[Índia] Viagem ao Rajastão + Délhi + Agra.

Quando decidimos visitar a Índia, eu senti um misto de alegria e medo. Alegria porque eu sempre tive curiosidade em conhecer o segundo país mais populoso do mundo, cujas culturas religiosas e gastronômicas - principalmente - sempre me interessaram. Medo porque tudo o que se ouve falar sobre o país normalmente pende para o negativo, desde a desigualdade gritante e o sistema de castas, passando pela violência contra a mulher, até os problemas sanitários e de infraestrutura. Mas, como dizemos num grupo de apoio e promoção à liberdade de a mulher poder viajar sozinha "Tá com medo? Vai com medo mesmo."

No caminho entre Jodhpur e Udaipur, paramos num hotel para almoçar.

No caminho entre Jodhpur e Udaipur, paramos num hotel para almoçar.

Eu não fui sozinha, mesmo assim tinha uma visão estereotipada do que era a Índia. Eu sabia disso. Mas não sabia que estava cometendo um grande erro ao dizer que estava indo para A ÍNDIA. Como no Brasil existem muitos Brasis, nos EUA existem muitos EUAs, na Índia a mesma coisa acontece: a pluralidade está ali, presente. E mesmo que se possa dizer que há uma unidade que teima em colocar tudo junto, quando a gente vai e se joga percebe que o negócio não é pasteurizado assim, não. E que bom que não é!

Primeiro eu preciso dizer que nossa viagem à porção noroeste da Índia não chega nem perto da versão roots que muita gente faz, com mochila nas costas, hospedando-se em hostels e trabalhando com orçamento apertadíssimo. Mas também não foi nada luxuosa, já que muitos aproveitam que estas acomodações são bem menos caras por lá e acabam investindo mais nisso. Tivemos uma experiência que posso chamar de confortável, experimentando um homestay no meio e um Heritage Hotel no fim da viagem. No mais, ficamos em B&B, que podem ser comparados quase que a pensões meio moderninhas, administradas com esmero e cuidado. Tudo correu muito bem, nossa programação estava bem amarradinha e a agência que contratamos foi muito feliz e eficiente em tudo o que nos propôs. Recomendo muito o serviço deles, porque nos deu a possibilidade de fazer a viagem como gostamos: fechamos hospedagem e transporte. O resto a gente decidiu com base no que estudamos, mais as dicas que eles nos deram. Escolhíamos nossos destinos diários de acordo com o espírito do dia. No mais, seguem as impressões. 

POLUIÇÃO

Dentro do Red Fort, em Délhi. Aqui dá pra ver a névoa que paira no ar o tempo todo. Fumaça. 

Dentro do Red Fort, em Délhi. Aqui dá pra ver a névoa que paira no ar o tempo todo. Fumaça. 

Assim que pousamos, pude experimentar o que é expor-se a uma situação de extrema poluição atmosférica. Tenho asma, embora tenha tido poucas crises durante toda a minha vida. Tive uma sensação de quase sufocamento, ainda no aeroporto, que me deixou bastante nervosa por alguns minutos. Até que meu organismo se ajustou ao que seria a nossa realidade pelos próximos 15 dias. Assustou bastante! 

Levei algumas máscaras cirúrgicas para tentar driblar a poluição, mas elas não servem pra isso. Só esquentam e deixam o trabalho de respirar mais difícil. Há umas máscaras próprias para, mas que não encontramos. 

Levei algumas máscaras cirúrgicas para tentar driblar a poluição, mas elas não servem pra isso. Só esquentam e deixam o trabalho de respirar mais difícil. Há umas máscaras próprias para, mas que não encontramos. 

Das cidades que visitamos, todas elas tinham essa fumaça pairando no ar, em maior ou menor intensidade. Délhi e Jaipur foram as mais problemáticas quanto a isso. Já Agra, Jodhpur e Udaipur pareceram ter um ar menos carregado. Nos disseram que parte considerável da responsabilidade da má qualidade do ar é o hábito de se queimar terrenos para limpá-los antes de plantar. Há uma quantidade imensa de carros nas ruas, as famílias mais abastadas costumam ter vários veículos, um para cada integrante, quando não mais de um. Claro que há o problema da falta de saneamento e outras coisas que não sabemos. Esta é a realidade local. 

PESSOAS

Nessa viagem eu percebi que não existe "cara de indiano". Como o país é enorme e faz fronteira com vários países diferentes, você vê gente de todos os tipos e cores. Olhos puxados, olhos claros, peles parda, morena, amarela e negra, cabelos encaracoladíssimos e outros super-escorridos... É uma variedade de gentes tão incrível! 

As pessoas que nós encontramos pelo caminho ficavam, em geral, muito satisfeitas quando pedíamos para tirar fotos delas. Ficavam alegres quando viam o resultado. Muitas quiseram tirar fotos com a gente pra levar de recordação, na certa pra mostrar pros amigos aquele povo tão diferente que estava visitando o país deles.

Nós, meu marido e eu, éramos apontados na rua, acho que como exóticos. Na visita ao Red Fort não foram poucas as vezes em que amigas cutucavam-se umas às outras, fazendo sinal com a cabeça e apontando em minha direção, como se dissessem: “Olha que mulher esquisita!”.

Vez ou outra, alguém se atrevia a pedir uma foto. Bastava ver um indiano olhando pra gente com cara de dúvida e olho comprido que era batata: queriam tirar foto com a gente. E tome selfie, grupelfie, foto abraçadinho com gente estranha. Sempre seguida pela pergunta básica “Where you from?” Um pai se aproximou de mim com os 3 filhos pequenos e me disse: “minha filha gostaria de conversar com você, pode?”. Ela queria saber se eu estava gostando da Índia e treinar o inglês.

Passado um tempo a coisa foi evoluindo e surpreendentemente pessoas começaram a formar fila (!!!) pra tirar fotos com os estrangeiros aqui. Bastava a gente aceitar uma pose e lá vinham 10 candidatos. E todos queriam fotos individuais conosco. Acho que foi o mais próximo que chegamos da vida dos famosos até agora. 

DINHEIRO

A moeda local é a rúpia. Tivemos de fazer um esforço de início para não confundirmos o valor da rúpia indiana com o da rúpia srilanquesa: a indiana vale, frente ao dólar, pouco mais que o dobro do que vale a do Sri Lanka. Todas as notas têm a face de Gandhi nelas e as notas têm tamanhos diferentes dependendo do valor. 

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Achamos a Índia muito, mas MUITO MAIS BARATA QUE O SRI LANKA. Ficamos em hotéis muito melhores que os da média aqui da ilha, e que foram muito baratos comparativamente. Uma pena que este país onde vivemos hoje não saiba valorizar o setor de hospitalidade no que realmente importa: serviço. Mas isso é papo pra um post próprio. 

TRÂNSITO

Eu tinha uma expectativa de Délhi, especialmente do trânsito, que não se confirmou. Acho que a experiência de morar no Sri Lanka por quase 2 anos me preparou de alguma maneira para isso. O trânsito é caótico, sim. Parece que não há leis de trânsito e as conversões que os motoristas estão acostumados a fazer nos são muito estranhas. Mas não tinha vaca em cada rua ou esquina e os carros fluíam com certa regularidade e sem maiores problemas. Notamos que a maioria dos veículos tinha marcas de encostadas e arranhões nas laterais, ou batidinhas na frente ou atrás, que pareciam tão normais e corriqueiras que os proprietários não se dariam nem ao trabalho de consertá-las. Fiquei pensando como devem ser as regras para fazer um seguro de automóvel por lá...

Os motoristas fazem “U-turn”/ retorno no trânsito a todo instante. E parece que não estão dando uma de espertos - não vi placas proibindo as manobras. Uma vez, chegando de volta ao hotel, nosso motorista fez o seu numa terceira fila por fora, enquanto vinha um tuktuk no sentido contrário e um micro-caminhão forçava a passagem pela perpendicular. Só faltou a vaca no meio. Nos divertimos com a confusão e o motorista tirou onda: “Quer dirigir um carro aqui na Índia, Senhor?”. E deu uma gargalhada.

Jaipur e Jodhpur têm o trânsito mais próximo daquele que eu realmente esperava encontrar. Especialmente a primeira, já que estão construindo o metrô e isso toma uma parte considerável da pista de rolamento, tornando tudo um caos e fazendo com que você permaneça muito tempo dentro do carro. Porém foi em Jodhpur onde foi possível eu filmar um gargalo de trânsito num cruzamento que foi pra lá de interessante. Em Agra, nosso motorista nos contou que ali um condutor tinha de ter 3 coisas pra dirigir bem: "boa buzina, bom freio e boa sorte". Dá pra ter uma idéia de como as coisas funcionam por lá.

Pode ser que alguém que venha de um lugar onde o trânsito seja mais certinho tenha um susto com o tráfego destes lugares. Viver no Sri Lanka me deixou mais acostumada com isso. Ah! Foi nas rodovias entre as cidades onde vimos mais vacas, rebanhos de cabras e búfalos no meio da pista. Entre Jodhpur e Udaipur tivemos de parar o carro uma vez, para esperar um rebanho de carneiros passar com seu pastor. 

Usamos carro entre Agra e Jaipur e entre Jodhpur e Udaipur. Entre Délhi e Agra, Jaipur e Jodhpur fomos de trem. 

TREM

A agência que contratamos providenciou os tickets para nós. Já estávamos cientes dos esquemas de abordagem ao turista que acontecem na chegada às estações, então não sofremos com eles. A grande aventura foi encontrar o carro certo de trem e achar o caminho correto para chegar até à plataforma sem demonstrar estar muito perdido pra acabar caindo na conversinha de alguém "desinteressado" querendo ajudar. Fui observando as pessoas pelo caminho e abordei um indiano que viajava com uma alemã pra saber se ele poderia ajudar. Tranquilo! Uma vez achada a plataforma, foi só aguardar o trem. Tínhamos cadeiras nas cabines com ar-condicionado (que nem seria preciso porque a temperatura estava boa durante a viagem inteira, quase inverno). Estes carros são mais confortáveis e foi muito tranquilo localizar nossos assentos e acomodar nossas bagagens. Estresse quase zero!

ARQUITETURA

A visita ao Rajastão implica a ida aos pontos turísticos relacionados à arquitetura Mughal. É incrível a riqueza que o estado tem a oferecer aos olhos neste quesito. As edificações são monumentais, tão maravilhosas que precisam ser apreciadas com tempo.

É incrível! E impossível não cantarolar mentalmente a música de Jorge Benjor. 

É incrível! E impossível não cantarolar mentalmente a música de Jorge Benjor. 

O Taj Mahal, mausoléu que por si só justifica a ida à Índia pra muita gente, é um grande exemplo disso. Mas, surpreendentemente, não foi ele que me arrebatou mais. Talvez por ter uma expectativa muito grande e por já ter visto tantas fotos dele, o encantamento foi enorme, mas não o maior. Então, se você tem vontade de ir à Índia só pra ver a prova de amor de Sha Jahan pra sua esposa favorita, acho melhor você aproveitar que já vai viajar muitas horas mesmo e planejar idas a outras construções tão merecedoras de seu tempo quanto ele. Te garanto que você não vai se decepcionar! 

PROBLEMAS

Todos os problemas do país estão ali, pra quem quiser ver. Mas se você se concentra neles pode ter uma experiência muito menor do que pode ter neste país tão incrível e cativante. Digo que temos no Brasil problemas muito semelhantes aos deles. E muitas vezes a gente escuta brasileiros falando da Índia como se viessem da Escandinávia.

Uma das grandes diferenças que posso citar é a sensação de segurança. É claro que, como eu viajava com Bruno, não tive problemas relativos a assédio e outras coisas que só nós mulheres sabemos que vamos enfrentar. Mas eu andei por todas as cidades no meio da rua olhando o mapa no meu celular. Numa delas, fiz isso sozinha. E não vi nada relacionado a furtos ou roubos. 

Há pedintes aos montes. Mas se nós tivéssemos a mesma população da Índia, provavelmente seria igual no Brasil. Crianças correm pra te pedir dinheiro. Insistem muito. Se você não tem dinheiro, pedem chocolate. Se não tem chocolate, pedem outra coisa. Vai de cada um lidar com isso. O grande negócio na Índia é desenvolver sua paciência. Você será abordado a todo instante. Haverá problemas no percurso. Por isso, na minha opinião, não vale fazer um roteiro muito apertado e cheio de cidades em pouco tempo. Isso pode te causar um nível de estresse tão grande ao ponto de prejudicar muito a sua viagem.

"UNIVERSIDADE DA CONVERSINHA"

Foi como apelidamos a habilidade do indiano tentar vender coisas/ facilidades aos turistas, mesmo quando parece que estão apenas querendo ajudar. Isso acontece com pessoas nas ruas que param para puxar assunto, passando pelos carinhas fantasiados de funcionários do guichê de informação nas estações de trem, os motoristas, guias turísticos, chegando até aos vendedores de artigos diversos. Todos, em maior ou menor grau, vão tentar te tirar o máximo de dinheiro possível vendendo alguma facilidade "just for you, madam". É divertido, muitas vezes é chato, noutras vezes você acaba sendo desagradável pra deixar claro pra pessoa de que não está interessado. E outras vezes você cai na conversinha! Acho que é praticamente inevitável. 

Em Jaipur fomos visitar o City Palace. Comprarmos as entradas, caríssimas por sinal:  as mais caras que pagamos na Índia: 39 dólares cada. Acabamos cedendo à insistência de um rapaz em ser nosso guia na visita. No ticket dizia que o guia estava incluído no preço. Ele fez a visita ser interessante, é claro, mas no final nos levou para as lojinhas que ficam dentro do complexo e o vendedor nos enrolou bonito. Veio nos mostrar, usando um isqueiro, como descobrir se uma pashmina é de fato uma pashmina, ou se é sintética. Compramos coisas boas e tal, mas não estávamos planejando comprá-las ali, naquele momento. Depois vi que pagamos mais do que em outros lugares que pesquisei. E o vendedor dizia "quando a senhora usar esta echarpe, vai se lembrar de mim!". Lembro mesmo, seu fédaputa. Hahahahaha!

Em outro lugar que fui, em Jaipur também, um rapaz simpaticíssimo me ofereceu Masala Chai, me acomodou num sofá e começou uma apresentação que parecia com um "Powerpoint" de tecidos e colchas de cama. Me deu vontade de filmar. Ele ia abrindo mil e uma coisas diferentes, ao mesmo tempo em que dizia produzir peças para a Anthropologie e outras marcas famosas nos EUA e Europa. Marcas que cobrariam caríssimo por aquilo que ele me venderia a preços incríveis. Era quase uma liquidação da Ricardo Eletro, misturada com um queimão de estoque do Varejão das Fábricas. Ávidos por compras: tremei!

Neste galpão onde a fábrica dele se localizava, haviam pessoas estampando tecidos, tecendo tapetes, bordando e costurando roupas. Depois que saí fiquei me perguntando qual seria a real situação de trabalho daquelas pessoas ali, já que sabemos que na Ásia existe muito trabalho semi-escravo envolvido nas indústrias de moda/têxtil. Fui parar ali porque o motorista "não entendeu" meu pedido, quando disse que queria comprar roupas. Ele achou que eu gostaria de comprar o tecido e mandar fazer a minha roupa. Neste lugar onde fui (não tinha identificação na porta nem nada que me faça lembrar o nome do lugar) o mesmo rapaz simpático me disse ser capaz de entregar um serviço de costura, como uma camisa social masculina, por exemplo, em 2 horas (!!!). 

Eu sei que o motorista tem esquema com o dono do lugar, recebendo comissão pelas vendas aos clientes que ele traz e tal. Era pra eu ter me irritado com a tentativa deles em me fazer comprar, mas eu pensei comigo que era uma boa forma de conhecer a cultura deles e me deixei levar. Como boa brasileira, fiquei com vergonha de ficar sentada ali por tanto tempo vendo o vendedor descer a loja dele inteira pra mim. Acabei comprando uma colcha bordada pra minha cama. O vendedor não gostou muito do tamanho da minha compra, mesmo que tenha dito no início que me mostraria tudo "sem compromisso, madame!". Ele deve ter-me mostrado por volta de 50 itens diferentes. Mas eu não estava ali pra comprar coisas pro meu quarto. Disse a ele, me livrei dos argumentos infindáveis e paguei.

A estratégia destas pessoas para te vender é te seduzir por citações a marcas famosas no ocidente, das quais elas são fornecedoras (não duvido); te maravilhar com a quantidade de artigos que são capazes de te mostrar, praticamente descendo a loja inteira; fazer referências sempre muito positivas à você, cutucando a sua vaidade e dizendo que é tudo sem compromisso, que você só compra se quiser. Mais ou menos, estão ali todas as técnicas de vendas do Grupo Friedman (eu fui vendedora de loja e fiz o curso na minha adolescência). É muito difícil não ser capturado pelo modo como eles estão acostumados a fazer negócio. Fora quando você decide comprar e precisa barganhar.

Aliás, ouso dizer, pela minha experiência, que um vendedor indiano só pode ser considerado "sério" se ele aceitar barganhar o preço. Se vier com conversinha mole e não aceitar ou oferecer brindes, melhor pensar duas vezes. Provavelmente ele estará te vendendo coisas muito mais caras que em outros lugares. Eu sei...

O JEITO INDIANO DE SE VESTIR

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Uma das coisas mais incríveis que eu observei na viagem foi a capacidade do indiano se vestir de maneira elegante e original. E não estou me referindo a pessoas ricas. Mesmo pessoas que vestiam andrajos, como pastores de ovelhas/cabras, tinham uma elegância no uso das roupas e adereços que pareciam, ao mesmo tempo, extremamente bem pensados e usados daquela forma por simples acaso. O que quero dizer é: muitas vezes eu vi mulheres indianas usando roupas com uma echarpe jogada nos ombros de uma maneira tão displicente quanto elegante. Eu poderia jogar aquela mesma echarpe sobre o meu corpo um milhão de vezes que não ficaria igual. Há um pertencimento da roupa à pessoa. Algo como se elas não pudessem ser compreendidas uma sem a outra. Véus, turbantes, pashminas, echarpes simples, cores, tecidos... tudo tão incrível e genuíno! Fiquei pensando na dificuldade que eu tenho de me vestir e me sentir bem nas roupas que uso. 

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Quando ficamos numa casa de família em Jodhpur, a matriarca da casa nos contou que as indianas da região nem sempre usaram as roupas coloridas que usam com frequência hoje. Antigamente usavam-se só tecidos de algodão, que demoram para secar e são mais trabalhosos para lavar. Como o Rajastão é uma região muito seca e desértica, as cores eram próximas ao marrom, cinza ou bege. Cores que disfarçavam mais a sujeira causada pelo acúmulo de poeira das ruas, possibilitando o uso da roupa mais vezes antes de lavar. Com a chegada dos tecidos sintéticos, consequentemente mais baratos e fáceis de lavar e secar, as mulheres se tornaram muito mais coloridas e hoje podemos nos maravilhar com o festival de cores nas ruas. O mais incrível é que você vê grupos grandes de mulheres juntas e raramente uma está usando a mesma cor que a outra. Será que elas ligam umas pra outras pra perguntar que cor vão usar hoje?

A COMIDA

Um capítulo à parte, as comidas são tão incríveis e coloridas quanto as roupas. Há um elemento comum à maioria dos pratos que é o molho. A variedade de pratos mais secos é muito menor. Nós comemos em lugares bastantes simples, em restaurante de estrada, em casa de família, em restaurantes de hotel e em lugares famosos. Na maioria das vezes eu comi pratos vegetarianos, mas não me furtei de comer frango quando tive vontade. Como bem nos recomendaram pela agência, a carne de frango é muito consumida no país. A chance de a carne que te oferecem ser fresca é muito grande. Basta tomar o cuidado para ver se está bem cozida. Bruno foi muito mais corajoso e se jogou nos pratos feitos com carne de bode. Não negou o sangue pernambucano e não teve um problema de estômago sequer. 

Poha , o arroz pro café da manhã. Delícia!

Poha, o arroz pro café da manhã. Delícia!

De tudo o que provei, fiquei maravilhada com o Butter Chicken, que é o prato indiano mais famoso no mundo; com a Poha, um arroz previamente achatado, feito com especiarias e vegetais diversos, servido no café da manhã. Pani Puri, que é uma comida de rua e consiste numa massa frita e oca, recheada com batata cozida, cebola e grão de bico e com um caldo à base de especiarias que é adicionado só na hora de comer. Shrikhand, uma espécie de iogurte muito denso e doce, temperado com açafrão, água de rosas e pistaches que é de morrer! Rasmalai, um doce feito à base de queijo e leite aromatizado que é uma delícia. Também comi bastante Gulab Jamum e descobri uma variação deste doce chamada Kala Jamum, muito gostosa também. A variedade é tanta que você fica perdido na hora de pedir. Melhor variar sempre pra poder experimentar um pouco de tudo. 

Jantar servido na casa onde nos hospedamos em Jodhpur. Neste dia havia arroz, cordeiro, lentilhas, couve flor, panner (uma espécie de queijo feito a partir da adição de suco de limão ao leite), e um ensopado feito com uma massa de semolina, parecida com um mini nhoque. Tudo muito gostoso! 

Jantar servido na casa onde nos hospedamos em Jodhpur. Neste dia havia arroz, cordeiro, lentilhas, couve flor, panner (uma espécie de queijo feito a partir da adição de suco de limão ao leite), e um ensopado feito com uma massa de semolina, parecida com um mini nhoque. Tudo muito gostoso! 

A grande diferença entre comer em um restaurante e comer em casa é o tipo de pão que se come. O Naan, pão famoso feito em forno Tandoori (um grande vaso de barro com brasas quentíssimas no fundo. Assam-se os pães nas paredes do forno) só se come fora de casa, porque as residências não têm deste forno que ocupa muito espaço e que demora para aquecer e estar pronto pra uso. O pão comumente feito e consumido nas residências é o Chapati, massa aberta como para pastel e cozida/chapeada numa panela especial de ferro fundido. Fazem-se, também, algumas variações do Paratha, outro tipo de pão chapeado. 

KARMA

A população hindu tem o hábito de alimentar animais ao longo do dia para favorecerem o Karma. Vacas recebem Chapati com Ghee para comer pela manhã. Cães recebem Chapati com óleo de mostarda no fim do dia. Vi pessoas comprando pipoca para jogar para os pássaros e peixes perto dos lagos. Por consequência disso, as ruas têm resto de comida frequentemente. 

SERVIÇOS NAS RUAS

Em todas as cidades encontramos profissionais oferecendo seus serviços nas ruas. Barbeiros, cabeleireiros, costureiros, passadeiros... Ouvimos dizer que é possível ver até dentista trabalhando na rua, mas destes não vimos. Cada rua tem seu passadeiro exclusivo em Délhi. As pessoas trazem suas roupas para serem cuidadas por eles. Uma conhecida indiana me contou que lenços de mão são passados de graça. 

O QUE FICOU

Fotografei incrivelmente durante toda a viagem. Especialmente as pessoas. Muita gente sorrindo, trabalhadores que ficavam orgulhosos quando pedíamos para tirar fotos deles. Eles sorriam felizes quando mostrávamos o resultado na tela. Crianças, jovens, casais, velhos... Foi uma overdose de contato humano que havia muito tempo eu não tinha. A maior memória da viagem é essa: as gentes! Ficamos tão encantados com tudo e já queremos planejar a nova viagem.

As Índias que nos aguardem por mais vezes. 

[Roma] A cidade das 7 colinas esconde muitas cidades diferentes em si mesma.

Quando eu planejei nossa ida à Itália, a opção por terminar a viagem em Roma pareceu natural. A gente não queria fazer uma viagem de pinga pinga, onde se vê tudo e não se curte nada. Mas eu não tive a intenção de iniciar a viagem por uma cidade menor e ir me movimentando pelas cidades maiores gradativamente. Simplesmente aconteceu. E como eu disse num post anterior, acredito que esta decisão se mostrou a mais acertada. À medida em que as cidades vão aumentando em área, população, importância história e, consequentemente, volume de turistas, você percebe que a jornada vai ganhando uma velocidade diferente, mais agitação, mais coisas para ver, mais lugares dos quais você terá de abrir mão para que possa curtir, de verdade, os outros que você preferiu não riscar da lista.

Roma, pra mim, foi sinônimo de encantamento e angústia ao mesmo tempo. Porque eu sabia o que eu estava perdendo. E mesmo que eu me arrebentasse de alegria ao visitar um lugar qualquer da cidade com que eu sempre sonhei, eu sempre tinha aquela sensação de que o tempo me escorria pelas mãos. A cidade é incrível. Com um quê de familiaridade, para quem conhece Nova Iorque. A agitação da cidade está por todo lado. Gente apressada pelos quatro cantos. Um mau-humor que se pode perceber nitidamente, mesmo que você não seja alvo direto dele.

Foi em Roma onde encontrei menos pessoas fluentes e/ou dispostas a falar inglês. Não sei bem se por ignorância da língua, ou se por má vontade mesmo. Mas, proporcionalmente, era de se esperar que os romanos fossem bilíngues. Por outro lado, dá pra compreender um pouco quando você tem o seu espaço sempre invadido por gente querendo saber onde foi que errou no caminho. Consigo entender o mau-humor romano fácil, ranzinza que sou.

Nós tínhamos 4 dias na cidade, que foram reduzidos a 3 para que pudéssemos dar uma escapadela até Nápoles para visitar uma prima querida que mora por lá. As únicas coisas que estavam planejadas eram o apartamento alugado, o jantar num restaurante, de uma estrela Michelin, que ficava ao lado e a audiência papal. Como iríamos ao Vaticano, teríamos somente 2 dias para aproveitar Roma. Então achei melhor a gente deixar as coisas acontecerem. E lá fomos passear pelas ruas a descobrir lugares. 

Uma panorâmica vertical da nave da Santa Maria Maggiore. Foi engraçado porque eu entrei e imediatamente o trabalho do teto tirou a minha atenção do resto. Fiquei olhando pra cima maravilhada e com a boca aberta por um bom tempo. E nem era a  Capella Sistina , heim? Achei incrível! 

Uma panorâmica vertical da nave da Santa Maria Maggiore. Foi engraçado porque eu entrei e imediatamente o trabalho do teto tirou a minha atenção do resto. Fiquei olhando pra cima maravilhada e com a boca aberta por um bom tempo. E nem era a Capella Sistina, heim? Achei incrível! 

A primeira parada foi na Igreja Santa Maria Maggiore, que fica próxima ao apartamento onde ficamos. É uma igreja linda e, ao que pareceu, menos visitada que outros lugares da cidade. Descobrimos que havia um tour sendo oferecido para vermos um mosaico bizantino, no segundo andar da igreja e lá fomos nós. 

O mosaico bizantino do século XIII faz parte do que era a fachada original da Igreja. Ela foi aumentada algumas vezes e sofreu com o terremoto de 1348. O terraço que hoje existe protegendo o mosaico é uma das adições feitas ao longo do tempo. 

O mosaico bizantino do século XIII faz parte do que era a fachada original da Igreja. Ela foi aumentada algumas vezes e sofreu com o terremoto de 1348. O terraço que hoje existe protegendo o mosaico é uma das adições feitas ao longo do tempo. 

Saindo da igreja, minha mãe manifestou vontade de ir até à Fontana di Trevi. E aí eu comecei a perceber que a cidade tem várias camadas, que depois eu descobri serem parte das tais 7 colinas onde a cidade repousa. Você está andando numa rua e do nada aparecem escadarias/ladeiras para descer ou subir e tudo se transforma em um labirinto que eu estava louca pra me deixar perder, só pra encontrar aqueles lugares que quase ninguém vê. Como mundos à parte, que se abrem quando você ousa ir no contrafluxo. Mas o tempo corria contra, a gente estava com pressa. Nunca me identifiquei tanto com o coelho branco de Alice no País das Maravilhas como nestes dias passados em Roma. A gente estava sempre atrasado para a próxima atração. O desafio era encontrar o buraco certo. 

Achamos o 'buraco" certo! 

Achamos o 'buraco" certo! 

Foi a partir desta ida à Fontana di Trevi que eu pude ter contato com o mau-humor italiano. Pedir informações foi complicado. Mesmo com o Google Maps alguns caminhos pareciam difíceis de serem localizados, justamente por conta destas camadas que a cidade tem. Conseguimos achar a fonte por pura ajuda de São Google e algumas teimosias de minha parte. Meu marido já estava ficando irritado porque eu ia sempre por caminhos decididos por instinto + aplicativo. Antes de chegarmos, eu e minha mãe tentamos tomar um sorvete. Fomos totalmente ignoradas pelo atendente do balcão e saímos com a boca cheia de água. Mal sabia o carinha que os italianos já nos tinham conquistado durante a viagem e não seria o mau humor de alguns romanos que nos tiraria o deleite de estarmos passeando por ali. Sem falar que depois encontramos A GELATERIA, cujos sabores e aspecto dos gelatos deixaram os do outro mau humorado com vergonha. 

O mármore Travertino de que é feita a fonte foi trazido de Tivoli, distante 35 quilômetros de Roma. 

O mármore Travertino de que é feita a fonte foi trazido de Tivoli, distante 35 quilômetros de Roma. 

O que eu achei mais genial da Fontana di Trevi é que você está lá, andando numa ruela estreita cheia de gente e aparente nada de extraordinário. De repente, abre-se um espaço enorme e você dá de cara com aquela coisa maravilhosa na sua frente. Eu imaginava a fonte muito menor do que é. É gigantesca! 

Essas lojas de embutidos e produtos alimentícios vários são uma perdição. Eu não entro em loja de roupa e calçado, mas posso passar um dia inteiro dentro de um lugar assim. 

Essas lojas de embutidos e produtos alimentícios vários são uma perdição. Eu não entro em loja de roupa e calçado, mas posso passar um dia inteiro dentro de um lugar assim. 

O sorvete da  Gelateria Valentino  é um dos melhores que eu tomei na Itália. Eu iria visitar a fonte de novo só pra tomar um sorvete deles, sentadinha vendo o povo.

O sorvete da Gelateria Valentino é um dos melhores que eu tomei na Itália. Eu iria visitar a fonte de novo só pra tomar um sorvete deles, sentadinha vendo o povo.

Passeamos ao redor da fonte, fizemos o pedido da moedinha pra voltarmos rápido, conversamos um pouco e observamos as pessoas felizes que estavam ali. Depois, fomos atrás de um gelato numa ruazinha à direita da fonte, localizado pelo meu amigo de viagens, o Foursquare. Além de encontramos um gelato delicioso, que oferecia opções sem açúcar (meu pai é diabético), ainda vimos umas lojinhas incríveis e até um Gepetto em ação! Obrigada, sr. mau-humorado!

Olha que lindo!!!! 

Olha que lindo!!!! 

De lá fomos andando até chegar no Fórum Imperial, que compreende um conjunto de ruínas incrível, onde você pode se deixar ficar só imaginando as coisas que aconteceram por ali. Lá encontramos um estudante de música exercitando o que aprendeu e ganhando uns trocados. Que lugar engenhoso pra treinar, heim? 

O Fórum fica perto do Coliseu. Não tínhamos nada reservado, mas eu resolvi entrar pra ver se dava pra comprarmos ingresso. Faltava ainda pouco mais de uma hora pra fechar e não tinha fila! Que construção incrível! Observar o por-do-sol lá fora, através das janelas do prédio foi um capítulo à parte. E fiquei maravilhada em encontrar corvos bicolores por lá. 

No dia seguinte fomos ao Vaticano, mas sobre a audiência Papal e a visita ao Museu e à Capela Sistina eu vou falar noutro post. 

Como tínhamos pouco tempo e meus pais já estão com mais de 60/70 anos, resolvemos pegar um daqueles tours de ônibus pra passear pela cidade e decidir o que fazer. Enquanto isso, a gente descansava um pouco, né? Optamos pelo serviço do Roma Christiana, para podermos ver as igrejas da cidade. Demos uma volta inteira e resolvemos descer para ver a Igreja de São João Latrão. Como os restaurantes italianos fecham entre o serviço de almoço e jantar e já eram perto de duas da tarde, resolvemos almoçar primeiro pra depois visitar a igreja. 

Localizei o restaurante I Buoni Amici. Escolha acertadíssima, num bairo pouco turístico, o ambiente sem frescura e completamente tomado por locais nos proporcionou uma experiência romana por excelência. Lá estavam os copos sem frescura pra tomar vinho, os vinhos da casa, os garçons na correria e sem muito tempo pro papo. Eu estava há muito tempo querendo provar um autêntico Cacio e Peppe e foi isso que pedi. Meus pais e Bruno também foram de massa. Um vinho despretencioso, um prato de presunto cru com pão e azeite e estávamos felizes. Tudo transcorreu normalmente. Passamos tempo só curtindo a possibilidade de sermos locais também. Minha mãe treinou seu italiano, fomos muito bem tratados, comemos, bebemos, pagamos a conta e saímos felizes pra igreja.

As visitas às igrejas de Roma me fizeram ficar encantada com o nível de qualidade do trabalho humano naquelas paredes, tetos e pisos cheios de detalhes. Não sou católica, mas sempre gostei de visitar templos religiosos. E em Roma eu descobri que gosto de fazer estas visitas porque o elemento humano envolvido na construção daqueles edifícios incríveis, o sofrimento, a fé e tudo o mais me causam um impacto muito grande. Eu fico boquiaberta. 

Terminamos o dia dando mais uma volta de ônibus panorâmico pela cidade à noite. Descemos próximos à estação de trem e fomos à pé pra casa, nos preparar para irmos à Nápoles no dia seguinte. 

[Sri Lanka] Subidas a pedras gigantescas, Safári e massagens relaxantes: um pouco do que se encontra por aqui.

Após um post sobre as dificuldades que enfrentei desde que me mudei para a minha casa, acho que é justo escrever sobre as maravilhas deste país onde morarei por algum tempo. Como qualquer país do mundo, o Sri Lanka tem seu lado feio, mas também tem um lado muito bonito, que merece ser visitado e admirado. 

Por ser uma ilha pequena (de norte a sul são menos de 500 quilômetros), o trânsito nas rodovias do país é intenso. Há poucas vias expressas. Isso faz com que um percurso de menos de 300km só possa ser vencido em mais de 5 horas de viagem. A maioria dos trajetos tem de ser feita em estradas estreitas, de mão dupla. Pra quem costumava reclamar que as estradas americanas eram enfadonhas, porque muito retas e isoladas de tudo, as do Sri Lanka são o oposto disso. Não são poucas as vezes em que você está subindo uma ladeira, numa pista onde só cabe um carro, e se depara com um ônibus fazendo o trajeto inverso. Uma aventura! Não se assuste, as pessoas aqui dirigem relativamente devagar. As estradas têm muitas curvas, não dá pra correr. Além disso, sempre há animais (vaca, bode, cachorro, búfalo, water-monitors e elefantes) no meio do caminho. Eu costumo dizer que se você cresceu nos anos 80/90 e jogou Atari, está pronto para se aventurar aqui. ;)

A ilha é pequena, mas há muitas atrações. Vai depender de quantos dias disponíveis você tem e do que você gostaria de ver. Praias, passeios de trem, plantações de chá, montanhas. Cidades históricas e/ ou com ruínas enormes, procissões e templos budistas. Observação de baleias e golfinhos nas costas noroeste, sul e leste e, finalmente, os parques nacionais. 

Coloco aqui um pouco do que eu conheci. Espero que seja de grande ajuda pra quem está interessado em dar uma passeada pelo antigo Ceilão. 

Dambulla - O Templo de Ouro e o Templo da Caverna

Saindo de Colombo em direção à região noroeste, o primeiro lugar importante por onde você vai passar será o Templo Dourado. Um buda gigantesco, em posição de lótus, repousa em cima da abertura principal de um museu. O templo, mesmo, é só o Buda. Há escadarias nos dois lados para que você suba e faça oferendas a ele, mas nada além disso. A visão dele é marcante. No museu eu nunca entrei. 

É gigantesco!

É gigantesco!

Já o templo da caverna é muito interessante. É um patrimônio mundial e está sofrendo um pouco com o turismo excessivo, o que já fez com que ficasse fechado por um tempo. A rocha onde ele foi construído tem mais de 160m de altura. É muita escada pra subir, já vou logo avisando. O Mosteiro que foi construído aqui abriga 5 cavernas e mais de 150 estátuas de Buda. Há, também, um micro templo hindu, logo na entrada. E além de tudo isso, foi visitando este templo que Paul Child e Julia McWillians começaram a se interessar um pelo outro. A história de Julia Child, como a conhecemos, começou aqui no Sri Lanka! 

Esta é uma das estátuas de Buda deitado que há dentro do Rock Temple. Vale a pena ver!

Esta é uma das estátuas de Buda deitado que há dentro do Rock Temple. Vale a pena ver!

Sigiryia - O Reino construído sobre uma imensa rocha

Do topo.

Do topo.

Sigiryia é o grande cartão postal do país. Qualquer vídeo ou artigo de turismo que você encontrar sobre o Sri Lanka, lá estará a Lion Rock, sobre a qual repousa um monastério e em cujo pé uma cidade inteira, muito sofisticada, existia. Subir até o topo exige pouco mais de 2 horas (a depender da quantidade de pessoas). Mas vale o esforço e o tempo empregados. A vista de lá de cima é uma das mais lindas que vi por aqui. Os melhores horários são no início e no fim do dia. O calor e o sol escaldantes justificam que seja assim. Use filtro solar e chapéu.

Mineryia Park - Safári incrível

Uma pequena amostra do que é possível ver aqui.

Uma pequena amostra do que é possível ver aqui.

Existem inúmeros parques espalhados pelo país, em todas as regiões. Não cheguei a visitar todos, mas o Mineryia Park é, de longe, o meu favorito. É lá que, entre os meses de junho e setembro, os elefantes da ilha se encontram numa grande migração. Lá eles encontram os amigos e ficam em grupos enormes aproveitando do lago no centro do parque. É possível ver filhotes brincando, mães cuidando dos filhos, elefantes tomando banho ou se alimentando o dia todo. E ainda há búfalos, muitos pássaros, veados e o leopardo. Este último nunca tivemos a sorte de ver. É preciso estar acompanhado de um bom tracker

Kalpityia - Golfinhos em alto mar

É muito difícil fotografar porque o mar é sempre muito agitado. Esta é uma foto tirada do vídeo que eu fiz. 

É muito difícil fotografar porque o mar é sempre muito agitado. Esta é uma foto tirada do vídeo que eu fiz. 

A praia em si tem poucos atratativos pra quem vem do Brasil. Os srilanqueses não usam a praia como nós. Para eles é um lugar pra ir ver o pôr-do-dol e brincar com as crianças em família e só. Mas se você quiser ver grupos de golfinhos brincando em alto mar, ou se quiser fazer kite-surf, este é o lugar pra ir. Se for com tempo e ficar hospedado em hotel na região, pode aproveitar e ir visitar o parque nacional de Willpattu, que fica a uma hora e meia de carro da praia. 

Parques Nacionais

Não dá pra ver todos. Pesquise e escolha os que te parecem melhores. Também tem a melhor época do ano pra visitar cada um. 

Não dá pra ver todos. Pesquise e escolha os que te parecem melhores. Também tem a melhor época do ano pra visitar cada um. 

Se você tem pouco tempo pra visitar o país e gosta de bichos, dá pra montar um roteiro só sobre eles. E os parques nacionais serão parte do destino de sua viagem. Nós visitamos Mineryia, Yala e Wilpattu. Escrevi sobre o primeiro num tópico a parte porque é o meu favorito pra ver muitos elefantes ao mesmo tempo. Não tivemos sorte em nossa visita a Yala. O parque enfrentava uma seca tremenda e os animais estavam quase todos escondidos. Em Wilpattu vimos muitas aves e o parque estava bem verdinho, lindo! Veja o mapa, pesquise sobre os parques e bata o seu martelo. 

Mirissa - Passeio para ver baleias

Outra coisa difícil de fotografar. Mas eu também nem tentei filmar muito. Preferi curtir a maravilha que estava acontecendo na minha frente.

Outra coisa difícil de fotografar. Mas eu também nem tentei filmar muito. Preferi curtir a maravilha que estava acontecendo na minha frente.

Aqui, na região sul da ilha, é onde ficam muitas escolas de surf e de onde partem uma infinidade de barcos que levam turistas para fazer passeios e ver as baleias. Escolha a sua com cuidado, dê uma olhada no TripAdvisor e avalie a forma como cada uma trata o passeio em relação a estes mamíferos gigantes e impressionantes. Digo isso porque há algumas empresas com barcos onde cabem muitas pessoas (e onde eles sempre colocam mais pessoas do que o permitido) e que se aproximam muito das baleias, chegando a se comportar como se as estivessem caçando, o que não é nada legal. O mar costuma ser agitado e todos os barcos oferecem um comprimido de Dramin, ou similar, para evitar o enjôo. O problema é que isso dá um sono... Mas o passeios costumam ser longos: 6 a 7 horas em alto mar. Café da manhã incluído. 

Viagem de Trem

Pra passar por cima da ponte de trem tem de viajar pra próxima estação depois de Ella. Ou pegar um tuktuk pra ir ver num mirante, como nós fizemos. 

Pra passar por cima da ponte de trem tem de viajar pra próxima estação depois de Ella. Ou pegar um tuktuk pra ir ver num mirante, como nós fizemos. 

Primeiro de tudo: os trens são antigos e bem simples. E é bom que sejam assim. A viagem no mesmo vagão que os locais é bastante interessante. Velocidade lenta pra apreciar a paisagem. Fizemos duas viagens:

  • Nuwara Eliya para Ella: dizem ser uma das mais bonitas do país. Porém, há uma informação equivocada sobre este trajeto. A ponte dos 9 arcos, fotografada por 10 entre 10 blogueiros de viagens que vêm ao país, fica a 6 quilômetros DEPOIS da estação de Ella. Ou seja: se você quer passar de trem sobre a ponte, deve descer na estação após a de Ella. Se descer em Ella mesmo, contrate um tuktuk pra te levar pra uma caminhada até chegar num mirante e ver a ponte. Quem sabe você não dá sorte de ver um trem passar lá de cima? Algumas pessoas vão de tuktuk até a ponte e ficam aguardando o trem. Aí é com você. 
  • De Colombo a Kandy: É uma viagem bonita, com muita mata verde e vistas bacanas pra ver durante o trajeto. 

Kandy - A antiga capital

A cidade em si é um tanto caótica. Aliás, como toda cidade no Sri Lanka. Mas é aqui que está o Templo Budista mais famoso do país: O Tooth Relic Temple. Dizem que tem um dos dentes de Buda guardado dentro deste templo. Se é verdade, eu não sei. Mas o que vale de vir aqui é ver a relação dos budistas com a religião. Em alguns momentos, você chega a identificar similaridades com alguns centros católicos de peregrinação no Brasil. O que mais gosto é de ver as famílias que vêm inteiras fazer oferendas de incenso e flores, acender velas e dedicar um tempo em meditação e oração para Buda. Destaque para a forma como eles preparam as flores de lótus para serem ofertadas. 

Famílias em momento de devoção.

Famílias em momento de devoção.

Ainda em Kandy há também o Royal Bothanical Garden, um jardim botânico imenso, onde em um dia você consegue apreciar quase tudo num passeio tranquilo. Muitas famílias srilanquesas passam o dia aqui. Não estranhe se grupos de crianças correrem em sua direção, ou mesmo adultos, e pedirem para tirar uma foto. Aqui você também encontra algumas especiarias em seu estado fresco, no pé. Muito interessante! 

Nuwara Eliya - A região dos Chás

Que brasileiro não é muito ligado em chá a gente tá cansado de saber. Está? Bom, aquilo que comumente chamamos de chá no Brasil, na verdade chama-se infusão. Para os entendidos, chá mesmo, só a bebida produzida a partir da infusão em água quente da folha da Camellia Sinensis. É esta planta que se encontra em abundância plantada aqui. É dela que se faz o chá que os ingleses tomam. É esta planta da qual se fazem os chás preto, verde e branco. Estas diferenças todas se dão pelo método de fermentação, acondicionamento e mesmo o tipo de folha que é usada. Não entendo muito de chá. Cheguei a tentar fazer um curso sobre isso no Sri Lanka, mas não consegui. O treinamento deles está todo voltado para o mercado interno de hospitalidade. Eu, como brasileira, não tive muito acesso. Uma pena!

Esta região, além de ter as plantações de chá, é também onde as tea pluckers - mulheres que colhem os chás manualmente - trabalham com seus sarees coloridos. Elas aparecem muito nas fotos dos blogs de viagem e nas divulgações do país como destino turístico. Eu particularmente fiquei um pouco preocupada de ir atrás destas mulheres só para fotografá-las, porque elas não ganham nada com a exposição. Como não estão vinculadas ao sistema de hospitalidade do país, eu acho um tanto complicado este tipo de fotografia. Fizemos foi um passeio onde nos mostraram como é que elas se vestem e como é o processo de colheita. E algumas passaram por nós enquanto finalizavam mais um dia de trabalho. Achei mais interessante assim.

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Outra coisa legal sobre a região é que como fica localizada no centro da ilha, faz um friozinho bem gostoso quase que o ano todo. É importante só se informar se é período de chuvas ou não. A temperatura gira em torno de 15/16 graus celsius. Pro calor que faz em todos os outros lugares do país, vir aqui curtir um friozinho e uma lareira é sempre bom. Por conta da temperatura, a pegada aqui é um pouco inglesa, com hotéis bem típicos e High Teas sendo servidos por todos os lados. Traga pijama de flanela!

Ruínas

Há duas cidades onde você encontrará p maior tesouro arqueológico do Sri Lanka: Anuradhapura e Polonnaruwa. Se estiver nos seus planos visitar estas cidades, vá primeiro a Anuradhapura e depois a Polonnaruwa. Primeiro porque assim você vai na menos distante primeiro. Segundo porque Polonnaruwa é muito mais rica que Anuradhapura, embora esta última fosse sede do reino na época.

Stupas enormes. É nelas que se guardam relíquias de valor para os budistas. 

Stupas enormes. É nelas que se guardam relíquias de valor para os budistas. 

Em Anuradhapura há um Bodhi Tree famosa. Esta é uma descendente direta da árvore onde Buddha atingiu a iluminação. É uma árvore sagrada. Pessoas vêm em romaria dos quatro cantos do país fazer promessas, rezas e consultar místicos. Você pode não acreditar em nada disso, mas eu tempo dois casais de amigos que conseguiram engravidar depois de visitarem esta árvore. Um deles consultou uma senhora mística que deu uma receita para que eles pudessem, depois de mais de 20 anos juntos e mais de 10 tentando ter um filho, gerar uma criança. A menina está toda linda e faceira por aí, com o mundo inteiro pra desbravar. "No creo en brujas, pero que las hay, las hay."

Em Polonnaruwa há estátuas gigantes de Buddha entalhadas na rocha, que sobreviveram a diversos ataques. Além disso o parque histórico é muito interessante. É muito grande, demanda mais de um dia de visita e pode ser feito de bicicleta. Como é muito espalhado, estar à pé pra ver tudo não é uma boa pedida. 

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Galle

Esta é uma cidade dentro de um forte Português, mas que os Srilanqueses cismaram que é Holandês. De toda forma, Galle te dá um quê de retorno históricas brasileiras. Aqui acontece um festival literário famoso no mês de janeiro. Outras coisas interessantes ocorrem aqui durante o ano. Há lojas de souvenir, restaurantes charmosos e tal. Em frente ao Amangala Hotel é fácil encontrar em encantador de serpentes em busca de dinheiro. Andar por cima das paredes da fortificação e olhar o mar é a melhor maneira de aproveitar a cidade. Fora isso, não muito mais o que fazer. Um dia e meio está ótimo. Nós usamos Galle sempre como um ponto de parada pra dar uma esticada nas pernas e almoçar, antes de pegarmos a estrada novamente em direção às praias do sul da ilha. 

Massagens

Em todo lugar que você estiver, seja em Colombo, Galle, Negombo, etc., haverá um spa oferecendo massagens relaxantes. Fora de Colombo o mais comum é a oferta de massagens ayurvédicas, com aplicação de muito óleo e pouca pressão. Vale a pena, os preços são bons (depende muito do hotel em que estiver hospedado). Mas não espere nada semelhante às massagens tailandesas, chinesas ou balinesas se você já as conhece. 

O Sri Lanka tem uma gente muito simples e sorridente, que pergunta "Where U from?" com muita frequência e que sabe os nomes de 2 ou 3 jogadores da seleção brasileira de futebol. Mesmo a maioria não sendo fluente em inglês, eles tentarão se comunicar com você e, claro, ganhar algum dinheiro. O que vale a pena enquanto você viaja pelas rodovias, é parar nas barraquinhas que vendem King Coconut e frutas, provar o que eles têm a oferecer, comer Mangostão, Rambutam (parente da Lichia), as variedades de bananas e mangas que eles têm. 

Quando você estiver em Colombo, dê uma chegadinha no  Galle Face Green  perto da hora do sol se pôr. Vá observar os srilanqueses com suas famílias aproveitando aquilo que ainda é de graça. Uma das coisas que mais gosto de fazer é vir aqui e observar. Depois que o sol se pôr, vá tomar um drink no  Galle Face Hotel,  o mais famoso da cidade. 

Quando você estiver em Colombo, dê uma chegadinha no Galle Face Green perto da hora do sol se pôr. Vá observar os srilanqueses com suas famílias aproveitando aquilo que ainda é de graça. Uma das coisas que mais gosto de fazer é vir aqui e observar. Depois que o sol se pôr, vá tomar um drink no Galle Face Hotel, o mais famoso da cidade. 

Mas atenção! Aqui não é um lugar para você chegar, alugar um carro e sair dirigindo por aí! Primeiro porque a mão é inglesa. Segundo porque o srilanquês desenvolveu um modo muito peculiar de dirigir na estrada, o que pode ser um problema para os neófitos. Alugue um carro com motorista e divirta-se!