[Roma] A cidade das 7 colinas esconde muitas cidades diferentes em si mesma.

Quando eu planejei nossa ida à Itália, a opção por terminar a viagem em Roma pareceu natural. A gente não queria fazer uma viagem de pinga pinga, onde se vê tudo e não se curte nada. Mas eu não tive a intenção de iniciar a viagem por uma cidade menor e ir me movimentando pelas cidades maiores gradativamente. Simplesmente aconteceu. E como eu disse num post anterior, acredito que esta decisão se mostrou a mais acertada. À medida em que as cidades vão aumentando em área, população, importância história e, consequentemente, volume de turistas, você percebe que a jornada vai ganhando uma velocidade diferente, mais agitação, mais coisas para ver, mais lugares dos quais você terá de abrir mão para que possa curtir, de verdade, os outros que você preferiu não riscar da lista.

Roma, pra mim, foi sinônimo de encantamento e angústia ao mesmo tempo. Porque eu sabia o que eu estava perdendo. E mesmo que eu me arrebentasse de alegria ao visitar um lugar qualquer da cidade com que eu sempre sonhei, eu sempre tinha aquela sensação de que o tempo me escorria pelas mãos. A cidade é incrível. Com um quê de familiaridade, para quem conhece Nova Iorque. A agitação da cidade está por todo lado. Gente apressada pelos quatro cantos. Um mau-humor que se pode perceber nitidamente, mesmo que você não seja alvo direto dele.

Foi em Roma onde encontrei menos pessoas fluentes e/ou dispostas a falar inglês. Não sei bem se por ignorância da língua, ou se por má vontade mesmo. Mas, proporcionalmente, era de se esperar que os romanos fossem bilíngues. Por outro lado, dá pra compreender um pouco quando você tem o seu espaço sempre invadido por gente querendo saber onde foi que errou no caminho. Consigo entender o mau-humor romano fácil, ranzinza que sou.

Nós tínhamos 4 dias na cidade, que foram reduzidos a 3 para que pudéssemos dar uma escapadela até Nápoles para visitar uma prima querida que mora por lá. As únicas coisas que estavam planejadas eram o apartamento alugado, o jantar num restaurante, de uma estrela Michelin, que ficava ao lado e a audiência papal. Como iríamos ao Vaticano, teríamos somente 2 dias para aproveitar Roma. Então achei melhor a gente deixar as coisas acontecerem. E lá fomos passear pelas ruas a descobrir lugares. 

Uma panorâmica vertical da nave da Santa Maria Maggiore. Foi engraçado porque eu entrei e imediatamente o trabalho do teto tirou a minha atenção do resto. Fiquei olhando pra cima maravilhada e com a boca aberta por um bom tempo. E nem era a  Capella Sistina , heim? Achei incrível! 

Uma panorâmica vertical da nave da Santa Maria Maggiore. Foi engraçado porque eu entrei e imediatamente o trabalho do teto tirou a minha atenção do resto. Fiquei olhando pra cima maravilhada e com a boca aberta por um bom tempo. E nem era a Capella Sistina, heim? Achei incrível! 

A primeira parada foi na Igreja Santa Maria Maggiore, que fica próxima ao apartamento onde ficamos. É uma igreja linda e, ao que pareceu, menos visitada que outros lugares da cidade. Descobrimos que havia um tour sendo oferecido para vermos um mosaico bizantino, no segundo andar da igreja e lá fomos nós. 

O mosaico bizantino do século XIII faz parte do que era a fachada original da Igreja. Ela foi aumentada algumas vezes e sofreu com o terremoto de 1348. O terraço que hoje existe protegendo o mosaico é uma das adições feitas ao longo do tempo. 

O mosaico bizantino do século XIII faz parte do que era a fachada original da Igreja. Ela foi aumentada algumas vezes e sofreu com o terremoto de 1348. O terraço que hoje existe protegendo o mosaico é uma das adições feitas ao longo do tempo. 

Saindo da igreja, minha mãe manifestou vontade de ir até à Fontana di Trevi. E aí eu comecei a perceber que a cidade tem várias camadas, que depois eu descobri serem parte das tais 7 colinas onde a cidade repousa. Você está andando numa rua e do nada aparecem escadarias/ladeiras para descer ou subir e tudo se transforma em um labirinto que eu estava louca pra me deixar perder, só pra encontrar aqueles lugares que quase ninguém vê. Como mundos à parte, que se abrem quando você ousa ir no contrafluxo. Mas o tempo corria contra, a gente estava com pressa. Nunca me identifiquei tanto com o coelho branco de Alice no País das Maravilhas como nestes dias passados em Roma. A gente estava sempre atrasado para a próxima atração. O desafio era encontrar o buraco certo. 

Achamos o 'buraco" certo! 

Achamos o 'buraco" certo! 

Foi a partir desta ida à Fontana di Trevi que eu pude ter contato com o mau-humor italiano. Pedir informações foi complicado. Mesmo com o Google Maps alguns caminhos pareciam difíceis de serem localizados, justamente por conta destas camadas que a cidade tem. Conseguimos achar a fonte por pura ajuda de São Google e algumas teimosias de minha parte. Meu marido já estava ficando irritado porque eu ia sempre por caminhos decididos por instinto + aplicativo. Antes de chegarmos, eu e minha mãe tentamos tomar um sorvete. Fomos totalmente ignoradas pelo atendente do balcão e saímos com a boca cheia de água. Mal sabia o carinha que os italianos já nos tinham conquistado durante a viagem e não seria o mau humor de alguns romanos que nos tiraria o deleite de estarmos passeando por ali. Sem falar que depois encontramos A GELATERIA, cujos sabores e aspecto dos gelatos deixaram os do outro mau humorado com vergonha. 

O mármore Travertino de que é feita a fonte foi trazido de Tivoli, distante 35 quilômetros de Roma. 

O mármore Travertino de que é feita a fonte foi trazido de Tivoli, distante 35 quilômetros de Roma. 

O que eu achei mais genial da Fontana di Trevi é que você está lá, andando numa ruela estreita cheia de gente e aparente nada de extraordinário. De repente, abre-se um espaço enorme e você dá de cara com aquela coisa maravilhosa na sua frente. Eu imaginava a fonte muito menor do que é. É gigantesca! 

Essas lojas de embutidos e produtos alimentícios vários são uma perdição. Eu não entro em loja de roupa e calçado, mas posso passar um dia inteiro dentro de um lugar assim. 

Essas lojas de embutidos e produtos alimentícios vários são uma perdição. Eu não entro em loja de roupa e calçado, mas posso passar um dia inteiro dentro de um lugar assim. 

O sorvete da  Gelateria Valentino  é um dos melhores que eu tomei na Itália. Eu iria visitar a fonte de novo só pra tomar um sorvete deles, sentadinha vendo o povo.

O sorvete da Gelateria Valentino é um dos melhores que eu tomei na Itália. Eu iria visitar a fonte de novo só pra tomar um sorvete deles, sentadinha vendo o povo.

Passeamos ao redor da fonte, fizemos o pedido da moedinha pra voltarmos rápido, conversamos um pouco e observamos as pessoas felizes que estavam ali. Depois, fomos atrás de um gelato numa ruazinha à direita da fonte, localizado pelo meu amigo de viagens, o Foursquare. Além de encontramos um gelato delicioso, que oferecia opções sem açúcar (meu pai é diabético), ainda vimos umas lojinhas incríveis e até um Gepetto em ação! Obrigada, sr. mau-humorado!

Olha que lindo!!!! 

Olha que lindo!!!! 

De lá fomos andando até chegar no Fórum Imperial, que compreende um conjunto de ruínas incrível, onde você pode se deixar ficar só imaginando as coisas que aconteceram por ali. Lá encontramos um estudante de música exercitando o que aprendeu e ganhando uns trocados. Que lugar engenhoso pra treinar, heim? 

O Fórum fica perto do Coliseu. Não tínhamos nada reservado, mas eu resolvi entrar pra ver se dava pra comprarmos ingresso. Faltava ainda pouco mais de uma hora pra fechar e não tinha fila! Que construção incrível! Observar o por-do-sol lá fora, através das janelas do prédio foi um capítulo à parte. E fiquei maravilhada em encontrar corvos bicolores por lá. 

No dia seguinte fomos ao Vaticano, mas sobre a audiência Papal e a visita ao Museu e à Capela Sistina eu vou falar noutro post. 

Como tínhamos pouco tempo e meus pais já estão com mais de 60/70 anos, resolvemos pegar um daqueles tours de ônibus pra passear pela cidade e decidir o que fazer. Enquanto isso, a gente descansava um pouco, né? Optamos pelo serviço do Roma Christiana, para podermos ver as igrejas da cidade. Demos uma volta inteira e resolvemos descer para ver a Igreja de São João Latrão. Como os restaurantes italianos fecham entre o serviço de almoço e jantar e já eram perto de duas da tarde, resolvemos almoçar primeiro pra depois visitar a igreja. 

Localizei o restaurante I Buoni Amici. Escolha acertadíssima, num bairo pouco turístico, o ambiente sem frescura e completamente tomado por locais nos proporcionou uma experiência romana por excelência. Lá estavam os copos sem frescura pra tomar vinho, os vinhos da casa, os garçons na correria e sem muito tempo pro papo. Eu estava há muito tempo querendo provar um autêntico Cacio e Peppe e foi isso que pedi. Meus pais e Bruno também foram de massa. Um vinho despretencioso, um prato de presunto cru com pão e azeite e estávamos felizes. Tudo transcorreu normalmente. Passamos tempo só curtindo a possibilidade de sermos locais também. Minha mãe treinou seu italiano, fomos muito bem tratados, comemos, bebemos, pagamos a conta e saímos felizes pra igreja.

As visitas às igrejas de Roma me fizeram ficar encantada com o nível de qualidade do trabalho humano naquelas paredes, tetos e pisos cheios de detalhes. Não sou católica, mas sempre gostei de visitar templos religiosos. E em Roma eu descobri que gosto de fazer estas visitas porque o elemento humano envolvido na construção daqueles edifícios incríveis, o sofrimento, a fé e tudo o mais me causam um impacto muito grande. Eu fico boquiaberta. 

Terminamos o dia dando mais uma volta de ônibus panorâmico pela cidade à noite. Descemos próximos à estação de trem e fomos à pé pra casa, nos preparar para irmos à Nápoles no dia seguinte. 

[Florença] Melhor dois dias curtindo esta jóia que só sonhando em visitar...

Berço da família Médici, os criadores do bancos como entendemos hoje, Florença é uma cidade incrível que, infelizmente, visitei por curtos 2 dias e meio. Mesmo assim, as memórias da cidade estão sempre frescas. Aproveitar o que estava disponível pra nós só não foi mais fácil por conta do tempo escasso, mas o gostinho de quero mais que ficou me leva a pensar que já já estarei por lá novamente. 

Vista panorâmica da cidade na Praça Michelângelo.

Vista panorâmica da cidade na Praça Michelângelo.

Perto do hotel em que ficamos, muito bom por sinal, encontramos uma cantina disposta a atender um grupo de 8 pessoas quando faltava menos de 1 hora para a cozinha fechar. Eu, que estava numa expedição culinária regional, não me contive quando vi Ribollita no cardápio e pedi. Antes dela, uma salada e muito vinho. A sopa, que na verdade tem uma textura de quase purê, é feita com vegetais, caldo de vegetais e miolo de pão. Tipo de comida de gente simples e pobre. Os sabores são bem apresentados e o resultado final, apesar de não ter uma apresentação bonita, foi muito bom. 

Ribollita .

Ribollita.

Aliás, quero abrir um parêntese sobre beleza de comida aqui. Nós, no Brasil, estamos numa busca absurda por fazer nossos pratos ficarem bonitos para atrair mais pessoas e tal. Eu percebi na Itália que isso é um sintoma incrível da nossa aclamada "síndrome de vira-latas". A não ser no restaurante estrelado Michelin a que fomos em Roma, todos os outros lugares onde comi os pratos foram apresentados rusticamente como são, sem frescura alguma e com muito orgulho. E digo mais: parte das sobremesas italianas constituem coisas muito semelhantes aos nossos pavês. E enquanto a gente esconde estas coisas no fundo da geladeira, preferindo servir "sobremesa chique", os italianos estão lá, servindo os Tiramisu e as Zuppa Inglese deles do jeitinho que se serve em casa. Fica claro que, muito mais do que o "como servir", a preocupação é "com o ingrediente". Isso faz com que metade da qualidade do prato já esteja garantida. O resto fica a cargo da capacidade do cozinheiro ao reconhecer até onde deve interferir. É claro que apresentação é importante, que a gente come primeiro com os olhos e tudo. Meu ponto é que isso não deve tirar a atenção do sabor e da qualidade do prato. Porque fazer riscos no prato com reduções mil, brunoises e juliennes bem cortadas e servir um prato ruim não dá. Outra coisa que percebi: italianos não servem comidas fumegantes. Não comi nem bebi nada que tenha chegado à minha mesa e tenha sido capaz de me queimar a boca. A ciência da temperatura de servir é algo digno de nota por lá. E chega a ser óbvio: se queimo a língua, passo a não conseguir sentir o sabor da comida propriamente. Fecha parênteses. 

Minha lista de coisas a provar em Florença era gigante. Eu seguia sem encontrar um panetone pra comprar. Queria provar um Lampredotto e já vinha me preparando psicologicamente para comer este famoso sanduíche de tripas, mas o tempo era tão escasso que tive de abrir mão. O jantar daquele dia prometia ser memorável: tínhamos reserva no Il Latini, restaurante concorridíssimo da cidade, que costuma ter uma multidão esperando por mesas assim que eles abrem as portas, às 19h30. Chegamos lá e comprovamos. Era muita gente aglomerada. Parecia rinha de galo. Eu fui indo direto pra porta porque tinha reserva e já sabia da treta. À medida em que chegava perto da entrada, as pessoas foram tentando me barrar. "Eu tenho reserva!" gritei para o rapaz que tomava conta da porta. "8 pessoas!". - Ah, Sra Paula, por favor entre. Eu nunca vi tantas caras furiosas olhando pra mim na minha vida. Meus familiares também foram barrados atrás de mim, uma loucura! Mas todo mundo conseguiu entrar ileso e se sentindo o máximo por ter reserva num lugar tão disputado. Se eu estivesse trabalhando por gorjetas, aquele era o momento de pedi-las. Iria ganhar muitos euros! 

O restaurante é incrível! Você entra e vê um monte de presuntos crus pendurados no teto. A nossa mesa estava lá, enorme, só pra gente. O garçon chegou, se apresentou, nos falou sobre o sistema de funcionamento da casa - à la carte ou menu fechado. Escolhemos e esperamos.

O vinho da casa. Honestíssimo pelo preço/garrafa cobrado.

O vinho da casa. Honestíssimo pelo preço/garrafa cobrado.

Presunto cru, meu amor!

Presunto cru, meu amor!

Salada de farro e torradas com patê de fígado.

Salada de farro e torradas com patê de fígado.

Foi uma festa italiana incrível, culminando em Cotolettas Fiorentinas. Enormes, servidas à maneira deles, muito tostada por fora e quase crua por dentro. Isso significa que se você gosta de carne bem passada vai passar aperto. Porque eles nem perguntam como você gosta do ponto da carne. É assim!

As famosas  Cotolettas!  Optamos por um menu fechado. Comida e bebida incluídas e à vontade. E era MUITA comida!

As famosas Cotolettas! Optamos por um menu fechado. Comida e bebida incluídas e à vontade. E era MUITA comida!

Fazia tempo que não comíamos carne de verdade! Especialmente eu e meu marido, já que no Sri Lanka a carne bovina é de péssima qualidade. A finalização foi com Vin Santo e Cantuccini. Não havia espaço para sobremesa, infelizmente. Comemos e bebemos muito, os garçons fazendo piada pra nos agradar. Um deles havia morado no Brasil e volta e meia vinha pra dizer o que tinha aprendido sobre nosso país. Meu tio ficou encantado com o vinho da casa e comprou umas 10 garrafas. Saímos todos com a certeza de que foi uma noite memorável de boa comida, ótima conversa, bom vinho e atendimento impecável. Meu pai estava todo feliz. Fomos dormir porque não tinha jeito, o dia já tinha acabado e tínhamos um passeio no dia seguinte à região de Chianti.

O carrossel. 

O carrossel. 

Passamos nosso último dia na Piazza della República. Há uma feira incrível nos fins de semana. Nela você encontra tantas coisas excelentes pra comer e comprar que, se descuidar, passa o dia inteiro. Encontramos alguns brasileiros trabalhando em algumas barracas e daí tudo virava aglomeração. Comemos gorgonzola cremoso, mostarda de cremona feita com castanhas portuguesas, canolo de ricota com pistache e muito gelato! Tomamos cerveja, compramos presentes, andamos no carrossel...

Doces, queijos, pães...

Doces, queijos, pães...

... embutidos, molhos, carnes curadas...

... embutidos, molhos, carnes curadas...

Pratos prontos,  Ribollitas ,  Lampredottos .

Pratos prontos, Ribollitas, Lampredottos.

Muita comida!

Muita comida!

Estes  canoli  estavam divinos!!!

Estes canoli estavam divinos!!!

Até nos lembrarmos que ali pertinho estava o objetivo principal de nossa passagem pela praça: ao final dela, dobrando à esquerda e descendo alguns metros, observamos estupefatos a Cattedrale Santa Maria del Fiore! Fiquei pensando: "Será que os florentinos já estão tão acostumados com esta beleza que passam por ela sem olharem?". É uma construção tão magnífica que eu lamentei que haja tanta construção ao redor dela. Queria poder me afastar uns longos passos para poder admirá-la inteira. Ao invés disso, me vi circundando-a várias vezes, procurando absorver aquela maravilha que eu tinha diante dos meus olhos. Minha vontade era subir no mirante da torre, mas a fila estava enorme e não daria pra ver muito mais da cidade se fizesse isso. Mas consegui vê-la por dentro! 

É uma construção tão magnífica que eu lamentei que haja tanta construção ao redor dela. Queria poder me afastar uns longos passos para poder admirá-la inteira. Ao invés disso, me vi circundando-a várias vezes, procurando absorver aquela maravilha que eu tinha diante dos meus olhos. Minha vontade era subir no mirante da torre, mas a fila estava enorme e não daria pra ver muito mais da cidade se fizesse isso. Mas consegui vê-la por dentro! 

Os afrescos na parte interior da cúpula. 

Os afrescos na parte interior da cúpula. 

Numa das voltas que dei, encontrei um restaurante bastante escondido e simpático. Consultei meu Foursquare pra ver se era bom e li um monte de italianos elogiando. Estávamos esperando metade do grupo que tinha se desgarrado em compras. Entrei, perguntei se haveria mesa disponível para 8 pessoas. A garçonete fez uma careta e chamou o dono. Ele me disse: "É claro! Vai demorar um pouco, pode ser?". Nos sentamos nas mesas do lado de fora, pedimos um vinho e fomos esperando o povo chegar. Daí, Patrício, o dono, passou a tomar conta da gente. Eu realmente entrei com receio de perguntar se nos atenderiam porque grupo grande é um problema e os italianos são muito práticos. Se é não é não. Diferente do que eu esperava Patrício foi de uma gentileza e simpatia conosco que eu fiquei encantada! Uma hora, minha irmã perguntou algo sobre o menu para ele, em inglês. Ele a interrompeu: "Pode falar português! Tão mais lindo que o inglês. O inglês é uma língua muito pobre!". Ganhou o grupo todo e a gente ficou felizinho tomando vinho lá fora, no frio. Logo a nossa mesa estava pronta e nosso grupo todo já havia chegado. Entramos, pedimos, comemos, bebemos, Patricio fez piadas, falou de futebol e foi tudo uma delícia! A comida estava bem gostosa, comi umas linguiças com feijão que estavam ótimas, mas o melhor do restaurante foi a acolhida. E eu que esperava receber um não logo de cara...

Tem muita coisa pra ver em Florença. Em 2 dias e meio não conseguiríamos ver muita coisa. Mas uma delas eu precisava fazer: ver a escultura original do Davi, de Michelângelo. Primeiro porque eu sempre gostei de esculturas: acho que são a minha expressão artística favorita. Segundo, porque tem uma alegoria psicológica atribuída a Michelângelo onde ele, respondendo a pergunta de como definia o que seria esculpido, disse que o Davi, por exemplo, já estava lá, dentro da pedra. Que ele, o escultor, tinha por trabalho somente ajudá-lo a sair de dentro dela. Terceiro por conta de um artigo divertidíssimo do The New York Times, onde conta-se a história da escultura desde antes de Michelângelo nascer e de como ela está fadada a se espatifar em mil pedaços num terremoto mais severo, caso o governo Italiano não tome as devidas providências a tempo. A Galleria dell'Academia foi construída para abrigar o primeiro Davi. Ao chegar no lugar onde está a estátua você precisa andar por um corredor com obras de Michelângelo dispostas dos dos lados, formando um corredor de esculturas.

Ao chegar no lugar onde está a estátua você precisa andar por um corredor com obras de Michelângelo dispostas dos dos lados, formando um corredor de esculturas. As duas (não tenho certeza se são só duas ou mais) últimas, logo antes do majestoso Davi, são obras inacabadas do mestre escultor e são tão incríveis quanto a sua obra prima. Porque eu poderia passar horas tentando adivinhar o processo de trabalho dele só olhando as marcas dos utensílios utilizados, as formas ainda indefinidas do que viria a ser o trabalho completo. Espetacular! O Davi é realmente de tirar o fôlego. E as outras obras também. Há uma outra sala onde há uns vídeos mostrando processos de escultores e outras coisas interessantíssimas. Valeu a ida à cidade. 

No mais, passeamos bastante, vimos um pouco do que estava mais acessível, passamos pela Ponte Vecchio, fomos à Piazza Michelângelo, de onde pode-se ver a cidade inteira (primeira foto do post), ouvimos músicos de rua, paramos para admirar as esculturas ao ar livre, os artistas que tentavam ganhar a vida mesmo no frio.

Este artista passou o dia reproduzindo esta obra de arte no passeio, com giz de lousa. 

Este artista passou o dia reproduzindo esta obra de arte no passeio, com giz de lousa. 

Florença nos recebeu muito bem e manteve suas portas portas abertas pra quando a gente quiser visitá-la de novo. E pelo que estou sentindo de saudades, não deve demorar muito.

[Emilia Romana] Visitando a produção de Aceto Balsâmico e de Presunto Cru em Modena.

Depois da extasiante visita ao Caseifício, pegamos a estrada novamente para ver a produção do aceto balsamico. E passear pela região de Modena, mesmo sem tempo para descer do carro e explorar um pouco mais a região, foi muito agradável. As paisagens passando rapidamente pela janela, a cabeça leve por conta do Lambrusco, a boca ainda guardando o gosto de parmigiano, a família reunida em clima de festa. Posso dizer que por um milésimo de segundo eu tive a mesma sensação das reuniões de final de ano em casa dos meus avós maternos. Felicidade pouca!

A fachada da Acetaia Villa San Donino. Tava um friozinho tão gostoso...

A fachada da Acetaia Villa San Donino. Tava um friozinho tão gostoso...

A produção de aceto em Modena é famosa e um negócio familiar. As acetaias, como são chamadas as casas das famílias têm produção limitadíssima e o aceto desenvolvido nelas não é em nada parecido com os que são vendidos em larga escala nos supermercados ao redor do mundo. Aqui a produção de uma garrafa de 150ml leva no mínimo 12 anos de envelhecimento, em baterias de barris antigos e históricos, muitas vezes dedicados a cada membro da família. 

Nossa guia, Eleonora, pronta para nos contar sobre o processo produtivo artesanal do aceto balsâmico. Na frente dela, as baterias. Barris que vão diminuindo de tamanho até chegar a um bem pequeno, que fica na frente da bateria (fileira) e de onde sai o  aceto  finalmente pronto. Estes pedaços de pano tampam a abertura dos barris, deixando que o líquido respire e evapore. 

Nossa guia, Eleonora, pronta para nos contar sobre o processo produtivo artesanal do aceto balsâmico. Na frente dela, as baterias. Barris que vão diminuindo de tamanho até chegar a um bem pequeno, que fica na frente da bateria (fileira) e de onde sai o aceto finalmente pronto. Estes pedaços de pano tampam a abertura dos barris, deixando que o líquido respire e evapore. 

Vistamos a Acetaia Villa San Donino no período do inverno, portanto não nos foi possível ver a colheita das uvas e o processo de fabricação deste líquido negro, viscoso, ácido e doce tão precioso e que guarda tanta história. Mas no vídeo de apresentação da Acetaia e no posterior você pode ver um pouco sobre a produção. 

Diferentemente do que muita gente pensa, o aceto balsâmico apresenta um processo de fabricação distinto do vinho. O mosto de uvas, como a Trebbiano, é separado das cascas, fervido e reduzido. A fervura por longo período garante a evaporação do excesso de água e reduz a possibilidade de bactérias, naturalmente presentes ali, de transformarem o suco obtido em vinho. O resultado disso é um líquido denso, escuro e com alto teor de açúcares, que são quem garantem a coloração do aceto, por meio de sua caramelização gradual durante o contato com o fogo. A gente olha a cor escura do líquido e já pensa que foi feito com uvas vermelhas e com a casca. Totalmente diferente disso!

Esta é a abertura do barril. O retângulo menor que você pode ver é o reflexo da luz ambiente na superfície do líquido que repousa lá dentro. Dá até pra ver um pedacinho do meu celular. O aroma é incrível!

Esta é a abertura do barril. O retângulo menor que você pode ver é o reflexo da luz ambiente na superfície do líquido que repousa lá dentro. Dá até pra ver um pedacinho do meu celular. O aroma é incrível!

Depois de terminada a redução, o líquido é decantado, escumado e armazenados nas baterias de barris, várias linhas decrescentes de 5 barris, do maior para o menor. A princípio estes barris são alimentados igualmente em termos de nível de líquido (proporcionalmente ao tamanho do barril). Subsequentemente, depois de tempos de evaporação e contato com a madeira - além dos microorganismos presentes em recipientes tão antigos, todos serão reabastecidos com mosto novo, menos o menorzinho, onde primeiro é colocado o mosto do barril imediatamente posterior.  Desde barril menor é de onde sairão as garrafas, especialmente desenhadas e de design patenteado, com o líquido depois de envelhecido por 12 anos, no mínimo. O vídeo abaixo mostra um pouco de como é feito o processo: 

Depois da visita e de toda a explicação sobre o processo de produção artesanal, fomos para a loja da acetaia, onde fizemos uma degustação de acetos de acordo com o envelhecimento. Provamos de várias maneiras: puro, com queijo parmigiano, com sorvete. Eu preferi o mais novinho, de 12 anos. Finalizada a visita, fomos ver os presuntos. Os presuntos!!!

A primeira vez que te abrem a porta da câmara onde descansam os presuntos é como se você tivesse sido transportado para o céu. Que beleza! 

A primeira vez que te abrem a porta da câmara onde descansam os presuntos é como se você tivesse sido transportado para o céu. Que beleza! 

Chegamos ao Consorcio Prociutto Modena no horário de almoço. Portando, não haviam funcionários nem movimentação no processo de produção pra vermos, como no caso do parmigiano reggiano. Mas isso não impediu que seguíssemos a linha de produção deles para entender o processo de confecção desta delícia que é o presunto cru italiano. O Prociutto di Modena não é tão famoso quanto o de Parma, mas passa pelo mesmo processo de salga, cura e envelhecimento do seu irmão famoso. A única coisa que muda é a demarcação de origem.

As peças, assim que chegam. Esqueci de dizer no  post  do  Parmigiano Reggiano  que o soro do leite e do queijo - que sobram da produção dos queijos - são usados na alimentação dos porcos que serão abatidos para a produção de  prociutto  e das demais carnes curadas e embutidos italianos. Há uma preocupação de aproveitamento de tudo o que se faz no país. 

As peças, assim que chegam. Esqueci de dizer no post do Parmigiano Reggiano que o soro do leite e do queijo - que sobram da produção dos queijos - são usados na alimentação dos porcos que serão abatidos para a produção de prociutto e das demais carnes curadas e embutidos italianos. Há uma preocupação de aproveitamento de tudo o que se faz no país. 

Aqui, as peças depois de serem salgadas, numa câmara super fria. Elas passarão por duas salgas, em um período de 20 dias. Depois disso são postas a repousar numa câmara de temperatura controlada, por cerca de 70 dias. 

Aqui, as peças depois de serem salgadas, numa câmara super fria. Elas passarão por duas salgas, em um período de 20 dias. Depois disso são postas a repousar numa câmara de temperatura controlada, por cerca de 70 dias. 

Depois deste primeiro repouso, as peças são lavadas e seguirão para a fase de  stagionatura,  quando é feita a vedação a parte exposta da carne, chamada de  sugnatura . Essa massa esbranquiçada é uma mistura de gordura de porco, sal e farinha. Tem a função de vedar completamente a peça, como a pele e a gordura fazem com as outras partes. A bolinha no meio é a cabeça do fêmur do animal. Depois disso, a peça permanecerá curando por aproximadamente 14 meses. 

Depois deste primeiro repouso, as peças são lavadas e seguirão para a fase de stagionatura, quando é feita a vedação a parte exposta da carne, chamada de sugnatura. Essa massa esbranquiçada é uma mistura de gordura de porco, sal e farinha. Tem a função de vedar completamente a peça, como a pele e a gordura fazem com as outras partes. A bolinha no meio é a cabeça do fêmur do animal. Depois disso, a peça permanecerá curando por aproximadamente 14 meses. 

Eram tantos pernis de porco pendurados nas câmaras climatizadas que foi impossível saber quantos porcos morreram para que aqueles pernis estivessem lá, tornando-se prociutto. No fim, fizemos degustação do produto e pudemos comprar pedaços (quem me dera comprar uma peça inteira daquilo!) embalados à vácuo pra levar pra casa. Pense numa felicidade? O único arrependimento que tenho é não ter comprado mais de um pedaço pra trazer, mas eu estava preocupada de entrar com tanta comida assim no Sri Lanka, ainda não conhecia o funcionamento da alfândega neste sentido. 

De lá nós saímos, satisfeitinhos, para a última etapa do passeio: um almoço tipicamente italiano. Mas sobre ele escreverei em outro post

 

[Emilia Romana] Visitando a produção do Parmigiano Reggiano.

Quando eu assisti ao episódio sobre o Massimo Bottura na série Chefs Table do Netflix, fiquei morta de vontade de visitar o processo de produção do Parmigiano Reggiano, um dos queijos que eu mais gosto no mundo. Foi esta vontade que definiu nosso início de viagem na Itália por Bologna e eu posso garantir que é um passeio tão interessante que chega a valer pela viagem inteira. 

Depois de muito pesquisar e visitar blogs brasileiros e estrangeiros, TripAdvisor e outras referências sobre a região da Emilia Romana; além de estabelecer alguns contatos pedindo sugestões a pessoas que moravam em Bologna, recebi a indicação da Italian Days. A empresa oferece pacotes diversos com passeios bastante interessantes, entre eles um que unia não só a visita a uma fábrica produtora do queijo, integrante do consórcio que tem a licença para produzir o queijo de nome Parmigiano Reggiano, como também a uma empresa produtora de presunto cru e uma produção familiar de Aceto Balsamico. Quando eu vi este passeio fiquei louca, imaginando como seria legal conhecer de perto o processo de produção destes produtos que eu tanto amo num mesmo dia. Pra arrematar, teríamos um almoço tradicional italiano, com todas as etapas de uma refeição típica italiana.

Imagina abrir uma roda dessa e comer com os amigos tomando um vinho? Ai... 

Imagina abrir uma roda dessa e comer com os amigos tomando um vinho? Ai... 

O preço pode parece caro, mas eu te digo que vale cada centavo porque você não precisa fazer nada, só curtir, tirar fotos, perguntar tudo o que quiser, provar da produção, comer... E ainda pode visitar lojas das fábricas e comprar pedaços de tudo o que provou pra levar pra casa, a preços mais camaradas. Agora que o Ministério da Agricultura liberou a entrada deste tipo de produtos na malas de turistas ficou perfeito! Pensa só?

Tivemos de acordar muito cedo. O encontro com o motorista da van era pontualmente as 7 da manhã. Como estávamos em Bologna e visitaríamos as fábricas da região de Modena, viajamos um pouco pelas estradas italianas. Estava frio, nossa van só tinha gente da família, então foi super agradável ver um pouco da região interior das cidades italianas, bem como ver o sol despontar preguiçoso no horizonte. 

Logo em frente ao Caseifício, esperando um grupo de ingleses chegar. Pense num frio?

Logo em frente ao Caseifício, esperando um grupo de ingleses chegar. Pense num frio?

Chegamos ao Caseifício um pouco antes das 8 da manhã e tivemos que esperar um grupo de ingleses que também faria parte do nosso grupo de visitas. Me senti um pouco triunfante de termos, nós brasileiros, famosos por sermos atrasados, deixado os pontuais ingleses para trás. Que bobagem! Estávamos de férias, ninguém tinha de correr. Mas estava frio pra cacete e esperar nestas condições não foi muito legal. Chegado o segundo grupo, fomos recepcionados pela guia que nos acompanharia por todo o dia. Eleonora foi adorável desde o início, sendo especialmente cuidadosa e atenciosa com meu pai, o mais velho da turma. Ela nos explicou como seria nosso dia e começamos. O que segue são as fotos, as informações e muitas saudades deste passeio delicioso que eu faria de novo, sem nenhuma dúvida! 

O Parmigiano Reggiano é o resultado da mistura de 50% de leite desnatado e 50% leite integral, mais soro de leite, além do coalho de origem animal (enzima colhida do estômago de bezerros). O leite é entregue cru, pela manhã bem cedinho, logo depois que é retirado das vacas. O leite que será desnatado é entregue no final da tarde e deixado para descansar, para que a gordura se separe. O processo de retirada da gordura é feito na própria cooperativa e o creme é usado para a produção de manteiga.

As vacas que produzem o leite que dá origem ao queijo são alimentadas dentro de padrões específicos para garantir o sabor e a concessão de D. O. C para o queijo. Os produtores do leite fazem parte do ciclo de produção e suas fazendas estão localizadas na região. Eles entregam seu produto para Caseifícios como este. Além da região demarcada, só pode ser chamado de queijo Parmigiano Reggiano aquele cujo processo de produção obedeça todas as normas. Isso inclui a alimentação, a criação e a ordenha das vacas também. Vamos ver como se faz?

Este é um dos tachos de produção vazios para vermos sua profundidade. Se você observar as outras fotos, perceberá que parte dos tachos está subterrânea. Sem ver o tacho vazio a gente já acha que ele é enorme. Depois de ver esta imagem é impossível não ficar impressionado. Dá pra umas 6 pessoas tomarem banho neste tacho, com folga. Do lado direito da foto há uma haste. Nela se encaixa um braço de agitação, como o de uma batedeira, para mexer o leite durante parte do processo.

Este é um dos tachos de produção vazios para vermos sua profundidade. Se você observar as outras fotos, perceberá que parte dos tachos está subterrânea. Sem ver o tacho vazio a gente já acha que ele é enorme. Depois de ver esta imagem é impossível não ficar impressionado. Dá pra umas 6 pessoas tomarem banho neste tacho, com folga. Do lado direito da foto há uma haste. Nela se encaixa um braço de agitação, como o de uma batedeira, para mexer o leite durante parte do processo.

Para fazer um quilo de queijo usam-se aproximadamente 16 litros de leite. A coagulação do leite, ainda cru e misturado nas quantidades que mencionei acima, leva em média uns 10 minutos. 

Para fazer um quilo de queijo usam-se aproximadamente 16 litros de leite. A coagulação do leite, ainda cru e misturado nas quantidades que mencionei acima, leva em média uns 10 minutos. 

Após a coagulação, um funcionário usa uma ferramenta chamada  Spino , que é como um grande  fouet . Ele ajuda a quebrar a superfície do leite coalhado em pedaços pequenos, como podem ser vistos na foto abaixo.

Após a coagulação, um funcionário usa uma ferramenta chamada Spino, que é como um grande fouet. Ele ajuda a quebrar a superfície do leite coalhado em pedaços pequenos, como podem ser vistos na foto abaixo.

Aqui, o leite coalhado. Este ainda não é o queijo, não se consegue unir estes pequenos coalhos para que se transformem em massa para queijo. Para isso, será preciso aplicar temperatura e agitação na próxima etapa.

Aqui, o leite coalhado. Este ainda não é o queijo, não se consegue unir estes pequenos coalhos para que se transformem em massa para queijo. Para isso, será preciso aplicar temperatura e agitação na próxima etapa.

Daí o leite coalhado é aquecido a 55 graus celsius e agitado para que os sólidos se unam com facilidade, formando uma massa borrachenta.  

Daí o leite coalhado é aquecido a 55 graus celsius e agitado para que os sólidos se unam com facilidade, formando uma massa borrachenta.  

O mestre queijeiro, que tem larga experiência e o único que pode determinar que a massa atingiu o ponto certo, avalia tudo. É um processo manual, minucioso e muito interessante de observar. A mão dele deve estar acostumada com o calor, né? Observe que além do braço agitador, há um termômetro perto dele para o controle da temperatura. 

O mestre queijeiro, que tem larga experiência e o único que pode determinar que a massa atingiu o ponto certo, avalia tudo. É um processo manual, minucioso e muito interessante de observar. A mão dele deve estar acostumada com o calor, né? Observe que além do braço agitador, há um termômetro perto dele para o controle da temperatura. 

Ele avalia cada detalhe do processo cuidadosamente. Aqui, ele analisa o soro. 

Ele avalia cada detalhe do processo cuidadosamente. Aqui, ele analisa o soro. 

Até que se atinja este ponto. Veja a diferença. Agora a massa já é elástica e pode ser moldada. Não há gosto de nada a não ser leite, porque o sal ainda não foi adicionado. Esta massa ficará repousando por aproximadamente 50 minutos, até que se una inteira no fundo dos tachos. Daí, ela será removida para que seja moldada. 

Até que se atinja este ponto. Veja a diferença. Agora a massa já é elástica e pode ser moldada. Não há gosto de nada a não ser leite, porque o sal ainda não foi adicionado. Esta massa ficará repousando por aproximadamente 50 minutos, até que se una inteira no fundo dos tachos. Daí, ela será removida para que seja moldada. 

Assim que a massa está unida lá no fundo, os funcionários usam uma pá, que mais parece um remo de tão grande, e cuidadosamente descolam-na do fundo. Ela vem à tona e é envolvida num pano para escorrer. 

Assim que a massa está unida lá no fundo, os funcionários usam uma pá, que mais parece um remo de tão grande, e cuidadosamente descolam-na do fundo. Ela vem à tona e é envolvida num pano para escorrer. 

Depois disso eles passam cortando a massa e dividindo-a em dois pedaços iguais, como no vídeo abaixo.

Depois disso eles passam cortando a massa e dividindo-a em dois pedaços iguais, como no vídeo abaixo.

Os dois pedaços de massa são colocados, primeiramente, nestas formas de plástico branco (como a que está vazia à esquerda). Dentro delas são colocadas informações, em alto relevo, que ficarão impressas nas laterais do queijo. Assim, ele pode ser identificado. Lote, número de série, data de fabricação, coisas deste tipo. Coloca-se um peso por cima, para que a massa se ajuste, tome forma e torne-se compacta.. Depois a roda é colocada nestas formas de aço inoxidável, cheias de furinhos. É nelas que os queijos serão mergulhados numa mistura saturada de água e sal marinho, onde ficarão por aproximadamente 18 dias para que atinjam o teor de sal ideal. 

Os dois pedaços de massa são colocados, primeiramente, nestas formas de plástico branco (como a que está vazia à esquerda). Dentro delas são colocadas informações, em alto relevo, que ficarão impressas nas laterais do queijo. Assim, ele pode ser identificado. Lote, número de série, data de fabricação, coisas deste tipo. Coloca-se um peso por cima, para que a massa se ajuste, tome forma e torne-se compacta.. Depois a roda é colocada nestas formas de aço inoxidável, cheias de furinhos. É nelas que os queijos serão mergulhados numa mistura saturada de água e sal marinho, onde ficarão por aproximadamente 18 dias para que atinjam o teor de sal ideal. 

Eles são mantidos submersos, para que gradativamente a massa absorva o sal da água. 

Eles são mantidos submersos, para que gradativamente a massa absorva o sal da água. 

Depois disso os queijos vão para câmaras de temperatura controlada. até que sua casca se torne mais rígida e possa ser transportado para as prateleiras para a maturação.

Depois disso os queijos vão para câmaras de temperatura controlada. até que sua casca se torne mais rígida e possa ser transportado para as prateleiras para a maturação.

Aqui, os queijos passarão pelo tempo mínimo de maturação, que é de 12 meses. Um máquina enorme passeia por estes corredores de tempos em tempos, virando cada roda de queijo ao contrário da posição original, tomando o cuidado de enxugar e limpar o excesso de umidade que transpira do queijo.  Somente após este período é que os testes dirão se aquele queijo está bom para ser vendido como  Parmigiano Reggiano , ou se será vendido como parmesão comum, ralado ou vendido em pedaços. Caso não passe no teste, a casca do queijo é raspada, para que todas as informações de identificação de controle sejam removidas. Se o queijo for aprovado na inspeção, recebe o último selo - marcado a ferro quente - identificando que aquele queijo é de fato um dos que podem ser considerados "o Rei de todos os queijos". Este processo é o que garante a Denominação de Origem do queijo. Abaixo um vídeo onde mostram como é o teste para saber se o queijo recebe o selo ou se terá as identificações raspadas e vendido de maneira diferente.

Aqui, os queijos passarão pelo tempo mínimo de maturação, que é de 12 meses. Um máquina enorme passeia por estes corredores de tempos em tempos, virando cada roda de queijo ao contrário da posição original, tomando o cuidado de enxugar e limpar o excesso de umidade que transpira do queijo.  Somente após este período é que os testes dirão se aquele queijo está bom para ser vendido como Parmigiano Reggiano, ou se será vendido como parmesão comum, ralado ou vendido em pedaços. Caso não passe no teste, a casca do queijo é raspada, para que todas as informações de identificação de controle sejam removidas. Se o queijo for aprovado na inspeção, recebe o último selo - marcado a ferro quente - identificando que aquele queijo é de fato um dos que podem ser considerados "o Rei de todos os queijos". Este processo é o que garante a Denominação de Origem do queijo. Abaixo um vídeo onde mostram como é o teste para saber se o queijo recebe o selo ou se terá as identificações raspadas e vendido de maneira diferente.

Depois de muitas perguntas e super felizes, eis que fomos agraciados com este cafézão da manhã. Salame, queijos envelhecidos por 12, e 18 meses pra gente comparar (o de 12 foi meu favorito), além de pães doces e recheados de creme de chocolate. Tudo acompanhado com vinho  Lambrusco , que é também produzido na região. E um bom café, porque ninguém é de ferro! 

Depois de muitas perguntas e super felizes, eis que fomos agraciados com este cafézão da manhã. Salame, queijos envelhecidos por 12, e 18 meses pra gente comparar (o de 12 foi meu favorito), além de pães doces e recheados de creme de chocolate. Tudo acompanhado com vinho Lambrusco, que é também produzido na região. E um bom café, porque ninguém é de ferro! 

Após tomarmos este café reforçado, pegamos novamente nossa van e fomos direto para o Consórcio de Prociutto di Modena. Mas isso será objeto de outro post, porque este daqui já está enorme! 

[Itália] Se eu fosse você, começava sua viagem na Itália por Bologna.

Quando decidimos encontrar meus pais na Itália, automaticamente eu pensei em Modena. A região onde a cidade se encontra me chama a atenção por conta da produção de queijos, presuntos crus e aceto balsâmico. Mas eu também nutro um sonho de comer na Osteria Francescana do chef Massimo Bottura. 

Como eu só penso em comer quando programo uma viagem e, ainda de quebra, gosto de ir a lugares diferentes dos que as pessoas normalmente vão, decidi que seria muito bom começarmos nossa incursão italiana por Bologna. A cidade ainda não entrou no roteiro turístico para estrangeiros e funciona como base para ir a outras pequenas cidades como Modena, Parma, Ímola... Pra quem tem muito tempo dá pra fazer uma senhora viagem só por estes locais, que são cidades produtoras de alguns dos mais festejados ingredientes italianos, além de ser onde ficam as fábricas da Ferrari, Lamborguini e Ducatti. As opções são muitas e é difícil definir o que vai ser o objeto da sua viagem. Tudo vai depender da velocidade que você gosta que ela tenha, da quantidade de pessoas que estão no seu grupo e, claro, do tamanho do seu orçamento. 

Um resumo da produção da Emilia Romana. 

Um resumo da produção da Emilia Romana. 

Chegamos à Bologna num domingo no início da tarde. Já no aeroporto gastei quase todo o italiano que aprendi previamente. Precisávamos comprar bilhetes para o Autobus, ônibus que faz o trajeto entre o aeroporto e o Centro Histórico. Por algum motivo que já não me lembro mais, não conseguimos comprar os bilhetes com cartão de crédito e tínhamos exatamente 11 Euros na carteira (a passagem pra duas pessoas ficava em 12 euros). Só tínhamos notas de 100, o que complicou um pouco as coisas. Fica a dica de levar notas menores. No fim, tive de ir a uma livraria que há no aeroporto pra poder trocar uma das notas grandes. Acabei comprando um livro muito bom, o Cucina Slow - 500 Ricette della Tradizzione Italiana, da Editora do movimento Slow Food, por 29 Euros. Se era do Slow Food, era garantia de que as receitas seriam bem garimpadas.

Chegar ao hotel usando o autobus foi muito tranquilo. Baixamos, previamente, o mapa da cidade no Google Maps - para usá-lo offline até termos condições de comprar um chip de celular. Foi uma forma econômica e local de chegar ao nosso destino. Hotel localizado, check-in feito, fomos passear. 

Uma das ruas do labirinto que é a cidade de Bologna. Lugar perfeito pra deixar-se perder e encontrar lugares super-inusitados.

Uma das ruas do labirinto que é a cidade de Bologna. Lugar perfeito pra deixar-se perder e encontrar lugares super-inusitados.

A cidade é cheia de pórticos. Isso faz com que você possa passear sem maiores problemas, inclusive, em dias de chuva. 

A cidade é cheia de pórticos. Isso faz com que você possa passear sem maiores problemas, inclusive, em dias de chuva. 

A cada esquina, uma ruazinha te convida a desvendar um novo mundo. Ah, o que eu não faria com um mês pra percorrer esta cidade...

A cada esquina, uma ruazinha te convida a desvendar um novo mundo. Ah, o que eu não faria com um mês pra percorrer esta cidade...

Bologna é uma cidade universitária. Umberto Eco lecionava na universidade daqui. No meio de um passeio sem rumo, topei com formandos celebrando a conquista com família e amigos. 

Bologna é uma cidade universitária. Umberto Eco lecionava na universidade daqui. No meio de um passeio sem rumo, topei com formandos celebrando a conquista com família e amigos. 

Vários prédios medievais espalhados por todos os lados e uma atmosfera que mistura o novo com o antigo fez de Bologna uma das minhas preferidas da viagem toda. 

Vários prédios medievais espalhados por todos os lados e uma atmosfera que mistura o novo com o antigo fez de Bologna uma das minhas preferidas da viagem toda. 

Com a fome batendo usei meu foursquare pra ver os restaurantes mais recomendados por perto. E chegamos, depois de uma caminhada bastante pitoresca, à porta da Osteria Dell'Orsa. Lotado, com ares de boteco de fim de noite, daqueles que serve pratos de comida sem frescura, tivemos de esperar por uns 20 minutos até conseguir uma mesa. Como ainda éramos somente eu e meu marido (chegamos 2 dias antes do resto do grupo), pudemos nos dar ao luxo de escolher restaurantes aleatoriamente. Valeu a pena! É um restaurante que serve comida honesta. O Tagliatelle al Ragu deles custava 6 euros e foi o melhor que comi na viagem. As porções de salada e de principais são bem servidas e dá tranquilamente para duas pessoas dividirem. Já a massa é uma porção individual mesmo. Pedimos o vinho da casa e fomos bastante felizes nesta primeira refeição. Inclusive porque pude provar pela primeira vez a Zuppa Inglese, uma sobremesa que havia uns bons 3 anos que estava na minha lista de coisas a serem provadas. Que delícia!!!

Ao que parece, o restaurante está sempre assim: lotado. Isso significa comida boa, né? 

Ao que parece, o restaurante está sempre assim: lotado. Isso significa comida boa, né? 

No dia seguinte eu fui aprender a fazer Torteloni, uma massa recheada de ricota com parmiggiano e ervas frescas, típica de Bologna. Encontrei, depois de muito pesquisar, a Maribel Angullo do Taste of Italy. Maribel é uma professora excelente, com um inglês muito fácil de compreender.  Ela nos mostrou todas as técnicas de fazer massa fresca, técnicas que eu achava que já sabia por conta da faculdade e descobri que não. O valor da aula é meio salgado, especialmente com a cotação do Real/Euro. Porém, contando os pratos, os petiscos, a visita aos mercados, as dicas da cidade, a comida que você aprende a fazer (contando todas as dicas de preparo que mudaram a minha vida) e que come junto com outros alunos, além da garrafa de vinho, fazem perceber que é um dinheiro bastante bem investido. Essa experiência foi tão boa que decidi fazer aula de cozinha todas as vezes que eu viajar pra um país diferente. Porque você tem uma outra dimensão da cultura do país quando aprende a culinária deles. Recomendo demais!

Maribel preparando-se para iniciar a aula. Antes disso, fomos ao mercado para comprar os ingredientes das receitas: Tortelloni, Tagliatelli al ragu e, ao meu pedido, Flores de abobrinha recheadas. Ela oferece só a aula (manhã ou tarde) ou a aula + a visita ao mercado, que foi o que eu fiz. 

Maribel preparando-se para iniciar a aula. Antes disso, fomos ao mercado para comprar os ingredientes das receitas: Tortelloni, Tagliatelli al ragu e, ao meu pedido, Flores de abobrinha recheadas. Ela oferece só a aula (manhã ou tarde) ou a aula + a visita ao mercado, que foi o que eu fiz. 

Depois disso, minha família chegou e exploramos a cidade sem pressa. Na primeira noite fomos a uma Taverna super antiga da cidade (de 1465), a Osteria del Sole, onde é preciso levar o que você vai comer porque eles só servem bebidas alcoólicas (menos vinhos e mais espumantes). Foi uma experiência bastante singular ver como os italianos celebram suas conquistas ou mesmo reúnem-se entre amigos pra bater papo. Me lembrou um pouco as farras nos bares do Mercado Central de Belo Horizonte, onde todo mundo se espreme em pé, nos balcões dos bares, pra tomar cerveja "mofada"(com aquela capinha de gelo por fora da garrafa) e comer fígado acebolado, acompanhado de porções de jiló. Chegamos no horário certinho e tinham uns italianos sentados na nossa mesa. Assim que eles nos viram, começaram a rir e brincaram: "Porra, precisavam ser tão pontuais assim?". O lugar estava cheio e eles torciam para que os donos da mesa perdessem a reserva. Não foi desta vez! ;)

Comemos bem, nos hospedamos num apartamento simpático pelo AirBnb e bebemos muito vinho. No segundo dia de viagem em grupo, fomos visitar as produções de Parmiggiano Reggiano, Aceto Balsâmico e Presunto Cru de Modena. Mas sobre eles, escreverei posts separados. 

[Itália] Não importa quantos dias você vai passar por lá. Sempre serão insuficientes...

Estive na Itália há três meses e ainda estou encantada com tudo o que experimentei. A ida a este país sempre fez parte da minha lista de "viagem dos sonhos". Ao mesmo tempo esteve sempre tão distante que, quando comprei as passagens, automaticamente comecei a duvidar que a viagem de fato aconteceria. Ainda bem que tudo deu certo! Foi a minha primeira vez na Europa, muito embora tenha quase ido à França por 3 vezes, sem sucesso. E não deixa de ser interessante que tenha sido justamente a Itália quem tenha me recebido pela porta da frente, com sua gastronomia cheia de amor, família e arte. Descomplicada e simples como uma refeição na casa da sua avó. 

Ao pensar num destino de viagem, a primeira coisa que me vem à cabeça é a comida. Como será? Quais pratos provar? A quais restaurantes ir? Enquanto isso muita gente me aconselhava a não perder os artigos belíssimos de couro que podem ser encontrados pelas ruas do país afora, além de tentarem me convencer a incluir Veneza na viagem, porque a cidade está afundando. Mas eu só pensava em provar pratos específicos, a não ficar pulando de cidade em cidade sem aproveitar nenhuma e fazia a minha listinha de comidas típicas de cada região a ser visitada. Como a "comida italiana" não é algo assim tão misterioso pra ninguém no mundo, a gente tem aquela expectativa de que vai se esbaldar naqueles pratos que "já estamos cansados de comer". Só que eu queria provar os pratos in loco, sem as adaptações que fazemos para agradar aos nossos hábitos, sabores, texturas, aromas e aparências que já temos como referência. Porque quando você tem a oportunidade e ir provar as coisas "na origem", pode perceber as diferenças (muitas vezes sutis) que fazem com que o prato tome uma dimensão completamente única, proporcionando a compreensão daquela cultura de uma forma muito além do que se poderia imaginar no início. Você descobre depois disso que não conhece nem 10% da variedade do que há por lá. Percebe que o que acha que conhece são adaptações. E também descobre que não existe "comida italiana", cada região tem suas especialidades.

Nosso itinerário começou por Bolonha, na Emília Romana. A região é famosa especialmente pela comida e a cidade ainda não é um reduto de turistas estrangeiros. Porém, apesar das informações de que seria difícil encontrar italianos que falassem inglês pra estabelecer uma comunicação satisfatória, não tivemos problemas. Bologna é uma cidade universitária e muitos estudantes trabalham em lojas e restaurantes. Então encontramos quem nos atendesse em inglês com relativa facilidade. Ao mesmo tempo, você consegue perceber, especialmente quando vai pra outras cidades turísticas famosas do país, que Bologna tem uma aura diferente: os turistas que vão pra lá ainda são em sua maioria de outras regiões do próprio país; escutam-se poucos idiomas além do italiano. Não há paus-de-selfie pelas ruas. E algo que particularmente me deu uma sensação de aconchego: consegui me misturar entre os nativos com muita facilidade. Deixei de chamar a atenção como acontece no Sri Lanka e me lembrei como passar despercebida na multidão é bom. Acho que não saberia ser famosa e reconhecível pelos quatro cantos do planeta. O anonimato é uma bênção! Clicando no nome da cidade você poderá ler o texto que escrevi sobre a cidade e saber um pouco mais.

Antes de seguirmos viagem, passamos um dia visitando a produção de 3 dos grandes produtos da região e que são emblemáticos da gastronomia italiana no mundo todo: Parmigiano Reggiano, Presunto cru (de Modena, no caso, que segue praticamente as mesmas regras de produção do de Parma, mas em demarcações distintas) e o Aceto Balsâmico. Tudo isso finalizado com um almoço no estilo italiano, com antipasto, primo piatto, secondo piatto e dolce, além de muito vinho. De morrer!

Da Emilia-Romana descemos para Florença. E antes de chegar na cidade meu coração já doía por saber que seriam só 2 dias e algumas horas nesta cidade cheia de coisas a serem vistas com calma. Florença não é lugar de correria. Uma das cidades mais bonitas que já vi, precisa ser explorada com calma. Por isso a única programação que tínhamos era um passeio pela região vinícola de Chianti. Passeio este meio decepcionante em termos de organização, mesmo que com algumas partes excelentes. De todo modo tudo é experiência e como nós éramos um grupo de 8 pessoas, nossa mobilidade era menor. Uma curiosidade: foi na Toscana onde eu comi a pior lasagna da minha vida! Quem diria, né? 

De Florença o grupo se dividiu e descemos para 4 dias em Roma. E aí o ritmo da viagem acelerou consideravelmente. Descobri que há tantas Romas a serem apreciadas que provavelmente uma só vida seja insuficiente para conhecer todos os seus segredos a fundo. Roma também me provocou ares de familiaridade. Em alguns momentos me lembrou Nova Iorque e sua atmosfera mais cosmopolita. Tantas coisas a fazer, passeios, museus, prédios históricos, restaurantes, pontos turísticos... A cidade te põe numa velocidade diferente por conta de tudo o que você sabe que precisa ver.

Surpreendentemente foi em Roma onde encontrei menos italianos fluentes em inglês. E também foi o lugar onde pudemos experimentar um pouco do mau-humor italiano. Por isso eu cheguei à uma conclusão. Roma deve figurar no fim de uma viagem à Itália, não no começo. Porque iniciando por lá, algum destes ruídos podem contaminar seu humor e a sua percepção de como o país e seu povo podem ser acolhedores e interessados em agradar. A hospitalidade do italiano é algo do qual vou me lembrar para sempre, fazendo com que mesmo os probleminhas que tivemos em Roma se tornassem pitorescos, até porque não foram nada tão difícil de superar. Geraram, inclusive, muitas risadas. 

No meio da passagem por Roma demos uma esticada a Nápoles, onde eu sempre quis ir. A curiosidade pela verdadeira pizza Napolitana e pelas ruelas com varais de roupas espalhados entre os edifícios me guiavam para lá. Mas o objetivo da ida até esta cidade era encontrarmos uma prima que mora há muito tempo no país e que hoje radicou-se numa cidade pequena, perto de Nápoles, com a família. Passeamos um pouco pelo centro histórico, cheio de prédios sendo restaurados, e fomos apresentados a algumas delícias locais. A ruazinhas de varais ficaram para depois. E a pizza? Hahahaha.

No fim, a sensação de que mesmo se morasse no país eu não conseguiria ver tudo o que tenho vontade. Fizemos um amigo, aqui no Sri Lanka, que morou por 17 anos em Roma. Ele diz, categórico, que mesmo viajando com os pais praticamente todos os finais de semana, ainda sim ele não conheceu o país todo. E aí me vem uma afirmação que minha mãe faz toda vez que alguém a elogia pelo gosto por viagens: "Seriam necessárias muito mais que as 7 vidas de um gato para que eu pudesse ir a todos os lugares que tenho vontade." Oxalá eu consiga fazer pelo menos metade do que pretendo.