Cuscuz de quinoa com vegetais e camarões

Esse é um prato simples, bonito e saboroso, do qual Bruno gosta bastante. Por este motivo, não poderia faltar no cardápio da sua festa do aniversário. Escolhi a receita, também, para dar uma quebrada na quantidade de glúten servida à mesa. Quero deixar claro que o fato de haver substituído o "grão" original, por outro sem glúten, se dá por questões de saúde e não por modismo. Venho observando uma tendência ao abuso do glúten na nossa dieta e tenho procurado usar outras variedades de alimentos de vez em quando, pra dar uma reduzida no consumo da proteína do trigo. Na festa nós serviríamos muitos pratos à base de farinha de trigo e, além disso, uma grande amiga descobriu-se intolerante ao glúten recentemente. Portanto a escolha foi a junção de três fatores: a inspiração na culinária de alguns dos países banhados pelo mar mediterrâneo do cardápio, a predileção de Bruno por este prato e cuidar da saúde de uma grande amiga querida. 

Pra quem não sabe, a farinha de Cuscuz Marroquino é obtida a partir de uma massa feita a base de trigo. Não é uma parte do grão quebradinho, como muitos pensam. É uma massa mesmo, que passa por um processo que dá forma arredondada parecida com um grão quebrado. 

A semolina é umedecida com água e esfregada com as mãos, formando pequenos grânulos. Depois são passados na farinha de trigo comum e secos ao sol, peneirados e estocados para posterior utilização. (...) Hoje ele é preparado de maneira industrial, e do tipo parboilizado - pré-cozido e depois seco - é o mais comum a ser encontrado à venda por aqui.
— Freire, Renato. A Mágica na Cozinha, pag. 154.

A substituição pela quinoa na receita é muito bem vinda, até porque seu teor nutricional é semelhante aos do arroz com feijão juntos, ou seja, excelente fonte de carboidratos e proteínas. A quinoa é um grão muito antigo, originário dos altiplanos peruanos e bolivianos e que pode ser utilizada de várias maneiras. Por muitos anos foi deixada de lado como alimento, até ser resgatada com o boom da gastronomia peruana. Quando estivemos em Lima, nos hospedamos num hotel boutique muito bom. Eles serviam café da manhã personalisado e tinham, entre as opções, a quinoa servida doce, como se fosse um mingau de aveia. Delícia!

Costumo lançar mão deste prato no dia a dia, principalmente naqueles em que estou meio sem inspiração para cozinhar algo mais elaborado. Não tem muito mistério, a não ser a atenta execução das técnicas de cocção da quinoa e do camarão. Mas o efeito visual e o sabor vão dizer exatamente o contrário! 

 Ele é servido assim, soltinho, como uma farofa.

Ele é servido assim, soltinho, como uma farofa.

Cuscuz de Quinoa com Vegetais e Camarão.

(Rendimento: 2 porções fartas)

1 xícara de quinoa

2 xícaras de água

pitada de sal

1 fio de óleo de girassol ou canola

14 camarões grandes descascados e destripados

uma cenoura grande

50g de ervilhas congeladas

50g de milho verde congelado

sal kosher (ou grosso moído na hora)

pimenta do reino

azeite extra-virgem

Modo de fazer:

Lave a quinoa para retirar o pó que fica acumulado. Ferva duas xícaras de água com uma pitada de sal e o fio de óleo. Despeje a quioa lavada quando a água levantar fervura. Espere ferver novamente e baixe o fogo. Cozinhe até que a água seque, processo semelhante ao da cocção do arroz.

Numa frigideira grande sele os dois lados dos camarões (temperados na hora com sal e pimenta do reino) até que eles mudem de cor. Retire do calor e reserve. Na mesma frigideira salteie os vegetaiis em azeite até que estejam macios, mas ainda crocantes. Junte os camarões e a quinoa, baixe o fogo e misture para que se incorporem uns aos outros. Adicione óleo de oliva, pimenta do reino moída na hora e sal à gosto, de preferência kosher que é mais saboroso. Pode ser servido quente, acompanhado de salada de folhas verdes. Pode ser servido morno, ou mesmo frio, como fiz na festa. Neste caso, ele foi servido para ser comido em pequenas porções, junto aos demais pratos. Bom apetite!