[Emilia Romana] Visitando a produção de Aceto Balsâmico e de Presunto Cru em Modena.

Depois da extasiante visita ao Caseifício, pegamos a estrada novamente para ver a produção do aceto balsamico. E passear pela região de Modena, mesmo sem tempo para descer do carro e explorar um pouco mais a região, foi muito agradável. As paisagens passando rapidamente pela janela, a cabeça leve por conta do Lambrusco, a boca ainda guardando o gosto de parmigiano, a família reunida em clima de festa. Posso dizer que por um milésimo de segundo eu tive a mesma sensação das reuniões de final de ano em casa dos meus avós maternos. Felicidade pouca!

 A fachada da Acetaia Villa San Donino. Tava um friozinho tão gostoso...

A fachada da Acetaia Villa San Donino. Tava um friozinho tão gostoso...

A produção de aceto em Modena é famosa e um negócio familiar. As acetaias, como são chamadas as casas das famílias têm produção limitadíssima e o aceto desenvolvido nelas não é em nada parecido com os que são vendidos em larga escala nos supermercados ao redor do mundo. Aqui a produção de uma garrafa de 150ml leva no mínimo 12 anos de envelhecimento, em baterias de barris antigos e históricos, muitas vezes dedicados a cada membro da família. 

 Nossa guia, Eleonora, pronta para nos contar sobre o processo produtivo artesanal do aceto balsâmico. Na frente dela, as baterias. Barris que vão diminuindo de tamanho até chegar a um bem pequeno, que fica na frente da bateria (fileira) e de onde sai o  aceto  finalmente pronto. Estes pedaços de pano tampam a abertura dos barris, deixando que o líquido respire e evapore. 

Nossa guia, Eleonora, pronta para nos contar sobre o processo produtivo artesanal do aceto balsâmico. Na frente dela, as baterias. Barris que vão diminuindo de tamanho até chegar a um bem pequeno, que fica na frente da bateria (fileira) e de onde sai o aceto finalmente pronto. Estes pedaços de pano tampam a abertura dos barris, deixando que o líquido respire e evapore. 

Vistamos a Acetaia Villa San Donino no período do inverno, portanto não nos foi possível ver a colheita das uvas e o processo de fabricação deste líquido negro, viscoso, ácido e doce tão precioso e que guarda tanta história. Mas no vídeo de apresentação da Acetaia e no posterior você pode ver um pouco sobre a produção. 

Diferentemente do que muita gente pensa, o aceto balsâmico apresenta um processo de fabricação distinto do vinho. O mosto de uvas, como a Trebbiano, é separado das cascas, fervido e reduzido. A fervura por longo período garante a evaporação do excesso de água e reduz a possibilidade de bactérias, naturalmente presentes ali, de transformarem o suco obtido em vinho. O resultado disso é um líquido denso, escuro e com alto teor de açúcares, que são quem garantem a coloração do aceto, por meio de sua caramelização gradual durante o contato com o fogo. A gente olha a cor escura do líquido e já pensa que foi feito com uvas vermelhas e com a casca. Totalmente diferente disso!

 Esta é a abertura do barril. O retângulo menor que você pode ver é o reflexo da luz ambiente na superfície do líquido que repousa lá dentro. Dá até pra ver um pedacinho do meu celular. O aroma é incrível!

Esta é a abertura do barril. O retângulo menor que você pode ver é o reflexo da luz ambiente na superfície do líquido que repousa lá dentro. Dá até pra ver um pedacinho do meu celular. O aroma é incrível!

Depois de terminada a redução, o líquido é decantado, escumado e armazenados nas baterias de barris, várias linhas decrescentes de 5 barris, do maior para o menor. A princípio estes barris são alimentados igualmente em termos de nível de líquido (proporcionalmente ao tamanho do barril). Subsequentemente, depois de tempos de evaporação e contato com a madeira - além dos microorganismos presentes em recipientes tão antigos, todos serão reabastecidos com mosto novo, menos o menorzinho, onde primeiro é colocado o mosto do barril imediatamente posterior.  Desde barril menor é de onde sairão as garrafas, especialmente desenhadas e de design patenteado, com o líquido depois de envelhecido por 12 anos, no mínimo. O vídeo abaixo mostra um pouco de como é feito o processo: 

Depois da visita e de toda a explicação sobre o processo de produção artesanal, fomos para a loja da acetaia, onde fizemos uma degustação de acetos de acordo com o envelhecimento. Provamos de várias maneiras: puro, com queijo parmigiano, com sorvete. Eu preferi o mais novinho, de 12 anos. Finalizada a visita, fomos ver os presuntos. Os presuntos!!!

 A primeira vez que te abrem a porta da câmara onde descansam os presuntos é como se você tivesse sido transportado para o céu. Que beleza! 

A primeira vez que te abrem a porta da câmara onde descansam os presuntos é como se você tivesse sido transportado para o céu. Que beleza! 

Chegamos ao Consorcio Prociutto Modena no horário de almoço. Portando, não haviam funcionários nem movimentação no processo de produção pra vermos, como no caso do parmigiano reggiano. Mas isso não impediu que seguíssemos a linha de produção deles para entender o processo de confecção desta delícia que é o presunto cru italiano. O Prociutto di Modena não é tão famoso quanto o de Parma, mas passa pelo mesmo processo de salga, cura e envelhecimento do seu irmão famoso. A única coisa que muda é a demarcação de origem.

 As peças, assim que chegam. Esqueci de dizer no  post  do  Parmigiano Reggiano  que o soro do leite e do queijo - que sobram da produção dos queijos - são usados na alimentação dos porcos que serão abatidos para a produção de  prociutto  e das demais carnes curadas e embutidos italianos. Há uma preocupação de aproveitamento de tudo o que se faz no país. 

As peças, assim que chegam. Esqueci de dizer no post do Parmigiano Reggiano que o soro do leite e do queijo - que sobram da produção dos queijos - são usados na alimentação dos porcos que serão abatidos para a produção de prociutto e das demais carnes curadas e embutidos italianos. Há uma preocupação de aproveitamento de tudo o que se faz no país. 

 Aqui, as peças depois de serem salgadas, numa câmara super fria. Elas passarão por duas salgas, em um período de 20 dias. Depois disso são postas a repousar numa câmara de temperatura controlada, por cerca de 70 dias. 

Aqui, as peças depois de serem salgadas, numa câmara super fria. Elas passarão por duas salgas, em um período de 20 dias. Depois disso são postas a repousar numa câmara de temperatura controlada, por cerca de 70 dias. 

 Depois deste primeiro repouso, as peças são lavadas e seguirão para a fase de  stagionatura,  quando é feita a vedação a parte exposta da carne, chamada de  sugnatura . Essa massa esbranquiçada é uma mistura de gordura de porco, sal e farinha. Tem a função de vedar completamente a peça, como a pele e a gordura fazem com as outras partes. A bolinha no meio é a cabeça do fêmur do animal. Depois disso, a peça permanecerá curando por aproximadamente 14 meses. 

Depois deste primeiro repouso, as peças são lavadas e seguirão para a fase de stagionatura, quando é feita a vedação a parte exposta da carne, chamada de sugnatura. Essa massa esbranquiçada é uma mistura de gordura de porco, sal e farinha. Tem a função de vedar completamente a peça, como a pele e a gordura fazem com as outras partes. A bolinha no meio é a cabeça do fêmur do animal. Depois disso, a peça permanecerá curando por aproximadamente 14 meses. 

Eram tantos pernis de porco pendurados nas câmaras climatizadas que foi impossível saber quantos porcos morreram para que aqueles pernis estivessem lá, tornando-se prociutto. No fim, fizemos degustação do produto e pudemos comprar pedaços (quem me dera comprar uma peça inteira daquilo!) embalados à vácuo pra levar pra casa. Pense numa felicidade? O único arrependimento que tenho é não ter comprado mais de um pedaço pra trazer, mas eu estava preocupada de entrar com tanta comida assim no Sri Lanka, ainda não conhecia o funcionamento da alfândega neste sentido. 

De lá nós saímos, satisfeitinhos, para a última etapa do passeio: um almoço tipicamente italiano. Mas sobre ele escreverei em outro post