[Sri Lanka] Curry de castanha de caju, couve-flor e ervilhas.

Desde que eu me entendo por gente eu luto contra a balança. Nunca tive problemas com obesidade, mas sempre fui considerada "gordinha", desde a mais tenra idade. Boa de garfo eu sempre fui, apesar de que era bem chata pra comer até a adolescência. Mas depois que eu morei em república em Belo Horizonte, desencantei e saí provando coisas novas. 

Por conta das dietas malucas que eu volta e meia via minha mãe fazer, eu entendi muito cedo que não havia muito milagre no processo de emagrecimento. Isso fez com que naturalmente eu fosse incluindo verduras e legumes no meu cardápio, por vezes reduzindo minha alimentação a somente eles, o que obviamente não deu certo. Mas meu ponto aqui é que, por eu ter tido de conviver com a idéia de estar fora do peso, aprendi a gostar de vegetais bem cedo. Isso fez com que, dentre outras coisas, eu tenha sido considerada a louca da churrascaria por amigos e familiares, porque me jogava no buffet de saladas antes de comer o rodízio, "gastando" quase todo o espaço do estômago com "folhas". 

Adoro comer carne. Já reduzi meu consumo significativamente, mas acho que não sou capaz de abandoná-la pra sempre. Porém, eu gosto muito de comida vegetariana e posso passar vários dias me alimentando exclusivamente destes pratos. O que me permite descobrir sabores novos nas diversas culinárias existentes neste mundão de meu deus. Um dos pratos é este curry. 

É uma receita simples e rápida de fazer, comparada aos outros pratos típicos que compõem o Arroz com Curry completo. Saborosa na medida certa, não apimentada, te satisfaz completamente num almoço, acompanhando arroz integral ou vermelho (o tipo que se consome diariamente aqui no Sri Lanka).

É uma receita simples e rápida de fazer, comparada aos outros pratos típicos que compõem o Arroz com Curry completo. Saborosa na medida certa, não apimentada, te satisfaz completamente num almoço, acompanhando arroz integral ou vermelho (o tipo que se consome diariamente aqui no Sri Lanka).

O prato tradicional do Sri Lanka é o "Arroz com Curry". Nesta região do mundo o arroz é considerado o prato principal. E aqui ele vem servido acompanhado de curries diferentes e alguns picles de vegetais diversos, além de alguns vegetais folhosos refogados. Os curries podem ser vegetarianos ou não e esta receita é, dentre as versões vegetarianas, a que mais me cativou. Como o prato completo é bastante diversificado, me limito a só falar desta receita por enquanto. Mas adiante publicarei outros preparos de que também gosto e que são feitos para comer junto. Vamos lá:

Kaju Curry (3 a 4 porções, se for servido só com arroz)

Sempre bom lembrar: pique, separe e pese todos os ingredientes antes de começar a receita. Isso vai facilitar sua vida demais na hora de fazer. 

Sempre bom lembrar: pique, separe e pese todos os ingredientes antes de começar a receita. Isso vai facilitar sua vida demais na hora de fazer. 

150g de castanha de caju não torrada

50g de ervilha fresca

100g de de couve-flor

2 colheres de chá de curry em pó

1 cebola cortada em cubos

200ml de leite de côco

100ml de água filtrada

1 colher de sopa de ghee, óleo de côco ou óleo vegetal

Folha de curry (opcional)

sal a gosto

Modo de fazer:

Aqueça uma panela em fogo médio. Coloque a gordura desejada e adicione a cebola picada, suando levemente em dourar. Adicione uma pitada de sal.

Aqueça uma panela em fogo médio. Coloque a gordura desejada e adicione a cebola picada, suando levemente em dourar. Adicione uma pitada de sal.

Adicione os ramos de couve-flor lavados e salteie um pouco mais, até que os ramos comecem a amaciar.

Adicione os ramos de couve-flor lavados e salteie um pouco mais, até que os ramos comecem a amaciar.

Adicione as castanhas. Se quiser, aqui você pode colocar um pouco da água e tampar a panela pra cozinhar a couve-flor um pouco. Deixe a água secar.

Adicione as castanhas. Se quiser, aqui você pode colocar um pouco da água e tampar a panela pra cozinhar a couve-flor um pouco. Deixe a água secar.

Adicione o  curry  e mexa, aguardando para o que pó se dissolva e comece a liberar aroma. Adicione o restante da água e deixe levantar fervura. Coloque as ervilhas e o leite de côco e deixe ferver em fogo baixo, panela tampada, por 5 minutos.

Adicione o curry e mexa, aguardando para o que pó se dissolva e comece a liberar aroma. Adicione o restante da água e deixe levantar fervura. Coloque as ervilhas e o leite de côco e deixe ferver em fogo baixo, panela tampada, por 5 minutos.

Se você gostar muito de curry pode adicionar mais do pó no molho. Eu gosto dele mais suave neste prato pra poder sentir o sabor dos outros ingredientes. Bom apetite! 

Se você gostar muito de curry pode adicionar mais do pó no molho. Eu gosto dele mais suave neste prato pra poder sentir o sabor dos outros ingredientes. Bom apetite! 

[Sri Lanka] Love Cake: um bolo muito popular para celebrar um ano neste país!

O tempo voa!

Todo mundo sabe disso, mas algumas coisas fazem você perceber isso com mais força. Crianças costumam nos mostrar isso de maneira muito evidente: se você tem filhos, vê-los crescer fascina e assusta ao mesmo tempo. Se você não os tem, mas tem amigos, irmãos ou alguém próximo que os tenha, poderá perceber o quão rápido o tempo passou toda vez que você vir aquela pessoinha; e perceber que ela já é totalmente diferente da última vez em que você a viu. Minha sobrinha já está passando minha mãe em altura. já fazem quase 5 anos que eu não acompanho seu crescimento e nas poucas vezes que a vi, tomei um susto!

Outra maneira de ver como o tempo passa rápido é quando mudamos de país. Tanta novidade junta vai sendo incorporada aos poucos e, de repente, tcharã: Um ano se passou! 

O Sri Lanka nos proporcionou muitas coisas, entre estranhamentos e similaridades identificadas, aqui e ali, com o Brasil. Passamos por momentos complicados, outros bastante agradáveis, conhecemos pessoas novas, fizemos amigos, incorporamos novos hábitos... E é interessante perceber o quanto a gente foi mudando neste processo, lapidando coisas que a gente nem sabia que existiam, percebendo vontades que tínhamos aprendido a guardar no fundo da memória. Aprendemos a viver a vida num ritmo diferente do de Miami, onde tudo costumava ser muito rápido e fluido. Aqui as coisas são mais lentas e a contemplação acabou ganhando mais força. Todos estes contrastes foram muito interessantes de serem vividos e, apesar de toda a dificuldade que por vezes enfrentamos (e ainda enfrentamos) por aqui, o saldo é positivo. Um saldo de amor. Daquele que se sente mesmo quando se conhece os defeitos do objeto amado. 

Escolhi o Love Cake para celebrar este primeiro ano porque é um bolo diferente, mas ao mesmo tempo traz uma familiaridade. Eu encontrei neste bolo a síntese do meu primeiro ano de Sri Lanka e o resultado é um bolo ideal para um chá da tarde. De sabores muito particulares e familiares ao mesmo tempo, o sabor leve e a textura da castanha de caju predomina, mas também é possível perceber as especiarias e o leve perfume da água de rosas. Dizem que os pedaços devem ser cortados suficientes para uma bocada só. E que o seu pedaço deve ser dado a outra pessoa, na boca, como bons bocadinhos de amor como uma troca de carinho. O Love Cake é a minha maneira de dizer muito obrigada dando um bocadinho de bolo na boca de quem está lendo este post. E o melhor: dá pra replicar em casa!

Love Cake (rende bastante, então pode fazer meia receita sem culpa)

250g de semolina levemente tostada

200g de manteiga sem sal

300g de açúcar (usei demerara, mas pode ser do branco)

4 ovos inteiros

4 gemas

80g de mel de abelhas

2 colheres de sopa de água de rosas

1 colher de chá de canela em pó

1 colher de chá de cardamomo em pó

1 pitada de nox moscada ralada na hora

300g de castanha de caju crua, sem sal, triturada

gengibre desidratado (opcional. Pode usar abacaxi seco no lugar que vai ficar ótimo!)

Açúcar de confeiteiro para polvilhar por cima. 

Modo de fazer: 

Pese e separe todos os ingredientes antes de começar. Pré-aqueça o forno a 150 graus. Unte a forma (mesmo se for antiaderente) e forre com um papel manteiga, untando a superfície do papel também. Este bolo tem muita gordura, mas se não untar deste jeito ele gruda na forma sem dó!

Pese e separe todos os ingredientes antes de começar. Pré-aqueça o forno a 150 graus. Unte a forma (mesmo se for antiaderente) e forre com um papel manteiga, untando a superfície do papel também. Este bolo tem muita gordura, mas se não untar deste jeito ele gruda na forma sem dó!

Leve a semolina numa frigideira seca ao fogo. Toste-a levemente. 

Leve a semolina numa frigideira seca ao fogo. Toste-a levemente. 

Com cuidado pra não deixar queimar. use uma espátula e mexa sem parar. É só pra dar uma tostadinha mesmo. Desligue o fogo, passe a semolina para um outro recipiente e deixe esfriar.

Com cuidado pra não deixar queimar. use uma espátula e mexa sem parar. É só pra dar uma tostadinha mesmo. Desligue o fogo, passe a semolina para um outro recipiente e deixe esfriar.

Como em toda receita tradicional, existem várias versões e modos de fazer o Love Cake. Mas a verdade é que este bolo é quebradiço, não tem muita estrutura. Portanto, a melhor maneira de fazê-lo é incorporando menos ar. Escolhi o método de cremado por ser o melhor pra garantir que o resultado seria perto do que eu esperava. 

Junte a manteiga em ponto pomada (fácil de passar no pão) com o açúcar numa batedeira e bata até que a mistura fique esbranquiçada. 

Junte a manteiga em ponto pomada (fácil de passar no pão) com o açúcar numa batedeira e bata até que a mistura fique esbranquiçada. 

Acrescente as gemas, uma a uma, esperando que elas incorporem antes de adicionar a outra. Estamos fazendo uma emulsão aqui. Adicionar tudo de uma vez pode desandar a massa. 

Acrescente as gemas, uma a uma, esperando que elas incorporem antes de adicionar a outra. Estamos fazendo uma emulsão aqui. Adicionar tudo de uma vez pode desandar a massa. 

Faça o mesmo com os ovos. Como as claras têm muita umidade, aqui você terá de esperar um pouco mais até que o ovo incorpore à massa. Tenha um pouco de paciência.

Faça o mesmo com os ovos. Como as claras têm muita umidade, aqui você terá de esperar um pouco mais até que o ovo incorpore à massa. Tenha um pouco de paciência.

Adicione o mel e continue a bater, potência média, com o batedor raquete. Adicione também a água de rosas.

Adicione o mel e continue a bater, potência média, com o batedor raquete. Adicione também a água de rosas.

Misture as especiarias em pó na semolina e adicione à massa, batendo em potência mínima.

Misture as especiarias em pó na semolina e adicione à massa, batendo em potência mínima.

Incorpore as castanhas de caju trituradas. Este processo deverá ser feito no início da receita, antes de começar a bater os ingredientes. Você pode deixar as castanhas mais pedaçudas, se quiser. Mas pelo menos metade dos 300g que a receita pede devem estar assim como na foto. 

Incorpore as castanhas de caju trituradas. Este processo deverá ser feito no início da receita, antes de começar a bater os ingredientes. Você pode deixar as castanhas mais pedaçudas, se quiser. Mas pelo menos metade dos 300g que a receita pede devem estar assim como na foto. 

Bata até incorporar. Adicione as frutas desidratadas, misture um pouco e desligue a batedeira. Verta a mistura na assadeira previamente preparada. Asse por aproximadamente 1 hora ou até que o palito saia limpo. Espere esfriar com a assadeira numa grade por uns 20 minutos e desenforme com a ajuda de uma espátula. Não esqueça de retirar o papel! 

Bata até incorporar. Adicione as frutas desidratadas, misture um pouco e desligue a batedeira. Verta a mistura na assadeira previamente preparada. Asse por aproximadamente 1 hora ou até que o palito saia limpo. Espere esfriar com a assadeira numa grade por uns 20 minutos e desenforme com a ajuda de uma espátula. Não esqueça de retirar o papel! 

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[Sri Lanka] Watalappan: a sobremesa que é parente do nosso conhecido pudim.

Em tempos de xenofobia e intolerância pipocando pelos quatro cantos do mundo, é interessante percebermos como aquilo que para nós é característico de um país, na maioria das vezes é herança de outro povo. Acho estranha a idéia do nacional puro. Porque há muito tempo que os povos se encontram, migram, guerreiam, confraternizam, casam-se entre si, têm filhos... Onde é que existe este ser puro, que não teve contato com quem vem "de fora"? Talvez algumas tribos indígenas na Amazônia e outros lugares remotos... E o que é o "de fora"? Ele é realmente tão ameaçador assim nos dias de hoje?

Quando penso que foram estas migrações, invasões e encontros ao longo da história que propiciaram a entrada de ingredientes e saberes culinários novos nos mais diversos países, me pergunto: Será possível pensar a comida italiana sem o tomate e o trigo? A confeitaria na França sem o açúcar e o cacau? A vida boêmia na Bélgica sem as batatas e o malte? Os fast foods dos EUA sem o hambúrguer e o sorvete? A Índia sem a castanha de caju e a pimenta fresca? No Brasil, a mesma coisa: se perguntarmos nas ruas quais são as frutas brasileiras mais saborosas na opinião das pessoas, as respostas serão algo como banana, melancia, manga, uva, morango... Carmen Miranda carregava um monte destas frutas na cabeça como símbolo de brasilidade. Mas nenhuma destas frutas são originais do Brasil. Muito menos Carmen Miranda, que era de origem portuguesa. Aliás, foram os portugueses os grandes responsáveis por levar tantas plantas nativas da Ásia para o Brasil e para o mundo. Outros povos também fizeram isso. Além das frutas, temos também a cana de açúcar, o arroz...

Fonte: http://1.bp.blogspot.com/-qIOpV3NBykQ/U_-utn9nHpI/AAAAAAAA7ds/l6TxLmhz3ME/s1600/carmen-miranda.jpg

Fonte: http://1.bp.blogspot.com/-qIOpV3NBykQ/U_-utn9nHpI/AAAAAAAA7ds/l6TxLmhz3ME/s1600/carmen-miranda.jpg

Tudo isso pra dizer que o Sri Lanka, em tudo o de exótico que pode oferecer - especialmente nas comidas - é também um grande caldeirão de influências que foram sendo incorporadas à cultura. O país foi dominado pelos portugueses por mais de 100 anos. Estes foram expulsos pelos holandeses que aqui ficaram por mais de 100 anos também. Depois disso, vieram os ingleses, responsáveis pela introdução do cultivo do chá, o uso do curry dentre outras coisas, na grande Índia. Isso tudo aliado a quem já estava aqui, junto às influências dos países vizinhos, forjou o país como podemos conhecer hoje.

Watalappan : um pudim mais escuro, cor de café com leite, com sabor presente de côco e especiarias, além do sabor característico do  jaggery,  um tipo de rapadura que fazem aqui com açúcar de palma.

Watalappan: um pudim mais escuro, cor de café com leite, com sabor presente de côco e especiarias, além do sabor característico do jaggery, um tipo de rapadura que fazem aqui com açúcar de palma.

Uma das sobremesas mais festejadas por aqui é um exemplo disso. De origem malaia, é um tipo de pudim: o Watalappan. O nome da sobremesa na península malaia é "Siri-Kaya", que consiste em uma pasta feita com leite de côco, açúcar caramelizado e ovos. A pasta se parece visualmente com nosso doce de leite depois de pronto. Ainda não provei Siri-Kaya, mas como gosto de doces feitos com ovos já estou salivando. Lá, essa pasta é usada para passar no pão. Quando foi trazida pra cá, foram feitas adaptações com os ingredientes locais e no modo de fazer: o açúcar caramelizado foi substituído pelo jaggery, um açúcar de palma muito usado por aqui (algo semelhante à nossa rapadura).

Parece doce de leite de corte, mas é um tipo de rapadura. Há várias marcas de  jaggery  na praça, esta é a primeira que uso que tem esta aparência mais densa e úmida. Normalmente eles são quebradiços e porosos como um tijolo de rapadura. Mas o sabor é o mesmo para todos os tipos. Forte como açúcar mascavou ou rapadura.

Parece doce de leite de corte, mas é um tipo de rapadura. Há várias marcas de jaggery na praça, esta é a primeira que uso que tem esta aparência mais densa e úmida. Normalmente eles são quebradiços e porosos como um tijolo de rapadura. Mas o sabor é o mesmo para todos os tipos. Forte como açúcar mascavou ou rapadura.

A coloração do Jaggery é bem intensa e por isso eliminou-se a necessidade de caramelização do açúcar. O modo de fazer foi alterado e hoje a sobremesa se parece com um pudim e não com o doce de leite pastoso. Foram incorporadas especiarias, para aromatizar o creme e utilizar o que a região tem de mais nobre e atraente. Finalizou-se com castanhas de caju e daí surgiu o Watalappan tão festejado por aqui, sobremesa obrigatória até em festas de casamento. Nele você tem influências malaias, portuguesas, francesas, árabes, srilanquesas... 

Pela quantidade de ovos, a textura do pudim é mais firme e possibilita o corte. A apresentação mais comum da sobremesa é em pedaços quadrados ou retangulares. Castanhas de caju picadas ou separadas em duas metades finalizam a sobremesa. 

Pela quantidade de ovos, a textura do pudim é mais firme e possibilita o corte. A apresentação mais comum da sobremesa é em pedaços quadrados ou retangulares. Castanhas de caju picadas ou separadas em duas metades finalizam a sobremesa. 

O universo da comida é assim: você encontra algo familiar mesmo no estranhamento. Lendo sobre a história da sobremesa, lembrei da Benedita feita pela minha família há mais de 100 anos. Pensei na minha tataravó, que tinha feições árabes e que ninguém na família sabe direito a história dela até hoje, muito menos de onde ela veio. Era a filha dela quem fazia a Benedita. Seria herança da mãe?

Esta é uma sobremesa relacionada à cultura dos muçulmanos aqui no Sri Lanka. É muito consumido no fim do Ramadan. É gostoso, lembra pudim de café na aparência - mas é diferente - e pode ser consumido tranquilamente por intolerantes à lactose. Acredito que o uso de rapadura/açúcar mascavo no lugar do jaggery não interferirá tanto no resultado final. Pra saber se comprometeria o sabor da sobremesa eu teria de provar os dois ao mesmo tempo. 

Outra coisa: já fiz a sobremesa com metade da quatidade de jaggery porque acho a original muito doce. Particularmente eu preferi a minha adaptação. O sabor do côco e das especiarias ficaram mais presentes. Fica a seu critério definir a quantidade. Se quiser experimentar, adicione metade da quantidade pedida na receita e misture os ingredientes. Prove. Se achar que está bom de doce, não precisa colocar mais. 

Watalappan

Ingredientes:

5 ovos inteiros

500g Kithul Jaggery ou rapadura ou açúcar mascavo

400ml de leite de côco

Noz moscada, cardamomo e canela a gosto

Modo de fazer:

Rale ou triture a rapadura de modo que ela fique com uma apresentação parecida com a do açúcar mascavo. 

Rale ou triture a rapadura de modo que ela fique com uma apresentação parecida com a do açúcar mascavo. 

Numa tigela funda, adicione o leite de côco, o  jaggery  e os ovos, mexendo bastante com um  fouet , até que o açúcar se dissolva. Adicione o cardamomo (pode ser em pó ou as bagas em infusão) a canela e a noz moscada ralada fina. Passe a mistura por uma peneira para assegurar que tudo se dissolveu e verificar se não havia impurezas no açúcar utilizado.

Numa tigela funda, adicione o leite de côco, o jaggery e os ovos, mexendo bastante com um fouet, até que o açúcar se dissolva. Adicione o cardamomo (pode ser em pó ou as bagas em infusão) a canela e a noz moscada ralada fina. Passe a mistura por uma peneira para assegurar que tudo se dissolveu e verificar se não havia impurezas no açúcar utilizado.

Verta a mistura numa forma retangular ou num  ramekin  grande untados com um pouco de manteiga. Espere a espuma ficar toda a superfície e retire-a com uma colher. 

Verta a mistura numa forma retangular ou num ramekin grande untados com um pouco de manteiga. Espere a espuma ficar toda a superfície e retire-a com uma colher. 

Assim a superfície ficará mais lisa depois de assada. Calce os refratários com toalha de papel para evitar que trepidem com água embaixo. Assim eles ficam firmes e a base da sobremesa, lisinha. 

Assim a superfície ficará mais lisa depois de assada. Calce os refratários com toalha de papel para evitar que trepidem com água embaixo. Assim eles ficam firmes e a base da sobremesa, lisinha. 

Asse em banho maria, forno a 150 graus Celsius, por aproximadamente 30 minutos (porções individuais) ou até a sobremesa atingir firmeza semelhante à do pudim (por volta de uma hora). Se você bater na porta do fogão, a superfície deverá estar relativamente firme. A água do banho-maria deve estar quente desde o início e preencher até metade da altura da forma. Fique atento: pode ser que você necessite adicionar mais água até que a sobremesa fique pronta.

Não é preciso fazer calda. Como é um pudim de corte, normalmente serve-se em pedaços quadrados como na foto mais acima. Adicione algumas castanhas de caju picadas por cima do pudim assado antes de servir. Se decidir servi-lo em potinhos individuais, pode servir morno, é bem gostoso assim. Para servir cortado, melhor gelado pra dar mais firmeza. 

Não é preciso fazer calda. Como é um pudim de corte, normalmente serve-se em pedaços quadrados como na foto mais acima. Adicione algumas castanhas de caju picadas por cima do pudim assado antes de servir. Se decidir servi-lo em potinhos individuais, pode servir morno, é bem gostoso assim. Para servir cortado, melhor gelado pra dar mais firmeza. 

[Receitas de Família] Canjica de milho com côco da minha mãe

Se há uma coisa que eu gosto da época das festas juninas, e que sinto muita falta neste meu período fora do Brasil, é a Canjica da minha mãe. Cremosa, branquinha, sabor de côco na medida certa e bem quentinha. Na verdade minha mãe costuma fazer canjica fora de época. E como a família é grande, ela sempre aproveita pra fazer em maior quantidade pra congelar boa parte. Dessa forma, sempre tem canjica pra comer mais vezes durante o ano. Hoje é aniversário da minha mãe. E eu fiquei pensando em como eu poderia escrever um post pra tentar sintetizar o quanto eu sou grata por tê-la em minha vida. Ela nasceu no dia de São João e daí me lembrei que eu tinha um pacote de canjica em casa: "É isso! Canjica da mamãe!". 

Canjica pronta pra comer, fumegante e com bastante canela em pó. Fiquei tentada a colocar a canela do Ceilão ao invés da Canela da China, mas a segunda é que faz parte da memória afetiva, né? 

Canjica pronta pra comer, fumegante e com bastante canela em pó. Fiquei tentada a colocar a canela do Ceilão ao invés da Canela da China, mas a segunda é que faz parte da memória afetiva, né? 

Dona Sílvia Teresa é uma mulher incrível! Qualquer memória que eu tenho é sempre com ela em ação: seja no trabalho; primeiro no serviço público quando ainda exercia a profissão de psicóloga; seja com decoração de interiores e arquitetura, profissão de destino que ela demorou a abraçar por medo de não dar conta da disciplina de cálculo na faculdade, quando se mudou pra Brasília; seja na cozinha, fazendo mil e uma guloseimas para gente. Ela herdou aquele gosto de agradar pela comida que minha avó tinha... É quase impossível pra mim escolher apenas um prato, feito por ela, como o meu favorito. Já publiquei duas receitas que ela faz com maestria aqui no blog: a Benedita e a Casquinha de Siri. E a Canjica vem agora se juntar à elas. 

Faltam zeros no mundo para acrescentar nesta nota pra dizer o quanto vale ter a minha mãe tão saudável, ativa e encantada com a vida. Não há dinheiro que pague! Nada palpável é capaz de significar o valor de tê-la como minha mãe. Te amo!

Faltam zeros no mundo para acrescentar nesta nota pra dizer o quanto vale ter a minha mãe tão saudável, ativa e encantada com a vida. Não há dinheiro que pague! Nada palpável é capaz de significar o valor de tê-la como minha mãe. Te amo!

Eu tenho uma memória especial de minha mãe, que vez por outra me aquece: Numa noite, eu estava dormindo e ela entrou no meu quarto. Me acariciou enquanto eu "fingia que dormia". Ela repetiu baixinho que me amava muito e que nada no mundo mudaria esse sentimento nela. Eu continuei fingindo que dormia até ela sair do quarto. E me lembro de ter lutado até o fim contra um nó que se instalou na minha garganta. As razões de eu ter "permanecido adormecida" me escapam. Da mesma forma o que havia acontecido naquele dia em especial. O que eu sei é que eu andava muito ressabiada, disso eu lembro. E talvez eu quisesse que aqueles carinhos durassem pra sempre. Achava que, se eu acordasse, eles parariam. Lógicas infantis. 

Ainda criança, vestida de caipira pra festinha junina da escola.

Ainda criança, vestida de caipira pra festinha junina da escola.

É incrível que dentre tantas memórias que eu tenho com minha mãe, seja esta, ocorrida na minha infância, uma das que eu mais tenho revisitado ultimamente. Acredito que viver como expatriado nos deixa, em alguns momentos, muito fragilizados perante o mundo novo que nos cerca. Daí a gente quer voltar pra um período em que se sentia protegido. E por isso, também, resolvi fazer a canjica. 

Até hoje, quando dona Sílvia resolve fazer o prato, ela chega pertinho da gente com a melhor cara do mundo e diz: "Me deu vontade de comer canjica, que tal?". É o suficiente pra gente já ficar feliz, esperando por uma caneca cheia desse creme espesso e aveludado de côco, cheio de flocos redondinhos de milho branco a serem mastigados lentamente, até o gosto sumir na boca. O amor pode assumir várias formas. A comida é uma das maneiras mais lindas delas. 

Te amo, mãe!

Receita simples, mas de valor inestimável: 

Canjica de côco

Ingredientes:

500g de milho para canjica

1 litro de leite

1 canela em pau

1 lata de leite condensado

1 garrafinha de leite de côco (eu usei em pó, diluído em leite)

90g de côco ralado seco (se você tiver a sorte de tê-lo fresco, use-o!)

Canela em pó para servir

Opcional: Açúcar o quanto baste.

Modo de preparo: Deixe a canjica de molho em água filtrada por 6 horas. 

Deixe a canjica de molho em água filtrada por 6 horas. Depois, coloque os grãos hidratados numa panela de pressão e cubra-os com água filtrada, dois dedos acima dos grãos. Lembre-se de que a panela de pressão, por segurança, só pode ser preenchida por líquidos até metade de sua altura. Assim que a pressão pegar, cozinhe por 15 minutos. 

Deixe a canjica de molho em água filtrada por 6 horas. Depois, coloque os grãos hidratados numa panela de pressão e cubra-os com água filtrada, dois dedos acima dos grãos. Lembre-se de que a panela de pressão, por segurança, só pode ser preenchida por líquidos até metade de sua altura. Assim que a pressão pegar, cozinhe por 15 minutos. 

Tire a pressão da panela e avalie a cocção do grão. Eu gosto do milho mais "mastigável",  al dente , então este tempo foi suficiente. Mantenha a panela no fogo até quase secar a água do cozimento. Assim que a água evaporar, junte o leite integral. Ferva a canjica no leite por uns 15 minutos, até que ela pegue o seu gosto. Adicione o leite de côco e o leite condensado. Misture e prove pra saber se quer adicionar açúcar extra. Eu preferi não colocar mais. Adicione o côco ralado e ferva por mais alguns minutos, até que o sabor esteja do seu agrado e o caldo esteja engrossado. Ajuste o açúcar, se quiser, e sirva.

Tire a pressão da panela e avalie a cocção do grão. Eu gosto do milho mais "mastigável", al dente, então este tempo foi suficiente. Mantenha a panela no fogo até quase secar a água do cozimento. Assim que a água evaporar, junte o leite integral. Ferva a canjica no leite por uns 15 minutos, até que ela pegue o seu gosto. Adicione o leite de côco e o leite condensado. Misture e prove pra saber se quer adicionar açúcar extra. Eu preferi não colocar mais. Adicione o côco ralado e ferva por mais alguns minutos, até que o sabor esteja do seu agrado e o caldo esteja engrossado. Ajuste o açúcar, se quiser, e sirva.

Sobremesa de Goiabada com queijo

A primeira vez que um mineiro experimenta a combinação doce e salgada é na sobremesa Romeu e Julieta. Ou no queijo com doce de leite. E é tudo muito simples: basta cortar uma fatia de queijo e outra de goiabada, colar as duas fatias uma na outra e comer. Ou você pode fazer um sanduíche com a fatia de goiabada entre duas fatias de queijo, o que se não me falha a memória chama-se Caixeta. Os pernambucanos também têm essa combinação presente na Cartola, mas ela acaba sendo sempre mais doce por conta da quantidade de açúcar na mistura com canela que vem por cima do queijo manteiga. O importante é que desde muito criança a gente tem esta referência na diversidade de sabores que podem compor um prato. 

Quando fiz o almoço para os estrangeiros que nos visitaram em Miami, fiz pratos brasileiros para apresentar um pouco da nossa comida à eles. E a sobremesa, é claro, foi uma versão de Romeu e Julieta que todos gostaram bastante. É um idéia muito simples, que utiliza ingredientes fáceis de usar e um copo bonito pra ajudar na apresentação. E que dá um ar de familiaridade a quem vive nos EUA, por causa da massa feita com cream cheese. É gostosa demais, vale fazer alguns copinhos extras porque não sobra! 

Romeu e Julieta Cremoso com crocante de parmesão

Eu tinha um  sorbet  de frutas vermelhas na geladeira e resolvi usá-lo na decoração. É totalmente opcional

Eu tinha um sorbet de frutas vermelhas na geladeira e resolvi usá-lo na decoração. É totalmente opcional

Ingredientes:  226g de cream cheese  50g de açúcar refinado (1)  1 limão (suco e raspas)  3 claras  50g de açúcar refinado (2)  100ml de creme de leite fresco  125g de goiabada cascão  125ml de água  100g de queijo parmesão ralado   Modo de preparo:

Ingredientes:

226g de cream cheese

50g de açúcar refinado (1)

1 limão (suco e raspas)

3 claras

50g de açúcar refinado (2)

100ml de creme de leite fresco

125g de goiabada cascão

125ml de água

100g de queijo parmesão ralado

Modo de preparo:

Bata o  cream cheese , as raspas e o suco de limão, o açúcar (1). 

Bata o cream cheese, as raspas e o suco de limão, o açúcar (1). 

Até ficar homogêneo e fofo.

Até ficar homogêneo e fofo.

Numa outra tigela, bata à mão o creme de leite a meio ponto. Quando o chantilly ainda está mole, mas já fica preso na ponta do  fouet , como na foto. 

Numa outra tigela, bata à mão o creme de leite a meio ponto. Quando o chantilly ainda está mole, mas já fica preso na ponta do fouet, como na foto. 

Faça um merengue suíço com as claras e o açúcar (2). Para isso você vai precisar de uma terceira tigela e uma panela com água fervendo. Coloque o  bowl  na boca da panela (sem que o fundo do  bowl  entre em contato com a água quente) e misture as claras com um fouet de um lado para o outro, até que o açúcar derreta por completo. Você precisa misturar constantemente para não deixar que as claras cozinhem. Pra saber se os cristais de açúcar derreteram, só colocando o dedo no fundo da tigela pra checar. Portanto, mãos extremamente limpas!!! Assim que o açúcar tiver "sumido" nas claras, leve-as à batedeira. 

Faça um merengue suíço com as claras e o açúcar (2). Para isso você vai precisar de uma terceira tigela e uma panela com água fervendo. Coloque o bowl na boca da panela (sem que o fundo do bowl entre em contato com a água quente) e misture as claras com um fouet de um lado para o outro, até que o açúcar derreta por completo. Você precisa misturar constantemente para não deixar que as claras cozinhem. Pra saber se os cristais de açúcar derreteram, só colocando o dedo no fundo da tigela pra checar. Portanto, mãos extremamente limpas!!! Assim que o açúcar tiver "sumido" nas claras, leve-as à batedeira. 

Bata o merengue até atingir este ponto.Brilhante e firme, a ponta não se curva por completo.

Bata o merengue até atingir este ponto.Brilhante e firme, a ponta não se curva por completo.

Tudo batido, tenha as três misturas juntas. Verta do chantilly sobre a mistura de  cream cheese  e misture delicadamente pra incorporar. É importante que o creme de leite esteja batido ao meio ponto, porque se estiver batido ao ponto de servir, virará manteiga quando incorporado ao  cream cheese . Depois, junte o merengue suíço e misture novamente até que incorpore. Coloque a massa num saco de confeitar e reserve na geladeira. 

Tudo batido, tenha as três misturas juntas. Verta do chantilly sobre a mistura de cream cheese e misture delicadamente pra incorporar. É importante que o creme de leite esteja batido ao meio ponto, porque se estiver batido ao ponto de servir, virará manteiga quando incorporado ao cream cheese. Depois, junte o merengue suíço e misture novamente até que incorpore. Coloque a massa num saco de confeitar e reserve na geladeira. 

Para fazer a goiabada cremosa, é muito simples. Pique o doce em cubos e leve ao fogo numa panela com a água. Em fogo baixo, vá mexendo de vez em quando para que os cubos derretam. 

Para fazer a goiabada cremosa, é muito simples. Pique o doce em cubos e leve ao fogo numa panela com a água. Em fogo baixo, vá mexendo de vez em quando para que os cubos derretam. 

O doce estará no ponto certo quando estiver cobrindo as costas da colher. Pra testar o ponto, faça um risco com o dedo. Se este risco ficar intacto, está pronto. Esfrie e coloque o doce num saco de confeitar. 

O doce estará no ponto certo quando estiver cobrindo as costas da colher. Pra testar o ponto, faça um risco com o dedo. Se este risco ficar intacto, está pronto. Esfrie e coloque o doce num saco de confeitar. 

Para montar o doce, escolha o copo de sua preferência e intercale as camadas. A primeira de creme dequeijo, a intermediária de doce de goiaba e a última de creme de queijo novamente. Assim, o doce não fica muito enjoativo e ainda fica bem bonito. Leve os copos à geladeira e deixe-os passar a noite lá. Este doce é melhor servido geladinho.

Para montar o doce, escolha o copo de sua preferência e intercale as camadas. A primeira de creme dequeijo, a intermediária de doce de goiaba e a última de creme de queijo novamente. Assim, o doce não fica muito enjoativo e ainda fica bem bonito. Leve os copos à geladeira e deixe-os passar a noite lá. Este doce é melhor servido geladinho.

Perto do horário que for servir (uma hora antes dos convidados chegarem), faça os crocantes. Para isso rale o queijo na parte fina do ralador. Tenha o forno pré-aquecido a 180 graus. Numa assadeira coberta de  silpat  (creio que papel manteiga também dá certo. É testar antes pra ver!), coloque montinhos de queijo, bem separados uns dos outros. Leve ao forno até que derretam e dourem ligeiramente. Cuidado para não queimá-los!!! Retire a assadeira do forno e deixe os crocantes esfriarem. 

Perto do horário que for servir (uma hora antes dos convidados chegarem), faça os crocantes. Para isso rale o queijo na parte fina do ralador. Tenha o forno pré-aquecido a 180 graus. Numa assadeira coberta de silpat (creio que papel manteiga também dá certo. É testar antes pra ver!), coloque montinhos de queijo, bem separados uns dos outros. Leve ao forno até que derretam e dourem ligeiramente. Cuidado para não queimá-los!!! Retire a assadeira do forno e deixe os crocantes esfriarem. 

Decore os copos da maneira que achar melhor. Você pode colocar uns cubinhos de goiabada na base do crocante ou colocar um sorvete como eu fiz. Ou, simplesmente espetar o crocante de parmesão e servir. 

Decore os copos da maneira que achar melhor. Você pode colocar uns cubinhos de goiabada na base do crocante ou colocar um sorvete como eu fiz. Ou, simplesmente espetar o crocante de parmesão e servir. 

[Série Amigos] Antipasto de Berinjela

Durante um tempo da minha juventude eu trabalhei como vendedora em lojas de shopping. Foram quase 4 anos no comércio, onde aprendi bastante. Inclusive que a vida não era tão cor de rosa como eu supunha e que existia muita gente a fim de puxar o seu tapete.

Foi trabalhando no comércio eu comecei a fumar. Sempre detestei cheiro de cigarro, mas logo percebi que os fumantes tinham uma vantagem naquele mundo que eu não tinha: podiam fazer uns intervalos da loucura da loja, ir pro corredor e acender um cigarro, conversar, falar das pessoas que passavam e rir. Passei a gostar do mise en scene do ato de fumar, a reunião que ele provocava, a formação de vínculos afetivos que ele proporcionava. Nem tudo tem só um lado ruim, né? O cigarro teve essa função recreadora pra mim. Houve um tempo onde abusei dele, mas logo depois eu decidi que seria um instrumento de diversão, não algo cotidiano. Parei. De vez em quando eu fumo, mas só pra dividir um momento, rememorar um tempo específico da minha vida ou dividir uma confidência com alguém especial.

Fonte: http://farm9.staticflickr.com/8126/8644795796_560faab46b.jpg

Fonte: http://farm9.staticflickr.com/8126/8644795796_560faab46b.jpg

Conheci a Renata numa das lojas onde trabalhei. Ambas fumávamos e acabamos ficando amigas muito rápido, porque tínhamos vários pontos em comum e gostávamos do jeito uma da outra. Logo depois a minha fase de comércio acabou e eu fui me enveredar por outros ares, mas nossa amizade já estava sólida o suficiente. Tenho várias memórias muito bacanas de nossa amizade naquela época, a mais marcante, porque envolve comida, foi esta que vou contar. 

Uma vez, Renata me ligou convidando para passar a tarde na casa dela. Quando cheguei lá, ela abriu a porta de casa toda feliz, dizendo: "Paulette, comprei uma caixa de cervejas pra gente entornar todas assistindo Seal!" Eu adorava Seal. Eu detestava cerveja... Já estava toda sem-graça quando ela foi pra cozinha e voltou serelepe com um vidro na mão: "Inda fiz uma conserva de berinjela show pra gente comer com pão sírio, enquanto a gente bebe!". Eu odiava berinjela... Lá estava eu, numa situação desconfortável, pra falar o mínimo. Minha amiga achando que estava arrasando e eu preocupada em não tirar a alegria dela. Pensei que tinha de experimentar ao menos, pra não decepcionar. Se não gostasse, deixava pra lá e tudo certo. Ela ainda facilitou um pouco as coisas servindo um macarrão delicioso antes, cuja receita virou hit na minha casa em tempos de república (e na casa da minha mãe também). Daí, comi todo o macarrão, planejando malignamente só provar a berinjela por educação, dando a desculpa de que estava já satisfeita. Ledo engano!

Provei a dita da conserva e quase pirei de tão boa que era. Na verdade comi o pote inteiro, quase que instantaneamente. Não dei a mínima pro Seal. Depois, além de pedir desculpas pela falta de educação em acabar com o pote todo, acabei confessando meu trauma com berinjela. Ela achou o máximo ter me convertido e eu nunca mais esqueci desta berinjela da Rê. Minha mãe morria de ciúmes quando eu me recusava a comer qualquer outro prato feito com o vegetal, dizendo que "só comia berinjela se a Renata fizesse". Perturbei tanto a minha amiga pra ela me dar a receita que consegui, e agora eu posso fazer pra espalhar no corpo todo se eu quiser! Já fiz em duas festas diferentes e o povo levou o que sobrou pra casa. Dá até pra fazer rifa porque todo mundo sempre quer. 

Nossa amizade sobreviveu ao tempo e à distância e lá se vão quase 20 anos. Eu voltei pra Brasília, perdemos contato. Ela mudou-se pra Brasília sem eu saber e um dia nos reencontramos 5 anos depois, ao acaso, numa empresa onde eu trabalhava. Tudo por causa de uma chuva que me fez desviar de meu caminho habitual. Ela mudou-se para Orlando algum tempo depois; eu, para Miami uns 4 anos depois dela. E aí a gente viu que esse lance de "destino-que-segura-algumas-pessoas-na-vida-da-gente-no-matter-what" é algo muito interessante. Pra mim é uma dádiva, dado que muitas das minhas amizades morreram por conta da distância, embora eu tenha feito esforços incríveis para que isso não acontecesse. Daí, a gente percebe que fica quem quer e faz questão, quem gosta mesmo de você. Que te procura quando te perde e quando finalmente te acha, é como se dissesse: "não vá mais embora porque você é importante pacas.". Tenho sorte! Agora, morando Sri Lanka e estando distante quase um dia inteiro de viagem, tenho a certeza de que nunca mais perderemos este vínculo, este grande amor chamado amizade e que é um dos grandes presentes da vida. Eu vou morrer de saudades, mas essa garota não me escapa nunca mais! "My precious..."

A receita que publico aqui leva quase os mesmos ingredientes que a dela e o modo de fazer eu modifiquei um pouco. Foi uma maneira de dar meu toque pessoal e também de preservar a obra-prima dela. Porque parte da minha memória afetiva é comer a berinjela ao lado da Renata, vendo ela olhar com satisfação pra mim e perguntando se gostei. A conserva sempre vai ter mais sabor assim. E enquanto a gente não se encontra de novo eu vou fazendo esta versão pra ficar mais perto dela.

Garanto que vai te fazer sorrir também. Mãos à obra! 

Esta é a aparência do antepasto quando ingredientes são misturados todos juntos num  bowl  antes de irem para o vidro. 

Esta é a aparência do antepasto quando ingredientes são misturados todos juntos num bowl antes de irem para o vidro. 

Antipasto de Berinjela (inspirada na berinjela Rêal, da fofa da minha amiga querida)

600g de berinjelas com casca (se preferir descascá-las, coloque aí mais uns 150g)

1 cebola média 

250ml de vinagre de maçã

250ml de azeite de oliva extra-virgem

sal a gosto 

orégano seco a gosto

alho cru picado em lâminas finas (sem o broto do meio) a gosto 

Castanhas do Pará picadas a gosto

Passas brancas sem sementes a gosto (pode ser a escura)

Pimenta do reino moída na hora.

Modo de preparo: 

Lave bem as berinjelas e retire a coroa folhosa delas. 

Lave bem as berinjelas e retire a coroa folhosa delas. 

Pique-as em fatias e depois as fatias em quadrantes. Disponha-as em camadas numa assadeira, tomando o cuidado de polvilhar sal por cima de cada camada. 

Pique-as em fatias e depois as fatias em quadrantes. Disponha-as em camadas numa assadeira, tomando o cuidado de polvilhar sal por cima de cada camada. 

Tampe a assadeira, vedando bem, com papel alumínio. Leve ao forno pré-aquecido a 180 graus, por 30 minutos. Vá checando de 30 em 30 minutos, até que as fatias estejam totalmente cozidas e meio murchas. 

Tampe a assadeira, vedando bem, com papel alumínio. Leve ao forno pré-aquecido a 180 graus, por 30 minutos. Vá checando de 30 em 30 minutos, até que as fatias estejam totalmente cozidas e meio murchas. 

Enquanto você assa as berinjelas, asse a cebola também. Descasque-a e enrole em papel alumínio. 

Enquanto você assa as berinjelas, asse a cebola também. Descasque-a e enrole em papel alumínio. 

Assim. coloque numa assadeira separada.

Assim. coloque numa assadeira separada.

Quando as berinjelas estiverem cozidas, retire o papel alumínio imediatamente para deixar o vapor sair (cuidado para não se queimar!).. Quanto menos líquido as berinjelas retiverem neste momento, melhor!  Pra ter certeza, espete a ponta de uma faca de corte nelas. Se entrar e sair fácil, sem a berinjela "segurar" na faca, está pronto!

Quando as berinjelas estiverem cozidas, retire o papel alumínio imediatamente para deixar o vapor sair (cuidado para não se queimar!).. Quanto menos líquido as berinjelas retiverem neste momento, melhor! Pra ter certeza, espete a ponta de uma faca de corte nelas. Se entrar e sair fácil, sem a berinjela "segurar" na faca, está pronto!

Quando a cebola estiver macia, espete uma faca até o centro. Se a faca sair facilmente, está pronta! Retire o papel e deixe esfriar pra picar. 

Quando a cebola estiver macia, espete uma faca até o centro. Se a faca sair facilmente, está pronta! Retire o papel e deixe esfriar pra picar. 

Quando a berinjela esfriar, esprema-a para retirar alguma sobra de líquido delas e coloque-as num  bowl . 

Quando a berinjela esfriar, esprema-a para retirar alguma sobra de líquido delas e coloque-as num bowl

Agora é o momento de acrescentar os demais ingredientes. Misture todos os ingredientes picados primeiro e deixe os líquidos pra serem adicionados por último. Eu fiz ao contrário aqui e cheguei à conclusão de que é melhor deixar o óleo e o vinagre pro final. Castanhas, cebola, alho, ervas, pimenta, passas... Junte tudo no  bowl  e misture. Prove o sabor e corrija. Provavelmente não será necessário usar mais sal. Mesmo assim, prove para ter certeza. Você pode acrescentar o azeite e o vinagre na tigela e misturar, antes de colocar a mistura em vidros esterilizados (fervidos em água quente, a tampa também e secos naturalmente), ou você pode colocar camadas da mistura no vidro e ir adicionando os líquidos aos poucos, até completar o vidro. 

Agora é o momento de acrescentar os demais ingredientes. Misture todos os ingredientes picados primeiro e deixe os líquidos pra serem adicionados por último. Eu fiz ao contrário aqui e cheguei à conclusão de que é melhor deixar o óleo e o vinagre pro final. Castanhas, cebola, alho, ervas, pimenta, passas... Junte tudo no bowl e misture. Prove o sabor e corrija. Provavelmente não será necessário usar mais sal. Mesmo assim, prove para ter certeza. Você pode acrescentar o azeite e o vinagre na tigela e misturar, antes de colocar a mistura em vidros esterilizados (fervidos em água quente, a tampa também e secos naturalmente), ou você pode colocar camadas da mistura no vidro e ir adicionando os líquidos aos poucos, até completar o vidro. 

Quando você acrescentar os líquidos ainda na tigela, a berinjela tende a se desfazer com o ato de misturar. Se você quiser seu antipasto mais pedaçudo, fazer as camadas no vidro é mais indicado. Vá enchendo o vidro com as camadas (4 colheres de ingredientes em pedaços, 2 colheres de azeite, 2 de vinagre. Assim sucessivamente), até 2 dedos abaixo da abertura e complete com o azeite de oliva até a boca, pra vedar. Feche bem e guarde na geladeira. Fica melhor se feita uma semana antes de servir. Sirva com pão sírio ou  Focaccia . Se bem que até com uma cream cracker vai muito bem! 

Quando você acrescentar os líquidos ainda na tigela, a berinjela tende a se desfazer com o ato de misturar. Se você quiser seu antipasto mais pedaçudo, fazer as camadas no vidro é mais indicado. Vá enchendo o vidro com as camadas (4 colheres de ingredientes em pedaços, 2 colheres de azeite, 2 de vinagre. Assim sucessivamente), até 2 dedos abaixo da abertura e complete com o azeite de oliva até a boca, pra vedar. Feche bem e guarde na geladeira. Fica melhor se feita uma semana antes de servir. Sirva com pão sírio ou Focaccia. Se bem que até com uma cream cracker vai muito bem! 

Aqui, a aparência do antepasto quando as camadas são feitas dentro do vidro, sem serem misturadas com os líquidos no  bowl . O sabor será o mesmo. A escolha é sua! 

Aqui, a aparência do antepasto quando as camadas são feitas dentro do vidro, sem serem misturadas com os líquidos no bowl. O sabor será o mesmo. A escolha é sua! 

No fim, pra quem odiava berinjela, este é um dos ingredientes que mais aparecem neste blog. Obrigada, Rê! 

Iogurte Grego com Pasta de morango.

Minha mãe sempre fez iogurte em casa. Abrir a geladeira e ver os potinhos com as porções separadinhas sempre foi algo comum pra mim. Nós costumávamos comê-las misturadas com canela e açúcar e era gostoso demais. É claro que vez por outra meu pai comprava os industrializados quando íamos ao mercado, mas no dia a dia era o iogurte da mamãe que nos matava a vontade. 

Hoje em dia a variedade dos iogurtes é cada vez maior, deixando a gente louco de vontade de provar tudo. Mas depois que eu vim morar em Miami eu tomei pavor de corantes, saborizantes e tudo o mais de artificial que se pode usar nos alimentos, reduzindo ao máximo minha compra de ultraprocessados e avaliando os rótulos dos alimentos que compro com muita cautela. Experimentei o iogurte grego não adoçado quando cheguei aqui e morri de amores por ele, mas decidi que queria tentar fazê-lo em casa pra saber o processo. Desde então, faço meu próprio iogurte de vez em quando.

Esta receita é especialmente interessante pra quem mora no Brasil, dado que este tipo de iogurte foi recentemente lançado no mercado nacional e tem feito grande sucesso, mesmo não tendo NADA A VER com o que vem a ser um iogurte grego de verdade. O brasileiro vem comendo papa de amido modificado há muito tempo e nem se seu conta disso. A jornalista Francine Lima, do Canal do Campo à Mesa,  fez um vídeo sobre isso. Ela ensinou a transformar o iogurte natural em grego, foi além e indicou um site que dá dicas de uso pro soro que é retirado dele. Assista ao vídeo pra descobrir onde. Eu recomendo fortemente que você a siga e, se puder, contribua com a assinatura para manutenção do canal. É de uma utilidade pública incrível! 

Bom. Já que eu decidi fazer o meu próprio iogurte grego, pensei: "Seria legal também fazer uma pasta de frutas pra comer junto!". Não chamo de geléia porque não uso pectina nela. O propósito é que ela se misture facilmente ao iogurte. Assim surgiu essa delícia super-simples, mas cheia de etapas.  É a oportunidade de ter um iogurte mais saudável e real do que o que você encontra no supermercado. Aqui a paciência será uma virtude. Muna-se dela e mãos à obra!

Iogurte Grego com pasta de Morango (rendimento: 1 litro de iogurte, aproximadamente)

Aqui servido com mirtilos por cima, mas também pode ser granola que fica ótimo!

Aqui servido com mirtilos por cima, mas também pode ser granola que fica ótimo!

Para o iogurte grego:

3 litros de leite integral

200ml de iogurte natural sem sabor (observe os ingredientes. Se houver algo mais além de leite e fermento lácteo, não serve!)

Utensílios: 1 panela grande que caiba no seu forno e uma tigela metálica com capacidade para 4 litros, com tampa. É importante que esta tigela caiba na sua geladeira. 

Modo de fazer: Faça esta etapa à noite. Leve o leite ao fogo até que ferva. Desligue imediatamente antes do ponto de o leite subir e deixe esfriar, até que atinja a temperatura certa para adicionar o iogurte. Você consegue determinar isso sem termômetro: basta colocar um dedo (lave bem as mãos e tenha as unhas aparadas!) dentro do leite. Se conseguir mantê-lo lá dentro até que 10 segundos se passem, o leite está na temperatura certa. É importante que você não o deixe esfriar demais, porque daí não vai ser possível proliferar as bactérias do iogurte no leite. Da mesma forma, se não esperar esfriar até a temperatura ideal, irá matar as bactérias do iogurte que você comprou. Portanto, vá fazendo testes (cuidado pra não se queimar!) até que o leite atinja esta temperatura suportável. Adicione o iogurte natural e mexa até que ele se dissolva no leite. Tampe a panela e coloque-a no forno desligado. Deixe de um dia para o outro.

No dia seguinte, aproximadamente depois de 8 horas de descanso no forno, o leite estará assim. Dá pra "cortar" com a faca.

No dia seguinte, aproximadamente depois de 8 horas de descanso no forno, o leite estará assim. Dá pra "cortar" com a faca.

Forre uma tigela de metal com uma touca (sem usar, né?) de proteção descartável, daquelas que dentistas, médicos, nutricionistas e cozinheiros usam. Eu tenho um pacote enorme delas em casa, servem muito pra filtrar coisas na cozinha! Coloque uma liguinha de borracha forte (ou várias) sob a borda externa da vasilha, pra segurar a touca suspensa do fundo. Se você não tiver, pode colocar a touca sobre uma peneira. 

Forre uma tigela de metal com uma touca (sem usar, né?) de proteção descartável, daquelas que dentistas, médicos, nutricionistas e cozinheiros usam. Eu tenho um pacote enorme delas em casa, servem muito pra filtrar coisas na cozinha! Coloque uma liguinha de borracha forte (ou várias) sob a borda externa da vasilha, pra segurar a touca suspensa do fundo. Se você não tiver, pode colocar a touca sobre uma peneira. 

Transfira, com cuidado, o iogurte para a tigela forrada com a touca. 

Transfira, com cuidado, o iogurte para a tigela forrada com a touca. 

Coloque uma liguinha de borracha forte (ou várias) sob a borda externa da vasilha, pra segurar a touca suspensa do fundo. Se você não tiver, pode colocar a touca sobre uma peneira. Tampe o iogurte e leve à geladeira pra escorrer por 8 horas, no mínimo!

Coloque uma liguinha de borracha forte (ou várias) sob a borda externa da vasilha, pra segurar a touca suspensa do fundo. Se você não tiver, pode colocar a touca sobre uma peneira. Tampe o iogurte e leve à geladeira pra escorrer por 8 horas, no mínimo!

Aqui, depois de 8 horas de descanso, drenando o soro na geladeira. Dá pra ver que há umas bordas de produto na touca. 

Aqui, depois de 8 horas de descanso, drenando o soro na geladeira. Dá pra ver que há umas bordas de produto na touca. 

Após as 8 horas, avalie a consistência do iogurte. Para chegar nesta aqui, eu tive de deixá-lo por mais 8 horas drenando o soro. Se precisar/quiser fazer isso, apenas misture o iogurte com cuidado para retirar a capa espessa que se formou na touca. Com cuidado, pra não rasgar! 

Após as 8 horas, avalie a consistência do iogurte. Para chegar nesta aqui, eu tive de deixá-lo por mais 8 horas drenando o soro. Se precisar/quiser fazer isso, apenas misture o iogurte com cuidado para retirar a capa espessa que se formou na touca. Com cuidado, pra não rasgar! 

Cheque pra ver se há espaço na tigela pra recolher mais soro. Se estiver cheia e quase tocando a superfície da touca, melhor escorrer o que já tem pra deixar espaço pro que ainda escorrerá. Sempre tome muito cuidado com a touca para que ela não rasgue!!!

Cheque pra ver se há espaço na tigela pra recolher mais soro. Se estiver cheia e quase tocando a superfície da touca, melhor escorrer o que já tem pra deixar espaço pro que ainda escorrerá. Sempre tome muito cuidado com a touca para que ela não rasgue!!!

Assim que atingir a consistência, retire a touca da vasilha e transfira o iogurte para um recipiente com tampa. Você pode guardar o iogurte nele e ir retirando às colheradas à medida que precisar. Ou dividir em porções, em potes individuais com tampa. O soro do iogurte é bastante protéico (o famoso whey protein que muitos usam como suplemento na academia) e não deve ser descartado. Veja as recomendações da Pat Feldman para o aproveitamento do líquido aqui

Pasta de Morangos

400g de morangos frescos, lavados, limpos e picados

100g de açúcar refinado

Uma colher de café de extrato de baunilha (opcional)

Modo de fazer:

Na panela onde vai fazer a pasta, coloque os morangos picados com o açúcar. Misture-os com uma colher de sopa e deixe-os descansando por 1 hora aproximadamente.

Na panela onde vai fazer a pasta, coloque os morangos picados com o açúcar. Misture-os com uma colher de sopa e deixe-os descansando por 1 hora aproximadamente.

O açúcar é um ladrão de umidade. O contato com a polpa dos morangos faz com que ele extraia a água contida na fruta. Assim que seus morangos deverão ficar depois de descansarem com o açúcar.

O açúcar é um ladrão de umidade. O contato com a polpa dos morangos faz com que ele extraia a água contida na fruta. Assim que seus morangos deverão ficar depois de descansarem com o açúcar.

Leve a panela ao fogo e deixe ferver, mexendo de vez em quando, até que a água extraída dos morangos praticamente evapore. Cuidado pra não deixar queimar o fundo da panela! Terminado este processo, desligue o fogo e deixe esfriar. 

Leve a panela ao fogo e deixe ferver, mexendo de vez em quando, até que a água extraída dos morangos praticamente evapore. Cuidado pra não deixar queimar o fundo da panela! Terminado este processo, desligue o fogo e deixe esfriar. 

Montagem:

Eu coloquei as pasta de morangos embaixo e o iogurte em cima. Fica ao seu critério como fazer. Você pode deixar os iogurtes já montadinhos, com a pasta de frutras, na geladeira. Vai garantir iogurtes mais saudáveis ao longo da semana. 

[Sá Teresa] Caçarola Italiana e as saudades que sinto de minha avó.

Minha avó tinha uma rotina bastante rígida. Acordava por volta das 7 e já ia preparar o café da manhã. Não raro as preparações do desjejum dividiam espaço com as do almoço, normalmente entre as duas cozinhas que ela comandava: uma dentro de casa e outra, numa casinha extra na horta (quintal) onde ficava o fogão à lenha. Eu sempre passava minhas férias na casa dela e invariavelmente acordava mais tarde. Mas antes de levantar eu já a escutava chamando pela empregada e dando instruções, pegando a galinha no galinheiro pra matar, chamando um ou outro tio que tinha ido tomar um café e pedir a bênção, passar o escovão no chão, atender ao telefone... Quando eu finalmente criava coragem pra levantar, ela já estava num frenesi louco de preparação do almoço, mas sempre nos recebia com um sorriso, logo depois anunciando o cardápio do almoço. "Tome logo o seu café pra gente arrumar a mesa."

Sempre de colar e batom, dona Teresa era a simplicidade e o amor encarnados. Deixou muitas saudades...

Sempre de colar e batom, dona Teresa era a simplicidade e o amor encarnados. Deixou muitas saudades...

De vez em quando ela me gritava da casinha pra me avisar que tinha feijão pagão. Eu corria pra pegar uma caneca marinex âmbar e voava pra casinha pra pegar a minha parte: uma concha dos bagos graúdos e brilhantes do feijão na caneca, um pouquinho de sal, caldo por cima pra ajudar a espalhar o tempero. O cheio de feijão novo cozidinho, a caneca entre as mãos como um tesouro, a vó comentando uma coisa aqui outra ali e a vida sendo perfeita naquele exato momento. E dona Teresa sorria. Ela parecia regozijar-se no prazer que nos dava com sua comida, sua forma mais pura de nos demonstrar o amor que nutria pela família. Aquela rotina pesada de todo o dia valia a pena. 

No almoço, ela ficava de olho nas coisas que escolhíamos por no prato e queria sempre saber por que determinado preparo tinha sido preterido: "Cê não vai comer do chuchu refogadinho? Tá tão gostoso!". Mesmo depois de terminar seu prato ela permanecia na mesa, o queixo pousado nas mãos, observando a gente comer. Era incrível como ela se realizava na nossa saciedade, o amor só era entregue devidamente se a gente gostasse da comida. E não houve uma vez em que isso não aconteceu. Ela tinha o dom das panelas e do amor. Logo depois ela já estava supervisionando o ariar de panelas, organizando a cozinha pra logo mais o café das 3. E só depois da mesa posta, ia descansar um pouco deitada no sofá, a remoer pensamentos e prender a pele das costas das mãos com a boca. De lado, braço de cima dobrado pra levar a mão à boca, as perninhas cruzadas na saia e com os pés descalços.

Há 5 anos, eu viajei a Boa Esperança pra passar uma semana com a minha avó. Eu estava vivendo um período de transformação na minha vida e queria ficar um pouco com ela. Eu tinha recém adquirido um celular que gravava e armazenava e tive a idéia de entrevistá-la para saber sobre suas receitas e as memórias que ela tinha delas. Porque minha avó tinha uma memória tão incrível que não tinha caderno de receitas. E eu não queria que elas caíssem no esquecimento depois que ela não estivesse mais conosco. 

Estas gravações são das maiores raridades que tenho comigo hoje. Quando sinto muitas saudades, escuto uma ou outra história, junto às receitas que nos fizeram felizes por tanto tempo. É bom porque, por meio destes instrumentos - as gravações e suas receitas com medidas imprecisas (lata de cera, pires, prato pelo friso, copo, xícara), mas que a experiência tornou mais que exatas deixando muita balança no chinelo -, eu consigo me conectar com a essência dela e isso me acalma e fortalece. 

Hoje completam-se 2 anos que a minha avó se foi e nos deixou. Setembro começou e eu fiquei pensando numa forma de fazer uma homenagem à ela, minha mais forte referência na cozinha. Dona Teresa personificou aquilo que todo mundo que trabalha com comida possibilita todos os dias: transformou amor, paciência, planejamento e dedicação em reuniões regadas à muita conversa e pertencimento. 

Acredito que esta seja uma das receitas mais simples que ela deixou. E, talvez por este motivo, era uma das favoritas dela. Uma das mais realizadas no final de sua vida, a que recebeu uma versão sem açúcar para que ela pudesse comer com menos culpa, por conta do diabetes. E daí eu pensei que muito mais do que fazer a minha receita favorita, seria mais interessante fazer a preferida dela. E foi bacana porque me senti dividindo o momento com minha avó enquanto comia a Caçarola Italiana. É um bolo neutro, meio com consistência de pudim. E é incrível como me é impossível comer apenas uma fatia. 

Caçarola Italiana (rendimento: 24 bolinhos na forma de cupcakes ou um forma redonda de buraco no meio)

Os bolinhos, já frios. Dá pra comer quente, mas tem de ter muito cuidado. De todo jeito é gostoso!

Os bolinhos, já frios. Dá pra comer quente, mas tem de ter muito cuidado. De todo jeito é gostoso!

Ingredientes:

4 ovos inteiros

1 litro de leite integral

240g de farinha de trigo

240g de açúcar refinado

180g de queijo minas curado e ralado fino

1 colher de café de extrato de baunilha (opcional)

Modo de preparo: Aqueça o forno a 180C/ 356F. Unte a forma com manteiga pomada. Coloque os ingredientes no liquidificador e bata rapidamente para que todos se incorporem. A massa é muito líquida mesmo. Verta-a sobre a forma e leve ao forno por aproximadamente 30 minutos. Faça o teste do palito, se sair limpo, retire do forno. É normal que a massa murche assim que sai do forno. Ela cresce tanto lá dentro que quando sai da até dó de tão rápido que murcha. 

Meia receita é o suficiente para preencher uma forma de muffins de 12 espaços. Polvilhe um pouco de queijo na superfície antes de por no forno.

Meia receita é o suficiente para preencher uma forma de muffins de 12 espaços. Polvilhe um pouco de queijo na superfície antes de por no forno.

Com uns 15 minutos de forno a massa começou a crescer bonita.

Com uns 15 minutos de forno a massa começou a crescer bonita.

É impressionante como o bolo murcha rápido depois de retirado do forno. Dá uma dor no peito de pena... Mas é assim mesmo, não se assuste!

É impressionante como o bolo murcha rápido depois de retirado do forno. Dá uma dor no peito de pena... Mas é assim mesmo, não se assuste!

O bolinho murcha até quase a metade. 

O bolinho murcha até quase a metade. 

O bolinho por dentro. 

O bolinho por dentro. 

A caçarola não é um bolo bonito, mas é muito gostoso. E sempre dura muito pouco, principalmente se servida na mesa com café, pra todos comerem enquanto batem papo. É um bolo/pudim leve e despretensioso, que tem cheiro de amor de família na mesa do café, conversando e rindo. Vó: obrigada por me fazer companhia enquanto eu comi meus pedaços ontem. E, olha: saudades demais, viu? Beijo grande, Dona Teresa!

Shrimp Rolls: um sanduíche fresco, com a cara de um dia de calor.

Apesar de os registros históricos dizerem que o Lobster Roll, um sanduíche de carne quente de lagosta cozida em manteiga, ter sido criado no estado de Connecticut; foi o estado do Maine - também na região da Nova Inglaterra -, que ficou associado a este sanduíche famoso nos EUA. Tudo bem que lá houve uma alteraçãozinha na receita: a criação do sanduíche frio e a utilização do pão de cachorro-quente tostado e aberto em cima, mas tudo bem. E por que eu estou falando de lagosta se a receita é com camarão? Adaptação, é claro!

Sanduíche de recheio frio, normalmente servido com batata chips, fritas palito ou outro tipo de batata que você quiser.

Sanduíche de recheio frio, normalmente servido com batata chips, fritas palito ou outro tipo de batata que você quiser.

O camarão é muito mais fácil e barato de encontrar no Brasil que a lagosta, portanto eu pensei que a receita agradaria a mais gente. E também porque eu AINDA não criei coragem de matar a minha própria lagosta, muito embora já tenha ajudado a matar galinha, peixe, pato e porco na casa dos meus avós. Eu resolvi deixar mais pra frente o dia em que eu matarei um Sebastião. :(

Bom, este sanduíche é TU-DO! Fácil, saboroso, bonito e tem a cara de dias quentes, quando você pode acompanhá-lo com um vinho Chardonnay. Como não poderia faltar uma complicaçãozinha na minha receita, eu decidi fazer também o pão. É claro que se você conhecer um lugar que venda um excelente pão de cachorro-quente, pode comprar e pular esta etapa. Mas eu quis fazer o pão porque este foi um dos mais complicados que aprendi na faculdade. Caiu na minha prova prática, eu perdi alguns pontos na avaliação (quando o professor esquarteja o pão na sua frente pra saber se foi enrolado direito ou se ficou algum buraco de ar e se abriu na emenda debaixo) e nunca mais o fiz. Engraçado ver que pão de cachorro-quente seja complicado de fazer, né? Eu nunca dei valor, até aprender a fazer. Hoje tiro o chapéu pra um pão desses bem feito. No mais, a receita é muito boa, o pão é super macio e todo mundo elogiou! 

Eu fiz algumas alterações no recheio. Normalmente elas pedem para que os camarões sejam fervidos em água. Eu preferi salteá-los temperados no azeite, acho que ficam mais saborosos. Há muitas variações, como em todo clássico, desde aqueles onde somente a carne do crustáceo é servida envolvida em maionese temperada, outras onde coloca-se pepino fresco no recheio, outras com salsão... O milho-verde eu resolvi colocar porque é uma combinação muito corriqueira por aqui e que não vemos com muita facilidade no Brasil. Além disso, acrescentei o alho no tempero do camarão, que fez toda a diferença. O importante é que os camarões sejam graúdos, frescos e estejam íntegros, que possam ser cortados em 3 ou 4 pedaços iguais e ainda assim ficarem pedaçudos. Nada de cortar demais a carne e ficar parecendo carne moída, heim? Vamos lá!

Shrimp Roll (rendimento: 10 sanduíches)

Pão (massa de viena):

1 kg de farinha de trigo

40g de fermento biológico fresco

550ml de água

10g de leite em pó

100g de manteiga sem sal

20g de sal

60g de açúcar refinado

10g de aditivo (eu não usei, é opcional).

Modo de preparo: 

Dissolva o açúcar, o fermento e o leite em pó na água. Misture os demais ingredientes secos à metade da farinha. Acrescente 500g de farinha e leve pra bater na batedeira em velocidade baixa, até incorporar. Acrescente mais 250g de farinha de trigo à massa, que ainda estará muito mole e pegajosa. Aguarde incorporar. Adicione mais 100g e verifique a textura. Eu não precisei usar os 150g restantes aqui, mas usei um pouco da farinha na hora de abrir. acredito que minha massa ficou boa com 900g de farinha*. Adicione a manteiga em pedaços pequenos, até que se dissolvam na massa. 

Dissolva o açúcar, o fermento e o leite em pó na água. Misture os demais ingredientes secos à metade da farinha. Acrescente 500g de farinha e leve pra bater na batedeira em velocidade baixa, até incorporar. Acrescente mais 250g de farinha de trigo à massa, que ainda estará muito mole e pegajosa. Aguarde incorporar. Adicione mais 100g e verifique a textura. Eu não precisei usar os 150g restantes aqui, mas usei um pouco da farinha na hora de abrir. acredito que minha massa ficou boa com 900g de farinha*. Adicione a manteiga em pedaços pequenos, até que se dissolvam na massa. 

O ponto certo é quando a massa desgruda das laterais da tigela e do gancho batedor e não deixa nenhum resíduo de manteiga. É possível você segurar a massa nas mãos e ela não grudar nelas. Deixe a massa descansar numa tigela coberta com filme plástico, até que dobre de volume. 

O ponto certo é quando a massa desgruda das laterais da tigela e do gancho batedor e não deixa nenhum resíduo de manteiga. É possível você segurar a massa nas mãos e ela não grudar nelas. Deixe a massa descansar numa tigela coberta com filme plástico, até que dobre de volume. 

Corte a massa em pedaços de 100 gramas. A minha rendeu pouco mais de 1.500g. Boleie os pedaços cortados, como no  vídeo .

Corte a massa em pedaços de 100 gramas. A minha rendeu pouco mais de 1.500g. Boleie os pedaços cortados, como no vídeo.

Com a ajuda de um rolo, abra a massa em formato oval para poder enrolar os pães. 

Com a ajuda de um rolo, abra a massa em formato oval para poder enrolar os pães. 

Enrole a massa sobre si mesma aos poucos, apertando cada volta com a base da mão, para que o miolo fique bem fechadinho. Ao terminar de enrolar, belisque as bordas para emendar o pão direitinho, pra ele não correr o risco de abrir enquanto estiver crescendo ou assando.

Enrole a massa sobre si mesma aos poucos, apertando cada volta com a base da mão, para que o miolo fique bem fechadinho. Ao terminar de enrolar, belisque as bordas para emendar o pão direitinho, pra ele não correr o risco de abrir enquanto estiver crescendo ou assando.

Aqui, os pães já enrolados e crescidos. Note que eles crescem bem e que quando você os estiver dispondo na assadeira eles deverão guardar um espaço igual ao rolinho entre eles, para poder crescer e grudarem uns nos outros. Aqui dá pra ver que a superfície dos meus pães ficou meio feiosa (minha avaliação pelo aspecto não seria das melhores, muito embora eu tenha conseguido corrigir outros erros cometidos na minha prova: o miolo do pão e as emendas ficaram perfeitos! Na terceira vez eu acerto!). Acontece que eu os deixei crescer com um filme plástico por cima, o que deu este efeito esquisito. Eu fiz dois pães de hambúguer com as sobras da massa e deixei-os crescer sem nenhum proteção. Ficaram lisos e lindos. Portanto, não cubra os pães. Deixar exposto pra criar uma película na massa, enquanto ela cresce, é melhor que cobrir.  

Aqui, os pães já enrolados e crescidos. Note que eles crescem bem e que quando você os estiver dispondo na assadeira eles deverão guardar um espaço igual ao rolinho entre eles, para poder crescer e grudarem uns nos outros. Aqui dá pra ver que a superfície dos meus pães ficou meio feiosa (minha avaliação pelo aspecto não seria das melhores, muito embora eu tenha conseguido corrigir outros erros cometidos na minha prova: o miolo do pão e as emendas ficaram perfeitos! Na terceira vez eu acerto!). Acontece que eu os deixei crescer com um filme plástico por cima, o que deu este efeito esquisito. Eu fiz dois pães de hambúguer com as sobras da massa e deixei-os crescer sem nenhum proteção. Ficaram lisos e lindos. Portanto, não cubra os pães. Deixar exposto pra criar uma película na massa, enquanto ela cresce, é melhor que cobrir.  

Assim que os pães estiverem crescidos, asse-os a 180 celsius por aproximadamente 20 minutos. Eu usei um termômetro de espetar na massa (entre todas as bordas dos pães) pra verificar se estava assado. 65 graus Celsius é a temperatura quando o amido começa o processo de gelatinização. Portanto, esta é a temperatura de referência. 

*É importante você ir acrescentando a farinha aos poucos, pra ir avaliando a massa. Se coloca tudo de uma vez, corre o risco de a massa ficar muito seca e precisar acrescentar água. Consertar uma massa seca é mais difícil que acertar uma massa mole com farinha. 


Recheio:

40 Camarões grandes, descascados e limpos.

q/n azeite de oliva.

3 dentes de alho espremido.

sal e pimenta do reino à gosto.

3 talos de salsão picados finamente.

200g de milho verde cozido.

1 cebola roxa picada em cubinhos pequenos.

maionese à gosto.

suco de 1 limão tahiti.

folhas de dill/endro picadinhas à gosto.

ciboullete picadinho pra finalizar.

Batata chips de boa qualidade. As temperadas com sal e vinagre vão muito bem!

Modo de Preparo: Tempere os camarões com sal, pimenta do reino e alho espremido. aqueça uma frigideira grande. Coloque azeite de oliva e imediatamente os camarões, uns 10 por vez. Deixe um minuto e vire-os, deixando por metade do tempo. O ponto do camarão é muito rápido de alcançar. A carne passa de meio-transparente pra branca-opaca rapidamente. Assim que o lado em contato com a frigideira estiver rosado e levemente dourado, vire e deixe o outro lado atingir o mesmo ponto, por 30 segundos aproximadamente. Retire-os e reserve-os em uma tigela de metal. Repita o processo com o restante dos camarões, até que acabem. 

Volte todos os camarões pra frigideira pra que cozinhem um pouquinho mais, se você achar que ainda tem um ou outro que não chegou ao ponto. Mas faça isso bem rapidinho pra não passar do ponto e ficar borrachudo. Coloque-os todos em uma tigela com tampa e leve-os à geladeira até que possa fazer o recheio pra colocar nos pães, o que deverá ser feito imediatamente antes de servir.

Volte todos os camarões pra frigideira pra que cozinhem um pouquinho mais, se você achar que ainda tem um ou outro que não chegou ao ponto. Mas faça isso bem rapidinho pra não passar do ponto e ficar borrachudo. Coloque-os todos em uma tigela com tampa e leve-os à geladeira até que possa fazer o recheio pra colocar nos pães, o que deverá ser feito imediatamente antes de servir.

Logo que estiver pronto pra servir, retire os camarões cozidos da geladeira, corte-os em 3 ou 4 partes iguais e acrescente o milho, o salsão, o dill, a cebola e a maionese (suficiente só para envolver os pedaços do recheio, nada de entupir de molho! Misture bem os ingredientes numa vasilha, coloque o suco de limão e incorpore. Prove o tempero e ajuste o sal e a pimenta do reino. Tenha a cebolinha já picadinha pra finalizar os sanduíches.

Montagem:

O pão para este sanduíche deve ser cortado, preferencialmente, no topo e não na lateral, como fazem para o hot-dog comum. Se você for comprar o pão, observe se eles já vêm cortados. Não é que seja obrigatório cortar o pão desse jeito, mas a apresentação fica muito mais bonita! 

Faça os cortes nos pães. Passe manteiga nas laterais e leve-os para tostar os dois lados numa chapa ou frigideira dos dois lados. Abra o pão e sirva bastante recheio, sem que caia nada para os lados. Polvilhe a cebolinha por cima, coloque a batata ao lado e tarã! Só servir e esperar o povo de derramar em elogios. 

Cookies de Aveia, côco e chocolate amargo.

Eu tive a sorte de nascer e crescer numa época onde ainda se faziam muitos dos quitutes pra família em casa. Vi minha avó fazer pães, roscas, biscoitos e toda uma sorte de guloseimas - em sua grande maioria "from scratch" -, da mesma maneira que a minha mãe os fazia, e também as empregadas que trabalharam lá em casa. Mas esse também foi um tempo onde os produtos industrializados começaram a tornar-se mais acessíveis e assumirem uma aura de "comida especial de fim de semana". Barras de chocolate não tomavam metade de um corredor de supermercado como hoje em dia e eram caras. Lembro de minha mãe comprar uma barra de chocolate ao leite de 200g e reparti-la igualmente entre a gente ao fim de um almoço de domingo e ainda fazer render o suficiente para uma próxima vez. Ela descolava o papel vermelho pacientemente na nossa frente e tinha cuidado ainda maior com o papel alumínio para não rasgar, fazendo a gente quase morrer de tanta ansiedade. Chocolate era tão especial e caro nesta época que foi praticamente impossível ter um bolo feito ou recheado de chocolate nas nossas festinhas infantis. De toda forma, a industrialização da comida foi rápida e a gente começou a ter acesso a um monte de coisa que a gente nem sabia que existia. 

Minha fase foodie começou com guloseimas assim. Coisas de supermercado, produtos diferentes, um biscoito aqui, outro lá, embalagens coloridas. O tempo passou e uma das novidades que surgiram no mercado brasileiro foram os cookies, biscoitos rústicos americanos normalmente com pedaços graúdos de chocolate na massa. Os primeiros que provei eu achei deliciosos, até ter acesso à receitas, replicá-los em casa, e descobrir que os industrializados eram de uma enganação sem fim. 

Cookies não são os biscoitos mais bonitos que você viu por aí. Na maioria das vezes, eles parecem massa de bolo que escorreu pra fora da forma e acabou assando no assoalho do fogão. Mas eles são gostosos. E quando você aprende a fazê-los em casa e percebe o quão fácil é, esquece automaticamente de qualquer produto industrializado que você possa gostar. E o mais legal é que uma receita excelente pra se fazer com crianças.

Aqui nos EUA, é normal encontrar biscoitos enormes, maiores que um pires de chá, oferecidos como sobremesa nos restaurantes. Eu não acho-os tão atrativos em tamanho gigante, gosto mais dos pequenos, justamente porque quanto maiores os cookies, mais feiosos eles são. Há várias possibilidades de sabores para estes biscoitos. A primeira receita do Blog foi uma bem diferente e gostosa, com ingredientes bem mineiros. Usando a mesma receita de base, alterei os ingredientes pra fazer este aqui. A base da receita é manteiga batida com açúcar e um agente agregador, como farinha de trigo, fubá ou outros cereais. Assim que você a domina, a imaginação é o limite. E não é nenhum bicho de sete cabeças, eu juro!

Desde que provei um parecido com este no Zak que eu venho querendo tentar replicá-lo em casa. Ele tem tudo o que um bom cookie deveria ter: crocância, perfume, leveza, sabor e ingredientes melhores que um comum feito com farinha processada de trigo. A textura lembra um pouco uma barrinha de cereal sequinha e pode ser feito com as gotas de chocolate amargo, como usei aqui, ou com uvas/bananas passa que devem ficar ótimas também.

Cookie de Aveia, Côco e Chocolate Amargo (rendimento: 24 cookies pequenos)

120g de manteiga sem sal em ponto pomada

130g de açúcar mascavo

canela em pó à gosto

1 ovo inteiro

180g de aveia em flocos

45g de côco ralado fino e seco

6g de fermento em pó

30g de farinha de trigo integral

80g de chocolate amargo picado 

5g de sal kosher (ou sal grosso moído na hora. O importante é serem cristais irregulares e médios, pra dar contraste de sabor. Se não tiver, pode er o refinado mesmo).

Modo de fazer:

Aqueça o forno a 180 Celsius. Bata a manteiga e o açúcar mascavo até que a mistura dobre de tamanho e fique uma mistura fofa. Eu cometi um erro de execução aqui e misturei o açúcar nos demais ingredientes secos. Não fez a receita dar errado, mas o ideal é bater o açúcar com a manteiga pra incorporar ar e distribuir bem o açúcar na massa. 

Aqueça o forno a 180 Celsius. Bata a manteiga e o açúcar mascavo até que a mistura dobre de tamanho e fique uma mistura fofa. Eu cometi um erro de execução aqui e misturei o açúcar nos demais ingredientes secos. Não fez a receita dar errado, mas o ideal é bater o açúcar com a manteiga pra incorporar ar e distribuir bem o açúcar na massa. 

O próximo passo é incorporar o ovo à mistura de manteiga. Bata o ovo como se fosse fazer uma omelete e acrescente-o aos poucos, com a bateira ligada em velocidade baixa. Pra emulsionar o ovo na gordura é preciso que isso seja feito devagar. Se você colocar o ovo de uma vez, vai ver que os dois vão custar a juntar. Se isso acontecer e o aspecto da mistura ficar talhado, aqueça um pouco a tigela da batedeira (eu costumo usar minhas mãos mesmo, enquanto a batedeira funciona, mas vc pode levá-la ao fogo um instante e voltar pra batedeira. Claro que se for fazer isso a tigela da sua batedeira deverá ser resistente ao fogo. Nada de plástico derretido nesta receita, heim? Uma vez incorporado o ovo, bata até a massa ficar bem fofa. É hora de adicionar todos os outros ingredientes secos, já misturados. Deixe os ingredientes em pedaços pra adicionar depois. 

O próximo passo é incorporar o ovo à mistura de manteiga. Bata o ovo como se fosse fazer uma omelete e acrescente-o aos poucos, com a bateira ligada em velocidade baixa. Pra emulsionar o ovo na gordura é preciso que isso seja feito devagar. Se você colocar o ovo de uma vez, vai ver que os dois vão custar a juntar. Se isso acontecer e o aspecto da mistura ficar talhado, aqueça um pouco a tigela da batedeira (eu costumo usar minhas mãos mesmo, enquanto a batedeira funciona, mas vc pode levá-la ao fogo um instante e voltar pra batedeira. Claro que se for fazer isso a tigela da sua batedeira deverá ser resistente ao fogo. Nada de plástico derretido nesta receita, heim? Uma vez incorporado o ovo, bata até a massa ficar bem fofa. É hora de adicionar todos os outros ingredientes secos, já misturados. Deixe os ingredientes em pedaços pra adicionar depois. 

Misture bem até que tudo se incorpore direitinho. Adicione as gotas de chocolate e o sal e misture rapidamente pra distribuir na massa. Está pronto.

Misture bem até que tudo se incorpore direitinho. Adicione as gotas de chocolate e o sal e misture rapidamente pra distribuir na massa. Está pronto.

Forre uma assadeira com um tapete de silicone ou papel manteiga. Nos EUA eles usam uma colher, como a de sorvete, pra fazer as bolinhas dos  cookies . Você pode usar uma colher simples, enrolar nas mãos como um doce, ou fazer um rolo e cortar fatias, como na receita do  cookie  de fubá. 

Forre uma assadeira com um tapete de silicone ou papel manteiga. Nos EUA eles usam uma colher, como a de sorvete, pra fazer as bolinhas dos cookies. Você pode usar uma colher simples, enrolar nas mãos como um doce, ou fazer um rolo e cortar fatias, como na receita do cookie de fubá. 

Faça isso até terminar a massa. Leve ao forno por aproximadamente 15 minutos a 180 Celsius.

Faça isso até terminar a massa. Leve ao forno por aproximadamente 15 minutos a 180 Celsius.

Retire os cookies da assadeira e ponha-os sobre uma grade pra que possam esfriar. Estes foram submetidos à várias pessoas no meu trabalho, todas elas americanas. Todo mundo elogiou bastante! Faz em casa! ;)

Retire os cookies da assadeira e ponha-os sobre uma grade pra que possam esfriar. Estes foram submetidos à várias pessoas no meu trabalho, todas elas americanas. Todo mundo elogiou bastante! Faz em casa! ;)

Eu cheguei à esta receita comendo o biscoito que fazem no Zak e identificando os ingredientes. Cheguei bem perto do dele, ficou inclusive mais gostoso. Eu só colocaria mais uma especiarias diferentes além da canela pra dar um tchan a mais. Fica a dica! 

 

[Dia sem carne] Abobrinhas Recheadas

Toda criança tem aquela fase chata pra comer, quando os pais têm de fazer malabarismos para que elas comam e experimentem coisas novas. A minha fase chegou a durar muito tempo, como eu já comentei no post da sopa de cebolas. Não me lembro de recusar especificamente a abobrinha, mas me recordo que meu pai costumava dizer que eu precisava comê-las "porque serviam pra engrossar as perninhas". Acabou que que levei o negócio a sério demais e as pernas ficaram roliças. ;) 

Esta receita nasceu de um hábito que tenho quando como algo muito gostoso fora de casa: o de tentar adivinhar os ingredientes, modo de preparo e tentar reproduzir a receita em casa. Eu comi estas abobrinhas recheadas no Mandolin Aegean Bistro. Elas me conquistaram deste a primeira vez, porque além de bonitas, são muito perfumadas e o sabor é incrível. A textura do recheio te engana e, se ninguém te contar que é vegetariano, é capaz de você jurar que é carne. Elas são servidas como entrada no restaurante, mas eu comi as que fiz como prato principal, acompanhadas de arroz jasmim e salada de folhas verdes. 

Abobrinhas Recheadas com berinjela, queijo feta e castanhas.

Aqui as bonitas prontas e saídas do forno. É um perfume que toma conta da sua casa que vou te contar!

Aqui as bonitas prontas e saídas do forno. É um perfume que toma conta da sua casa que vou te contar!

Ingredientes:

1 Berinjela média

azeite a gosto

Tomilho fresco à gosto

3 dentes graúdos de alho

2 a 3 abobrinhas pequenas (2, se no máximo 20 cm de comprimento. 3 se forem menores)

25 gramas de queijo feta

50g de castanhas (nozes e amêndoas picadas em quantidade iguais).

sal e pimenta do reino moída na hora à gosto

Modo de fazer:  Pré-aqueça o forno a 180 graus C/ 356 F.

Lave bem, enxugue e retire a coroa da berinjela, destacando-a do topo. Corte a berinjela ao meio, no sentido do comprimento. Em cada metade, faça cortes horizontais e verticais, pra formar vários quadradinhos, tomando o cuidado de não furar a pele. 

Lave bem, enxugue e retire a coroa da berinjela, destacando-a do topo. Corte a berinjela ao meio, no sentido do comprimento. Em cada metade, faça cortes horizontais e verticais, pra formar vários quadradinhos, tomando o cuidado de não furar a pele. 

Em cada uma das fendas coloque um ramo de tomilho fresco. Esprema/corte o alho bem picadinho e esfregue na superfície da berinjela. Regue-as com azeite extra-virgem o suficiente para cobrir as superfícies. Embrulhe as duas metades em papel alumínio e leve ao forno por 30/45 minutos.

Em cada uma das fendas coloque um ramo de tomilho fresco. Esprema/corte o alho bem picadinho e esfregue na superfície da berinjela. Regue-as com azeite extra-virgem o suficiente para cobrir as superfícies. Embrulhe as duas metades em papel alumínio e leve ao forno por 30/45 minutos.

Elas estarão prontas quando a carne estiver transparente e macia, podendo ser facilmente retirada da casca com uma colher. Retire do forno e deixe esfriar. 

Elas estarão prontas quando a carne estiver transparente e macia, podendo ser facilmente retirada da casca com uma colher. Retire do forno e deixe esfriar. 

Enquanto a base do recheio esfria, coloque uma panela larga cheia de água no fogo. Junte uma colher de sopa cheia de sal refinado. Deixe a água entrar em ebulição e coloque as abobrinhas lavadas, com cuidado. Deixe-as cozinhar. O ponto correto é quando você espeta uma faca nelas e elas se desprendem da faca rapidamente. Cuidado pra não cozinhar demais: as abobrinhas ainda irão ao forno! Uma vez prontas, retire-as do fogo, escorra a água quente e coloque-as em banho maria invertido, ou seja, de molho em água com gelo, até que esfriem por completo.

Enquanto a base do recheio esfria, coloque uma panela larga cheia de água no fogo. Junte uma colher de sopa cheia de sal refinado. Deixe a água entrar em ebulição e coloque as abobrinhas lavadas, com cuidado. Deixe-as cozinhar. O ponto correto é quando você espeta uma faca nelas e elas se desprendem da faca rapidamente. Cuidado pra não cozinhar demais: as abobrinhas ainda irão ao forno! Uma vez prontas, retire-as do fogo, escorra a água quente e coloque-as em banho maria invertido, ou seja, de molho em água com gelo, até que esfriem por completo.

Pique as nozes e as amêndoas na faca até que atinjam uma textura de farofa grossa. É importante que haja pedaços. Transformar as castanhas em farinha não vai ficar muito legal. Depois de picadinhas, leve-as ao fogo numa frigideira para tostar. Cuidado pra não queimar, mexa sempre, já que os pedaços são muito irregulares. O ponto certo é quando a farofa estiver bem solta. Pegue um pedaço graúdo na mão e aperte entre os dedos. Se estiver quente, está bom. Deixe esfriar em um prato.

Pique as nozes e as amêndoas na faca até que atinjam uma textura de farofa grossa. É importante que haja pedaços. Transformar as castanhas em farinha não vai ficar muito legal. Depois de picadinhas, leve-as ao fogo numa frigideira para tostar. Cuidado pra não queimar, mexa sempre, já que os pedaços são muito irregulares. O ponto certo é quando a farofa estiver bem solta. Pegue um pedaço graúdo na mão e aperte entre os dedos. Se estiver quente, está bom. Deixe esfriar em um prato.

Retire os ramos de tomilho das fendas das berinjelas. Não precisa tirar as folhas, só os cabinhos. Processe a polpa da berinjela até que vire um purê. A berinjela tem muita água e será preciso secá-la na frigideira. Use a mesma que utilizou pra tostar as castanhas. Fogo médio.

Retire os ramos de tomilho das fendas das berinjelas. Não precisa tirar as folhas, só os cabinhos. Processe a polpa da berinjela até que vire um purê. A berinjela tem muita água e será preciso secá-la na frigideira. Use a mesma que utilizou pra tostar as castanhas. Fogo médio.

Mexa sempre pra evitar que a polpa grude na panela e para facilitar a evaporação da água. Observe que até aqui eu não coloquei sal nem pimenta. Como estamos reduzindo o recheio e ainda entrarão ingredientes nele, é importante deixar para acertar o sal e a pimenta no final do processo. Quando o recheio estiver bem pastoso e unido, desligue o fogo e passe-o para uma tigela pra esfriar. Volte a polpa para o processador e coloque o queijo pra misturar com a massa. Prove pra ver o teor de sal. O queijo feta costuma ser bem salgado.

Mexa sempre pra evitar que a polpa grude na panela e para facilitar a evaporação da água. Observe que até aqui eu não coloquei sal nem pimenta. Como estamos reduzindo o recheio e ainda entrarão ingredientes nele, é importante deixar para acertar o sal e a pimenta no final do processo. Quando o recheio estiver bem pastoso e unido, desligue o fogo e passe-o para uma tigela pra esfriar. Volte a polpa para o processador e coloque o queijo pra misturar com a massa. Prove pra ver o teor de sal. O queijo feta costuma ser bem salgado.

Corte as abobrinhas cozidas ao meio

Corte as abobrinhas cozidas ao meio

Retire o miolo* das abobrinhas com a ajuda de uma colher de sobremesa, tomando o cuidado para não quebrá-las ou romper a pele. As minhas podiam ter cozinhado um pouquinho mais. Iria facilitar o processo. 

Retire o miolo* das abobrinhas com a ajuda de uma colher de sobremesa, tomando o cuidado para não quebrá-las ou romper a pele. As minhas podiam ter cozinhado um pouquinho mais. Iria facilitar o processo. 

Na mesma frigideira usada anteriormente, refogue mais uns dois ou 3 dentes graúdos de alho (aqui vai depender do quanto você gosta de alho e tomilho. Eu adoro!) no azeite, até que eles desprendam aroma. Junte a polpa da berinjela com feta e misture bem pra incorporar. Junte duas a três colheres da farofa de castanhas e misture bem. Adicione o tomilho fresco a gosto. Acerte o sal e acrescente a pimenta do reino moída na hora. Retire e deixe esfriar. 

Na mesma frigideira usada anteriormente, refogue mais uns dois ou 3 dentes graúdos de alho (aqui vai depender do quanto você gosta de alho e tomilho. Eu adoro!) no azeite, até que eles desprendam aroma. Junte a polpa da berinjela com feta e misture bem pra incorporar. Junte duas a três colheres da farofa de castanhas e misture bem. Adicione o tomilho fresco a gosto. Acerte o sal e acrescente a pimenta do reino moída na hora. Retire e deixe esfriar. 

Depois de frio, coloque o recheio num saco de confeitar pra facilitar o processo de rechear as abobrinhas. Isso não é obrigatório, você pode fazer isso usando uma colher de sobremesa e ajeitando para que todas recebam a mesma quantidade de recheio. 

Depois de frio, coloque o recheio num saco de confeitar pra facilitar o processo de rechear as abobrinhas. Isso não é obrigatório, você pode fazer isso usando uma colher de sobremesa e ajeitando para que todas recebam a mesma quantidade de recheio. 

Molho:

Polvilhe um pouco mais de farofa de castanhas no topo do recheio. Leve-as para assar a 180 graus C/ 356 F até que o recheio esteja dourado, tomando o cuidado para as castanhas não queimarem. 

Polvilhe um pouco mais de farofa de castanhas no topo do recheio. Leve-as para assar a 180 graus C/ 356 F até que o recheio esteja dourado, tomando o cuidado para as castanhas não queimarem. 

Molho:

Azeite extra-virgem

alho, tomilho fresco, sal e pimenta do reino a gosto.

1 lata de tomate pelado picado, com o suco 

Preparo: refogue o alho no azeite até que soltem perfume, sem deixar queimar. Adicione os tomates e mexa sempre, até que o molho reduza e fique mais pastoso. Adicione o tomilho e acerte o tempero com sal e pimenta. Reserve. 

Assim que as abobrinhas estiverem prontas, sirva-as com o molho por baixo. Se você quiser, pode fazer um molho de iogurte natural pra acompanhar. Tempere-o com sal granulado, pimenta do reino e tomilho e sirva por cima das abobrinhas. Bom apetite! 

*Você pode adicionar os miolos das abobrinhas no recheio de berinjela e processá-los junto. Neste caso o recheio vai render mais e ficar com sabor mais suave da berinjela, além de precisa de mais ervas e temperos. Eu usei um terço dos miolos retirados. O resto eu congelei pra fazer uma pastinha numa outra oportunidade. 

Corn Pudding: um acompanhamento delicioso pra um frango assado.

Ao contrário do que muita gente pensa, a comida norte-americana não se resume ao Fast-Food. É claro que o que chega até nós, por meio dos restaurantes de cadeia, é o símbolo da comida ruim e barata, envolvida em marketing de primeira linha e gordura de quinta, cujo objetivo é vender um estilo de vida e não comida de verdade. Mas isso é assunto pra outro post

A Southern-Food é uma das comidas mais representativa do país. Fazendo um comparativo meio forçado, é algo como as comidas mineira e goiana: muita gordura, preparos simples e muitos saborosos. Em vários aspectos é possível fazer a comparação, porque a comida do sul tem ingredientes muito conhecidos por nós: quiabo, milho, feijão, frango... A maneira de preparo dos ingredientes é bem diferente da nossa, em alguns pratos salgados usa-se açúcar (como no Baked Beans, uma herança inglesa que pode fazer um brasileiro passar vergonha ao encher o prato com um feijão lindo, brilhante, vermelhinho e... doce!). Mas é a comida mais relacionada com a memória afetiva do estadunidense, aquela que aparece nas poucas reuniões familiares que ocorrem durante o ano. Desde que chegamos aqui e eu pude experimentar melhor a comida, eu morri de amores. 

Segunda vez que comemos, fiz em porções individuais. 

Segunda vez que comemos, fiz em porções individuais. 

Na verdade, meu primeiro contato com esta comida foi ainda na faculdade de gastronomia, na cadeira de Cozinhas Internacionais. Foi o princípio de um interesse que me persegue até hoje, pois não me canso de procurar receitas, assistir seriados e programas sobre o assunto, testar os pratos em casa e fazer viagens para provar tudo o que posso. A fila tá grande e precisa diminuir. A intenção é despejar tudo aqui.

Esta receita eu fiz pela primeira vez para o jantar de Thanksgiving do ano passado e ela fez bastante sucesso. Nós ainda não tivemos a sorte de passar a festividade numa casa norte-americana de verdade e o mais próximo que chegamos disso foi quando almoçamos no Mrs. Wilkes Dining Room. Mas eu decidi fazer a ceia pra ver como era o trabalho todo e testar algumas receitas que eu vinha colecionando fazia tempo. Eu até tirei fotos da mesa e dos pratos, mas achei-as tão mal tiradas para o blog que resolvi deixar pra apresentar os pratos individualmente, em outra ocasião. 

A primeira vez que fiz, para o jantar de  Thanksgiving . Eu sabia que tinha de fazer algum prato com milho e esta receita me pegou de jeito desde que a descobri. Foi um sucesso tão grande que acabou primeiro que os outros acompanhamentos.

A primeira vez que fiz, para o jantar de Thanksgiving. Eu sabia que tinha de fazer algum prato com milho e esta receita me pegou de jeito desde que a descobri. Foi um sucesso tão grande que acabou primeiro que os outros acompanhamentos.

O Corn Pudding é um prato que localiza-se entre o suflê brasileiro e o molho branco com vegetais. Normalmente, a palavra pudding refere-se a sobremesas, como o mais tradicional que é como um mingau de maisena, ou o Bread Pudding que é bem gostoso e usa sobras de pão. Mas há algumas receitas salgadas, como essa aqui. A base é de creme de leite e a receita leva ovos na finalização, deixando a consistência final parecida com a de um suflê brasileiro, só que mais úmido. Como um gratinado. E dos bons! Esta receita eu achei por acaso e ela me encheu a boca d'água desde a primeira vez. Como a maioria dos pratos de acompanhamento sulistas, é bastante fácil de fazer. Vai muito bem com aves assadas. Na segunda vez que fiz, comemos como prato principal junto com uma saladinha e ficou muito bom também. 

Gratinado de Milho, presunto cru e champignons (rendimento: 6 a 8 porções)

3 colheres de sopa de manteiga, e um pouco mais para untar a forma.

1 xícara de chá de queijo parmesão ralado fino

2 xícaras de chá de cogumelos frescos, tipo champignons ou portobelo fatiados finos

sal e pimenta do reino moída na hora

4/5 espigas de milho ou 2 xícaras de milho debulhado e picado grosseiramente, para aumentar a superfície de liberação do amido (se for usar espigas, você pode ralar o milho ao invés de cortar. O objetivo é ter um milho picado grosseiramente).

1 xícara e meia de cebola cortada em cubinhos pequenos

2 colheres de sobremesa de farinha de trigo

2/3 de xícara de chá de creme de leite fresco

2/3 de xícara de chá de leite integral

85 gramas de presunto cru fatiado fino e picado em pedaços

3 ovos grandes batidos

Modo de preparo:

Pré-aqueça o forno a 180 graus. Unte um refratário grande ou ramekins pequenos com manteiga e coloque um pouco do queijo ralado por cima, espalhando-o para que grude na manteiga. Reserve.

Derreta uma colher de manteiga numa frigideira grande em fogo médio. Adicione os cogumelos fatiados, uma pitada de sal e deixe-os dourar sem mexer muito - quanto mais você mexê-los, mais água eles irão soltar. Quando estiverem bem dourados, retire-os do fogo e reserve.

Derreta a manteiga restante e refogue as cebolas entre 8 a 10 minutos, sem deixar dourar. Misture sempre. O ponto correto é quando ela ficar translúcida. Adicione a farinha de trigo e misture rapidamente, formando um roux. Adicione o milho cortado/ralado grosseiramente e misture constantemente, até que o milho fique amarelinho e que o líquido seque. Adicione o presunto picado, 3/4 de xícara de queijo ralado e os cogumelos salteados. Coloque o creme de leite e mexa constantemente, até que o líquido reduza bastante. Adicione o leite e misture por aproximadamente 3 minutos, até que os sabores se incorporem. Corrija o tempero com sal e pimenta. 

Nesta segunda vez eu substituí a cebola branca por alho poró porque eu tinha um em casa pedindo pra ser usado. Os dois funcionam muito bem, mas eu achei que a cebola dá um adocicado no sabor que fica mais interessante.

Nesta segunda vez eu substituí a cebola branca por alho poró porque eu tinha um em casa pedindo pra ser usado. Os dois funcionam muito bem, mas eu achei que a cebola dá um adocicado no sabor que fica mais interessante.

Tempere os ovos batidos com sal e pimenta. Verta-os sobre a mistura e incorpore-os rapidamente com a colher, para que não cozinhem com o calor antes de dissolvidos. Transfira a receita para o refratário untado, coloque o restante do queijo ralado por cima e leve ao forno já aquecido. Asse até que o centro da travessa esteja firme e o queijo dourado.

Antes de entrar no forno.

Antes de entrar no forno.

Observação: A receita original pede para colocar o refratário dentro de uma forma alta e enchê-la até à metade com água quente, pra evitar que os ovos coagulem rápido demais, fazendo furinhos no resultado final. Eu preferi não fazê-lo e deixar rústico mesmo. Caso decida tentar, o tempo de forno aumentará consideravelmente. Se for a travessa grande, algo em torno de 40 minutos. 

Sirva acompanhando frango assado, ou coma como um suflê, acompanhado de saladinha verde.

Sargento Banana: um doce que lembra a banana frita feita pela minha avó.

Minha avó costumava fritar banana nanica em imersão, até ficar douradinha. Ela a servia como sobremesa, polvilhada de queijo ralado. A fruta era cortada em rodelas, na diagonal. Por isso, muitas das vezes, as pontinhas das rodelas passavam do ponto e ficavam queimadinhas. E isso nunca foi um problema pra mim. Elas ficavam crocantes e com um sabor levemente amargo que me fazia sempre comparar com as bananas fritas que comia por aí, achando as dela sempre melhores. Primeiro pelo contraste com o salgado do queijo meia-cura. Segundo pelas pontinhas queimadas e crocantes, que eu sempre mordia primeiro. Bordinhas estas que, quando a banana esfriava, ficavam levemente puxa, de grudar um tiquinho nos dentes, coisa que eu sempre adorei. 

Exército de Sargentos prontos para o ataque (de quem?).

Exército de Sargentos prontos para o ataque (de quem?).

Todo mundo tem suas receitas e modos de comer afruta e raros são os que não gostam. Eu mesma gosto tanto que um dos doces do meu casamento foi justamente um doce de banana com chocolate, combinação mais que perfeita, na minha humilde opinião. Já contei em outro post que as bananas encontradas aqui nos EUA, apesar de lindíssimas, não têm gosto de banana. Elas são produzidas nas américas Central e do Sul há muito tempo, exportadas pela United Fruit Company, que pediu aos Estúdios Disney para ensinar aos americanos a comerem banana por meio de um desenho musical. 

Produced by the United Fruit Company in the 40's, this commercial appeared only in movie theaters, and for over 50 years kept us humming its catchy tune. The voice of Chiquita belongs to MONICA LEWIS. She'll be 90 May 5, 2012. Check out www.monicalewis.com

Em 2010, já há muito tempo privada de comer a banana frita que minha avó fazia, fui assistir a uma palestra de Roberta Sudbrack, promovida por um jornal local, em Brasília. Um dos ingredientes que ela nos apresentou foi sua farinha de banana. Pudemos experimentar um pouco do pó cor de terra e sentir o sabor amargo que ela tanto celebrava. E daí eu fiquei encantada, porque o sabor era exatamente o que a banana frita da minha avó tinha, com as bordinhas queimadas. 

Aqui, servida polvilhada sobre um mandiopã, como eu comi no restaurante dela, pouco antes de mudar-me do Brasil.  Foto de William Chen Yen (https://chitchatbabel.files.wordpress.com/2012/06/1.jpg)

Aqui, servida polvilhada sobre um mandiopã, como eu comi no restaurante dela, pouco antes de mudar-me do Brasil.

Foto de William Chen Yen (https://chitchatbabel.files.wordpress.com/2012/06/1.jpg)

Pensando nisso, eu tinha uma banana guardada na geladeira porque tinha começado a pretejar a casca e eu queria fazer algo diferente com ela. Normalmente a gente come a banana num estágio ainda bem próximo do verde, e achamos que devemos descartá-las quando escurecem a casca. Muita gente na gastronomia, no intuito de promover menor desperdício - e, claro, pesquisando novos sabores também - passou a utilizar a fruta neste estágio para fazer sobremesas e outras coisas. Até porque é neste estágio que a banana está mais doce. A chef Patissiére Cristina Tosi do Momofuku Milk Bar, por exemplo, usa-a um ponto antes de apodrecer para fazer uma torta. Roberta Sudbrack fez o mesmo ao criar a sua farinha.

Pouca gente comeria esta banana assim. Mas o sabor é mais adocicado, o que propicia fazer doces muito mais pronunciados em sabor, sem o uso de tanto açúcar. 

Pouca gente comeria esta banana assim. Mas o sabor é mais adocicado, o que propicia fazer doces muito mais pronunciados em sabor, sem o uso de tanto açúcar. 

Eu já vinha "cozinhando" a idéia de postar a receita do "Cascão", um doce simples que eu e minha irmã mais nova inventamos quando crianças, que consiste em enrolar o "brigadeiro branco" em cacau em pó.  Pensando na farinha de banana da Roberta, cheguei à idéia do doce. Transformei a banana em uma farofa grossa e a utilizei para cobrir os docinhos de leite condensado e chocolate branco. Eu sou contra batizar todo e qualquer doce à base de leite condensado como sendo 'Brigadeiro de alguma coisa (Brigadeiro é o doce feito com cacau ou chocolate em pó, manteiga e leite condensado engrossados na panela, resfriado, enrolado e envolvido em chocolate granulado. Da forma como ficou, Brigadeiro virou sinônimo de técnica). Por isso não vou chamar meu doce de "Brigadeiro de Banana".  Achei que este ficaria bem sendo Sargento. ;)

Esse aqui até o  Jamie Oliver  ia comer rezando! Até porque não são brigadeiros (não, ele não podia ter dito que eram horríveis. Mesmo que fossem, respeito é bom e a gente gosta, Jamie!). 

Esse aqui até o Jamie Oliver ia comer rezando! Até porque não são brigadeiros (não, ele não podia ter dito que eram horríveis. Mesmo que fossem, respeito é bom e a gente gosta, Jamie!). 

Sargento Banana

Rendimento: 15 docinhos de 20g, aproximadamente.

Massa:

1 lata de leite condensado

40g de chocolate branco

15g de manteiga se sal.

Modo de preparo: fazer o doce no fogo baixo desde o início. O ponto é determinado quando você vira a panela a 45 graus (fundo da panela/superfície do fogão) e a massa escorrega para a lateral, despregando totalmente do fundo. Transfira para um prato e deixe esfriar em temperatura ambiente. 

Cobertura

1 banana nanica muuuuito madura amassada

Modo de preparo:

Amasse a banana com um garfo. Destrua qualquer grumo de banana que houver, tornando-a uma pasta lisa. Espalhe-a, com a ajuda de um pão-duro, em um tapete de silicone, até que fique com a espessura de 1 mm. Leve ao forno pré-aquecido a 80 graus Celsius e acompanhe de meia em meia hora. No meu forno, elétrico e muito preciso, levei pouco mais de 3 horas para conseguir o resultado desejado. Num forno à gás pode ser que este tempo seja maior. 

Amasse a banana com um garfo. Destrua qualquer grumo de banana que houver, tornando-a uma pasta lisa. Espalhe-a, com a ajuda de um pão-duro, em um tapete de silicone, até que fique com a espessura de 1 mm. Leve ao forno pré-aquecido a 80 graus Celsius e acompanhe de meia em meia hora. No meu forno, elétrico e muito preciso, levei pouco mais de 3 horas para conseguir o resultado desejado. Num forno à gás pode ser que este tempo seja maior. 

Você obterá uma folha de banana bem maleável enquanto quente, mas que firmará depois de fria.  Não se esqueça de deixá-la dourar bastante, para que possa desenvolver o sabor amarg

Você obterá uma folha de banana bem maleável enquanto quente, mas que firmará depois de fria. Não se esqueça de deixá-la dourar bastante, para que possa desenvolver o sabor amarg

Ela fica bem crocante no início, mas depois reabsorve umidade e perde a crocância original, mas tudo bem.

Ela fica bem crocante no início, mas depois reabsorve umidade e perde a crocância original, mas tudo bem.

Corte-a com uma faca de chef até que vire uma farofa rústica. 

Corte-a com uma faca de chef até que vire uma farofa rústica. 

Finalização: Enrole os doces e passe-os na farofa de banana. Sirva-os nas forminhas usuais de docinhos deste tipo. 

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Observação: Como a folha de banana perdeu um pouco da crocância com menos de um dia de feita, provavelmente ela roubará umidade da massa quando estiver em contato com ela. Farei um teste de duração e o colocarei aqui amanhã, ok? De toda forma, este tipo de doce é melhor comido fresco. Portanto, mesmo que a farinha se torne mais úmida, 1 dia é mais do que o suficiente para que seja feito e consumido. 

Atualização em 14 de janeiro de 2015: ok, levei mais tempo do que deveria pra postar o resultado da espera de um dia. De fato, a banana desidratada perde a crocância como previsto. Em nada diminui o sabor do doce, mas recomendo que seja feito e comido no mesmo dia. 

Meatloaf: um clássico americano.

Dia desses tive a missão de preparar um jantar em homenagem um amigo super-carnívoro. Eu costumo reparar nas preferências das pessoas quando vamos a restaurantes e ele sempre pede carne onde quer que vá. Então, quando decidimos fazer o jantar, eu já sabia qual seria a proteína principal. 

Busco inspiração para montagem de cardápios nas preferências e na história de quem vou receber. Como ele fez intercâmbio nos EUA quando adolescente - e, segundo seu pai, foi de onde ele voltou resolvido sobre o que gostaria de fazer profissionalmente - achei que fazer um jantar inspirado na comida americana seria uma boa. E como receberíamos a família toda dele (esposa e filha, além de seus pais que haviam acabado de chegar para visitá-los), percebi que tinha de ser algo simples e saboroso, como toda reunião familiar deve ser. Não teríamos lugar para todos sentarem-se à mesa, portanto uma carne mais fácil de cortar era a melhor opção.

Morando em Miami, temos tido a oportunidade de experimentar bastante a comida do sul do país. Seja nos ótimos restaurantes neo-americanos que a cidade oferece, seja em nossas recentes viagens. Rapidamente surgiu a idéia de fazer um Meatloaf. Normalmente este "bolo de carne" é algo bem caseiro e até meio sem graça - a depender da receita e da destreza do cozinheiro. Mas há um movimento de valorização da "Southern Food" por aqui e não é raro encontrar Meatloaf nos cardápios dos restaurantes mais badalados. Por isso, eu quis fazer uma receita que tivesse uma apresentação impecável e que fosse muito saborosa ao mesmo tempo. Inspirada numa receita que minha mãe faz em casa - e que ela chama de falso lombo - encontrei a receita perfeita para realizar o prato do jeito que eu queria. Fiz algumas alterações em relação à original. Portanto, quem for usar a original como referência lembre-se de verificar as diferenças entre elas. O resultado testado e aprovado por mim foi o que obtive com estas alterações.

Como parte do tempero da carne, você precisará fazer um refogado de cenoura, salsão e cebola  - que faz toda a diferença no sabor. O tempo de forno da receita inteira supera uma hora, mas se você tiver um termômetro para carnes, o resultado será mais confiável, eliminando o risco de servir a carne mal passada ou ressecada (por excesso de tempo no forno). Caso você não tenha o termômetro, use uma faquinha de ponta fina pra espetar a carne, até a profundidade de meio centímetro, numa das laterais. Retire a faca e pressione a carne com a lâmina posicionada abaixo do corte que você fez. Se o líquido que escorrer por cima da faca estiver transparente, o cozimento da carne está perfeito. Sempre importante lembrar que a superfície da carne tem de estar dourada.

Servido como um rocambole, recheado com presunto cru e espinafre. Há inúmeras opções de recheio, mas preferi usar o espinafre porque é muito comum encontrá-lo nos cardápios dos restaurantes daqui, como complemento às opções principais do menu. Nesta foto, servi com aspargos salteados no azeite.

Rocambole de Carnes (bovina e suína) recheado   Rendimento: 12 pessoas bem servidas

1 colher de sopa de óleo de canola

1 cebola grande finamente cortada

2 cenouras grandes raladas na parte fina

1 talo de salsão ralado na parte fina

2 dentes de alho espremidos

1 ovo inteiro

50g de panko ou farinha de rosca

2 colheres de sopa de mostarda Dijon

2 colheres de sopa de ketchup

2 colheres de sopa de molho inglês

1 colher de café de Tabasco

q/n sal e pimenta do reino moída na hora

1 quilo de carne suína, magra e moída

1 quilo de carne bovina, magra e moída

100g de presunto cru fatiado fino

1 colher de sopa de azeite de oliva

454g de espinafre lavado e seco

Modo de preparo: 

Numa frigideira média refogue o espinafre no azeite (método à italiana) até que as folhas murchem. Reserve numa travessa pra esfriar. Usando a mesma frigideira, refogue a cebola, a cenoura e o aipo no óleo de canola. Adicione uma pitada de sal para ajudar na desidratação dos vegetais. Baixe o fogo e mexa sempre, por aproximadamente 8 minutos, cuidando para não queimar. Quando eles estiverem bem murchos, com a cebola translúcida, adicione o alho espremido e refogue até que seu aroma se desprenda. Reserve em prato para esfriar. 

Numa tigela de metal grande, coloque as carnes. Adicione os vegetais refogados, a mostarda, o ketchup, o molho inglês, o Tabasco, o sal e a pimenta. Misture tudo fechando e abrindo os dedos, até que as carnes estejam incorporadas uma a outra. A partir disso, é preciso fazer um movimento de bater a carne para que o colágeno seja desenvolvido. Isso vai dar a liga necessária para que o bolo não se desmache. Este movimento consiste em pegar toda a massa de carne contida na travessa com uma das mãos, levantá-la até a altura que seu braço alcança e "lançá-la" de volta à travessa, com força. Batendo a carne várias vezes, é possível fazer com que ela se compacte e se una sem o uso excessivo de ovos e farinha de trigo/pão. Daí, adicione o ovo e a farinha de rosca. Misture a massa e bata-a novamente, até que forme uma bola só, sem despedaçar quando pegá-la.

Será preciso provar o tempero. Como há carne suína crua na mistura, a melhor maneira de fazer isso e pegar um pouco da massa, fazer uma bolinha e grelhar na frigideira até que esteja cozida. Ajuste o tempero, se necessário. Grelhe mais uma amostra e prove. 

Forre uma superfície limpa com duas folhas de plástico-filme, unidas pelas laterais. Coloque a carne por cima e espalhe, com a ajuda das mãos espalmadas, até que a massa esteja com a largura de um dedo. Coloque as fatias de presunto, uma ao lado da outra, até cobrir o meio da massa. Coloque o espinafre, tomando o cuidado de espremê-lo para retirar alguma possível umidade retida entre as folhas. Distribua o espinafre por cima das fatias de presunto. 

Corte as laterais de excesso de carne e junte os retalhos à parte de cima da massa, que servirá para fechar o rocambole. Assim:

Tempere o espinafre com sal e pimenta do reino moída na hora. Enrole o rocambole, começando pela parte de baixo, com a ajuda do filme plástico. Procure enrolar o mais firm possível, sem apertar demais a carne. Enrole até o final e feche o plástico ao redor do rolo, como se fosse um grande salame. Dê nós nas extremidades e leve o rolo à geladeira por aproximadamente 1 hora.

Preaqueça o forno a 210C/ 400F. Unte uma assadeira com azeite suficiente para que a carne n˜ao grude no fundo. Corte as extremidades do filme plástico e desenrole cuidadosamente o rocambole de carne na forma untada. Unte a carne com azeite e espete palitos de dente na superfície, assim: 

Isso evitará que o papel alumínio não grude na superfície da carne, colocando o acabamento da superfície em risco. Forre a assadeira com duas folhas de papel alumínio, com cuidado para que os palitos não perfurem o papel. Vede bem as laterais e leve a carne ao forno por meia hora. Terminado o tempo, retire as folhas de papel alumínio e os palitos e deixe a carne dourar no forno. Se for usar o termômetro para forno, esta é a hora de colocá-lo. Lembre-se de ajustá-lo para carne suína, para que ela seja cozida na temperatura adequada.

Se não tiver termômetro, marque mais meia hora de forno. Teste a carne lembrando o que escrevi acima: "Caso você não tenha o termômetro, use uma faquinha de ponta fina pra espetar a carne, até a profundidade de meio centímetro, numa das laterais. Retire a faca e pressione a carne com a lâmina posicionada abaixo do corte que você fez. Se o líquido que escorrer por cima da faca estiver transparente, o cozimento da carne está perfeito." Faça isso quantas vezes forem necessárias. 

Importante: para fazer um bom molho para esta carne, eu reduzi a um terço 1 litro de caldo de carne caseiro. Uma vez reduzido, juntei os sucos liberados pela carne durante a cocção. Eles poderão estar ressecados e grudados no fundo da assadeira. Para aproveitá-los, retire a carne da assadeira, verta um pouco do caldo reduzido sobre o fundo da assadeira e esfregue uma espátula de silicone até que tudo esteja derretido e homogêneo. Engrosse o molho com uma mistura de manteiga e farinha de trigo em partes iguais, deixando cozinhar até que não haja mais gosto de farinha de trigo crua e que a textura do molho esteja aveludada. Sirva imediatamente acompanhado de purê de batatas, batatas assadas e/ou arroz branco e vegetais salteados.

Quiche de Salmão defumado com aspargos.

A lembrança que tive ao comer uma quiche pela primeira vez foi a da empadinha de queijo da tia Zezé. Ela vinha com uma fatia de azeitona verde no topo, que eu calmamente retirava raspando qualquer vestígio de queijo que poderia haver naquilo que eu iria descartar. Quando comi a quiche, pensei: "Ah, mas isso é uma empadinha de queijo tamanho família!". Confesso que, de início, eu achei a empadinha de queijo muito mais saborosa (é claro que memórias afetivas são um tempero inigualável, né? Fosse eu nascida na França, meu referencial seria outro), mas aos poucos eu fui me encantando por esta tarta (quando não tem tampa de massa fechando não é torta, mas tarta) salgada e versátil, que esconde umas manhas que precisam ser dominadas. Uma vez que você aprende o modo de fazê-la, o céu é o limite nas combinações de sabores. Costumo usar os ingredientes que tenho sobrando na geladeira. Heresia? 

A massa da quiche foi uma das primeiras técnicas, da cozinha francesa, que aprendi na faculdade de Gastronomia. Fazia parte das receitas apresentadas na cadeira de Cozinha Fria. Lembro-me, como se fosse hoje, do pânico que tomou conta da minha turma quando da primeira prova prática. A massa Brisée era uma das técnicas a serem sorteadas no momento da prova. Existem muitas variações desta massa. A maioria possui maior teor de manteiga, são doces e utilizadas na confeitaria. A Brisée tem o menor percentual de gordura entre elas. Mas justamente por isso, pode dar uma de difícil e por tudo a perder.

Da categoria das massas quebradas, a Brisée deve desmanchar na boca quando você come. E para obter-se este resultado, não podemos desenvolver o glúten ao fazer a massa. É o mesmo princípio da massa de Apple Pie, cujo passo a passo fotografado eu apresentei aqui

Outro momento crítico dela é assar. Quando levada ao forno, tende a encolher. Por isso não é recomendável que se corte as bordas rentes à forma, antes de pré-assar. Também é imprescindível usar pesos para manter a massa copiando a forma. Caso contrário, ela deformará todinha e ficará impossível de ser recheada. 

O recheio de ovos também é sempre o mesmo. É ele quem vai garantir a integridade das fatias ao cortá-las. Como um pudim salgado, se não for cozido a contento transformará seus sonhos em fatias moles e quebradiças. Portanto, há que prestar atenção ao preparo e ao assar do appareil. Dominados estes dois itens, o sabor do recheio pode variar de acordo com a sua vontade. Desde as clássicas como a Lorraine (cebola e bacon), passando pelas de vegetais (se vai receber amigos vegetarianos que comem ovos e leite, é uma excelente pedida!) e chegando até às combinações feitas com as sobras de geladeira: frango ensopado, linguiças diversas, embutidos, peixes...

É preciso observar que ao incluir ingredientes frescos ao recheio, será preciso salteá-los antes para que percam umidade e não transpirem durante a cocção no forno. Isso faz com que os pedaços se soltem muito facilmente do recheio, o que também não é bom. o mesmo acontece com embutidos e carnes curadas ou com muita gordura. Neste caso, será preciso, antes de saltear, extrair um pouco da gordura/sal destes levando-os à fervura a partir da água fria. Eles ficarão mais sequinhos e, no caso dos curados, perderão o excesso de sal.

Aqui vai a receita que fiz para o aniversário do Bruno. Vamos lá!

Quiche de salmão defumado com aspargos verdes 

Rendimento: 8 fatias médias.

Pronta pra ser atacada pelos convidados. 

Pronta pra ser atacada pelos convidados. 

Massa:

250g de farinha de trigo

125g de manteiga sem sal gelada e cortada em cubos

1 ovo inteiro

5g de sal

40ml de água gelada

Modo de fazer: Coloque a farinha e a manteiga - cortada em cubos - numa tigela de batedeira ou no copo do processador. É possível fazer a massa à mão também, inclusive o resultado é infinitamente melhor (veja aqui). Bata em velocidade alta (batedeira) ou usando a tecla pulsar (processador) até que a manteiga seja desmanchada em pedacinhos e se incorpore à farinha, formando uma farofa. Coloque a farofa na geladeira por uma hora. Junte o ovo batido com o sal e a água e misture até unir os ingredientes. Pare imediatamente de misturar! Frese a massa na bancada somente pra desfazer os grumos de manteiga, coloque a massa em filme plástico e leve à geladeira por no mínimo 1 hora pra massa repousar. Abra rapidamente a massa com um rolo, em uma superfície limpa e enfarinhada. É importante que seja uma superfície fria, que não vá roubar temperatura da massa durante o processo de abertura. Verifique se o tamanho está adequado colocando a forma por cima da massa aberta. Se houver 10cm de massa aberta além da base da forma, está bom. Com a ajuda do rolo, coloque a massa sobre a forma (veja no vídeo como fazer), jogando as bordas pra dentro dela.

Aos poucos, vá fazendo a massa copiar a forma, com a ajuda das mãos. Corte o excesso de massa que estiver encostando na bancada. Leve-a ao   freezer   até que congele.

Aos poucos, vá fazendo a massa copiar a forma, com a ajuda das mãos. Corte o excesso de massa que estiver encostando na bancada. Leve-a ao freezer até que congele.

Cubra a superfície da massa com duas folhas de papel alumínio, fazendo com que ela copie a forma. Coloque os pesos para torta sobre o papel (se não tiver, pode usar feijões. Escolha uns mais pesados e guarde-os depois de usar, pra poder reutilizar.

Cubra a superfície da massa com duas folhas de papel alumínio, fazendo com que ela copie a forma. Coloque os pesos para torta sobre o papel (se não tiver, pode usar feijões. Escolha uns mais pesados e guarde-os depois de usar, pra poder reutilizar.

Há um site especializado em técnicas francesas de cozinha, com vídeos publicados no youtube. Este aqui mostra, com algumas diferenças no processo, como fazer a massa.  

Recheio:

appareil -  mistura de ovos, leite e creme de leite que dá estrutura ao recheio.

250ml de leite

250ml de creme de leite fresco

3 ovos inteiros

q/n de pimenta do reino branca moída na hora

q/n de noz moscada ralada na hora

q/n de sal

Modo de fazer: Bata todos os ingredientes com a ajuda de um mixer (pode ser no liquidificador ou à mão, também. No último caso, é bom usar um fouet). No ChefSteps dá pra ver também como fazer e finalizar a quiche. Lembrando que a quantidade de ingredientes é diferente (como os ingredientes saborizantes), porque ele faz uma quiche alta, como os americanos gostam. A forma utilizada por mim é a tradicional francesa, baixa, frisada e com fundo removível.

Sabores adicionados:

100g de Salmão defumado

200g de aspargos frescos

100g de queijo gruyére ralado grosso

Retire a base dura dos aspargos frescos. É possível localizá-la segurando a extremidade da base e quebrando os aspargos, o mais próximo dela que vc conseguir. Salteie-os inteiros (se quiser, pode fatiá-los) em um pouco de azeite, até que fiquem macios.

Coloque as fatias de salmão defumado no fundo da forma, com a massa assada e já com as bordas cortadas. Por cima, junte os aspargos salteados e finalize com o gruyére ralado. 

Coloque as fatias de salmão defumado no fundo da forma, com a massa assada e já com as bordas cortadas. Por cima, junte os aspargos salteados e finalize com o gruyére ralado. 

Verta o   appareil   por cima de tudo, até cobrir e ficar 0.5cm da borda da massa.

Verta o appareil por cima de tudo, até cobrir e ficar 0.5cm da borda da massa.

Leve ao forno, pré-aquecido a 180 graus, até que a mistura de ovos coagule. Pra saber se está pronto, bata levemente na porta do forno (no puxador, pra não queimar a mão, of course!). Se o centro da torta estiver firme, está cozido. Deixe dourar bem a superfície e retire do forno. Deixe esfriar e sirva, acompanhada com uma salada verde temperada. 

Leve ao forno, pré-aquecido a 180 graus, até que a mistura de ovos coagule. Pra saber se está pronto, bata levemente na porta do forno (no puxador, pra não queimar a mão, of course!). Se o centro da torta estiver firme, está cozido. Deixe dourar bem a superfície e retire do forno. Deixe esfriar e sirva, acompanhada com uma salada verde temperada. 

Naked Cake: o bolo de aniversário de um apaixonado por chocolate com frutas vermelhas.

Aniversários têm um gosto de infância pra todo mundo, né? Pelo menos pra mim é assim. Brigadeiro, beijinho e docinho de leite em pó, o bolo de glacê branco - que aparecia grudado na boca açucarada, enquanto a gente mastigava e os pais não podiam esperar pra bater aquela fatídica foto com os amiguinhos, depois dos parabéns.

Ultimamente a hora de cantar para o aniversariante, com as velinhas já acesas no bolo, tem me dado uma saudades sem tamanho dos aniversários em Boa Esperança. Os quitutes maravilhosos: as empadinhas de frango da tia Zezé; os cigarretes e os risólis de milho e molho branco da tia Antônia; as balas de mel da tia Diana; os bolos da tia Silvane; os torrones da vó Teresa e os olhos de sogra de uma doceira da cidade, não podiam faltar. Havia, também, as garrafinhas de Sodinha (um refrigerante de abacaxi da região) ou Guaraná Caçula, com furinho feito com prego na tampa de metal que a gente tampava com o dedo e chacoalhava a garrafa, só pra ter momentos de vencedor de Fórmula 1 e molhar os outros. A maioria destas imagens estão guardadas na minha memória, aquecidas com muito amor por tê-las vivido de maneira simples e gostosa.

Uma forma de apaziguar minhas saudades tem sido cantar a música do vídeo abaixo, que substitui o pasteurizado "Parabéns à você", com letra de Manuel Bandeira e melodia de Heitor Villa-Lobos - que pouca gente conhece, mas que para os dorenses é parte indissociável de uma boa festa. 

Saudamos o grande dia
em que hoje comemoras
Seja a casa onde mora
a morada da alegria
o refúgio da ventura.
Feliz Aniversário!
— Manuel Bandeira

Comemoramos o aniversário de Bruno neste final de semana. Desde que chegamos a Miami, nunca tínhamos comemorado o aniversário dele. Já tinha passado da hora e como ele completou 40 anos, achei que não deveria mesmo deixar passar em branco. Fiz uma mesa de petiscos de inspiração mediterrânea e o primeiro Bolo Pelado/Naked Cake do meu currículo, que é a receita deste post. No momento de cantar os parabéns, me invadiu uma vontade enorme de cantar Manuel Bandeira pro meu marido. Mas fiquei com muita vergonha de cantar sozinha na frente de todos e me rendi ao parabéns comum. Se arrependimento matasse... Jamais sentirei vergonha novamente (vou ter de fazer a festa de novo)!

O bolo na mesa já preparada para receber os convidados.

O bolo na mesa já preparada para receber os convidados.

Bruno costuma dizer que Deus criou o cacau, as frutas vermelhas e arrumou um jeito de fazer o homem inventar o chocolate. Quando isso aconteceu, o todo poderoso sussurrou em seu ouvido: "Junte-o às frutas vermelhas que vai ficar bom pra porra!" - Esse Deus aí teria a voz do James Earl Jones e sotaque pernambucano. ;) Pensando nisso, resolvi tentar fazer o tal do bolo pelado, que acho bem bonito e nunca tinha feito. E como eu sou meio atrevida, não pesquisei muito à respeito antes de fazer. Peguei uma receita de massa aqui, bolei um recheio simples, fiz uma ganache e mandei ver. O resultado ficou bom, o bolo ficou bonito e foi bastante elogiado, principalmente porque não ficou muito doce. Não sobrou nada! Mas eu aprendi uma série de coisas durante a execução e percebi alguns erros que pretendo corrigir no próximo. Só preciso arrumar uma ocasião pra fazer um novo! Vamos a receita:

Bolo Pelado/Naked Cake de Chocolate com Frutas Vermelhas

Foto de Simone Mota.

Foto de Simone Mota.

Massa:

140g de chocolate meio amargo

140g de manteiga sem sal

7 gemas

40g de açúcar impalpável

140g de farinha de trigo

210g de clara de ovo

180g de açúcar refinado

5g de fermento químico em pó

q/n de essência de baunilha

Unte uma forma, de 26 centímetros de diâmetro, com manteiga em temperatura ambiente. Forre o fundo com papel manteiga e unte-o, também, com a manteiga. Reserve. Pré-aqueça o forno a 180 graus.

Unte uma forma, de 26 centímetros de diâmetro, com manteiga em temperatura ambiente. Forre o fundo com papel manteiga e unte-o, também, com a manteiga. Reserve. Pré-aqueça o forno a 180 graus.

Separe e pese todos os ingredientes. Aqui, o chocolate já foi derretido, em banho maria, junto com a manteiga.

Separe e pese todos os ingredientes. Aqui, o chocolate já foi derretido, em banho maria, junto com a manteiga.

Derreta o chocolate e a manteiga em banho maria. Assim que forem convertidos em uma calda brilhante, sem nenhum pedaço de chocolate, reserve e deixe esfriar. Numa tigela funda, peneire a farinha de trigo, o fermento, o sal e o açúcar impalpável. 

Bata as claras, com o açúcar refinado, até o ponto de merengue.

Bata as claras, com o açúcar refinado, até o ponto de merengue.

Adicione as gemas ao chocolate já frio e misture bem, usando um fouet, até que fique uma mistura lisa. Neste momento você terá 3 tigelas: uma com merengue, outra com chocolate e uma com os ingredientes secos. Será preciso adicionar o merengue e os secos, alternadamente, à mistura de chocolate, manteiga e gemas. Comece colocando 1/3 da quantidade de merengue na tigela de chocolate. Com uma espátula, mexa, com movimentos elípticos em 45 graus de inclinação. Como se você estivesse desenhando o símbolo de arroba. É o que chamamos de "movimentos envolventes". Assim que o merengue agregar ao chocolate, coloque metade dos ingredientes secos sobre ele, repetindo os mesmos movimentos e girando a tigela de chocolate. Lembre-se de raspar as bordas da tigela de vez em quando. Adicione a segunda parte do merengue e mexa. A última parte dos secos, misturando até que se incorporem. Verifique no fundo da tigela se não há nenhuma sobra de farinha escondida. Adicione a última parte do merengue e incorpore-o à massa.

O resultado deverá ser como este aqui. Uma massa leve e bem misturada.

O resultado deverá ser como este aqui. Uma massa leve e bem misturada.

Verta a massa na forma untada, nivele-a e leve ao forno por 180 graus, por aproximadamente 25 minutos.

Verta a massa na forma untada, nivele-a e leve ao forno por 180 graus, por aproximadamente 25 minutos.

Faça o teste do palito, tomando o cuidado de dar uma batida na porta do forno antes de abrir e verificar se o centro do bolo está firme. O palito deve sair limpo. Retire a assadeira do forno e coloque sobre uma grade para deixar esfriar. 

Recheio

1 lata de leite condensado

1 lata de creme de leite com o soro

1 colher de sopa de manteiga sem sal

1 colher de chá de extrato de baunilha

50g de chocolate branco picado

Frutas vermelhas frescas, lavadas e secas, uma a uma, com papel absorvente.

Modo de fazer: coloque todos os ingredientes numa panela de fundo grosso e leve ao fogo médio, mexendo sempre. Quando a massa desgrudar da panela (vire a panela 45 graus pra ver o recheio desprender da panela), desligue o fogo e transfira o recheio pra um prato. Deixe esfriar completamente.

Cobertura de Ganache

100g de Chocolate ao leite picado 

200ml de creme de leite fresco 

Modo de fazer: ferva o creme de leite numa panela pequena. Assim que levantar fervura, apague o fogo e tire a panela de cima do queimador utilizado. Adicione o chocolate ao creme quente e mexa até que o chocolate derreta e a mistura se transforme numa calda de chocolate. Deixe esfriar completamente.

Mistura para umedecer a massa

1 colher de sopa de cacau em pó

50 ml de leite

30ml de vinho do porto

1 colher de sopa de açúcar

Montagem:

Corte a massa, já fria, do bolo ao meio com uma faca de chef (fio liso, sem dentes). Se você tiver um prato giratório pra ajudar neste serviço, use-o.

Coloque a parte de cima do bolo virada pra baixo e umedeça esta primeira camada de bolo com metade da mistura de cacau e leite. Utilize um pincel de silicone ou uma colher pra fazer isto. 

Coloque a parte de cima do bolo virada pra baixo e umedeça esta primeira camada de bolo com metade da mistura de cacau e leite. Utilize um pincel de silicone ou uma colher pra fazer isto. 

Molhe as mãos ligeiramente e pegue a massa do recheio, colocando no centro do bolo. A umidade ajudará a manipulação, evitando que a massa grude nas mãos. Use as costas de uma colher de sopa umedecida para espalhar e nivelar o recheio até as bordas, tomando o cuidado para não transbordar. Coloque as frutas vermelhas, de modo a cobrir toda a superfície do recheio com elas. 

Só assim já fica bonito e gostoso, né?

Só assim já fica bonito e gostoso, né?

Finalizando esta parte eu cometi dois erros que só fui perceber no momento de partir o bolo:

  1. Eu coloquei a outra camada de massa por cima das frutas vermelhas, sem nada que afixasse uma parte na outra. Erro primário, né? Mas eu confesso que nem me lembrei disso enquanto fazia. Numa próxima vez, farei o dobro de recheio e colocarei metade embaixo e a outra metade em cima.
  2. Descobri por quê costumam-se colocar morangos partidos virados com a parte cortada pra cima e não em contato com o doce. O morango começa a soltar água e vai, devagarinho, derretendo o recheio. Escorreu um pouquinho e pareceu proposital, mas foi um erro bobo também. Como devo colocar recheio embaixo e em cima das frutas, penso ser melhor concentrar os morangos cortados somente nas bordas do recheio, para que fiquem à mostra, mas não tenham contato direto com o doce. E muito perto de servir o bolo.

Imagino que a maioria das pessoas, que fazem este tipo de bolo, só coloquem frutas nas laterais e não no recheio todo, como eu fiz, justamente pra concentrar mais doce no centro e unir bem as camadas de massa. Mas eu achei o efeito das frutas no recheio todo inigualável. Elas dão uma boa quebrada no dulçor, a fatia cortada fica linda e elas ainda agregam muito frescor ao bolo, vale a pena manter!

Coloque a segunda parte da massa, com a parte debaixo do bolo (que fica com as quinas mais marcadas e darão um acabamento melhor ao bolo) virada pra cima. Pressione levemente, para que as frutas desloquem o recheio um pouco pra fora. Umedeça esta outra parte com o restante do preparado de leite com cacau em pó.

Coloque a segunda parte da massa, com a parte debaixo do bolo (que fica com as quinas mais marcadas e darão um acabamento melhor ao bolo) virada pra cima. Pressione levemente, para que as frutas desloquem o recheio um pouco pra fora. Umedeça esta outra parte com o restante do preparado de leite com cacau em pó.

Coloque a ganache completamente fria, aos poucos, no centro do bolo e vá deixando escorrer pela superfície. À medida em que ela se aproximar das bordas, coloque um pouco de ganache próximo às bordas, para que ela escorra pela lateral do bolo, dando o acabamento desejado. Vá intercalando estes pontos de concentração de cobertura, pra que o recheio fique aparente, como na foto. Use toda a ganache. Deixe secar por 1 hora. Organize as frutas, bem secas com papel absorvente, por cima da ganache, distribuindo-as como você desejar. Morangos e cerejas inteiros, com as folhinhas e os cabinhos, dão um charme extra ao bolo. Se quiser, polvilhe um pouco de açúcar impalpável sobre as frutas, com o auxílio de uma peneira fina. Pronto! 

Meu objetivo é postar, ao longo da semana, as receitas que fiz pra festa de Bruno. O povo tá me cobrando e eu já estou começando a ter leitores fiéis, o que é ótimo! 

[Sá Teresa] Almôndegas atropeladas da minha avó.

Quem teve uma avó (ou um avô, uma bisavó, mãe, pai) de mão cheia na cozinha sabe: determinadas receitas têm o poder de te transportar pra um período muito gostoso de sua vida. Descomplicando tudo e dando o conforto necessário pra seguir adiante, é como receber um abraço apertado de quem preparou o prato. Desde que me entendi por gente, minha avó fazia este "bifinho de carne moída", como ela mesma chamava este hamburguinho pra comer com arroz e feijão novinhos, saborosos e fumegantes. Um dia meu irmão mais novo, o Léo, os batizou de Almôndegas Atropeladas. E pegou. Esta receita trata-se de uma daquelas coisas simples, repletas de amor de vó. É tanto amor que nenhum Sazón chega perto. É só tempero natural 'mês': sal, pimenta e ervas da horta! 

Os almoços na casa da Dona Teresa eram repletos destes quitutes simples e carregados de sabor. Ela se dedicava à nossa fome 24 horas, procurando servir sempre aquilo que a gente mais gostava, com variedade e fartura. Servia os pratos na mesa e ficava olhando a gente se servir. Volta e meia, perguntava: "Você não vai querer do chuchu refogadinho?", "Ah, mas eu fiz arroz com Suã pensando em você...", "Você gostou do tutu hoje? Achei que ficou meio esquisito". Ela fazia todas as perguntas, servia o próprio prato e ficava lá, comendo e observando nossas reações, esperando que tudo estivesse muito gostoso pra nos fazer felizes. Eu compreendo este comportamento muito bem, porque também sou assim. Fico olhando meu marido comer e a cada subida de sobrancelha, suspiro ou cara de paisagem, quero saber quais as impressões que ele teve da comida. Ele reclama, me fazendo lembrar que a gente também reclamava da "vigilância"de minha avó aos nossos pratos. Só mais tarde é que fui compreender que isso é amor. A vontade de que o carinho que pusemos ao fazer o prato seja sentido por aquele que come. 

Dona Teresa cozinhava em dois fogões: no de lenha, que ficava na casinha - cozinha separada da casa, que ficava a 5 passos da cozinha da casa, onde ela fazia os pratos que demandavam mais tempo de cocção - e no fogão à gás, onde finalizava alguns pratos mais rápidos. Há inúmeras receitas dela que me matam de saudades e embora eu tenha um bocado delas guardadas (algumas delas gravadas com sua voz, me explicando como fazer), nunca vou conseguir reproduzir mais do que o prato em si. Todo o contexto em que elas nos foram servidas ficou relegado à memória. E ainda bem que temos este recurso: relembrar nossos queridos, que já não mais nos premiam com sua presença, por meio das coisas mais simples e gostosas que fizeram por nós.

Divertida de fazer (dá pra fazer com as crianças), esta receita é muito rápida. Sinta-se privilegiado de poder provar um dos melhores quitutes de Dona Teresa. Lá vai:

Almôndegas atropeladas da Dona Teresa

Já prontas e sobre o molho.

Já prontas e sobre o molho.

Almôndegas:

500g de carne moída magra

1 ovo inteiro

1 dente de alho amassado com uma pitada de sal (talvez precise ajustar o sal mais tarde)

Pimenta do reino à gosto

cebolinha verde cortadinha fina

2 1/2 colheres de sobremesa de trigo para dar a liga

Para o molho:

1/2 cebola cortada em meia lua

1 colher de sobremesa de massa de tomate

caldo de vegetais, frango ou carne.

Modo de fazer: Misture a pasta de alho e sal à carne. Adicione o ovo batido, com a cebolinha, levemente com um garfo e misture novamente. Adicione a farinha de trigo, uma colher por vez. O ponto correto da massa é o seguinte: limpe a palma da mão com uma colher. Pegue um pouco de massa e enrole uma almôndega. A massa deverá estar macia e não grudar na mão. Caso esteja grudando, adicione mais farinha. Ela deve ficar com aspecto aveludado. Enrole a quantidade de uma colher de sopa da massa na mão. Polvilhe farinha de trigo numa tábua de carne e achate as bolinhas nesta tábua com a mão, aproveitando para empaná-las. 

Minha avó fritava as almôndegas em óleo quente. Tem coisa melhor que fritura? Mas como a consciência me policia muito nestas horas e fazer fritura por imersão em cozinha americana é algo muito complicado, prefiro grelhá-las em frigideira antiaderente com um pouquinho de óleo. Funciona super bem. Coloque os bifinhos grelhados num recipiente e reserve-os dentro do forno. Na mesma frigideira, coloque cebola cortada em meia lua e um pouquinho de caldo pra ajudar na deglaçagem (aproveitamento/dissolução da caramelização que está grudada na frigideira e que é bão que só!). Cozinhe as cebolas em fogo baixo até que fiquem translúcidas. Adicione um pouco de massa de tomate e aguarde uns minutos para reduzir a acidez (o calor seco na massa de tomate faz isso pra gente!). Acrescente caldo suficiente para cobrir as cebolas e coloque os bifinhos neste caldo. A farinha de trigo usada pra empaná-los vai auxiliar a engrossar o molho. Deixe os bifinhos neste molho um pouquinho pra agregar sabor e sirva. Fica ótimo com arroz branquinho e feijão novo, ambos fumegantes. Pra completar, uma saladinha de folhas verdes com tomate e, se animar, uma farofinha - que ninguém é de ferro. Ai, que saudades!

Observação: se optar por se jogar na fritura, talvez seja prudente excluir a cebolinha picada da massa e adicioná-la ao molho, no final. É que as partes dela que ficarem aparentes se queimarão durante a fritura. 

Benedita: mais de 100 anos de sucesso!

(originalmente publicado no meu antigo blog 2bocados)

Este é um dos meus doces caseiros favoritos. Minha avó contava que a mãe dela fazia doces 'pra fora', para ajudar nas despesas domésticas. Meu bisavô era dentista, o que significa que aquele casal sabia muito bem trabalhar em sintonia: ela colaborava para o aumento dos casos de cáries na população de Boa Esperança e ele consertava o sorriso do povo. ;)

Brincadeiras à parte, a Benedita parece ter parentesco com um doce muito conhecido, o 'Ovos Nevados'. Já tentei saber com as filhas de minha bisavó como foi o surgimento deste doce: se foi criação da 'Voínha' ou se ela pegou a receita com alguém, mas ninguém tem certeza... O que sabemos é que não se conhece o doce pelo nome fora de nossa família e eu, particularmente, nunca o vi ser servido em nenhum lugar fora das casas da minha mãe e avó. Então eu resolvi que muito provavelmente minha bisa precisou fazer 'Ovos Nevados' e descobriu que não tinha açúcar em casa, mas muito doce de leite correndo o risco de azedar. Fez alguns ajustes na receita. Talvez deve ter-se lembrado do tradicional doce de leite com queijo fresco que em Minas se come muito e mudou totalmente o resultado final. Daí deve ter surgido uma das minhas 'sobremesas de babador', aquela que eu passarei a receita para meus filhos, que passarão para meus netos e que se perpetuará na família, se Deus quiser!

Receitas de família são jóias que a gente fica tentado a manter guardadas. Porém, em um momento em que lutamos por reconhecimento da Gastronomia Brasileira como cultura, pela valorização dos saberes culinários de nosso povo e pelo resgate de nossa história gastronômica, achei que seria muito bom socializar esta receita. Jogá-la ao vento para ver se faz eco. Ver se encanta a outras pessoas que não possuem memórias afetivas vinculadas à ela. Minha mãe fez isso: ela a inscreveu num concurso de receitas em Brasília e ganhou 10 mil reais em mobiliário de cozinha! Eu a inscrevi em um concurso de 2011 de uma revista* de São Paulo, cujo prêmio era representar o Brasil em uma feira de negócios em Miami (olha Miami aí, já querendo me puxar pra cá de qualquer jeito!). Fiz umas modificações na receita e na forma de apresentá-la, buscando dar uma cara mais atual à ela. Acrescentei uma calda amarga de café e caprichei no queijo minas curado e ralado, pra adicionar um salgadinho e dar um contraste de sabores.

Classifiquei-me para a final mas não a venci. Porém fiquei bem orgulhosa dos resultados e da repercussão positiva da receita com gente que trabalha profissionalmente com Gastronomia. Para mim foi muito importante participar deste concurso, para eu realmente perceber que as coisas que eu faço fazem sentido para outras pessoas. Serviu pra eu começar a 'acreditar mais no meu taco', entende? No mais, lá vai!

Fotografia gentilmente cedida pelo diretor da extinta revista Alta Gastronomia.

Fotografia gentilmente cedida pelo diretor da extinta revista Alta Gastronomia.

Benedita (Rendimento de 8 a 10 pessoas)

1 litro de leite integral

500g de doce de leite

8 claras

8 gemas

1 fava de baunilha Bourbon

50g de açúcar refinado

q/b** de Canela em pó

q/b** Queijo minas curado e ralado

Preparo:

Dilua o doce de leite no leite integral, usando uma panela bem larga e alta, de modo que os ingredientes a preencham até a sua metade.

Adicione as sementes de uma fava de baunilha, acrescentando também a sua vagem para o cozimento. Leve ao fogo até levantar fervura. Retire a vagem.

Bata as claras com o açúcar até atingir o ponto de picos moles. Acrescente delicadamente as gemas às claras, com movimentos de baixo para cima com a ajuda de um pão-duro.

Com uma colher de servir, vá colocando a mistura aos poucos (como se fosse massa de bolinho de chuva) no leite fervente e deixe cozinhar bem, dos dois lados (tem de virar!).

Os ovos batidos, sendo cozidos no doce de leite. 

Os ovos batidos, sendo cozidos no doce de leite. 

À medida em que as porções estiverem cozidas, retire-as com escumadeira e disponha-as, camada por camada, nas tigelinhas individuais, até acabar a mistura de ovos.

No fundo da panela ficará um pouco de doce de leite engrossado com resíduos de ovos. Despeje esta mistura uniformemente por cima da sobremesa ou guarde pra comer com colher!!!!

Sirva em tigelinhas individuais sobre um pires retangular, decorado com calda de café.

IMPORTANTE: Polvilhe queijo minas meia-cura ralado e canela em pó entre as camadas.

** q/b: quanto baste, o mesmo que quantidade necessária ou o famoso à gosto!

Biscuits: pãezinhos rápidos, de cebola e queijo, pro café da manhã.

Existe uma cadeia de restaurantes especializada em lagosta nos EUA. Nunca tinha ouvido falar, até que amigos de Brasília vieram passear com as filhas por aqui. Normalmente eu evito este tipo de restaurante porque a qualidade da comida, excessivamente padronizada e feita pra ser barata, é bastante questionável. Neste sentido, concordo com Alex Atala quando ele diz que se você paga 1 real por um cachorro quente ruim, isso é pagar caro! Restaurantes baratos se proliferam aos montes por aqui. Redes especializadas pra todos os gostos: carnes, frutos do mar, panquecas e café da manhã, sanduíches dos mais variados, massas, cheesecakes... Porém, é difícil encontrar entre as ofertas algum que realmente me satisfaça. De toda forma, conhecer a rede foi bacana por um motivo muito interessante. Você consegue imaginar um restaurante especializado em lagosta e demais frutos do mar, onde o melhor de tudo o que você pode comer é o pãozinho do couvert

Esqueça tudo o que é servido na rede: se fosse possível, você iria querer dormir numa cama cujo colchão fosse feito de Cheddar Bay Biscuits quentinhos, saídos do forno. Esses "pãezinhos" são tão famosos quanto a Cebolona do Outback. Pra ter-se uma idéia, no site da marca é possível ter acesso a diversas das receitas que são servidas na casa, mas se você quiser os biscuits, vai ter de ir a algum supermercado pra comprar o mix preparado e vendido pela rede. Como eu não sou fã de mix comprados prontos...

Os biscuits são servidos no sul dos EUA como acompanhamento para vários pratos ou no café da manhã. No restaurante de Southern Food a que fomos em Savannah/GA, eles eram servidos acompanhados de Gravy, uma espécie de molho americano que consiste em um caldo saborizado e espessado com farinha de trigo. O biscuit é leve, tão leve que desmancha na boca. Desde que eu os comi, sonhava em voltar à uma unidade qualquer só pedir porções dele pra me fartar. Que lagosta que nada!

Pensando nisso, resolvi pesquisar na internet uma receita bacana pra tentar reproduzi-los em casa. Achei várias, mas gostei dessa!

Este é o resultado de minha terceira tentativa com a receita. Em todas elas, o sabor estava incrível. Apenas precisei de uns ajustes para que ficasse do jeito que eu queria. 

Este é o resultado de minha terceira tentativa com a receita. Em todas elas, o sabor estava incrível. Apenas precisei de uns ajustes para que ficasse do jeito que eu queria. 

Fiz essa receita por 3 vezes. Na primeira tentativa, fiz algumas adaptações:

1) achei estranho pedirem manteiga derretida pra incorporar na massa e fiz com ela gelada. A massa lembra um pouco aquelas massas podres para empadas e quiches, só que com fermento. Portanto, recordando das massas podres que já fiz, resolvi que a manteiga teria de estar gelada pra que se evitasse com mais eficiência o desenvolvimento do glúten.

2) Eu não tinha buttermilk em casa, daí usei leite integral mesmo.

Como resultado, tive um pão gostoso, mas um tanto quanto seco. Outra coisa que resolvi experimentar foi colocar a massa na assadeira usando uma colher de massa para cookie (que no Brasil é usada para servir bolas de sorvete, pois tem uma espécie de pá que raspa a superfície da massa, descolando-a da colher). Com isso, o formato final ficou um pouco esborrachado. Meu marido comeu 6 de uma vez só!

Na segunda vez fiz a receita para receber minha mãe e minha tia, recém-chegadas de viagem. É uma receita tão rápida que fica pronta antes que uma fornada de pão de queijo seja feita. Desta vez, utilizei a manteiga como a receita pede, derretida. E comprei buttermilk*. O resultado foi muito melhor, a massa ficou bem mais leve. Resolvi enrolar os pães rapidamente com minhas mãos untadas com um pouco de manteiga derretida. O suficiente pra arredondar a massa. O formato final também ficou bem melhor. Minha mãe e tia adoraram, mas eu tive um problema de digestão com o alho em pó. "Lembrei-me" dele o dia todo!

Agora na última tentativa resolvi, de última hora, trocar o alho por cebola em pó. Também substituí 1/4 da farinha de trigo por fécula de batata. O resultado foi um "pãozinho" mais leve ainda e que não mandou lembranças durante o dia. No mais, corre pra cozinha!

"Pãezinhos" rápidos de cebola com queijo (rendimento: 10 pães, de aprox. 10 cm de diâmetro)

1 xícara e 3/4 de farinha de trigo

1/4 de xícara de fécula de batata

1 colher de sobremesa de açúcar

1 colher de sobremesa de fermento químico em pó (o que se usa pra bolos)

2 colheres de chá de cebola em pó (se não tiver ou não quiser usar, tudo bem)

1/2 colher de chá de sal

1/4 colher de chá de pimenta caiena em pó (opcional)

1 xícara de buttermilk*

1/2 xícara de manteiga sem sal, derretida

1 xícara e meia de queijo cheddar ralado grosso (pode ser parmesão, prato, do reino)

Para a finalização:

3 colheres de sobremesa de manteiga sem sal derretida

1 colher de sobremesa de salsinha fresca picada

1/2 colher de chá de cebola em pó

Modo de fazer: Aqueça o forno a 240 graus Celsius/ 450 fahrenheit . Prepare uma assadeira forrada com papel manteiga ou com tapete de silicone. Numa tigela, adicione os ingredientes secos na sequência em que aparecem na receita. Misture os ingredientes secos. 

Adicione a mistura de buttermilk e manteiga e o queijo ralado.   Misture rapidamente até que os ingredientes se incorporem.

Adicione a mistura de buttermilk e manteiga e o queijo ralado. Misture rapidamente até que os ingredientes se incorporem.

Esse é o ponto final da massa. Parece que ainda falta muito, mas é isso aí mesmo!

Esse é o ponto final da massa. Parece que ainda falta muito, mas é isso aí mesmo!

Enrole porções, usando uma colher de sopa, nas mãos untadas com manteiga e coloque-as separadas a uma distância de 2 dedos entre elas. Misture os ingredientes da cobertura e pincele os pães. Coloque um pouco de  sal kosher  (se tiver) acima de cada pãozinho. 

Enrole porções, usando uma colher de sopa, nas mãos untadas com manteiga e coloque-as separadas a uma distância de 2 dedos entre elas. Misture os ingredientes da cobertura e pincele os pães. Coloque um pouco de sal kosher (se tiver) acima de cada pãozinho. 

Asse-os por aproximadamente 15 minutos ou até que dourem. Sirva quente! 

*Butermilk: originalmente, o líquido que sobra ao bater-se manteiga. Hoje é encontrado pra vender nos supermercados americanos uma versão de leite fermentado, semelhante à uma coalhada. Para fazer uma substituição à altura, coloque uma colher de sopa de vinagre branco em 1 litro de leite integral. Aguarde talhar por 10 minutos.

Nunca é demais dizer: não desenvolver o glúten não significa a mesma coisa que gluten-free, ok? Se não pode comer glúten, faça um pão de queijo

Galinhada de forno, pra curar a Nostalgia.

Quando eu era criança, meus pais costumavam reunir os amigos em casa pra comer uma "Galinhada fora de hora". Era uma reunião familiar muito agradável. Desculpa justa pra juntar todo mundo e ficar proseando, enquanto a criançada corria solta pela casa. Utilizando-se da máxima de que "o melhor tempero é a fome", minha mãe servia o prato quase de madrugada, acompanhado do melhor Tutu de feijão que já comi na vida, decorado com os torresminhos que ela faz da pele do frango. Garanto que nossas noites de sábados eram tão animadas quanto devem ser as do restaurante do Alex Atala, o Dalva e Dito. ;)

Antes, meu pai fazia projeção de Slides (com aquele projetor Carousel, da KODAK, que foi motivo de um dos anúncios publicitários de Don Draper, em Mad Men) e nós ficávamos rindo, admirados, de nossas imagens enormes sendo projetadas na parede; ora de lado, ora de ponta-cabeça, ora ao contrário, mas na maioria das vezes do jeito certo. Isso quando não aparecia somente a luz, sinalizando que algo tinha dado errado, consumindo alguns minutos de atenção do meu pai até começarmos tudo de novo. Até hoje eu adoro o som dos slides sendo trocados no projetor e de vez em quando peço ao meu pai para fazer uma sessão nostalgia, para desespero do meu irmão mais velho. São memórias muito bacanas, que me fazem ter a certeza de que tive uma infância muito rica. 

Esses dias saudosos que tive por ocasião da Copa do Mundo me deram vontade de comer uma galinhada. Mas resolvi experimentar uma receita nova, pra não correr o risco de me decepcionar com o resultado. Esta daqui foi retirada do site da SAVEUR e é bastante saborosa. Como de costume, fiz algumas alterações pra utilizar os ingredientes que já tinha em casa. Troquei o arroz integral tradicional, do qual não gosto muito, pelo cateto integral, muito mais saboroso e com melhor textura por ser mais resistente ao cozimento. Substituí a cebola por alho poró, porque ele estava pedindo pra ser usado. Não usei pimentões nem ervilhas...

O arroz integral, tipo cateto, e o frango ficam bem molhadinhos com o cozimento misto (fogão e forno) garantindo muito sabor. A adição de chorizo espanhol deu um toque bem bacana de páprica. Pena que eu não tinha ervilhas em casa, como a receita pedia. Imagino que teria ficado ainda mais gostoso! Mesmo assim matou a minha vontade, sem que eu ficasse com mais saudades ainda dos quitutes de minha mãe. 

Decore com folhinhas de manjericão e regue com um pouco de azeite. Pimenta moída à gosto e pronto!

Decore com folhinhas de manjericão e regue com um pouco de azeite. Pimenta moída à gosto e pronto!

Arroz Cateto integral, com frango e chorizo espanhol.

4 sobrecoxas de frango, com ossos e pele

Quando baste de pimenta do reino moída fresca

Quanto baste de sal marinho, de prefência moído na hora (pode ser o refinado, se não tiver)

2 colheres de sobremesa de azeite de oliva

100g de chorizos espanhóis pequenos, cortados em fatias de 1mm

1 colher de sobremesa de orégano seco (se tiver fresco, aumente a quantidade pra 2 colheres)

1/2 colher de sopa de pimenta calabresa

4 dentes de alho amassados

1 talo grande de alho poró cortado em rodelas finas

1 folha de louro

3 raminhos de tomilho fresco

1 xícara e meia de arroz cateto integral

1/2 xícara de vinho branco seco

3 xícaras de caldo de galinha (preferência pelo caseiro. Mas pode usar o em cubos, seguindo as recomendações de diluição do fabricante)

Folhas de manjericão para decorar.

Modo de fazer: Tempere o frango com sal e pimenta. Pique e prepare todos os ingredientes a serem usados enquanto o frango fica acondicionado em pote fechado, em geladeira, para absorver o tempero. Aqueça o forno a 400 fahrenheit ou a 200 graus celsius. Aqueça, no fogão em fogo médio, uma panela com capacidade para 2 litros (que possa ir ao forno e que retenha bem o calor). Quando estiver bem quente junte o azeite, colocando imediatamente os pedaços de frango com a pele pra baixo. Doure por aproximadamente 8 minutos e vire os pedaços, procurando dourá-los por todos os lados. Retire-os da panela e reserve.

Dourar bem os pedaços de frango. Se for fazer receita para mais pessoas, doure poucos pedaços por vez. Coloque os suficiente para que todos possam estar com a parte da pele em contato com o fundo da panela. 

Dourar bem os pedaços de frango. Se for fazer receita para mais pessoas, doure poucos pedaços por vez. Coloque os suficiente para que todos possam estar com a parte da pele em contato com o fundo da panela. 

Adicione o chorizo e frite-o na gordura da panela, mexendo sempre, por uns 5 minutos. Reserve. Coloque o alho poró picado, o orégano, a pimenta calabresa, o tomilho e o louro misturando de vez em quando. Assim que a cebola estiver transparente, adicione do alho e refogue, até que ele desprenda aroma. Junte o arroz e mexa bastante para que os grãos possam ser cobertos de gordura. Isso deve levar uns 2 ou 3 minutos. Verta o vinho sobre o arroz e misture para soltar qualquer caramelização retida no fundo da panela e deixe-o evaporar à metade.

Os grãos de arroz devem ser cobertos pela gordura da panela. É como se estivesse fazendo um  risotto  com arroz cateto integral. Este tipo de arroz integral tem os grãos mais curtos e arredondados, que mantém-se íntegro durante o cozimento, exigindo mais tempo e líquido que o tipo longo comum. Porém, o cateto é muito mais saboroso porque exige mais tempo de mastigação. 

Os grãos de arroz devem ser cobertos pela gordura da panela. É como se estivesse fazendo um risotto com arroz cateto integral. Este tipo de arroz integral tem os grãos mais curtos e arredondados, que mantém-se íntegro durante o cozimento, exigindo mais tempo e líquido que o tipo longo comum. Porém, o cateto é muito mais saboroso porque exige mais tempo de mastigação. 

Distribua os pedaços de frango e chorizo na panela, de modo que fiquem com espaços iguais entre os pedaços de frango. Despeje o caldo quente por cima, até que ele cubra o frango. Tempere o caldo com sal e pimenta. Tampe a panela e deixe ferver. Transfira-a tampada para o forno e asse até que o arroz e o frango estejam cozidos (aproximadamente 1 hora. Cheque de vez em quando). Cuidado para não deixar o caldo secar completamente! 

Tire a panela do forno e mantenha-a tampada mais uns 5 minutos. Se tiver ervilhas e quiser usá-las, este é o momento. O calor do arroz dará conta de aquecê-las. Chame o povo e bom apetite!