture rapidamente com a mão, até que se forme uma farofa e não sobre nenhum ingrediente sem misturar.

 Aperte punhados desta farofa nas mãos, formando bolinhos de formatos irregulares. Procure fazer isso com toda a farofa, para que você tenha bastante biscoitos irregulares pra usar no recheio e na cobertura.

Aperte punhados desta farofa nas mãos, formando bolinhos de formatos irregulares. Procure fazer isso com toda a farofa, para que você tenha bastante biscoitos irregulares pra usar no recheio e na cobertura.

 Distribua estas pedrinhas de biscoito sobre a forma que deixou preparada, de modo que haja espaço entre elas, para que assem por igual. Leve ao forno por aproximadamente 12 minutos, ou até que ganhem cor levemente dourada.

Distribua estas pedrinhas de biscoito sobre a forma que deixou preparada, de modo que haja espaço entre elas, para que assem por igual. Leve ao forno por aproximadamente 12 minutos, ou até que ganhem cor levemente dourada.

 Retire do forno e deixe esfriar. Reserve. Fiz as pedrinhas com 2 dias de antecedência e acondicionei-as em um saco plástico com fecho do tipo zíper. Pode manter fora da geladeira, mesmo.  

Retire do forno e deixe esfriar. Reserve. Fiz as pedrinhas com 2 dias de antecedência e acondicionei-as em um saco plástico com fecho do tipo zíper. Pode manter fora da geladeira, mesmo.  

Creme de manteiga e cream cheese

1/2 xícara de manteiga sem sal, em temperatura ambiente

1/4 xícara de manteiga sem sal

60g de cream cheese em temperatura ambiente

2 colheres de sopa de glucose de milho 

1 colher de sopa e meia de essência ou de extrato de baunilha

1 1/4 xícaras de açúcar impalpável

1/2 colher de sal

1/4 de colher de chá de bicarbonato de sódio

1/2 colher de sobremesa de suco de limão

Modo de fazer: 

 Bata a manteiga e o  cream cheese , usando o batedor tipo raquete, até que a mistura esteja macia e fofa, algo em torno de 3 minutos. Raspe as laterais da tigela com uma espátula de silicone e reduza a velocidade. Adicione a glucose de milho e a baunilha, batendo bem por aproximadamente 3 minutos. Raspe as paredes da vasilha novamente e pare a batedeira. Adicione o açúcar impalpável, o sal, bicarbonato de sódio, o suco de limão e bata, na velocidade mais baixa que puder, até que tudo se incorpore ao creme. Aumente a velocidade e bata até que fique esbranquiçado e fofo (aproximadamente 4 minutos). Reserve.    Montagem :   Para deixar o bolo úmido:   1/4 xícara de leite integral  1 colher de chá de baunilha (se você achar que já tem baunilha demais, pode usar só o leite).

Bata a manteiga e o cream cheese, usando o batedor tipo raquete, até que a mistura esteja macia e fofa, algo em torno de 3 minutos. Raspe as laterais da tigela com uma espátula de silicone e reduza a velocidade. Adicione a glucose de milho e a baunilha, batendo bem por aproximadamente 3 minutos. Raspe as paredes da vasilha novamente e pare a batedeira. Adicione o açúcar impalpável, o sal, bicarbonato de sódio, o suco de limão e bata, na velocidade mais baixa que puder, até que tudo se incorpore ao creme. Aumente a velocidade e bata até que fique esbranquiçado e fofo (aproximadamente 4 minutos). Reserve. 

Montagem

Para deixar o bolo úmido: 

1/4 xícara de leite integral

1 colher de chá de baunilha (se você achar que já tem baunilha demais, pode usar só o leite).

 Junte todos os ingredientes do bolo: as fatias cortadas, o creme para recheio e cobertura, os biscoitos e o leite (que eu esqueci de colocar pra tirar a foto). 

Junte todos os ingredientes do bolo: as fatias cortadas, o creme para recheio e cobertura, os biscoitos e o leite (que eu esqueci de colocar pra tirar a foto). 

 Dentro do aro que você usou para cortar as 3 camadas de bolo, coloque uma folha de acetato ou plástico transparente, próprio para confeitaria. Surpreendentemente eu tive dificuldades para encontrar isso aqui em Miami. Acho que se estivesse em Brasília teria sido mais fácil. Acabei usando um plástico transparente e mais grosso, que dificultou um pouco a montagem. Coloque a camada com aquela pequena falha lateral na base do bolo e molhe-a com a mistura de leite integral e extrato de baunilha. 

Dentro do aro que você usou para cortar as 3 camadas de bolo, coloque uma folha de acetato ou plástico transparente, próprio para confeitaria. Surpreendentemente eu tive dificuldades para encontrar isso aqui em Miami. Acho que se estivesse em Brasília teria sido mais fácil. Acabei usando um plástico transparente e mais grosso, que dificultou um pouco a montagem. Coloque a camada com aquela pequena falha lateral na base do bolo e molhe-a com a mistura de leite integral e extrato de baunilha. 

 Coloque o creme com uma colher e espalhe com as costas dela, ou use um saco de confeitar. Logo acima do creme vai uma parte dos biscoitinhos e um pouco de granulado. 

Coloque o creme com uma colher e espalhe com as costas dela, ou use um saco de confeitar. Logo acima do creme vai uma parte dos biscoitinhos e um pouco de granulado. 

 A segunda camada é a de quebra-cabeças. O mais importante aqui é que os pedaços que serão usados nas laterais que ficarão aparentes precisam ser muito bem colocados para que não apareça a emenda. Uma dica! No miolo da camada eu tentei colocar o máximo de massa entre os pedaços soltos, pra ficar uma fatia inteira. Hoje eu faria um pouco diferente e deixaria alguns espaços entre os pedaços pra serem preenchidos com o recheio. Digo isso porque, na hora de cortar, alguns pedaços caíram porque não estavam colados entre si, apenas encaixados. Vai por mim, da forma como estão dispostos na foto das camadas guardadas fica bom. O recheio vai fazer o papel de cola e preencher os espaços, 

A segunda camada é a de quebra-cabeças. O mais importante aqui é que os pedaços que serão usados nas laterais que ficarão aparentes precisam ser muito bem colocados para que não apareça a emenda. Uma dica! No miolo da camada eu tentei colocar o máximo de massa entre os pedaços soltos, pra ficar uma fatia inteira. Hoje eu faria um pouco diferente e deixaria alguns espaços entre os pedaços pra serem preenchidos com o recheio. Digo isso porque, na hora de cortar, alguns pedaços caíram porque não estavam colados entre si, apenas encaixados. Vai por mim, da forma como estão dispostos na foto das camadas guardadas fica bom. O recheio vai fazer o papel de cola e preencher os espaços, 

Finalize as camadas e cubra o bolo. Leve-o à geladeira por no mínimo 24 horas, ou ao freezer por 3 horas. Na hora de servir, retire o acetato/plástico com cuidado e, se precisar, dê uma ajeitadinha nas laterais com uma espátula metálica. Decore o topo do bolo com os biscoitos mais bonitos que você separou e coloque as velas. Agora, é só cantar:

Saudamos o grande dia
em que hoje comemoras
Seja a casa onde moras
a morada da alegria
o refúgio da ventura!
Feliz aniversário!!! (Manuel Bandeira)

[Desejos Literários] Ervilhas com Chouriço, um prato Lisboeta em Os Maias, de Eça de Queiroz.

Sou daquelas leitoras que quer experimentar tudo aquilo de que os personagens gostam: cheiros, música, comida. Sou capaz de passar horas a fio pesquisando, até encontrar a música que o personagem assobia enquanto passeia pela cidade onde mora. E, como toda cozinheira, fico morrendo de vontade de replicar os pratos favoritos deles pra provar.

Terminei, finalmente, de ler 'Os Maias'. Levei uns 4 meses pra finalizá-lo, coisa que normalmente não acontece quando gosto muito de um livro. Acontece que a primeira parte das suas quase 700 páginas é muito difícil de ultrapassar. Muito descritiva, cada soirée dada nas casas da Lisboa do século 19 parecia interminável. Isso também pode ser ansiedade de leitor, que já sabe mais ou menos o que acontecerá a partir do momento em que Carlos conhecer Maria. Mas eu confesso que tive de persistir muito pra chegar até a segunda parte da obra, que vale muito ler!

O livro é uma crítica à sociedade portuguesa e por meio de sua leitura pude perceber que há muitos comportamentos nossos, no Brasil, que parecem ter sido herdados de nossos colonizadores. A excessiva valorização do que vem de fora, em detrimento do que temos em nosso próprio país, é uma delas. Achei interessante este olhar sobre o comportamento das elites portuguesas, sua auto-proclamada capacidade de mudar o país, para logo depois deixar-se abater pelo desânimo e amargura. Saudades de outrora... 

Porém este post é sobre comida. Assim que Carlos, já ao final do livro, percebe que esqueceu-se de ordenar que se fizesse uma "pratada de Paio com Ervilhas", eu já fiquei com água na boca imaginando como seria o prato. Pesquisei algumas receitas no Google e tive dificuldades de achar algo com este nome que se assemelhasse àquilo. Não era uma sopa nem um creme de ervilhas, caso o contrário ele teria mencionado o prato desta forma. Mais um pouco de paciência, encontrei um referencial num blog, mas de "Ervilhas com Chouriço". Agora que já sabia que se tratava de um ensopado de ervilhas com paio, me veio a seguinte questão: "Como encontrar paio por aqui?". Eu poderia ter ido à casas de produtos brasileiros/ portugueses, mas decidi que faria uma adaptação com as incríveis linguiças que pode-se encontrar pra comprar no Whole Foods. E daí nasceu a minha receita. Com um sabor que mistura sal, o dulçor das ervilhas e das cebolas refogadas com a ardência da pimenta habanero, que era um dos ingredientes da linguiça escolhida, foi um senhor jantar! Ainda quero fazê-la com paio pra comparar, mas este primeiro resultado foi tão incrível que já resolvi postar aqui.

Ervilhas com Chouriço 

Rendimento: 2 porções fartas.

Ingredientes:

50ml de azeite extra-virgem

1 cebola grande cortada em meia-luas finas

185g de linguiça de porco apimentada de boa qualidade (caso não encontre apimentada, adicione pimenta fresca picadinha à gosto)*

louro em pó à gosto

2 dentes de alho grandes, espremidos

15g de extrato de tomate

50ml de vinho branco seco

285g de ervilhas congeladas

caldo de legumes até cobrir (se for usar em cubos, dilua-o em água conforme instruções)

sal a gosto

2 ovos.

Modo de fazer: 

Numa panela de fundo grosso, em fogo médio, refogue as cebolas no azeite, até que elas estejam macias e translúcidas (aproximadamente 10 minutos, sem dourar). Isso vai ativar o açúcar natural da cebola. Retire as cebolas, tomando o cuidado de deixar azeite na panela. 

Doure a linguiça inteira no azeite, até que ela esteja cozida e firme. Retire-a do fogo e reserve. Volte com as cebolas ao fogo, junte o alho, o louro e o extrato de tomate. Mexa por uns 5 minutos para reduzir a acidez do tomate. Corte a linguiça em rodelas de aproximadamente meio centímetro e adicione-a às cebolas com tomate. Misture e junte o vinho, deixando evaporar um pouco. Coloque as ervilhas congeladas e incorpore delicadamente. Cubra tudo com o caldo de legumes aquecido e deixe apurar por aproximadamente 20 minutos. Acerte o sal. Após este tempo, quebre os ovos em potinhos pra checar se estão bons e verta-os sobre o ensopado**, para que cozinhem no próprio caldo. Cozinhe por mais uns 4 ou 5 minutos e sirva. 

*Este ensopado é apimentado, portanto use a pimenta perseguindo este objetivo. O grau de picância da pimenta fica a seu critério, mas tenha sempre em mente que deverá ser apimentado. 

**mantenha sempre o caldo do ensopado cobrindo as ervilhas.  

[Receita de Chef] Cordeiro com vinho tinto: mais uma receita de Francis Mallmann.

Lá se vão 4 anos desde que provei a comida de Francis Mallmann pela primeira vez. E desde aquele dia, eu nutro a vontade de replicar em casa a receita do "Cordero Siete Horas y media" que eu comi, me abraçando, no Patagonia Sur. Quando eu comprei o livro dele, minha esperança era de que a receita estivesse lá pra que eu pudesse realizar o meu desejo imediatamente. Mas não estava. Pesquisei na internet, mas não a encontrava de jeito nenhum. O tempo passou, conversei com um professor do curso de Gastronomia sobre o prato e tirei algumas dúvidas, mas ainda não conseguia conceber como seria possível fazer o prato daquele mesmo jeitinho. A idéia de como montar o medalhão serviu de gancho pra realização de um prato de uma amiga e o tempo correu. Até este fim de semana que passou.

O conteúdo disponível na internet evolui muito rápido, né? Pois agora é possível não apenas encontrar a receita do cordeiro, como também assistir a um vídeo em que o próprio Francis faz o prato no alto da pre-cordilheira argentina, de uma maneira mais rústica. Munida destas informações, mais a dica do meu professor de como montar os medalhões, lá fui eu pra cozinha replicar um momento delicioso no capítulo "Restaurantes onde eu gostaria de morar" da minha vida. Se isso não é possível, a gente traz uma parte da memória pro momento presente. E esse é, ao meu ver, um dos grandes poderes de quem sabe cozinhar.

Uma coisa é importante: na receita original, o tempo que leva para cozinhar a carne passa de 7 horas. Acontece que meu fogo é muito forte e, mesmo na temperatura mínima, levou 3 horas a menos. Porém, eu decidi usar a perna, com osso, do cordeiro e não o pernil inteiro e desossado (o que incluiria o glúteo do animal, onde tem mais carne). Isso com certeza interferiu no tempo de cozimento também. Como o meu objetivo era montar os medalhões, cozinhei a carne com o osso para aproveitar todo o colágeno contido nele e no tecido conjuntivo. A gelatina que se consegue extrair na cocção deles é de grande auxílio para que a carne se mantenha unida depois de montado o medalhão, além de proporcionar um espessamento natural do molho, dispensando o uso de roux (partes iguais de farinha de trigo e manteiga) ou qualquer outra técnica para engrossá-lo. 

Você pode escolher fazer a receita como ele propõe no vídeo, já com a carne desossada e servida aos pedaços no prato. Neste caso, a melhor forma de você determinar se está bom é ver se a carne está a um ponto de desmanchar com o toque do garfo. Este não é um prato onde você precisará de faca. Agora, se quiser pegar carona no prazer de ver o medalhão desmanchar na sua frente a cada garfada, e de quebra surpreender os seus convidados, vem comigo!

 Cordeiro cozido longamente no vinho Malbec, servido no próprio molho de cocção e acompanhado de purê de batatas com pinholi e rúcula. 

Cordeiro cozido longamente no vinho Malbec, servido no próprio molho de cocção e acompanhado de purê de batatas com pinholi e rúcula. 

Cordeiro Malbec, com purê de batatas, pinholi e rúcula. (rendimento: 4 a 6 porções)

Para a carne:

Gordura de porco ou óleo de girassol em quantidade para selar a carne e refogar os vegetais

8 pernas de cordeiro com osso (aproximadamente 3 quilos. Não é o pernil inteiro, heim!)

1 cebola grande cortada em cubos grosseiros

2 cabeças de alho inteiras

2 cenouras grandes descascadas e cortadas grosseiramente

1 talo grande de alho poró (mesma proporção para a cebola e as cenouras)

2 talos pequenos de salsão cortados grosseiramente

sálvia a gosto*

manjericão à gosto*

orégano à gosto*

alecrim à gosto*

tomilho à gosto*

pimenta do reino moída na hora à gosto**

sal grosso ou kosher à gosto**

*no caso das ervas, na receita original pedem-se que sejam frescas. Como eu as tinha todas secas em casa, preferi usar as que eu tinha. Se for usar as secas, cuidado ao colocar porque o sabor é mais potente!

**Use o sal e a pimenta somente para temperar as carnes. lembre-se que o molho será muito reduzido, o que concentra o sabor. Se você tempera tudo no início, o molho reduzido ficará salgado e apimentado demais. Aguarde até a redução ser finalizada pra adicionar algo mais, se necessário.

2 garrafas de vinho Malbec

caldo de vegetais, se necessário.

Modo de preparo: 

Esta é uma receita para ser feita de véspera. Com excessão do purê e do azeite de salsinha, quase tudo pode ser feito com até 2 dias de antecedência. Deixe pra cortar os medalhões, fazer o purê e o azeite de salsinha no dia em que for servir o prato.

 Tempere as pernas de cordeiro. Pique todos os vegetais. Corte as cabeças de alho ao meio. Abra as garrafas de vinho. 

Tempere as pernas de cordeiro. Pique todos os vegetais. Corte as cabeças de alho ao meio. Abra as garrafas de vinho. 

 Sele as pernas de cordeiro na gordura quente até que dourem. Cuidado pra não queimar! Reserve.

Sele as pernas de cordeiro na gordura quente até que dourem. Cuidado pra não queimar! Reserve.

 Na mesma panela, refogue os vegetais, até que a água deles evapore e ajude a soltar a crosta que ficou no fundo da panela. Adicione as ervas. 

Na mesma panela, refogue os vegetais, até que a água deles evapore e ajude a soltar a crosta que ficou no fundo da panela. Adicione as ervas. 

 Coloque novamente as pernas de cordeiro na panela, por cima dos vegetais refogados.

Coloque novamente as pernas de cordeiro na panela, por cima dos vegetais refogados.

 Cubra com o vinho. Se for necessário, adicione caldo de vegetais para completar. O líquido tem de cobrir as pernas de cordeiro. Deixe ferver e baixe o fogo ao máximo. Cozinhe até que a carne se desprenda do osso. 

Cubra com o vinho. Se for necessário, adicione caldo de vegetais para completar. O líquido tem de cobrir as pernas de cordeiro. Deixe ferver e baixe o fogo ao máximo. Cozinhe até que a carne se desprenda do osso. 

 Cozinhe até que a carne se desprenda facilmente do osso. Na minha cozinha, isso levou 4 horas. 

Cozinhe até que a carne se desprenda facilmente do osso. Na minha cozinha, isso levou 4 horas. 

 Retire as pernas do molho e deixe-as esfriar para poder desfiá-las.

Retire as pernas do molho e deixe-as esfriar para poder desfiá-las.

 Desosse a carne desfiando grosseiramente. Esta é a hora de tirar também todo o tecido conjuntivo que não se dissolveu no caldo. É fácil senti-los nos dedos enquanto desfia. Vão haver umas partes moles, com consistência de gordura. Deixe só a carne! Veja o tamanho da perda no peso. Mas o sabor vai valer cada grama perdida, te prometo!

Desosse a carne desfiando grosseiramente. Esta é a hora de tirar também todo o tecido conjuntivo que não se dissolveu no caldo. É fácil senti-los nos dedos enquanto desfia. Vão haver umas partes moles, com consistência de gordura. Deixe só a carne! Veja o tamanho da perda no peso. Mas o sabor vai valer cada grama perdida, te prometo!

 Volte os ossos e o tecido conjuntivo que você separou para a panela, que continuou fervendo durante o período em que a carne esteve fora. Este molho será reduzido pra ser servido junto com a carne. Portanto, quanto mais tempo no fogo, melhor!

Volte os ossos e o tecido conjuntivo que você separou para a panela, que continuou fervendo durante o período em que a carne esteve fora. Este molho será reduzido pra ser servido junto com a carne. Portanto, quanto mais tempo no fogo, melhor!

 Numa superfície limpa de trabalho, borrife um pouco de água com álcool. Forre-a com duas folhas de plástico filme, unindo as extremidades laterais (no sentido do comprimento) em aproximadamente 10 centímetros. A água entre o filme plástico e a bancada vai ajudar a manter o plástico bem aderido à ela, o que vai facilitar e muito o seu trabalho ao enrolar os medalhões. Coloque a carne desfiada no centro das folhas, mas perto na extremidade mais próxima à sua barriga. Você vai começar a enrolar a  ballotine  por ela. 

Numa superfície limpa de trabalho, borrife um pouco de água com álcool. Forre-a com duas folhas de plástico filme, unindo as extremidades laterais (no sentido do comprimento) em aproximadamente 10 centímetros. A água entre o filme plástico e a bancada vai ajudar a manter o plástico bem aderido à ela, o que vai facilitar e muito o seu trabalho ao enrolar os medalhões. Coloque a carne desfiada no centro das folhas, mas perto na extremidade mais próxima à sua barriga. Você vai começar a enrolar a ballotine por ela. 

 Comece a enrolar, apertando o conteúdo com a ajuda dos dedos por cima do plástico, à medida em que enrola. Aqui não é preciso tanto preciosismo pra manter as laterais arrumadinhas. Depois elas se ajeitam. O importante é não colocar a carne muito espalhada, sob pena de ter medalhões muito finos em diâmetro, facilitando que eles se quebrem. 

Comece a enrolar, apertando o conteúdo com a ajuda dos dedos por cima do plástico, à medida em que enrola. Aqui não é preciso tanto preciosismo pra manter as laterais arrumadinhas. Depois elas se ajeitam. O importante é não colocar a carne muito espalhada, sob pena de ter medalhões muito finos em diâmetro, facilitando que eles se quebrem. 

 Enrole sempre muito firme, até que acabe o plástico. Faça uma dobradura (amassadinha, vai!) no final do plástico, antes de colá-lo no corpo da  ballotine , para facilitar a retirada do plástico depois que você cortar os medalhões.

Enrole sempre muito firme, até que acabe o plástico. Faça uma dobradura (amassadinha, vai!) no final do plástico, antes de colá-lo no corpo da ballotine, para facilitar a retirada do plástico depois que você cortar os medalhões.

 Quando acabar de enrolar, segure nas laterais de plástico que sobraram e arraste o rolo sobre a superfície, trazendo-o em sua direção. Ele vai enrolar estas extremidades e apertar ainda mais o a carne desfiada que está dentro. Isso é importante para que todos os espaços de ar entre as lascas de carne sejam preenchidas e o medalhão fique íntegro depois de cortar. 

Quando acabar de enrolar, segure nas laterais de plástico que sobraram e arraste o rolo sobre a superfície, trazendo-o em sua direção. Ele vai enrolar estas extremidades e apertar ainda mais o a carne desfiada que está dentro. Isso é importante para que todos os espaços de ar entre as lascas de carne sejam preenchidas e o medalhão fique íntegro depois de cortar. 

 Escorra todos os vegetais, ossos e sobras de tecidos conjuntivos, separando-os do molho com a ajuda de uma escumadeira. Você pode colocá-los num escorredor de macarrão por cima de um prato fundo (pra recolher o caldo que escorrerá). Passe o molho por uma peneira fina ou coe com a ajuda de uma touca daquelas descartáveis forrando a peneira. Isso vai garantir um molho mais aveludado e livre de pedaços. Coloque o molho numa vasilha com tampa e leve-o à geladeira. 

Escorra todos os vegetais, ossos e sobras de tecidos conjuntivos, separando-os do molho com a ajuda de uma escumadeira. Você pode colocá-los num escorredor de macarrão por cima de um prato fundo (pra recolher o caldo que escorrerá). Passe o molho por uma peneira fina ou coe com a ajuda de uma touca daquelas descartáveis forrando a peneira. Isso vai garantir um molho mais aveludado e livre de pedaços. Coloque o molho numa vasilha com tampa e leve-o à geladeira. 

 No dia de servir, retire o molho da geladeira e coloque-o numa panela para aquecer e reduzir ainda mais um pouco, se necessário. Olha como o meu estava antes de aquecer! Gelatina pura!!!

No dia de servir, retire o molho da geladeira e coloque-o numa panela para aquecer e reduzir ainda mais um pouco, se necessário. Olha como o meu estava antes de aquecer! Gelatina pura!!!

 Retire a  ballotine  de cordeiro da geladeira somente quando o forno já estiver quente, o molho e o purê já prontos. Corte-os no tamanho desejado (aqui eu usei 4 dedos meus como referência para a altura). Retire imediatamente o plástico filme. 

Retire a ballotine de cordeiro da geladeira somente quando o forno já estiver quente, o molho e o purê já prontos. Corte-os no tamanho desejado (aqui eu usei 4 dedos meus como referência para a altura). Retire imediatamente o plástico filme. 

 Coloque os medalhões já cortados num refratário e leve-os ao forno a 200 graus, até que a superfície deles escureça e eles estejam bem quentes. É importante cuidar para que eles não desmanchem no forno. Vigie bem estes garotinhos!

Coloque os medalhões já cortados num refratário e leve-os ao forno a 200 graus, até que a superfície deles escureça e eles estejam bem quentes. É importante cuidar para que eles não desmanchem no forno. Vigie bem estes garotinhos!

Para o Purê de batatas:

6 batatas médias lavadas

sal e pimenta à gosto

200g de manteiga sem sal

rúcula frisée à gosto

pinholi ou amêndoas descascadas, tostadas e cortadas a gosto

Modo de fazer: cozinhe as batatas a partir da água fria. Coloque uma colher de sobremesa de sal na água do cozimento. Cozinhe até que, ao espetar uma faca lisa nas batatas elas se soltem rapidamente. Descasque as batatas e passea-as pelo espremedor ainda quentes. Derreta o tablete de manteiga na mesma panela do cozimento, seca. Assim que a manteiga derreter, adicione as batatas e misture até que a manteiga se incorpore. Adicione os pinholi e as folhas de rúcula. Ajuste o sal e a pimenta. Sirva quente.

Para o azeite de salsinha e limão:

salsinha

raspas de 1 limão

suco de 1 limão

azeite de oliva extra-virgem

sal e pimenta do reino à gosto

modo de preparo: pique a salsinha bem miúda, somente as folhas. Retire as raspas do limão, com cuidado pra só retirar a parte verde da casca. Esprema o suco do limão. Misture todos os ingredientes, junte o azeite suficiente para incorporar todos os ingredientes, adicione o suco de limão e tempere. 

Montagem: 

 Monte os pratos primeiro com o purê, segundo com o medalhão e terceiro com o caldo, até cobrir a parte funda e branca do prato. Repare no tanto que o molho está viscoso. Delícia!

Monte os pratos primeiro com o purê, segundo com o medalhão e terceiro com o caldo, até cobrir a parte funda e branca do prato. Repare no tanto que o molho está viscoso. Delícia!

 Coloque uma colher de sopa de azeite de salsa e limão no topo de cada medalhão e sirva imediatamente. 

Coloque uma colher de sopa de azeite de salsa e limão no topo de cada medalhão e sirva imediatamente. 

Iogurte Grego com Pasta de morango.

Minha mãe sempre fez iogurte em casa. Abrir a geladeira e ver os potinhos com as porções separadinhas sempre foi algo comum pra mim. Nós costumávamos comê-las misturadas com canela e açúcar e era gostoso demais. É claro que vez por outra meu pai comprava os industrializados quando íamos ao mercado, mas no dia a dia era o iogurte da mamãe que nos matava a vontade. 

Hoje em dia a variedade dos iogurtes é cada vez maior, deixando a gente louco de vontade de provar tudo. Mas depois que eu vim morar em Miami eu tomei pavor de corantes, saborizantes e tudo o mais de artificial que se pode usar nos alimentos, reduzindo ao máximo minha compra de ultraprocessados e avaliando os rótulos dos alimentos que compro com muita cautela. Experimentei o iogurte grego não adoçado quando cheguei aqui e morri de amores por ele, mas decidi que queria tentar fazê-lo em casa pra saber o processo. Desde então, faço meu próprio iogurte de vez em quando.

Esta receita é especialmente interessante pra quem mora no Brasil, dado que este tipo de iogurte foi recentemente lançado no mercado nacional e tem feito grande sucesso, mesmo não tendo NADA A VER com o que vem a ser um iogurte grego de verdade. O brasileiro vem comendo papa de amido modificado há muito tempo e nem se seu conta disso. A jornalista Francine Lima, do Canal do Campo à Mesa,  fez um vídeo sobre isso. Ela ensinou a transformar o iogurte natural em grego, foi além e indicou um site que dá dicas de uso pro soro que é retirado dele. Assista ao vídeo pra descobrir onde. Eu recomendo fortemente que você a siga e, se puder, contribua com a assinatura para manutenção do canal. É de uma utilidade pública incrível! 

Bom. Já que eu decidi fazer o meu próprio iogurte grego, pensei: "Seria legal também fazer uma pasta de frutas pra comer junto!". Não chamo de geléia porque não uso pectina nela. O propósito é que ela se misture facilmente ao iogurte. Assim surgiu essa delícia super-simples, mas cheia de etapas.  É a oportunidade de ter um iogurte mais saudável e real do que o que você encontra no supermercado. Aqui a paciência será uma virtude. Muna-se dela e mãos à obra!

Iogurte Grego com pasta de Morango (rendimento: 1 litro de iogurte, aproximadamente)

 Aqui servido com mirtilos por cima, mas também pode ser granola que fica ótimo!

Aqui servido com mirtilos por cima, mas também pode ser granola que fica ótimo!

Para o iogurte grego:

3 litros de leite integral

200ml de iogurte natural sem sabor (observe os ingredientes. Se houver algo mais além de leite e fermento lácteo, não serve!)

Utensílios: 1 panela grande que caiba no seu forno e uma tigela metálica com capacidade para 4 litros, com tampa. É importante que esta tigela caiba na sua geladeira. 

Modo de fazer: Faça esta etapa à noite. Leve o leite ao fogo até que ferva. Desligue imediatamente antes do ponto de o leite subir e deixe esfriar, até que atinja a temperatura certa para adicionar o iogurte. Você consegue determinar isso sem termômetro: basta colocar um dedo (lave bem as mãos e tenha as unhas aparadas!) dentro do leite. Se conseguir mantê-lo lá dentro até que 10 segundos se passem, o leite está na temperatura certa. É importante que você não o deixe esfriar demais, porque daí não vai ser possível proliferar as bactérias do iogurte no leite. Da mesma forma, se não esperar esfriar até a temperatura ideal, irá matar as bactérias do iogurte que você comprou. Portanto, vá fazendo testes (cuidado pra não se queimar!) até que o leite atinja esta temperatura suportável. Adicione o iogurte natural e mexa até que ele se dissolva no leite. Tampe a panela e coloque-a no forno desligado. Deixe de um dia para o outro.

 No dia seguinte, aproximadamente depois de 8 horas de descanso no forno, o leite estará assim. Dá pra "cortar" com a faca.

No dia seguinte, aproximadamente depois de 8 horas de descanso no forno, o leite estará assim. Dá pra "cortar" com a faca.

 Forre uma tigela de metal com uma touca (sem usar, né?) de proteção descartável, daquelas que dentistas, médicos, nutricionistas e cozinheiros usam. Eu tenho um pacote enorme delas em casa, servem muito pra filtrar coisas na cozinha! Coloque uma liguinha de borracha forte (ou várias) sob a borda externa da vasilha, pra segurar a touca suspensa do fundo. Se você não tiver, pode colocar a touca sobre uma peneira. 

Forre uma tigela de metal com uma touca (sem usar, né?) de proteção descartável, daquelas que dentistas, médicos, nutricionistas e cozinheiros usam. Eu tenho um pacote enorme delas em casa, servem muito pra filtrar coisas na cozinha! Coloque uma liguinha de borracha forte (ou várias) sob a borda externa da vasilha, pra segurar a touca suspensa do fundo. Se você não tiver, pode colocar a touca sobre uma peneira. 

 Transfira, com cuidado, o iogurte para a tigela forrada com a touca. 

Transfira, com cuidado, o iogurte para a tigela forrada com a touca. 

 Coloque uma liguinha de borracha forte (ou várias) sob a borda externa da vasilha, pra segurar a touca suspensa do fundo. Se você não tiver, pode colocar a touca sobre uma peneira. Tampe o iogurte e leve à geladeira pra escorrer por 8 horas, no mínimo!

Coloque uma liguinha de borracha forte (ou várias) sob a borda externa da vasilha, pra segurar a touca suspensa do fundo. Se você não tiver, pode colocar a touca sobre uma peneira. Tampe o iogurte e leve à geladeira pra escorrer por 8 horas, no mínimo!

 Aqui, depois de 8 horas de descanso, drenando o soro na geladeira. Dá pra ver que há umas bordas de produto na touca. 

Aqui, depois de 8 horas de descanso, drenando o soro na geladeira. Dá pra ver que há umas bordas de produto na touca. 

 Após as 8 horas, avalie a consistência do iogurte. Para chegar nesta aqui, eu tive de deixá-lo por mais 8 horas drenando o soro. Se precisar/quiser fazer isso, apenas misture o iogurte com cuidado para retirar a capa espessa que se formou na touca. Com cuidado, pra não rasgar! 

Após as 8 horas, avalie a consistência do iogurte. Para chegar nesta aqui, eu tive de deixá-lo por mais 8 horas drenando o soro. Se precisar/quiser fazer isso, apenas misture o iogurte com cuidado para retirar a capa espessa que se formou na touca. Com cuidado, pra não rasgar! 

 Cheque pra ver se há espaço na tigela pra recolher mais soro. Se estiver cheia e quase tocando a superfície da touca, melhor escorrer o que já tem pra deixar espaço pro que ainda escorrerá. Sempre tome muito cuidado com a touca para que ela não rasgue!!!

Cheque pra ver se há espaço na tigela pra recolher mais soro. Se estiver cheia e quase tocando a superfície da touca, melhor escorrer o que já tem pra deixar espaço pro que ainda escorrerá. Sempre tome muito cuidado com a touca para que ela não rasgue!!!

Assim que atingir a consistência, retire a touca da vasilha e transfira o iogurte para um recipiente com tampa. Você pode guardar o iogurte nele e ir retirando às colheradas à medida que precisar. Ou dividir em porções, em potes individuais com tampa. O soro do iogurte é bastante protéico (o famoso whey protein que muitos usam como suplemento na academia) e não deve ser descartado. Veja as recomendações da Pat Feldman para o aproveitamento do líquido aqui

Pasta de Morangos

400g de morangos frescos, lavados, limpos e picados

100g de açúcar refinado

Uma colher de café de extrato de baunilha (opcional)

Modo de fazer:

 Na panela onde vai fazer a pasta, coloque os morangos picados com o açúcar. Misture-os com uma colher de sopa e deixe-os descansando por 1 hora aproximadamente.

Na panela onde vai fazer a pasta, coloque os morangos picados com o açúcar. Misture-os com uma colher de sopa e deixe-os descansando por 1 hora aproximadamente.

 O açúcar é um ladrão de umidade. O contato com a polpa dos morangos faz com que ele extraia a água contida na fruta. Assim que seus morangos deverão ficar depois de descansarem com o açúcar.

O açúcar é um ladrão de umidade. O contato com a polpa dos morangos faz com que ele extraia a água contida na fruta. Assim que seus morangos deverão ficar depois de descansarem com o açúcar.

 Leve a panela ao fogo e deixe ferver, mexendo de vez em quando, até que a água extraída dos morangos praticamente evapore. Cuidado pra não deixar queimar o fundo da panela! Terminado este processo, desligue o fogo e deixe esfriar. 

Leve a panela ao fogo e deixe ferver, mexendo de vez em quando, até que a água extraída dos morangos praticamente evapore. Cuidado pra não deixar queimar o fundo da panela! Terminado este processo, desligue o fogo e deixe esfriar. 

Montagem:

Eu coloquei as pasta de morangos embaixo e o iogurte em cima. Fica ao seu critério como fazer. Você pode deixar os iogurtes já montadinhos, com a pasta de frutras, na geladeira. Vai garantir iogurtes mais saudáveis ao longo da semana. 

[Sá Teresa] Caçarola Italiana e as saudades que sinto de minha avó.

Minha avó tinha uma rotina bastante rígida. Acordava por volta das 7 e já ia preparar o café da manhã. Não raro as preparações do desjejum dividiam espaço com as do almoço, normalmente entre as duas cozinhas que ela comandava: uma dentro de casa e outra, numa casinha extra na horta (quintal) onde ficava o fogão à lenha. Eu sempre passava minhas férias na casa dela e invariavelmente acordava mais tarde. Mas antes de levantar eu já a escutava chamando pela empregada e dando instruções, pegando a galinha no galinheiro pra matar, chamando um ou outro tio que tinha ido tomar um café e pedir a bênção, passar o escovão no chão, atender ao telefone... Quando eu finalmente criava coragem pra levantar, ela já estava num frenesi louco de preparação do almoço, mas sempre nos recebia com um sorriso, logo depois anunciando o cardápio do almoço. "Tome logo o seu café pra gente arrumar a mesa."

 Sempre de colar e batom, dona Teresa era a simplicidade e o amor encarnados. Deixou muitas saudades...

Sempre de colar e batom, dona Teresa era a simplicidade e o amor encarnados. Deixou muitas saudades...

De vez em quando ela me gritava da casinha pra me avisar que tinha feijão pagão. Eu corria pra pegar uma caneca marinex âmbar e voava pra casinha pra pegar a minha parte: uma concha dos bagos graúdos e brilhantes do feijão na caneca, um pouquinho de sal, caldo por cima pra ajudar a espalhar o tempero. O cheio de feijão novo cozidinho, a caneca entre as mãos como um tesouro, a vó comentando uma coisa aqui outra ali e a vida sendo perfeita naquele exato momento. E dona Teresa sorria. Ela parecia regozijar-se no prazer que nos dava com sua comida, sua forma mais pura de nos demonstrar o amor que nutria pela família. Aquela rotina pesada de todo o dia valia a pena. 

No almoço, ela ficava de olho nas coisas que escolhíamos por no prato e queria sempre saber por que determinado preparo tinha sido preterido: "Cê não vai comer do chuchu refogadinho? Tá tão gostoso!". Mesmo depois de terminar seu prato ela permanecia na mesa, o queixo pousado nas mãos, observando a gente comer. Era incrível como ela se realizava na nossa saciedade, o amor só era entregue devidamente se a gente gostasse da comida. E não houve uma vez em que isso não aconteceu. Ela tinha o dom das panelas e do amor. Logo depois ela já estava supervisionando o ariar de panelas, organizando a cozinha pra logo mais o café das 3. E só depois da mesa posta, ia descansar um pouco deitada no sofá, a remoer pensamentos e prender a pele das costas das mãos com a boca. De lado, braço de cima dobrado pra levar a mão à boca, as perninhas cruzadas na saia e com os pés descalços.

Há 5 anos, eu viajei a Boa Esperança pra passar uma semana com a minha avó. Eu estava vivendo um período de transformação na minha vida e queria ficar um pouco com ela. Eu tinha recém adquirido um celular que gravava e armazenava e tive a idéia de entrevistá-la para saber sobre suas receitas e as memórias que ela tinha delas. Porque minha avó tinha uma memória tão incrível que não tinha caderno de receitas. E eu não queria que elas caíssem no esquecimento depois que ela não estivesse mais conosco. 

Estas gravações são das maiores raridades que tenho comigo hoje. Quando sinto muitas saudades, escuto uma ou outra história, junto às receitas que nos fizeram felizes por tanto tempo. É bom porque, por meio destes instrumentos - as gravações e suas receitas com medidas imprecisas (lata de cera, pires, prato pelo friso, copo, xícara), mas que a experiência tornou mais que exatas deixando muita balança no chinelo -, eu consigo me conectar com a essência dela e isso me acalma e fortalece. 

Hoje completam-se 2 anos que a minha avó se foi e nos deixou. Setembro começou e eu fiquei pensando numa forma de fazer uma homenagem à ela, minha mais forte referência na cozinha. Dona Teresa personificou aquilo que todo mundo que trabalha com comida possibilita todos os dias: transformou amor, paciência, planejamento e dedicação em reuniões regadas à muita conversa e pertencimento. 

Acredito que esta seja uma das receitas mais simples que ela deixou. E, talvez por este motivo, era uma das favoritas dela. Uma das mais realizadas no final de sua vida, a que recebeu uma versão sem açúcar para que ela pudesse comer com menos culpa, por conta do diabetes. E daí eu pensei que muito mais do que fazer a minha receita favorita, seria mais interessante fazer a preferida dela. E foi bacana porque me senti dividindo o momento com minha avó enquanto comia a Caçarola Italiana. É um bolo neutro, meio com consistência de pudim. E é incrível como me é impossível comer apenas uma fatia. 

Caçarola Italiana (rendimento: 24 bolinhos na forma de cupcakes ou um forma redonda de buraco no meio)

 Os bolinhos, já frios. Dá pra comer quente, mas tem de ter muito cuidado. De todo jeito é gostoso!

Os bolinhos, já frios. Dá pra comer quente, mas tem de ter muito cuidado. De todo jeito é gostoso!

Ingredientes:

4 ovos inteiros

1 litro de leite integral

240g de farinha de trigo

240g de açúcar refinado

180g de queijo minas curado e ralado fino

1 colher de café de extrato de baunilha (opcional)

Modo de preparo: Aqueça o forno a 180C/ 356F. Unte a forma com manteiga pomada. Coloque os ingredientes no liquidificador e bata rapidamente para que todos se incorporem. A massa é muito líquida mesmo. Verta-a sobre a forma e leve ao forno por aproximadamente 30 minutos. Faça o teste do palito, se sair limpo, retire do forno. É normal que a massa murche assim que sai do forno. Ela cresce tanto lá dentro que quando sai da até dó de tão rápido que murcha. 

 Meia receita é o suficiente para preencher uma forma de muffins de 12 espaços. Polvilhe um pouco de queijo na superfície antes de por no forno.

Meia receita é o suficiente para preencher uma forma de muffins de 12 espaços. Polvilhe um pouco de queijo na superfície antes de por no forno.

 Com uns 15 minutos de forno a massa começou a crescer bonita.

Com uns 15 minutos de forno a massa começou a crescer bonita.

 É impressionante como o bolo murcha rápido depois de retirado do forno. Dá uma dor no peito de pena... Mas é assim mesmo, não se assuste!

É impressionante como o bolo murcha rápido depois de retirado do forno. Dá uma dor no peito de pena... Mas é assim mesmo, não se assuste!

 O bolinho murcha até quase a metade. 

O bolinho murcha até quase a metade. 

 O bolinho por dentro. 

O bolinho por dentro. 

A caçarola não é um bolo bonito, mas é muito gostoso. E sempre dura muito pouco, principalmente se servida na mesa com café, pra todos comerem enquanto batem papo. É um bolo/pudim leve e despretensioso, que tem cheiro de amor de família na mesa do café, conversando e rindo. Vó: obrigada por me fazer companhia enquanto eu comi meus pedaços ontem. E, olha: saudades demais, viu? Beijo grande, Dona Teresa!

Pavlova com molho de limão siciliano e framboesas frescas.

Minha mãe costumava fazer suspiros em casa quando éramos crianças. Ela fazia bastante e guardava-os num vidro bonito, dentro do armário, para nos dar aos poucos. Eu sempre descobria o esconderijo e, pra não dar na vista, roubava um aqui, outro ali, até acabar. O que eu mais gostava nos suspiros que ela fazia era que eles tinham uma casquinha sequinha e meio rosada, mas o interior era puxa-puxa, quase como um marshmallow. Eu aproveitava a rachadinha que sempre tinha nos suspiros pra quebrá-los ao meio e comer como um bombom Serenata de Amor, preservando o recheio pra comer por último.

Foi por isso que a idéia da Pavlova me encantou desde a primeira vez que ouvi falar do doce. O fato de ele ter sido criado, segundo contam, em homenagem à bailarina russa Anna Pavlova foi um plus, porque eu fiz 8 anos de ballet clássico quando criança. Eu aterrorizava as professoras da academia de dança, porque só fazia o que me dava na telha ao invés de seguir as instruções de aula. Algumas coisas nunca mudam...  Não sei ao certo o motivo da homenagem a uma bailarina, mas provavelmente seja pela leveza do doce ou pela semelhança com um tchu-tchu, que é como se chama aquela saia de tule aramada que elas usam. O importante é que é um doce incrível.

Se não me engano, foi num programa da Nigella que eu tomei conhecimento dessa sobremesa. Nas primeiras tentativas, eu comprava uns suspiros prontos na padaria pra simular uma nos potes bonitos de servir que a minha mãe tem. Ficava interessante, mas eu estava sempre insatisfeita com o resultado, porque os suspiros de padaria eram muito secos e doces, sem o interior cremoso como eu gosto.  Eram como suspiros de São Cosme e Damião, quando eu queria um interior mais parecido com a textura da Maria Mole, sabe como? Daí, algum tempo depois e a bênção da internet, eu achei a receita base da Nigella e resolvi fazer, pra nunca mais deixar essa delícia fora das festas. É a coisa mais simples de fazer no mundo, não precisa muita frescura pra deixar bonito porque a rusticidade ganha pontos. É um doce de casa. Já vi Pavlovas serem servidas em eventos e restaurantes, mas aí eles costumam fazê-las individuais e bonitinhas, branquinhas, com bico de confeitar. Eu gosto dessa porque é super cuca-fresca. 

A cobertura tradicional é de creme chantilly, que eu já fiz milhares de vezes e fica ótimo, principalmente se não tiver açúcar, porque né? O merengue já tem. Frutas das mais variadas e coloridas podem ser usadas, mas as vermelhas costumam fazer a combinação de mais sucesso. Dessa vez eu resolvi que queria uma coisa mais fresca na sobremesa e decidi fazer um molho de limão siciliano pra colocar no lugar do creme de leite. Ficou simplesmente incrível! Contraste de texturas, doce, azedinho, crocante, o frecor da folha de hortelã... Depois que você aprende a fazer, cada vez você pode testar algo diferente. É importante dizer que quando a gente diz que uma sobremesa é fácil, não significa que ela possa ser feita de qualquer jeito. Dedique tempo pra fazer direito. Você não vai se arrepender!

Pavlova com molho de limão siciliano, framboesas e hortelã (rendimento: 14 pedaços)

 O bacana desta sobremesa, além do fato de ela ser absurdamente gostosa e fácil de fazer, é que ela tem o aspecto rústico. Isso facilita bastante a vida de quem não tem a destreza manual necessária pra deixar tudo bonitinho. Faz que vai ser sucesso!

O bacana desta sobremesa, além do fato de ela ser absurdamente gostosa e fácil de fazer, é que ela tem o aspecto rústico. Isso facilita bastante a vida de quem não tem a destreza manual necessária pra deixar tudo bonitinho. Faz que vai ser sucesso!

8 claras

500g de açúcar refinado

60g de amido de milho

30ml de vinagre de vinho branco

7ml de essência/extrato de baunilha.

Modo de preparo: 

 Aqueça o forno a 180 C/ 350 F. Bata as claras com a pitada de sal na batedeira, até que ela atinja o ponto espumoso da foto acima. A função do sal aqui é auxiliar na quebra da estrutura das claras, favorecendo atingir o ponto espumoso mais adequadamente. Além de agir no sabor e na coloração do merengue depois de assado. Acrescente 450g do açúcar refinado, às colheradas, com a batedeira ligada em velocidade média.

Aqueça o forno a 180 C/ 350 F. Bata as claras com a pitada de sal na batedeira, até que ela atinja o ponto espumoso da foto acima. A função do sal aqui é auxiliar na quebra da estrutura das claras, favorecendo atingir o ponto espumoso mais adequadamente. Além de agir no sabor e na coloração do merengue depois de assado. Acrescente 450g do açúcar refinado, às colheradas, com a batedeira ligada em velocidade média.

 O açúcar é um "ladrão" de umidade. Você vai perceber que a espuma das claras vai ficar esbranquiçada, mais firme e com bolhas menores. O merengue desenvolverá um aspecto super cremoso.

O açúcar é um "ladrão" de umidade. Você vai perceber que a espuma das claras vai ficar esbranquiçada, mais firme e com bolhas menores. O merengue desenvolverá um aspecto super cremoso.

 Misture os 50g de açúcar restante ao amido de milho pra facilitar a incorporação. Acrescente a mistura às colheradas, com a batedeira em velocidade baixa, pra não voar amido pra todo lado. Bata até atingir o ponto, que é quando você levanta a cabeça da batedeira e o batedor está cheio de merengue, como na foto.

Misture os 50g de açúcar restante ao amido de milho pra facilitar a incorporação. Acrescente a mistura às colheradas, com a batedeira em velocidade baixa, pra não voar amido pra todo lado. Bata até atingir o ponto, que é quando você levanta a cabeça da batedeira e o batedor está cheio de merengue, como na foto.

 Pra confirmar que atingiu a textura certa, retire o batedor da máquina, misture a massa com ele e retire-o de uma vez do contanto com ela. O pico que se forma tem de ser o menos maleável possível. Aqui a pontinha que se formou vergou pra esquerda, mas não tocou o merengue que está no batedor. Agora é o momento de adicionar o vinagre e a essência de baunilha. Pode usar o batedor mesmo no lugar da espátula, pra incorporar. Ou vc pode voltar a tigela pra batedeira e bater mais um pouquinho. 

Pra confirmar que atingiu a textura certa, retire o batedor da máquina, misture a massa com ele e retire-o de uma vez do contanto com ela. O pico que se forma tem de ser o menos maleável possível. Aqui a pontinha que se formou vergou pra esquerda, mas não tocou o merengue que está no batedor. Agora é o momento de adicionar o vinagre e a essência de baunilha. Pode usar o batedor mesmo no lugar da espátula, pra incorporar. Ou vc pode voltar a tigela pra batedeira e bater mais um pouquinho. 

 Selecione uma assadeira de bordas baixas ou use uma assadeira normal, tipo tabuleiro de bolo retangular (neste caso, utilize-a virada de cabeça pra baixo). Forre-a com um papel manteiga, com um círculo previamente desenhado no verso dele, pra determinar a área que será preenchida com o merengue. Use o prato onde você servirá a sobremesa pronta como referência. Como o merengue está cheio de ar, ele irá crescer no forno. Portanto faça um círculo menor do que o limite máximo que o prato a ser usado te dá, sob pena de ter de procurar outro prato (sempre lembrando de deixar pelo menos um dedo de espaço entre o merengue e as bordas do prato, porque a cobertura pode escorrer um pouquinho pros lados depois de servida). Pra manter o papel manteiga grudado na superfície da assadeira, use um pouco do merengue como cola, distribuídos em 5 pontos da forma, um em cada canto e outro no centro. Forme o círculo do merengue com o auxílio de uma espátula do tipo pão-duro.

Selecione uma assadeira de bordas baixas ou use uma assadeira normal, tipo tabuleiro de bolo retangular (neste caso, utilize-a virada de cabeça pra baixo). Forre-a com um papel manteiga, com um círculo previamente desenhado no verso dele, pra determinar a área que será preenchida com o merengue. Use o prato onde você servirá a sobremesa pronta como referência. Como o merengue está cheio de ar, ele irá crescer no forno. Portanto faça um círculo menor do que o limite máximo que o prato a ser usado te dá, sob pena de ter de procurar outro prato (sempre lembrando de deixar pelo menos um dedo de espaço entre o merengue e as bordas do prato, porque a cobertura pode escorrer um pouquinho pros lados depois de servida). Pra manter o papel manteiga grudado na superfície da assadeira, use um pouco do merengue como cola, distribuídos em 5 pontos da forma, um em cada canto e outro no centro. Forme o círculo do merengue com o auxílio de uma espátula do tipo pão-duro.

Lembre-se de checar a altura da grade do seu forno antes de colocar o merengue, especialmente se estiver usando o tabuleiro de bolo de cabeça para baixo. Leve o merengue forno e baixe a temperadura para 120C/ 250F imediatamente depois que fechar a porta. Asse por uma hora e desligue o fogo depois disso, mantendo o suspiro gigante dentro do forno até que esfrie completamente. Você pode fazer a receita na noite anterior pra garantir. Quando esfriar, retire delicadamente o papel manteiga. você pode virar o merengue em outro prato, como se faz com os bolos, para descolar o papel com maior tranquilidade. Só que isso deverá ser feito com mãos de fada. MUITO CUIDADO NESTA HORA!!!!

Molho de Limão Siciliano

Raspas de 2 a 3 limões sicilianos (depende do tamanho)

350 ml de suco de limão siciliano coado e recém-espremido

150ml de água filtrada

8 gemas de ovos

30g de amido de milho

300g de açúcar refinado, mais quantidade à gosto para ajustar a seu paladar

30g de manteiga sem sal

Modo de fazer: numa panela funda misture, com a ajuda de um fouet, as gemas, o açúcar, o amido de milho, o suco de limão, as raspas e a água. Leve a mistura ao fogo até que ela engrosse, mexendo com uma colher sem parar. O ponto certo (napê) é quando você faz um risco nas costas da colher cheia de molho com o seu dedo indicador. Se as bordas do risco permanecem firmes, ou seja, o molho não fechar o risco nas costas da colher, está pronto. Retire do fogo e deixe esfriar. Molhos engrossados costumam formar uma película na superfície que não é desejável. A melhor forma de esfriar molhos assim, especialmente estes para confeitaria (ou mesmo cremes de confeiteiro), é levá-los à batedeira em potência mínima. Esta é a hora perfeita pra colocar os 30g de manteiga gelada, porque ela derreterá aos poucos com o calor do molho, incorporando lentamente, emulsionando e dando brilho. Bata até esfriar completamente. Guarde em pote de fechamento hermético, na geladeira, até a hora de montar a sobremesa pra servir.

Cobertura de Frutas: 

340g de framboesas frescas e lavadas e bem secas

folhas de hortelã lavadas e bem secas

raspas de limão, se houver

Montagem: (A Pavlova deve ser montada na hora de comer, caso o contrário o molho tirará a crocância da casquinha do merengue e tudo ficará murcho.)

Com o merengue já posicionado no prato que você escolheu, coloque às colheradas o molho de limão gelado (misture um pouco antes, pra que ele fique macio e volte a ter consistência de molho, não de mingau). Espalhe por toda a superfície do merengue, preservando as bordas. Assim que terminar, coloque as framboesas por cima e espalhe as folhas de hortelã por cima. Sirva imediatamente. 

 Na época em que eu não tinha a receita, as Pavlovas que eu servia eram assim. O pote ajuda bastante, fica lindo! Daí eu só intercalava camadas de suspiro, chantilly e calda de Frutas Vermelhas. Mas quer um conselho? Faz o merengue! É infinitamente melhor.

Na época em que eu não tinha a receita, as Pavlovas que eu servia eram assim. O pote ajuda bastante, fica lindo! Daí eu só intercalava camadas de suspiro, chantilly e calda de Frutas Vermelhas. Mas quer um conselho? Faz o merengue! É infinitamente melhor.