[São Paulo] Maní: pra mim, o melhor do mundo! ;)

(post originalmente postado no meu antigo blog 2Bocados)

Fui a São Paulo no final de setembro de 2011 para participar da final de um concurso e aproveitei para conhecer o Maní. Fazia tempo que eu lia coisas à respeito do restaurante, na imprensa e na internet, e minha curiosidade só aumentava. Porém, eu queria fazer o menu-degustação deles para conhecer melhor o trabalho dos chefs. Então, já que meu marido não tem paciência para "sequências intermináveis de pratos" e só estaria na cidade no dia do concurso, resolvi que este seria o momento perfeito para isso. Fiz minha reserva com uma semana de antecedência (notem que, nesta época, o ranking da revista Restaurant ainda não havia saído. Portanto, o Maní ainda figurava como o 72o melhor restaurante do mundo.).

 Atmosfera aconchegante, rústica, porém com muito requinte e atenção aos detalhes.

Atmosfera aconchegante, rústica, porém com muito requinte e atenção aos detalhes.

Minha mesa ficava na parte de fora do restaurante, numa espécie de quintal/varanda bem simpático. O restaurante estava cheio. Ofereceram-me o couvert, que eu infelizmente recusei, pois faria o menu-degustação e não teria como comer tudo aquilo. O garçon sugeriu fazer a harmonização do menu com vinhos, o que eu também recusei, pois teria de acordar muito cedo no dia seguinte. Pedi somente água, uma taça de espumante para acompanhar meu pedido e esperei... Seguem as fotos de um dos meus momentos gastronômicos inesquecíveis.

 Início dos trabalhos com "tapas" pra lá de interessantes. Os melhores são os dois primeiros de baixo para cima: Consomê de tomates com mini-esferas de burrata (minha primeira experiência com a gastronomia molecular!) e Bombom de Fois-Gras com goiabada e capa de vinho tinto.

Início dos trabalhos com "tapas" pra lá de interessantes. Os melhores são os dois primeiros de baixo para cima: Consomê de tomates com mini-esferas de burrata (minha primeira experiência com a gastronomia molecular!) e Bombom de Fois-Gras com goiabada e capa de vinho tinto.

  Desse eu não gostei. Se tem uma fruta que não entendo toda a festa acerca dela é a tal da lichia... mas a apresentação não deixa de ser interessante: Gelatina de pepinos com ostra fresca e pérolas geladas de lichia.

Desse eu não gostei. Se tem uma fruta que não entendo toda a festa acerca dela é a tal da lichia... mas a apresentação não deixa de ser interessante: Gelatina de pepinos com ostra fresca e pérolas geladas de lichia.

  Primeiro destaque da noite, sem contar as tapas:   Salada Waldorf  ! Eu adoro esta salada e esta desconstrução serviu pra me mostrar aquilo que os professores de gastronomia nos diziam: para termos cuidado ao usar a palavra desconstrução no prato, pois a apresentação, abordagem e técnicas de cocção devem ser diferentes e inovadoras, mas o sabor original tem de estar lá. E estava! O sorbet de aipo então, que maravilha...

Primeiro destaque da noite, sem contar as tapas: Salada Waldorf! Eu adoro esta salada e esta desconstrução serviu pra me mostrar aquilo que os professores de gastronomia nos diziam: para termos cuidado ao usar a palavra desconstrução no prato, pois a apresentação, abordagem e técnicas de cocção devem ser diferentes e inovadoras, mas o sabor original tem de estar lá. E estava! O sorbet de aipo então, que maravilha...

  Segundo destaque da noite: como a surpresa de sabores pode vir de coisas simples, né? Mil-folhas de beterraba com Chantilly de anchovas, que delícia! Eu quis lamber o prato...

Segundo destaque da noite: como a surpresa de sabores pode vir de coisas simples, né? Mil-folhas de beterraba com Chantilly de anchovas, que delícia! Eu quis lamber o prato...

  Este também estava excelente e extremamente aromático, além de lindo: nhoque de mandioquinha com amaranto, em Dashi de Tucupi e Katsuobushi (flocos de bonito desidratados). Foi meu primeiro contato com o Tucupi e o Jambu! 

Este também estava excelente e extremamente aromático, além de lindo: nhoque de mandioquinha com amaranto, em Dashi de Tucupi e Katsuobushi (flocos de bonito desidratados). Foi meu primeiro contato com o Tucupi e o Jambu! 

  Este era um ovo pochê, cozido em baixa temperatura com uma espécie de creme de pupunha que combinou muito bem.

Este era um ovo pochê, cozido em baixa temperatura com uma espécie de creme de pupunha que combinou muito bem.

  Não costumo gostar de Vieiras cozidas ou ensopadas. Meu negócio são as salteadas ou defumadas, como esta que foi servida com creme de aspargos brancos e emulsão de maracujá. Divino!

Não costumo gostar de Vieiras cozidas ou ensopadas. Meu negócio são as salteadas ou defumadas, como esta que foi servida com creme de aspargos brancos e emulsão de maracujá. Divino!

  Robalo defumado.

Robalo defumado.

  Arroz de Pato com perfume de Pequi. Delícia!

Arroz de Pato com perfume de Pequi. Delícia!

  Feijoada desconstruída: Carpaccio de pé de porco, com esferas de caldo de feijoada, paio, laranja, palha de couve e farofa de castanha do pará. Estupendo!

Feijoada desconstruída: Carpaccio de pé de porco, com esferas de caldo de feijoada, paio, laranja, palha de couve e farofa de castanha do pará. Estupendo!

  Bochecha de boi cozida em baixa temperatura com purê de batata doce. Dava pra cortar só com o garfo. Desmanchava na boca. Perfumado e deliciosamente gostoso. Comida pra se abraçar!

Bochecha de boi cozida em baixa temperatura com purê de batata doce. Dava pra cortar só com o garfo. Desmanchava na boca. Perfumado e deliciosamente gostoso. Comida pra se abraçar!

  Capítulo sobremesas: Mingau de Licuri com farofa de Licuri e Sorbet de Banana. Fiquei um pouco decepcionada, pois esperava provar o ninho de mandioquinha, a releitura de "Rei Alberto" ou o Flan de Queijo da Canastra, que tinham saído na capa de uma revista de Gastronomia no mesmo mês... Esta sobremesa é simples, lembra um pouco comida de criança. Boa, serviu pra conhecer o Licuri, mas eu não comeria de novo.

Capítulo sobremesas: Mingau de Licuri com farofa de Licuri e Sorbet de Banana. Fiquei um pouco decepcionada, pois esperava provar o ninho de mandioquinha, a releitura de "Rei Alberto" ou o Flan de Queijo da Canastra, que tinham saído na capa de uma revista de Gastronomia no mesmo mês... Esta sobremesa é simples, lembra um pouco comida de criança. Boa, serviu pra conhecer o Licuri, mas eu não comeria de novo.

  "O Ovo": Espuma de côco, macedônia de côco queimado escondidas sob a espuma e sorvete de gemas. Esta estava bem gostosa mesmo!

"O Ovo": Espuma de côco, macedônia de côco queimado escondidas sob a espuma e sorvete de gemas. Esta estava bem gostosa mesmo!

Desde que conheci o restaurante, o Maní tem sido cada vez mais elogiado e vem ganhando muito reconhecimento e prêmios. Muito merecidos, na minha opinião. Recentemente foi alçado à 36a posição no ranking da revista Restaurant, que faz a lista dos 50 melhores restaurantes do mundo. 

Gostei bastante da variedade de cores e texturas exploradas nos pratos, além das louças utilizadas e muito bem escolhidas para compor a moldura daquilo que comi. O serviço do restaurante é impecável! O garçon que me atendeu foi muito simpático e cortês e a moça responsável por levar os pratos à mesa - e apresentá-los - foi de uma atenção e delicadeza fantásticos! Voltaria ao restaurante milhões de vezes para provar o cardápio todo. Repetiria outras tantas coisas. Amei! Figura entre os melhores do mundo para mim. Parabéns à Helena Rizzo, Daniel Redondo e toda a equipe!