[Produtos] Sal trufado da Dean and De Lucca

Esse sal trufado eu tenho há tanto tempo! Conheci em 2009, quando estive em Nova Iorque. Comprei e usei até quando me mudei para Miami. Dei o restinho pra minha mãe. Quando estive em NYC novamente, em 2013, corri na loja do Upper East Side (1150 Madison Avenue) só pra comprar de novo. 

Fonte: Dean & Delucca website

Fonte: Dean & Delucca website

É um sal de finalização. Muito bom para ovos, risotos e massas mais neutros, onde o sabor e o aroma de trufas farão toda a diferença. Dura muito, já que usa-se somente no prato. Você pode pedir também pelo site. Nas lojas de NYC, a única que eu sei ser garantido achar é na do Upper East Side. Eles têm sal de trufas brancas também, mas este eu nunca provei. Se você for na loja, garanto que vai ser difícil sair de lá em menos de 1 hora. Vá com tempo pra passear!

Se eu fosse você, não perdia. 

[Memphis] A cidade que revelou Elvis Presley ao mundo é muito mais do que apenas a cidade do Rei

Tivemos a oportunidade de ir a Memphis duas vezes. Na primeira, quando terminamos uma viagem de barco à vapor subindo o Rio Mississippi. Nesta ocasião, tínhamos apenas um dia na cidade e claro que resolvemos fazer o passeio em Graceland! Embora muita gente diga que a casa é de gosto duvidoso, a visita ao lugar onde Elvis Presley viveu proporciona muito mais do que se imagina. A infraestrutura montada para receber os turistas é muito semelhante à encontrada na Disney. É um complexo incrível, mistura de museu e parque de diversões capaz de converter até os mais desconfiados.

A fachada de Graceland.

A fachada de Graceland.

A casa é incrível! Transformada em museu, é um lugar pra celebrar a vida de um dos maiores expoentes do Rock n Roll. O segundo andar - onde fica o banheiro onde ele faleceu - não está aberto à visitação pública, decisão que considerei muito acertada. O tour vale demais e é importante fazê-lo no seu próprio ritmo para não perder os detalhes da decoração e procurar capturar um pouco do que era a intimidade do Rei do Rock. No fim do itinerário, eu confundi o barulho da fonte com aplausos e me emocionei muito. Coisa de fã. Recomendo fazer a visita à casa principal logo na primeira hora de abertura. Embora a sede tenha lotação máxima observada e as pessoas sejam divididas em grupos por horário, se você chegar no momento da abertura, garantirá mais tempo pra curtir a etapa principal do parque.

Um dia é tempo suficiente para conhecer Graceland, mas dois dias seriam o mais indicado pra quem é muito fã. Há hotéis perto do complexo, alguns inclusive fazem parte dele. Além da casa, são inúmeros galpões e salas onde é possível ver os carros que ele tinha; os figurinos utilizados e sua evolução até aqueles famosos, inspirados em quimonos, da temporada de Las Vegas; os instrumentos utilizados por ele; os prêmios que Elvis ganhou; vídeos e mais vídeos sobre ele (programas de TV, entrevistas, filmes de Hollywood, filmes caseiros...); os aviões totalmente transformados por dentro; além das indefectíveis lojinhas com os mais diversos souvenires

A porta de entrada da  Sun Studio . 

A porta de entrada da Sun Studio

De lá, você pode pegar um microônibus da Sun Studio e ir visitar a gravadora onde Elvis gravou seu primeiro single. Há um tour disponível, em inglês, para conhecer as instalações, ouvir as gravações (inclusive uma das primeiras do Rock 'N' Roll), além de poder visitar a sala onde Elvis, Johnny Cash, Roy Orbison e Jerry Lee Lewis, entre outros, gravaram seus discos. O Studio tem um microfone antigo, que os funcionários juram de pés juntos ser o mesmo utilizado por Elvis. A sala onde ele está também permanece original quando daquela época. Emoção pura!

A parte principal da Sun Studio que hoje funciona como um museu. Um lugar pra tomar um café ou uma cerveja e comprar  souvenires . Não deixe de fazer o  tour!!!

A parte principal da Sun Studio que hoje funciona como um museu. Um lugar pra tomar um café ou uma cerveja e comprar souvenires. Não deixe de fazer o tour!!!

Como tínhamos somente um dia na cidade, foi o que conseguimos fazer, além de passar rapidamente pela Beale Street só pra ver como era. Um ano e meio depois, tivemos a oportunidade de voltar à cidade, numa viagem complementar à do barco. Desta vez fizemos o itinerário no sentido contrário, incluímos Chicago, Tupelo e Clarksdale com parte da Rota do Blues, até chegar a New Orleans. Tudo isso usando trem e carro. Aproveitamos pra voltar à famosa Beale Street, rua de bares com música ao vivo, onde tudo acontece. BB King montou um bar que ainda funciona por lá e há outros bares temáticos. Paga-se para entrar na maioria deles, como um couvert artístico. Na Beale Street você poderá conhecer um pouco da atmosfera da Memphis atual, que ainda flerta bastante com o passado de glória e música.

Beale Street  à noite.

Beale Street à noite.

Importante dizer que na maioria destes bares ouve-se música muito boa, mas as opções de drinks são poucas e em sua maioria preparados com misturas pré-prontas. O resultado final é medíocre. Quanto aos petiscos oferecidos, não chegam nem perto do que nós, brasileiros, estamos acostumados a comer num bar. Melhor jantar antes de ir e curtir só a música e a cerveja. 

Banda que assistimos no   Rum Boggie Café   na  Beale Street.

Banda que assistimos no Rum Boggie Café na Beale Street.

Pertinho desta rua há uma das fábricas da Gibson, onde você pode visitar o processo de produção e ver algumas guitarras sendo construídas em tempo real. É importante reservar com antecedência, por motivos óbvios! E vale a ida. A maior fábrica da marca está em Nashville, onde não conseguimos ir por falta de tempo, infelizmente. Para os que gostam de música Country, assim como a Trilha do Blues existe demarcação para a Trilha da música Country. Eu gostaria de fazer mais trechos destas rotas. Achei uma boa maneira de viajar pela história da música americana. 

Logo mais adiante há um museu sobre música, o Rock N'Soul, que faz parte dos museus da rede Smitsonian. Infelizmente não pudemos ir, escolhemos ir a um museu de Soul Music mais distante, cujo prédio era histórico. Seria uma oportunidade de conhecer os arredores do centro da cidade, também. 

Entrada da fábrica de Memphis. Nesta fabricam-se guitarras. É uma unidade pequena, a maior delas funciona em  Nashville  que infelizmente ficou de fora desta viagem.

Entrada da fábrica de Memphis. Nesta fabricam-se guitarras. É uma unidade pequena, a maior delas funciona em Nashville que infelizmente ficou de fora desta viagem.

Estou me referindo ao Stax Museum que fica uns 10/15 minutos distante do centro. Lá é possível conhecer um pouco mais da história da Soul Music americana. Há muitos vídeos, figurinos e equipamentos de estúdio, num acervo muito bem catalogado e disponível para os fãs de música. Vale a pena! Andar na cidade é muito fácil e há Uber disponível pra vencer as distâncias maiores. Tudo muito simples e você ainda pode conversar um pouco com o motorista sobre a cidade. 

Memphis ainda é a cidade onde Aretha Franklin nasceu. Até passamos em frente da casa da sua família, mas ela está fechada e parece abandonada. Mas a cantora só viveu os dois primeiros de sua vida ali. A cidade é, também, onde All Green é reverendo numa igreja depois de ter largado a indústria fonográfica. Não conseguimos ir assistir à uma missa celebrada por ele, dizem que é algo espetacular. A igreja fica bem distante do centro da cidade e está aberta ao público. Uma pena termos perdido essa! Isso tudo entre vários outros fatos que fazem com que a cidade seja um lugar de muito passeio e diversão para os fãs de música. Tenho motivos suficientes para voltar à cidade uma terceira vez e acredito que isso vai acontecer mais cedo do que imagino. Aguardemos.

Placa do Motel Lorraine, última hospedagem de Martin Luther King Jr.

Placa do Motel Lorraine, última hospedagem de Martin Luther King Jr.

Mas gostar de música não é o único motivo que me trouxe aqui. O Museu Nacional dos Direitos Civis é um dos marcos na minha vida. Desde criança que o tema da escravidão, marginalização e a luta por direitos iguais da comunidade negra no mundo todo me chama a atenção. E este museu sempre esteve entre os lugares que eu queria visitar um dia. Foi a realização de um sonho. Mais até do que visitar Graceland

 A fachada do Motel.

 A fachada do Motel.

Eu imaginava que o museu era sobre Martin Luther King Jr, já que foi erguido no mesmo motel onde ele fora assassinado. Mas descobri que, como o próprio nome diz, é um lugar que celebra a memória de todos aqueles que lutaram e lutam por igualdade nos EUA.

Um dos inúmeros cartoons sobre a desigualdade entre negros e brancos nos EUA, dentro do  National Civil Rights Museum.

Um dos inúmeros cartoons sobre a desigualdade entre negros e brancos nos EUA, dentro do National Civil Rights Museum.

É uma celebração do trabalho ao qual MLKJr se dedicou até a morte. Ele estava na cidade para apoiar um movimento grevista de trabalhadores da área de saneamento. Foi assassinado um dia depois de um discurso onde ele mencionou um atentado que sofreu muito tempo antes e de como ele estava feliz por não ter morrido naquela ocasião. O fim do discurso foi assim: 

And they were telling me, now it doesn’t matter now. It really doesn’t matter what happens now. I left Atlanta this morning, and as we got started on the plane, there were six of us, the pilot said over the public address system, “We are sorry for the delay, but we have Dr. Martin Luther King on the plane. And to be sure that all of the bags were checked, and to be sure that nothing would be wrong with the plane, we had to check out everything carefully. And we’ve had the plane protected and guarded all night.”

And then I got to Memphis. And some began to say the threats, or talk about the threats that were out. What would happen to me from some of our sick white brothers?

Well, I don’t know what will happen now. We’ve got some difficult days ahead. But it doesn’t matter with me now. Because I’ve been to the mountaintop. And I don’t mind. Like anybody, I would like to live a long life. Longevity has its place. But I’m not concerned about that now. I just want to do God’s will. And He’s allowed me to go up to the mountain. And I’ve looked over. And I’ve seen the promised land. I may not get there with you. But I want you to know tonight, that we, as a people, will get to the promised land. And I’m happy, tonight. I’m not worried about anything. I’m not fearing any man. Mine eyes have seen the glory of the coming of the Lord.

Muitos acreditam que MLKJr previu sua morte. Mas uma pessoa que vivia sendo perseguida e ameaçada, além de ser alvo de investigações e ameaças do FBI não poderia agir de outra maneira. No dia seguinte, foi morto por um tiro disparado do prédio em frente ao motel, quando estava na varanda perto da porta. 

O museu compreende o Lorraine e o prédio de onde o assassino disparou. O motel concentra a história dos negros nos EUA, desde a chegada ao país como escravos, passando pela Guerra Civil Americana, a abolição da escravatura, a vida nas fazendas de algodão como empregados e outros pontos importantes, até a morte do reverendo. O prédio de onde o tiro foi disparado preserva o quarto onde o assassino estava hospedado e o banheiro de onde ele disparou a arma. Neste prédio, além de você poder olhar pela janela vizinha àquela onde a arma estava colocada e visualizar a trajetória da bala que matou King, ainda é possível visitar uma linha do tempo que tenta esmiuçar a investigação de sua morte, não omitindo a possibilidade de o reverendo ter sido eliminado por ordem do governo à época. O fim da exposição é a ascendência de Barack Obama à presidência dos EUA. 

O museu é um dos mais importantes que já visitei na vida. É um lugar onde eu senti que a luta por aquilo que acreditamos não só é possível, como necessária. Que nós, por mais anônimos que sejamos não somos desimportantes na luta por direitos e cidadania, e sim protagonistas dela. Saí de lá emocionada e muito agradecida por ter podido voltar à cidade e fazer esta visita. Deixei Memphis uma pessoa muito melhor do que cheguei. E por isso serei eternamente ligada à esta cidade. Quer um conselho? Vá e reserve pelos menos 5 dias para curti-la com tudo o que tem direito. Valerá demais, tenha certeza!

[Cooked] A mínissérie do Michael Pollan no Netflix.

Eu estava em compasso de espera para assistir à série Cooked, do Netflix. Michael Pollan é um autor que sigo cada vez mais de perto, muito embora eu ainda não tenha nenhum livro dele em minha biblioteca. O jornalista começou a escrever sobre comida há algum tempo e acabou por se tornar um ativista no resgate das funções social e política da comida preparada em casa e compartilhada em família. 

Fonte: http://a.fastcompany.net/multisite_files/fastcompany/imagecache/1280/poster/2015/12/3054219-poster-p-1-how-michael-pollan-gets-us-to-actually-listen-to-him-when-he-talks-to-us-about-healthy-eatin.jpg

Fonte: http://a.fastcompany.net/multisite_files/fastcompany/imagecache/1280/poster/2015/12/3054219-poster-p-1-how-michael-pollan-gets-us-to-actually-listen-to-him-when-he-talks-to-us-about-healthy-eatin.jpg

Segundo ele, a industrialização chegou ao ponto de consumirmos produtos cada vez mais estranhos àqueles que costumávamos ter em nossas despensas tempos atrás. Muito embora o fortalecimento desta mesma indústria tenha se dado sob o discurso de que alimentos processados possibilitariam acabar com a fome no mundo, o que ocorreu foi um alheamento do processo produtivo da comida, aumentando o desperdício. Essa vitória da indústria sobre nosso hábito de cozinhar a própria comida tem sido responsável pelo desaparecimento de ingredientes e saberes culinários em todo o mundo. Fazemos escolhas cada vez piores e nos alimentamos sozinhos, desconectados do que a comida é, de fato. Isso tem consequências muito ruins. Chegará o dia onde nenhum ser humano sobre a face da terra será capaz de produzir e cozinhar seu próprio alimento?

A série é dividida em 4 episódios, dedicados a cada um dos 4 elementos fundamentais da natureza: fogo, água, terra e ar. Partindo de cada um deles, somos transportados para a história da alimentação e os costumes ancestrais de caça e saberes culinários dos povos, como os aborígenes australianos. O programa fala sobre as vantagens que a humanidade obteve após o domínio do fogo e sua aplicação sobre os ingredientes, proporcionando menor tempo de mastigação e digestão e nos deixando livres para outras atividades. No fim, devemos nossa humanidade e civilização ao fato de termos aplicado o fogo à comida um dia.

Outras descobertas vieram, como a agricultura, e a variedade de formas de conservação dos alimentos nos permitiu um sem número de possibilidades.  Fermentação, desidratação, salga ou cocção em meios ácidos, defumação e cura... Tudo isso nos permitiu driblar as adversidades das estações mais secas e frias, disponibilizando produtos para o consumo ao longo do ano. Isso, aliado à aplicação de técnicas diversas de cocção em meios diversos, além do modo de vida de cada povo. Estes foram ingredientes fundamentais para que tenhamos criado culturas gastronômicas tão diferentes nos quatro cantos do planeta. A riqueza de ingredientes, preparos, apresentações e sabores é uma das grandes maravilhas do mundo. Porém, corremos um risco incrível de perdermos nossas culturas e saberes culinários por conta das características do mundo moderno, como a falta generalizada de tempo. Isto somado ao baixo poder de compra da maioria da população mundial acaba proporcionando vantagens enorme às grandes empresas de fast-food, bem como da indústria de alimentos super-processados. Em consequência disso, a indústria introduziu conservantes, espessantes e melhoradores de sabor na busca por baratear seus produtos ao máximo, comprometendo a qualidade deles. Daí para as doenças comuns no mundo moderno, um pulo!

Uma das teses mais interessantes do autor é que ao termos terceirizado o trabalho de matar os animais que comemos (bem como todo o processo de preparação das peças para que possamos somente cozinhá-las), nós perdemos o respeito pelo sacrifício animal. Ignorando que a carne é produto de uma morte, desperdiçamos uma matéria-prima que até pouco tempo era utilizada em sua totalidade nas casas das pessoas, em preparos diversos. Enquanto o episódio abordava estas questões, eu me lembrava da minha avó matando galinhas no quintal. Depenando-as e limpando a carcaça até chegar aos miúdos, tudo seria aproveitado em vários tipos de preparação. Era um ritual que tomava quase que metade do dia. Hoje em dia compramos pedaços de frango em bandejas de isopor envolvidas em plástico filme. 

Particularmente fiquei chocada com a parte dedicada à cultura alimentar da Índia e países similares, como o Sri Lanka. Estes países têm sua cultura alimentar baseada nos ensopados, com cocção em meio aquoso. Como este tipo de preparo demanda mais tempo para ficar pronto, a indústria alimentícia encontrou terreno fértil para disseminar seus produtos na região. Aqui no Sri Lanka há uma profusão de propagandas da Knorr e da Maggi nas ruas. Estão conseguindo subverter toda a cultura gastronômica local do Rice and Curry e introduziram o miojo num país onde tradicionalmente não consome macarrão. Em toda festa popular que fui até agora, havia carrocinhas de miojo disponíveis e lotada de clientes. 

Com participações de Nathan Myhrvold, passando por uma cozinheira ex-funcionária do Chez Panisse, um especialista em churrasco no estilo americano e chegando a uma freira microbióloga, Michael nos leva a refletir sobre a importância do resgate do ato de cozinhar em casa. Nutrir nossa família como um ato político e de independência. Além de muito amor, é claro!

[Produtos] Vosges Haute Chocolate.

Apesar de muita gente relacionar chocolate norte-americano à marca Hersheys e as famosas barras de chocolate como 3 Musketeers e Snickers, que apesar de gostosas são absolutamente doces e cheias de HFCS, há muitos bons chocolates sendo feitos por aqui. Especialmente quando se falar de chocolate meio-amargo. 

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Um das grandes marcas que podem te dar uma pista do que acontece por aqui é a Vosges. E como falamos de uma marca americana, é claro que o sabor mais exótico - e o primeiro que provei - é o de chocolate com bacon. Como assim? O princípio desta mistura é o chocolate com cristais de sal. O contraste entre os sabores doces e salgados fazem com que o resultado seja bastante agradável: o sal ressalta o sabor do chocolate e dá uma quebrada no açúcar. Quando resolveram adicionar o bacon no chocolate, além da presença do sal incorporou-se também o sabor defumado. 

A Vosges é uma empresa cujo mote são combinações entre o chocolate e outros ingredientes inusitados, como o bacon, a cerveja tipo Stout, curry, goji berry... A marca tem duas opções de concentração de cacau com bacon: ao leite e maio-amargo. E eu vou te falar: é muito bom! Pra quem gosta da combinação de chocolate com flor de sal é uma excelente pedida. Desde que você coma carne, é óbvio! Outra grande opção é a linha de barras Super-dark. Esse, bem amargo, até quem é vegan pode comer. Eu achei delicioso!

As barras são facilmente encontradas nas lojas do Whole Foods. Em Nova Iorque, eles possuem lojas super chiques, onde você pode provar alguns bombons e trufas que eles fazem pra poder escolher. E há, sempre, a opção de comprar pela internet.  

[Chicago] 4 dias numa cidade com programação pra mais de ano.

Em julho último Bruno e eu fizemos uma viagem complementar àquela de barco no rio Mississippi. Por conta do cancelamento de nossa ida à Clarksdale naquela época, a viagem não estava completa. Encontramos um jeito de sanar isso fazendo o caminho inverso do percurso, só que desta vez por terra e incluindo Chicago. Queríamos voltar a Memphis e a Nova Orleans, além de passear um pouco pelo interior do estado do Mississippi, daí este roteiro pareceu mais do que propício. 

Uma das esculturas mais famosas da cidade,  The Bean , no   Millenium Park  .

Uma das esculturas mais famosas da cidade, The Bean, no Millenium Park.

A cidade já foi cenário de vários filmes que hoje são considerados cult, como 'Curtindo a Vida Adoidado' e 'Os Irmãos Cara de Pau'. Com estes filmes em mente, deu pra reconhecer a cidade em alguns pontos e sentir certa familiaridade. Mas eu confesso que minha primeira impressão de Chicago foi algo como um desapontamento. Eu a tinha como algo próximo a Nova Iorque e encontrei uma cidade com a estrutura parecida com a da maioria das outras grandes cidades americanas, com um centro de arranha-céus e um grande parque, com o restante da cidade bem espalhado. Mas a decepção se transformou em encantamento rapidinho, porque há tantas coisas pra ver e fazer na cidade que você fica até sem saber por onde começar. Daí, aproveitamos para turistar um pouco, coisa que Bruno não costuma fazer em viagens. A reviravolta aconteceu assim que visitamos o incrível Instituto de Artes da cidade. Ele deu uma de Cameron e quis fazer tudo diferente depois de ver o quadro de Georges Seurat de perto. A maioria das obras mostradas no filme fazem parte do acervo permanente do Museu, então pudemos vê-los todos pessoalmente. Detalhe irritante dos vários chineses, com câmeras super potentes, tirando a mesma foto 5 vezes do mesmo quadro. Como eu tenho preguiça de gente tirando fotografia em museus e atrapalhando os outros de curtirem as obras...

Bruno quis visitar todos os museus ao mesmo tempo agora. E eu tive de dosar isso pra ele não enlouquecer e esquecermos que havia uma cidade lá fora querendo ser descoberta também. O tour pelos museus foi bastante legal, especialmente os que se localizam no centro da cidade, com destaque pra melhor vista do Skyline de Chicago, no Planetarium. Eu gosto muito de fazer estes passeios, mas também gosto muito de bater perna na rua e descobrir coisas ao acaso. Daí minha intenção de controlar um pouco os impulsos museólogos dele. Acho que consegui. 

A vista que se tem da cidade, quando se está no café do  Adler Planetarium . 

A vista que se tem da cidade, quando se está no café do Adler Planetarium

O   Lurie Garden   fica logo depois do  The Bean  e da Concha Acústica do Millennium Park, entre eles e o Art Institute. Tem de ficar atento pra ver a entradinha pra ele, que parece um labirinto. E lá estavam flores de todos os tipos, insetos e gente, tudo isso aliado a um clima gostoso nem frio e nem calor demais. 

O Lurie Garden fica logo depois do The Bean e da Concha Acústica do Millennium Park, entre eles e o Art Institute. Tem de ficar atento pra ver a entradinha pra ele, que parece um labirinto. E lá estavam flores de todos os tipos, insetos e gente, tudo isso aliado a um clima gostoso nem frio e nem calor demais. 

Vista que se tem do  Lurie Garden  quando se está no Art Institute. 

Vista que se tem do Lurie Garden quando se está no Art Institute. 

Alá a ausência de borda no lago Michigan! Parece mar!!! 

Alá a ausência de borda no lago Michigan! Parece mar!!! 

Este prédio, onde fica localizado o   Skydeck  , chama-se  Willis Tower . É o prédio da antiga loja de departamentos  Sears , lembra? Pena que as caixas do  Skydeck  ficam num lado com vista menos interessante que a da foto acima. Mas mesmo assim vale a sensação de estar flutuando sobre a cidade. 

Este prédio, onde fica localizado o Skydeck, chama-se Willis Tower. É o prédio da antiga loja de departamentos Sears, lembra? Pena que as caixas do Skydeck ficam num lado com vista menos interessante que a da foto acima. Mas mesmo assim vale a sensação de estar flutuando sobre a cidade. 

Ficamos num hotel em South Loop e, por isso, acabamos nos concentrando mais naquela região, que é onde se localizam grande parte dos museus. O centro da cidade é conhecido como Chicago Loop, que é dividido de acordo com a linha do trem suspenso que passa por lá. Além do Art Institute of Chicago, fomos ao Museu de História Natural, ao Planetário, ao Museu de Ciência e Indústria (esse bem distante do centro, bem mais ao sul da cidade. É preciso ir de carro ou fazer uma combinação de metrô e ônibus, que não fizemos por pura falta de tempo) e ao Museu de Fotografia Contemporânea. E no primeiro dia, fomos comemorar nosso aniversário de casamento no The Aviary e no Nextcomo já contei nos respectivos posts.

Dois dos prédios mais famosos da cidade. Detalhe da garagem incrível na base deles! O nome do arquiteto é Bertrand Goldberg.

Dois dos prédios mais famosos da cidade. Detalhe da garagem incrível na base deles! O nome do arquiteto é Bertrand Goldberg.

Fizemos o passeio de barco para ver os prédios - projetados por arquitetos famosos - que margeiam o rio, mas não o especializado em Arquitetura, que só depois descobrimos que existia (droga, teremos de voltar...). O passeio que fizemos foi bastante legal, 90 minutos de muita informação sobre os prédios e a história da cidade (como o grande incêndio que a consumiu em 1871 e as especulações sobre o seu início). Você pode ainda tomar uns bons drinks enquanto observa os prédios bem de perto. É quase como deve ser passear de maca por NYC, como bem definiu o saudoso Tom Jobim. Vale demais. Também passeamos pela orla do Lago Michigan que é tão gigantesco que você jura que é mar e tão te zoando falando que é lago. Sério, não dá pra ver nada além de água no horizonte. 

O motivo de viagem era também o Blues. Chicago foi o destino da maioria dos músicos oriundos do Delta do Mississippi (região no interior do estado de mesmo nome, onde nasceram e iniciaram suas carreiras, ainda como trabalhadores em fazendas de algodão). Robert Johnson, o bluesman  cuja fama de ter vendido a alma ao diabo para ter o dom de tocar violão girou o mundo, gravou uma música em homenagem à cidade. E desde então ela tem sido cantada por inúmeros músicos pelo mundo, virando uma espécie de hino da cidade. Pela relativa proximidade do estado do Mississippi e pelo seu desenvolvimento à época, Chicago era o caminho natural daqueles que queriam viver de sua música, deixando a vida dura das Cotton Plantations para trás.

Fomos a duas casas especializadas no gênero. A Buddy Guy Legends, do guitarrista famoso de Blues de mesmo nome - e um dos poucos que ainda está vivo - e o Kingston Mines, o mais antigo clube de Blues da cidade. Ambas as casas são muito bacanas, mas eu achei a do Buddy Guy com ar mais autêntico, apesar de mais nova. Pelo menos porque lá foi promovida uma grande Jam Session com os artistas locais e muita gente que estava na platéia subiu ao palco em algum momento. Até um Reco-reco man autista que tocava pra caramba. Achei o lugar mais festivo e vibrante, embora tenha gostado bastante da banda de Mike Wheeler, a segunda que se apresentou na noite em que estivemos no Kingston Mines. De toda maneira, pra quem gosta do gênero, vale demais fazer um tour por estas casas. Existem várias outras, se você estiver com tempo na cidade e gostar do gênero, se jogue!

Buddy Guy e Jimmy Burns. Na noite que fomos à casa, era Jimmy Burns quem comandava a festa. Guy não deu as caras, parece que estava em turnê fora da cidade. 

Chicago faz parte da Trilha do Blues e tem seu marco fincado no parque do South Loop, perto das esculturas Ágora, que são muito legais de visitar e fotografar. Elas causaram um impacto tão incrível na cidade quando foram expostas que os moradores se mobilizaram para que elas ficassem permanentemente ali. E elas ficam no caminho do Museum Park District, onde se localizam o Museu de História Natural e o Planetário.  E é perfeitamente possível visitar tudo isso num dia. E é lá onde planejam construir um museu sobre o George Lucas e sua obra, ou seja: vamos ter de voltar um dia. ;)

Blues Trail Mark . Há uma trilha inteira marcada com placas como esta, espalhada por vários estados americanos. Fãs de Blues podem fazer uma viagem tomando-as como base. Visitamos algumas ao longo desta viagem. Muito legal!

Blues Trail Mark. Há uma trilha inteira marcada com placas como esta, espalhada por vários estados americanos. Fãs de Blues podem fazer uma viagem tomando-as como base. Visitamos algumas ao longo desta viagem. Muito legal!

Ágora. Incrível!

Ágora. Incrível!

A viagem foi tão incrível e cheia de coisas pra fazer que acabamos esquecendo de comer a pizza símbolo da cidade, a chamada Deep Dish Pizza. A gente até tentou comer uma nas últimas horas na cidade, mas fomos pegos por um jogo de futebol que congestionou a cidade inteira, bem no dia em que fomos visitar o museu mais distante do centro. Essa vai ter ficar pra próxima visita! 

[Mississippi River] Subindo o rio num barco à vapor super charmoso!

Dias atrás eu li um artigo no The New York Times que falava sobre como o tipo de férias que você tira pode dizer bastante ao seu respeito. Achei o texto tão bacana que fiquei pensando com meus botões sobre as viagens que tenho feito ultimamente e deu vontade de escrever sobre elas novamente. A audiência do blog é mais de 90% de acessos em busca de receitas. E por isso, mesmo que um dos temas aqui sejam minhas viagens, eu as estava negligenciando. Resolvi por um fim nisso. E decidi recomeçar pela viagem que fizemos pelo Rio Mississippi em dezembro de 2013.

O barco, na primeira parada que fez para visitarmos as  Plantations  da Louisiana.

O barco, na primeira parada que fez para visitarmos as Plantations da Louisiana.

Desde que chegamos aos EUA, eu saí pesquisando lugares pra irmos, coisas que eu queria ver, cidades que queria conhecer, pontos turísticos, etc. Um dia, sem querer, esbarrei num artigo que mostrava esse passeio pelo rio Mississippi num barco a vapor. Fiquei com esse passeio na listinha de sonhos, porque ele era muito caro e proibitivo, porém bastante interessante e inusitado. Daí, tempos depois minha mãe quis vir passar o natal conosco, por conta da morte da minha avó. Ela queria fazer um cruzeiro, mas odeia praia e os que saem daqui de Miami em dezembro só fazem o roteiro do Caribe. Comentei sobre esse passeio, frisando que era um sonho, porque caro, e ela insistiu pra que eu pesquisasse mais sobre ele. Na mesma noite eu recebi a newsletter da empresa, oferecendo 50% de desconto no passeio de Holidays e eu pensei: "É agora!". Todos toparam entusiasmados. E daí nós fomos.

O barco ancorado no porto de  NOLA . Fomos recebidos com banda de  Jazz  e tudo. 

O barco ancorado no porto de NOLA. Fomos recebidos com banda de Jazz e tudo. 

A empresa oferece passeios que sobem ou descem o rio, com temas diversos (Guerra Civil, Música, Literatura e Festividades de fim de ano) e vários pontos de partida e chegada (New Orleans - Memphis; Memphis - Cincinnati, Cincinnati - St. Louis, etc). Como viajamos no inverno, tivemos um pouco de cada um dos temas incluídos no programa de 8 dias embarcados, que é a programação do período de feriados de fim de ano. Escolhemos o trecho Nova Orleans - Memphis por conta da estação e os outros trechos seriam inviáveis, porque mais ao norte do país. Os outros trechos devem ser ótimos, mas só em outras épocas do ano. Eu iria em todos se pudesse!

É importante dizer que este é um passeio pensando pra o americano. Isso é legal porque é o tipo de viagem onde você pode conhecer o que são os Estados Unidos, fora das bolhas que os pontos turísticos mais procurados pelos brasileiros costumam ser. Por outro lado, não é fácil encontrar um funcionário que fale português no barco. No nosso, tinha um que estava aprendendo a língua, mas falava e compreendia muito pouco. Portanto, se você não fala e nem entende nada de inglês, nem ninguém da turma que vai viajar, faça outros planos. Apesar de a equipe do barco ser super solícita, o passeio seria um tanto quanto frustrante pela barreira da língua. Nos passeios os guias falam só inglês também, eu tive de traduzir tudo pros meus pais.

Um barco a vapor menor, mas semelhante ao nosso, na saída de Nova Orleans.

Um barco a vapor menor, mas semelhante ao nosso, na saída de Nova Orleans.

Quando fomos, éramos os únicos estrangeiros além de uma família de chineses e um casal suíço. Os outros 300 hóspedes eram americanos mais velhos, na casa dos 70 anos pra cima. Havia uma família jovem com crianças, mas a maioria dos hóspedes eram americanos aposentados aproveitando a vida. Porém, isso não significa dizer que é um cruzeiro de jogo de biriba, não! Foi bastante divertido, eles eram todos muito animados, conversadores interessados e simpáticos. A programação do barco era bem movimentada também! Além disso, 3 refeições diárias bem servidas, à vontade! Vou tentar escrever um pouco sobre as paradas do barco:

Escadaria que dá acesso ao primeiro piso do barco, onde ficavam o teatro, o bar, o piano lounge e o restaurante. Pra ver mais fotos do interior do barco, clique aqui.

Escadaria que dá acesso ao primeiro piso do barco, onde ficavam o teatro, o bar, o piano lounge e o restaurante. Pra ver mais fotos do interior do barco, clique aqui.

Nova Orleans

Nós decidimos subir o rio, partindo do seu delta. Chegamos um dia mais cedo pra poder curtir um pouco a cidade, mas vou falar sobre ela em outro post, porque voltamos lá recentemente. O pacote incluía uma diária de hotel em NOLA, onde fomos recepcionados pela equipe da empresa, que tomou todas as providências para o nosso embarque. Saímos da cidade no fim da tarde e fizemos nossa primeira refeição à bordo do barco.

Codornas assadas e acompanhamento. Os pratos não eram muito bem montados, mas a comida era bem feita. Havia sempre opção entre  buffet  e serviço a  la carte . Incluído, uma taça de vinho ou cerveja. Se quisesse algo diferente, teria de ser pago por fora, no cartão magnético do barco. 

Codornas assadas e acompanhamento. Os pratos não eram muito bem montados, mas a comida era bem feita. Havia sempre opção entre buffet e serviço a la carte. Incluído, uma taça de vinho ou cerveja. Se quisesse algo diferente, teria de ser pago por fora, no cartão magnético do barco. 

A cada dia 3 opções de prato principal. Ainda tinha entrada e sobremesa. No almoço e no jantar. Tive de tormar cuidado pra não voltar rolando pra casa, porque era muita comida. E ainda tinha um café com petiscos (sorvete,  cookies , pipoca, etc.) disponível para boquinhas ao longo do dia. E bebidas quentes! Afe...

A cada dia 3 opções de prato principal. Ainda tinha entrada e sobremesa. No almoço e no jantar. Tive de tormar cuidado pra não voltar rolando pra casa, porque era muita comida. E ainda tinha um café com petiscos (sorvete, cookies, pipoca, etc.) disponível para boquinhas ao longo do dia. E bebidas quentes! Afe...

Oak Alley e Laura Plantations

Vista da casa principal, quando os portões de entrada ainda estava fechados. Logo cedinho pela manhã, já estávamos na porta. Estes carvalhos enfileirados já existiam antes da construção da casa. São 28 no total e alguns têm mais de 300 anos! Passar por este corredor arborizado é uma sensação incrível. E pensar que certamente esta fazenda foi palco de tantas injustiças...

Vista da casa principal, quando os portões de entrada ainda estava fechados. Logo cedinho pela manhã, já estávamos na porta. Estes carvalhos enfileirados já existiam antes da construção da casa. São 28 no total e alguns têm mais de 300 anos! Passar por este corredor arborizado é uma sensação incrível. E pensar que certamente esta fazenda foi palco de tantas injustiças...

Fomos recebidos por funcionários trajados como na época da escravidão. Uma questão de ambientação que ocorre com muita frequência em casas históricas do sul. Para acessar o site da fazenda, clique no nome dela em destaque logo abaixo.

Fomos recebidos por funcionários trajados como na época da escravidão. Uma questão de ambientação que ocorre com muita frequência em casas históricas do sul. Para acessar o site da fazenda, clique no nome dela em destaque logo abaixo.

Estas são duas fazendas remanescentes do período escravocrata dos EUA. Ambas tornaram-se ponto de visitação turística e foi interessante ver as duas, porque enquanto a OAK Alley é grandiosa, parecida com as casas onde filmaram "E o Vento Levou..." e "Forrest Gump", Laura já é uma fazenda onde é possível vermos, inclusive, as listas com os nomes dos escravos que pertenceram à ela. Há passeios guiados nas duas, em inglês. Uma curiosidade sobre a OAK Alley é que a novela americana "Days of our Lives" teve episódios gravados nela. A original, não a que o Joey de Friends fazia, bem entendido. Outra coisa é que na OAK há vários funcionários vestidos com roupas da época, meio que para simular a experiência de volta ao passado. Aliás, este tipo de abordagem é muito comum nas casas históricas que visitamos nestas férias e em outros lugares no sul do país. A inclinação para o entretenimento dos americanos está sempre presente, em tudo. E sempre com as indefectíveis lojinhas o fim do tour! Foi um passeio muito bacana e instrutivo.

Fonte: https://teresastraveladventures.files.wordpress.com/2012/08/img_2909.jpg

Fonte: https://teresastraveladventures.files.wordpress.com/2012/08/img_2909.jpg

A Laura é uma fazenda Creole, ou seja, uma propriedade de europeus, mais precisamente franceses, que moravam na Louisiana. O estado foi batizado em homenagem à Luis XVI e pertenceu à França até 1803 (antes pertenceu à Espanha) e era muito maior que as suas atuais delimitações. Uma parte foi cedida para a Inglaterra e a outra foi comprada pelo país que se tornaria os EUA que conhecemos hoje. Muitas das famílias francesas que lá estavam, permaneceram; transformando o estado num grande caldeirão de culturas, como a espanhola, a africana, a alemã, além da francesa e inglesa.

A estrutura de funcionamento da fazenda está toda lá, pra gente ver. Em algumas casas, é possível entrar pra ver como eram as habitações dos escravos. Diferente do que acontecia no Brasil, os escravos dos EUA nÃo viviam em senzalas, mas em casas como esta. Para ver mais, clique  aqui .

A estrutura de funcionamento da fazenda está toda lá, pra gente ver. Em algumas casas, é possível entrar pra ver como eram as habitações dos escravos. Diferente do que acontecia no Brasil, os escravos dos EUA nÃo viviam em senzalas, mas em casas como esta. Para ver mais, clique aqui.

Muitas das edificações estão bem maltratadas pelo tempo. Mas isso dá um certo charme à propriedade, que manteve-se intacta. Daí a importância de fazer a visita às duas  plantations , porque na  OAK  há restauração e reconstrução de muitas coisas, com intenção de dar um ar renovado e de volta ao passado. Eles inclusive têm hotel lá! Já a Laura tem a intenção de mostrar como a realidade era, sem retoques.

Muitas das edificações estão bem maltratadas pelo tempo. Mas isso dá um certo charme à propriedade, que manteve-se intacta. Daí a importância de fazer a visita às duas plantations, porque na OAK há restauração e reconstrução de muitas coisas, com intenção de dar um ar renovado e de volta ao passado. Eles inclusive têm hotel lá! Já a Laura tem a intenção de mostrar como a realidade era, sem retoques.

Angola Prison - St. Francisville

Fonte: http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSYnmhWlpn5Iehhr6wzNRKwrqC-FhxL12Q7cH74UVo8UAetiqwW

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Compramos um passeio para conhecer as dependências da Angola Prison, uma das maiores prisões de segurança máxima em funcionamento nos EUA. Foi considerada, durante muito tempo, a prisão mais perigosa do país. É onde se passa o filme "Dead Man Walking - Os últimos passos de um homem", com o Sean Penn e a Susan Sarandon. Eu achei meio mórbido o passeio antes de concordar em fazê-lo, mas meu marido queria muito ir pra conhecer um pouco sobre essa cultura do encarceramento dos EUA. E como é uma prisão histórica, com uma parte antiga desativada e aberta pra visitações. Eu pensei "Por que não?". Foi um passeio um pouco perturbador, porque eu pude ver de fato que para eles essa coisa de prisão é algo até meio batido, com tantos filmes à respeito e com a maior população carcerária do mundo... Parece que é algo bastante banal. Eu fiquei especialmente chocada com gente sentando na cadeira-elétrica desativada pra tirar foto sorrindo ou mesmo retorcendo o corpo, ou gente entrando nas celas, fechando as portas gradeadas e sorrindo pro flash. Enfim... Outra parte da visita nos levou a uma igreja dentro do presídio, onde um cara de 40 anos, condenado à prisão perpétua desde os 20 (quase todos os condenados hoje em dia no estado da Louisianna são "life in prison". É mais barato para o estado manter o cara preso a vida toda do que custear todo o processo necessário para matar um condenado. Mas ainda há alguns condenados à pena capital  - algo em torno de 20% das condenações - no corredor da morte, aguardando a última refeição). Ele nos contou sobre a sua história de transformação por meio da fé e do trabalho dentro da prisão. Hoje, Angola é conhecida por este trabalho de evangelização dos presos, onde trabalham todos os dias e que tem até um campeonato de rodeio famoso no país inteiro. Não me arrependi de ter feito o passeio, de jeito nenhum. Foi muito instrutivo até. Mas não foi algo divertido. Não tirei fotos porque não senti vontade. Ah! Tem lojinha no final, tb. Um museu e os souvenires.

Natchez, MS e Frogmore Plantation:

Quase todos os dias o barco aportou numa pequena cidade às margens do rio. Cidades com história pra contar sobre a Guerra Civil americana. Uma das opções, incluídas no pacote, é pegar um ônibus daqueles de city-tour e ir conhecer os pontos importantes da cidade de parada. A outra, eram as excursões premium pagas a parte, por pessoa. Em Natchez, resolvemos fazer os dois: passeamos pela cidade durante o dia e à tarde fomos conhecer outra fazenda de algodão, longe dali.

Na cidade, descemos na Rosalie Mansion, que é mais uma das casas-museu sobre o período da Guerra Civil americana. Uma casa interessante, que passou por vários proprietários antes de tornar-se museu. Bastante preservada, o mais interessante pra mim foi a cozinha, que ficava fora da residência numa casa à parte. Uma pena que não pudemos passear mais na cidade, porque tivemos de voltar ao barco pra irmos visitar a Frogmore Plantation.

Fonte: http://mshistorynow.mdah.state.ms.us/images/148.jpg

Fonte: http://mshistorynow.mdah.state.ms.us/images/148.jpg

Na Frogmore foi possível ver todo o processo de colheita e fabricação de fios de algodão. A fazenda preservou todas as casas dos escravos, a capela que usavam... Assistimos a simulações de casamentos dos escravos, cantos de igreja e tudo o mais. Foi muito interessante ver de perto tudo isso, inclusive o maquinário antigo para a limpeza e preparação do algodão, certificado pela fundação Smithsonian como raro, em bom estado e funcionando. Quem nos guiou pela propriedade foi a dona, que faz parte da família proprietária desde o período escravocrata.

Essa é a sede da fazenda. Não estava aberta pra visitação porque ainda é moradia da família. 

Essa é a sede da fazenda. Não estava aberta pra visitação porque ainda é moradia da família. 

A capela onde aconteciam os cultos e os casamentos. para saber mais, clique  aqui .

A capela onde aconteciam os cultos e os casamentos. para saber mais, clique aqui.

Lavoura de algodão.

Lavoura de algodão.

As casas onde moravam os escravos.

As casas onde moravam os escravos.

O lugar onde fica a máquina separadora de algodão.

O lugar onde fica a máquina separadora de algodão.

Visitamos também a Longwood, que é uma mansão com arquitetura inspirada no oriente e que começou a ser construída alguns anos antes da Guerra Civil. A casa, que era de um magnata com família grande, ficou inacabada porque o ele faliu com o conflito. O primeiro piso chegou a ser finalizado e hoje funciona como um museu, mas é possível visitar a casa toda e ver ainda os materiais comprados dentro das caixas, esperando para ser usado. Uma construção que foi parada pela guerra e que permaneceu parada no tempo. Muito interessante também, a propriedade inteira é muito bonita!

Na volta para o barco, vimos papai noel desfilar pelas ruas, distribuindo doces. 

Passamos dois no barco por conta de problemas de navegação pela cheia do rio. Com isso, o passeio que eu mais queria foi cancelado! Estava toda animada de poder ir a Clarksdale, no Delta do Mississippi, uma das cidades mais importantes do berço do Blues. Fiquei tão chateada que programamos uma ida lá depois, sobre a qual escreverei mais tarde.

A estada no barco foi bastante agradável. Muitas atividades pra fazer, shows para assistir, livros pra ler, jogos... A vista lá fora também era incrível e, mesmo estando muito frio, íamos de vez em quando dar uma espiada na paisagem e tirar umas fotos. Um passeio memorável! Uma das coisas que mais me chamaram a atenção é que o barco desliza tão calmamente sobre as águas que faz você jurar que está em terra firme. 

Desembarque em Memphis, TN.

Na cidade berço do Rock N' Roll, é claro que fomos visitar Graceland. E como fizemos uma viagem somente em busca de boa música recentemente, onde voltamos a Memphis, escreverei sobre ela no novo post. Ficamos apenas um dia em Memphis mas deu pra ver que a cidade mereceria uma nova ida. Além da Beale Street, Graceland e os vários museus relacionados à música, a cidade ainda tem um Museu de Direitos Civis incrível, que funciona onde o reverendo Martin Luther King Jr foi assassinado. Muito mais do que um memorial, o museu conta toda a trajetória dos negros nos EUA, desde sua chegada como escravos, até os dias em que Barack Obama foi eleito. É imperdível! E ainda tem, é claro (americanos), a oportunidade de você olhar pela janela vizinha à que foi usada pelo assassino do Dr. King e observar a trajetória que a bala fez até matar um dos grandes líderes do país no século 20. O prédio onde o assassino se hospedou também faz parte do museu. É um dia inteiro de muita instrução. 

Por conta disso, reserve uns 3 ou 4 dias pra poder curtir a cidade. Você vai me agradecer por isso depois. 

[Saint Petersburg] A surpreendente cidade da Flórida que possui um Museu de Salvador Dalí

Desde que chegamos à Miami, tenho pesquisado lugares ao redor da cidade pra podermos aproveitar os feriados. E eu não me lembro muito bem como aconteceu isso, mas descobri que Saint Petersburg, uma cidade a 4 horas daqui, com 250 mil habitantes e localizada na costa oeste do estado, possuía um museu dedicado à Salvador Dalí, o mais completo acervo do artista fora da Europa. Somente agora, quase 3 anos depois, conseguimos realizar minha vontade de conhecer o tal museu. Só que ele foi o responsável por apresentar-nos uma cidade encantadora. Além do museu, a cidade conta com um centro cultural de primeira linha (tinha até show da Alanis Morrisete programado), vários outros museus e galerias de arte, além um calendário de eventos bastante movimentado, o que faz a sua visita muito mais rica. Acabou faltando mais tempo pra conhecer mais e mesmo tendo nos concentrado em Downtown, deixamos de ver muita coisa.

Foram 2 dias intensos, cheios de coisas interessantes pra gente fazer. Assim que chegamos já tivemos uma provinha do que seria a nossa visita. Nos hospedamos num hotel pequeno, familiar, onde os donos te atendem na recepção com um sorriso no rosto e um papo pra lá de animador. Nos deram dicas, perguntaram o que tínhamos programado, deram pitaco... Pra ser um hotel imperdível, só faltou um café da manhã decente. Mas querer isso nos EUA é um tanto quanto difícil. 

Começamos visitando o Saturday's Farmers Market, onde é possível encontrar "de um tudo", inclusive muita coisa boa pra comer. Devíamos ter deixado pra tomar o café da manhã por lá.

Uma barraca só de massas secas... 

Uma barraca só de massas secas... 

...  com cores e sabores mais diferentes que você já viu. 

... com cores e sabores mais diferentes que você já viu. 

Picolés de frutas  pedaçudas e fresquinhas, pro calor que tava fazendo lá. Esse daí era de morango, banana e abacaxi.

Picolés de frutas pedaçudas e fresquinhas, pro calor que tava fazendo lá. Esse daí era de morango, banana e abacaxi.

Na barraca de hortaliças e verduras também tinham flores, como estes lindos girassóis.

Na barraca de hortaliças e verduras também tinham flores, como estes lindos girassóis.

Estes brócolis estavam tão lindos que me deu vontade de levar, mas como estávamos indo ao museu depois deixei pra lá. 

Estes brócolis estavam tão lindos que me deu vontade de levar, mas como estávamos indo ao museu depois deixei pra lá. 

Brincadeira com bolhas de sabão gigantes.

Brincadeira com bolhas de sabão gigantes.

Até aparecer um menino chato que insistia em estourar todas as bolhas, quem brincava tentava mantê-las o máximo de tempo possível flutuando. Bacana demais!

Até aparecer um menino chato que insistia em estourar todas as bolhas, quem brincava tentava mantê-las o máximo de tempo possível flutuando. Bacana demais!

O mercado fica bem pertinho do museu, dá pra ir à pé. Escolhemos andar margeando uma pista que tinha sido, recentemente, usada numa corrida de carros - ainda com guard-rails e tudo o mais. A calçada é utilizada pelos moradores para a prática de esportes e cruzamos com vários deles fazendo seus exercícios enquanto caminhávamos. Como estava tudo gradeado à nossa esquerda, foi um tanto estranho andar por um corredor daqueles e meu marido ficava o tempo todo me perguntando se estávamos indo no caminho certo (Bruno costuma ficar nervoso com as minhas opções por caminhar nas cidades. Em Nova Orleans ele quase teve um ataque. Em outro post eu conto.). Mas logo percebemos que chegar por lá foi a melhor coisa, porque de repente surge o primeiro prédio do complexo cultural deles, o Mahaffey Teather. E logo depois, o prédio do The Dali Museum

O Museu. Todo pimpão esperando a gente.

O Museu. Todo pimpão esperando a gente.

O acervo deles não é grande, mas é significativo. Possui obras acadêmicas, passando por algumas representantes do Surrealismo que consagrou Salvador Dalí, até chegar à etapa mais religiosa do artista plástico e a influência dos 8 anos em que morou nos EUA. Porém não se engane. Pequeno acervo não significa que dá pra fazer uma visitinha rápida. Não pra mim. Eu preciso me descolar de quem estiver comigo e curtir o momento sozinha, pra descobrir as coisas que mais me chamam a atenção. Como a representação do pai de Salvador Dalí em várias de suas obras, levando-o pela mão pra conhecer o mundo. Ou, que o artista pintava quadros minúsculos e quadros monumentais. 

Um dos destaques do museu é uma tela onde Dalí, iconoclasta como só ele, quis provar à Scientific American Magazine que um dado divulgado em uma matéria estava errado: a de que só seria possível reconhecer um rosto humano com representações com mais de 150 pixels. Gala Contemplating the Mediterranean Sea  é uma obra monumental, que vale a visita ao museu. Daqueles trabalhos que você precisa ver de perto e de longe, voltar pra perto e afastar-se novamente. 

Depois da visita, decidimos almoçar. Há uma avenida que margeia um parque à beira do mar, onde há inúmeros bares, cafés e restaurantes para todos os gostos, bem como lojas com os mais variados artigos. É a Beach Drive NE, pra onde é possível ir caminhando do museu. Comemos em um restaurante bastante festejado no dia em que chegamos, mas eu sinceramente não achei nada demais. Estivemos em outros pontos que também não foram nenhuma surpresa. O único lugar que é bacana, mas nada do outro mundo, é a Confeitaria do Restaurante Cassis Brasserie. Eu comi uma Eclair de Chocolate bastante correta e meu marido e casal de amigos foram de sorvete. O de maracujá estava muito bom!

Como nosso hotel oferecia happy-hour a partir das 17h00 como cortesia aos hóspedes, fomos até lá pra descansar um pouco e aproveitar pra conhecer algumas pessoas. O sol estava muito forte. Durante a conversa o proprietário nos mencionou um mercado ali próximo que era muito bacana. Como eu falei que era formada em Gastronomia ela se empolgou e disse que eu precisaria ir até lá. Assim que o sol se pôs, fomos eu e meus amigos (Bruno teve princípio de insolação e ficou no quarto) até o Locale Market. E daí, morri de amores! 

A entrada do lugar.

A entrada do lugar.

Esses disquinhos voadores amarelos e verdes são abobrinhas, que exalavam perfume de dama-da-noite.

Esses disquinhos voadores amarelos e verdes são abobrinhas, que exalavam perfume de dama-da-noite.

Heirloom Tomatoes  que eu adoro!

Heirloom Tomatoes que eu adoro!

Há várias opções de take-out ou mesmo pra comer na casa, numa das mesas internas ou externas (que ficam no segundo andar).

Há várias opções de take-out ou mesmo pra comer na casa, numa das mesas internas ou externas (que ficam no segundo andar).

O balcão refrigerado de peixes.

O balcão refrigerado de peixes.

As carnes, com várias opções de cortes de  Dry Aged Steaks.

As carnes, com várias opções de cortes de Dry Aged Steaks.

Algumas opções de proteínas curadas ou cozidas. Destaque para o Confit de Canard bem ali no meio. 

Algumas opções de proteínas curadas ou cozidas. Destaque para o Confit de Canard bem ali no meio. 

Mais carne!

Mais carne!

A loja de queijos. Há, espalhados pelo mercado, vários quiosques/lojas especializados. 

A loja de queijos. Há, espalhados pelo mercado, vários quiosques/lojas especializados. 

Como era Páscoa, uma escultura de Ovo de chocolate na Confeitaria.

Como era Páscoa, uma escultura de Ovo de chocolate na Confeitaria.

As mesas do pátio térreo externo. Ainda tem mais mesas no segundo piso, onde há uma adega bastante variada, com mesas coletivas pra reunir os amigos, apreciar um bom vinho e petiscar alguma coisa. Eu aproveitei e comi uma pizza e abrimos um vinho que minha amiga comprou. Eles cobram 15 dólares a rolha (quando você compra o vinho originalmente pra levar pra casa, e decide beber lá mesmo, na loja.

As mesas do pátio térreo externo. Ainda tem mais mesas no segundo piso, onde há uma adega bastante variada, com mesas coletivas pra reunir os amigos, apreciar um bom vinho e petiscar alguma coisa. Eu aproveitei e comi uma pizza e abrimos um vinho que minha amiga comprou. Eles cobram 15 dólares a rolha (quando você compra o vinho originalmente pra levar pra casa, e decide beber lá mesmo, na loja.

O Locale me pareceu inspirado no conceito do Eataly de Nova Iorque. O que eu sei é que nem Miami tem algo com o tamanho e a seriedade deste lugar. Fiquei com inveja dos moradores de St. Pete e com muita vontade de voltar. Quem sabe quando minha mãe vier me visitar?