[Cooked] A mínissérie do Michael Pollan no Netflix.

Eu estava em compasso de espera para assistir à série Cooked, do Netflix. Michael Pollan é um autor que sigo cada vez mais de perto, muito embora eu ainda não tenha nenhum livro dele em minha biblioteca. O jornalista começou a escrever sobre comida há algum tempo e acabou por se tornar um ativista no resgate das funções social e política da comida preparada em casa e compartilhada em família. 

Fonte: http://a.fastcompany.net/multisite_files/fastcompany/imagecache/1280/poster/2015/12/3054219-poster-p-1-how-michael-pollan-gets-us-to-actually-listen-to-him-when-he-talks-to-us-about-healthy-eatin.jpg

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Segundo ele, a industrialização chegou ao ponto de consumirmos produtos cada vez mais estranhos àqueles que costumávamos ter em nossas despensas tempos atrás. Muito embora o fortalecimento desta mesma indústria tenha se dado sob o discurso de que alimentos processados possibilitariam acabar com a fome no mundo, o que ocorreu foi um alheamento do processo produtivo da comida, aumentando o desperdício. Essa vitória da indústria sobre nosso hábito de cozinhar a própria comida tem sido responsável pelo desaparecimento de ingredientes e saberes culinários em todo o mundo. Fazemos escolhas cada vez piores e nos alimentamos sozinhos, desconectados do que a comida é, de fato. Isso tem consequências muito ruins. Chegará o dia onde nenhum ser humano sobre a face da terra será capaz de produzir e cozinhar seu próprio alimento?

A série é dividida em 4 episódios, dedicados a cada um dos 4 elementos fundamentais da natureza: fogo, água, terra e ar. Partindo de cada um deles, somos transportados para a história da alimentação e os costumes ancestrais de caça e saberes culinários dos povos, como os aborígenes australianos. O programa fala sobre as vantagens que a humanidade obteve após o domínio do fogo e sua aplicação sobre os ingredientes, proporcionando menor tempo de mastigação e digestão e nos deixando livres para outras atividades. No fim, devemos nossa humanidade e civilização ao fato de termos aplicado o fogo à comida um dia.

Outras descobertas vieram, como a agricultura, e a variedade de formas de conservação dos alimentos nos permitiu um sem número de possibilidades.  Fermentação, desidratação, salga ou cocção em meios ácidos, defumação e cura... Tudo isso nos permitiu driblar as adversidades das estações mais secas e frias, disponibilizando produtos para o consumo ao longo do ano. Isso, aliado à aplicação de técnicas diversas de cocção em meios diversos, além do modo de vida de cada povo. Estes foram ingredientes fundamentais para que tenhamos criado culturas gastronômicas tão diferentes nos quatro cantos do planeta. A riqueza de ingredientes, preparos, apresentações e sabores é uma das grandes maravilhas do mundo. Porém, corremos um risco incrível de perdermos nossas culturas e saberes culinários por conta das características do mundo moderno, como a falta generalizada de tempo. Isto somado ao baixo poder de compra da maioria da população mundial acaba proporcionando vantagens enorme às grandes empresas de fast-food, bem como da indústria de alimentos super-processados. Em consequência disso, a indústria introduziu conservantes, espessantes e melhoradores de sabor na busca por baratear seus produtos ao máximo, comprometendo a qualidade deles. Daí para as doenças comuns no mundo moderno, um pulo!

Uma das teses mais interessantes do autor é que ao termos terceirizado o trabalho de matar os animais que comemos (bem como todo o processo de preparação das peças para que possamos somente cozinhá-las), nós perdemos o respeito pelo sacrifício animal. Ignorando que a carne é produto de uma morte, desperdiçamos uma matéria-prima que até pouco tempo era utilizada em sua totalidade nas casas das pessoas, em preparos diversos. Enquanto o episódio abordava estas questões, eu me lembrava da minha avó matando galinhas no quintal. Depenando-as e limpando a carcaça até chegar aos miúdos, tudo seria aproveitado em vários tipos de preparação. Era um ritual que tomava quase que metade do dia. Hoje em dia compramos pedaços de frango em bandejas de isopor envolvidas em plástico filme. 

Particularmente fiquei chocada com a parte dedicada à cultura alimentar da Índia e países similares, como o Sri Lanka. Estes países têm sua cultura alimentar baseada nos ensopados, com cocção em meio aquoso. Como este tipo de preparo demanda mais tempo para ficar pronto, a indústria alimentícia encontrou terreno fértil para disseminar seus produtos na região. Aqui no Sri Lanka há uma profusão de propagandas da Knorr e da Maggi nas ruas. Estão conseguindo subverter toda a cultura gastronômica local do Rice and Curry e introduziram o miojo num país onde tradicionalmente não consome macarrão. Em toda festa popular que fui até agora, havia carrocinhas de miojo disponíveis e lotada de clientes. 

Com participações de Nathan Myhrvold, passando por uma cozinheira ex-funcionária do Chez Panisse, um especialista em churrasco no estilo americano e chegando a uma freira microbióloga, Michael nos leva a refletir sobre a importância do resgate do ato de cozinhar em casa. Nutrir nossa família como um ato político e de independência. Além de muito amor, é claro!

Mudança de Ares: o Expresso Canela agora tem sede no Sri Lanka!

Um dos motivos pelos quais o blog tem esse nome é que, de tempos em tempos, eu me mudarei de cidade e de país. Com o objetivo de conhecer bastante a gastronomia local, nada melhor que um espaço como esse para compartilhar as experiências. E depois de quase 4 anos em solo estadunidense, eis que nos mudamos de mala, cuia, computador e cachorrinho para o Sri Lanka, capital: Colombo.

Jurema, em sua primeira aparição no Blog. Ainda em Miami, já estávamos empacotados, rumo ao aeroporto.

Jurema, em sua primeira aparição no Blog. Ainda em Miami, já estávamos empacotados, rumo ao aeroporto.

Uma curiosidade antes de prosseguir. Esta é a segunda vez que um concurso culinário prediz onde morarei. Em 2011 participei de um concurso de uma revista paulistana, cujo prêmio maior era representar o Brasil numa feira de alimentação que ocorreria em Miami. Não ganhei, mas fui morar na cidade um ano depois. Ano passado, participei de um concurso cujo prêmio era passar uma semana viajando pelo Sri Lanka, gravando vídeos e escrevendo sobre as experiência gastronômica no país. Não fui selecionada, mas cá estou eu pra morar por aproximadamente 2 anos e meio. Qual será o próximo destino? Confesso que não estou com tanta pressa assim pra descobrir. 

A vista que temos do quarto do hotel. Um grande empreendimento imobiliário chinês está tomando corpo. Atrás, uma lagoa e logo adiante, o Oceano Índico. 

A vista que temos do quarto do hotel. Um grande empreendimento imobiliário chinês está tomando corpo. Atrás, uma lagoa e logo adiante, o Oceano Índico. 

Chegamos no dia 13 de janeiro. Com as dez horas e meia de diferença de fuso horário com Miami e 7 horas e meia de diferença com o Brasil, ainda era 12 de janeiro pelas bandas de lá. Desde então estávamos lidando com os efeitos do jet lag e tentando ajustar nossos relógios biológicos ao horário local. Às 6 horas da tarde (7h30 da manhã em Miami) eu era acometida por um sono incontrolável. Acabava sendo vencida, Jurema se achegava e dormíamos juntas. Tudo errado! Uma semana depois, consigo não sucumbir ao sono durante o dia. Mas ainda tenho ido dormir mais cedo que o meu normal. Acho que vou aproveitar e deixar assim. Acordar mais cedo tem sido bom. Como estamos hospedados num hotel temporariamente, até acharmos uma casa e nossos móveis chegarem, o café da manhã tem sido bastante agradável e educativo acerca das comidas típicas daqui. Alguns exemplos:

Meu primeiro café da manhã Cingalês. Frutas com gosto bem parecido com as do Brasil. 

Meu primeiro café da manhã Cingalês. Frutas com gosto bem parecido com as do Brasil. 

Esse é o  Hopper , uma panqueca feita com leite de côco, farinha de arroz e sal, servida com um ovo cozido dentro. Por cima eu espalhei um pouco de  Pol Sambol , um condimento de côco ralado com pimenta. Delicioso!

Esse é o Hopper, uma panqueca feita com leite de côco, farinha de arroz e sal, servida com um ovo cozido dentro. Por cima eu espalhei um pouco de Pol Sambol, um condimento de côco ralado com pimenta. Delicioso!

O chá é o grande destaque entre as bebidas aqui. O Sri Lanka é um dos maiores produtores de chá do mundo. Essa marca é uma das mais famosas.

O chá é o grande destaque entre as bebidas aqui. O Sri Lanka é um dos maiores produtores de chá do mundo. Essa marca é uma das mais famosas.

Há sempre opções indianas no cardápio. Esse era um pão chato e bem fino e crocante, recheado de batatas condimentadas. Ao lado um pouco de chutney de côco e um tomate assado que achei em outra ilha de comida. 

Há sempre opções indianas no cardápio. Esse era um pão chato e bem fino e crocante, recheado de batatas condimentadas. Ao lado um pouco de chutney de côco e um tomate assado que achei em outra ilha de comida. 

O contato com a comida tem sido um capítulo à parte. Eu gosto muito de comida indiana e de pimenta. A comida cingalesa tem muitas semelhanças com a comida do país super populoso ao norte. Até porque o Sri Lanka fez parte da grande Índia, antes da independência. Dizem que a comida cingalesa é muito mais apimentada que a indiana. Comparada com as adaptações que conheço até agora, é mesmo. Preciso ir à Índia para confirmar se isso é verdade. O fato é que eu já achei que quase fosse morrer (ao menos que a minha boca explodiria para sempre) de tanta especiaria num único prato. Percebi, na prática, uma das vantagens de se comer comida extremamente temperada por aqui: você come, transpira, pega um ventinho e refrigera. No calor daqui isso é sempre uma grande vantagem! Porém, confesso que fiquei preocupada como meu corpo reagiria a tanto condimento. Até agora, com excessão da boca, o restante do meu sistema digestivo deu conta numa boa. O que é ótimo! 

Encontrar uma casa tem sido um desafio. Para um casal sem filhos e com um cachorro, achar uma casa pequena tem sido complicadíssimo! Cachorros não são admitidos em praticamente nenhum prédio da cidade. A corretora me contou que muçulmanos não têm uma boa relação com cães e os consideram impuros. Para evitar confusões, os condomínios vetaram. Daí a necessidade de morarmos em casa desta vez. 

Aqui as construções são mais antigas, em estilo colonial e com muitos quartos. Acima de 4 é o normal. Isso sem falar em dependência de empregados, algo muito comum por aqui. Tanto que as casas têm até duas cozinhas! Pra quem estava acostumada a fazer todo o serviço de casa, tem sido tudo muito interessante e estranho. 

Vista de um apartamento que eu vi e que surpreendentemente aceita cães. Infelizmente, Colombo fica a oeste da ilha do Sri Lanka. Isso significa dizer que pra ter uma vista linda desta, é preciso passar o calor infernal de ter o apartamento virado para o poente. Confesso que fiquei meio tentada a desconsiderar isso, mas...

Vista de um apartamento que eu vi e que surpreendentemente aceita cães. Infelizmente, Colombo fica a oeste da ilha do Sri Lanka. Isso significa dizer que pra ter uma vista linda desta, é preciso passar o calor infernal de ter o apartamento virado para o poente. Confesso que fiquei meio tentada a desconsiderar isso, mas...

O sol, pondo-se no mar. 

O sol, pondo-se no mar. 

Após uma semana de chegada posso dizer que várias histórias deverão aparecer por aqui. É tudo muito novo, desde as pessoas te olhando na rua como se você fosse um ET, passando por templos budistas espalhados pela cidade, as comidas incríveis, o povo hospitaleiro, as roupas das mulheres, as festas... Por falar em roupa e festa, hoje aconteceu um casamento no hotel. Segue uma foto das convidadas, para ter uma idéia.

Gordurinhas a mais aqui parecem ser consideradas charme. Já gostei!

Gordurinhas a mais aqui parecem ser consideradas charme. Já gostei!

[Produtos] Vosges Haute Chocolate.

Apesar de muita gente relacionar chocolate norte-americano à marca Hersheys e as famosas barras de chocolate como 3 Musketeers e Snickers, que apesar de gostosas são absolutamente doces e cheias de HFCS, há muitos bons chocolates sendo feitos por aqui. Especialmente quando se falar de chocolate meio-amargo. 

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Um das grandes marcas que podem te dar uma pista do que acontece por aqui é a Vosges. E como falamos de uma marca americana, é claro que o sabor mais exótico - e o primeiro que provei - é o de chocolate com bacon. Como assim? O princípio desta mistura é o chocolate com cristais de sal. O contraste entre os sabores doces e salgados fazem com que o resultado seja bastante agradável: o sal ressalta o sabor do chocolate e dá uma quebrada no açúcar. Quando resolveram adicionar o bacon no chocolate, além da presença do sal incorporou-se também o sabor defumado. 

A Vosges é uma empresa cujo mote são combinações entre o chocolate e outros ingredientes inusitados, como o bacon, a cerveja tipo Stout, curry, goji berry... A marca tem duas opções de concentração de cacau com bacon: ao leite e maio-amargo. E eu vou te falar: é muito bom! Pra quem gosta da combinação de chocolate com flor de sal é uma excelente pedida. Desde que você coma carne, é óbvio! Outra grande opção é a linha de barras Super-dark. Esse, bem amargo, até quem é vegan pode comer. Eu achei delicioso!

As barras são facilmente encontradas nas lojas do Whole Foods. Em Nova Iorque, eles possuem lojas super chiques, onde você pode provar alguns bombons e trufas que eles fazem pra poder escolher. E há, sempre, a opção de comprar pela internet.  

[Chicago] 4 dias numa cidade com programação pra mais de ano.

Em julho último Bruno e eu fizemos uma viagem complementar àquela de barco no rio Mississippi. Por conta do cancelamento de nossa ida à Clarksdale naquela época, a viagem não estava completa. Encontramos um jeito de sanar isso fazendo o caminho inverso do percurso, só que desta vez por terra e incluindo Chicago. Queríamos voltar a Memphis e a Nova Orleans, além de passear um pouco pelo interior do estado do Mississippi, daí este roteiro pareceu mais do que propício. 

Uma das esculturas mais famosas da cidade,  The Bean , no   Millenium Park  .

Uma das esculturas mais famosas da cidade, The Bean, no Millenium Park.

A cidade já foi cenário de vários filmes que hoje são considerados cult, como 'Curtindo a Vida Adoidado' e 'Os Irmãos Cara de Pau'. Com estes filmes em mente, deu pra reconhecer a cidade em alguns pontos e sentir certa familiaridade. Mas eu confesso que minha primeira impressão de Chicago foi algo como um desapontamento. Eu a tinha como algo próximo a Nova Iorque e encontrei uma cidade com a estrutura parecida com a da maioria das outras grandes cidades americanas, com um centro de arranha-céus e um grande parque, com o restante da cidade bem espalhado. Mas a decepção se transformou em encantamento rapidinho, porque há tantas coisas pra ver e fazer na cidade que você fica até sem saber por onde começar. Daí, aproveitamos para turistar um pouco, coisa que Bruno não costuma fazer em viagens. A reviravolta aconteceu assim que visitamos o incrível Instituto de Artes da cidade. Ele deu uma de Cameron e quis fazer tudo diferente depois de ver o quadro de Georges Seurat de perto. A maioria das obras mostradas no filme fazem parte do acervo permanente do Museu, então pudemos vê-los todos pessoalmente. Detalhe irritante dos vários chineses, com câmeras super potentes, tirando a mesma foto 5 vezes do mesmo quadro. Como eu tenho preguiça de gente tirando fotografia em museus e atrapalhando os outros de curtirem as obras...

Bruno quis visitar todos os museus ao mesmo tempo agora. E eu tive de dosar isso pra ele não enlouquecer e esquecermos que havia uma cidade lá fora querendo ser descoberta também. O tour pelos museus foi bastante legal, especialmente os que se localizam no centro da cidade, com destaque pra melhor vista do Skyline de Chicago, no Planetarium. Eu gosto muito de fazer estes passeios, mas também gosto muito de bater perna na rua e descobrir coisas ao acaso. Daí minha intenção de controlar um pouco os impulsos museólogos dele. Acho que consegui. 

A vista que se tem da cidade, quando se está no café do  Adler Planetarium . 

A vista que se tem da cidade, quando se está no café do Adler Planetarium

O   Lurie Garden   fica logo depois do  The Bean  e da Concha Acústica do Millennium Park, entre eles e o Art Institute. Tem de ficar atento pra ver a entradinha pra ele, que parece um labirinto. E lá estavam flores de todos os tipos, insetos e gente, tudo isso aliado a um clima gostoso nem frio e nem calor demais. 

O Lurie Garden fica logo depois do The Bean e da Concha Acústica do Millennium Park, entre eles e o Art Institute. Tem de ficar atento pra ver a entradinha pra ele, que parece um labirinto. E lá estavam flores de todos os tipos, insetos e gente, tudo isso aliado a um clima gostoso nem frio e nem calor demais. 

Vista que se tem do  Lurie Garden  quando se está no Art Institute. 

Vista que se tem do Lurie Garden quando se está no Art Institute. 

Alá a ausência de borda no lago Michigan! Parece mar!!! 

Alá a ausência de borda no lago Michigan! Parece mar!!! 

Este prédio, onde fica localizado o   Skydeck  , chama-se  Willis Tower . É o prédio da antiga loja de departamentos  Sears , lembra? Pena que as caixas do  Skydeck  ficam num lado com vista menos interessante que a da foto acima. Mas mesmo assim vale a sensação de estar flutuando sobre a cidade. 

Este prédio, onde fica localizado o Skydeck, chama-se Willis Tower. É o prédio da antiga loja de departamentos Sears, lembra? Pena que as caixas do Skydeck ficam num lado com vista menos interessante que a da foto acima. Mas mesmo assim vale a sensação de estar flutuando sobre a cidade. 

Ficamos num hotel em South Loop e, por isso, acabamos nos concentrando mais naquela região, que é onde se localizam grande parte dos museus. O centro da cidade é conhecido como Chicago Loop, que é dividido de acordo com a linha do trem suspenso que passa por lá. Além do Art Institute of Chicago, fomos ao Museu de História Natural, ao Planetário, ao Museu de Ciência e Indústria (esse bem distante do centro, bem mais ao sul da cidade. É preciso ir de carro ou fazer uma combinação de metrô e ônibus, que não fizemos por pura falta de tempo) e ao Museu de Fotografia Contemporânea. E no primeiro dia, fomos comemorar nosso aniversário de casamento no The Aviary e no Nextcomo já contei nos respectivos posts.

Dois dos prédios mais famosos da cidade. Detalhe da garagem incrível na base deles! O nome do arquiteto é Bertrand Goldberg.

Dois dos prédios mais famosos da cidade. Detalhe da garagem incrível na base deles! O nome do arquiteto é Bertrand Goldberg.

Fizemos o passeio de barco para ver os prédios - projetados por arquitetos famosos - que margeiam o rio, mas não o especializado em Arquitetura, que só depois descobrimos que existia (droga, teremos de voltar...). O passeio que fizemos foi bastante legal, 90 minutos de muita informação sobre os prédios e a história da cidade (como o grande incêndio que a consumiu em 1871 e as especulações sobre o seu início). Você pode ainda tomar uns bons drinks enquanto observa os prédios bem de perto. É quase como deve ser passear de maca por NYC, como bem definiu o saudoso Tom Jobim. Vale demais. Também passeamos pela orla do Lago Michigan que é tão gigantesco que você jura que é mar e tão te zoando falando que é lago. Sério, não dá pra ver nada além de água no horizonte. 

O motivo de viagem era também o Blues. Chicago foi o destino da maioria dos músicos oriundos do Delta do Mississippi (região no interior do estado de mesmo nome, onde nasceram e iniciaram suas carreiras, ainda como trabalhadores em fazendas de algodão). Robert Johnson, o bluesman  cuja fama de ter vendido a alma ao diabo para ter o dom de tocar violão girou o mundo, gravou uma música em homenagem à cidade. E desde então ela tem sido cantada por inúmeros músicos pelo mundo, virando uma espécie de hino da cidade. Pela relativa proximidade do estado do Mississippi e pelo seu desenvolvimento à época, Chicago era o caminho natural daqueles que queriam viver de sua música, deixando a vida dura das Cotton Plantations para trás.

Fomos a duas casas especializadas no gênero. A Buddy Guy Legends, do guitarrista famoso de Blues de mesmo nome - e um dos poucos que ainda está vivo - e o Kingston Mines, o mais antigo clube de Blues da cidade. Ambas as casas são muito bacanas, mas eu achei a do Buddy Guy com ar mais autêntico, apesar de mais nova. Pelo menos porque lá foi promovida uma grande Jam Session com os artistas locais e muita gente que estava na platéia subiu ao palco em algum momento. Até um Reco-reco man autista que tocava pra caramba. Achei o lugar mais festivo e vibrante, embora tenha gostado bastante da banda de Mike Wheeler, a segunda que se apresentou na noite em que estivemos no Kingston Mines. De toda maneira, pra quem gosta do gênero, vale demais fazer um tour por estas casas. Existem várias outras, se você estiver com tempo na cidade e gostar do gênero, se jogue!

Buddy Guy e Jimmy Burns. Na noite que fomos à casa, era Jimmy Burns quem comandava a festa. Guy não deu as caras, parece que estava em turnê fora da cidade. 

Chicago faz parte da Trilha do Blues e tem seu marco fincado no parque do South Loop, perto das esculturas Ágora, que são muito legais de visitar e fotografar. Elas causaram um impacto tão incrível na cidade quando foram expostas que os moradores se mobilizaram para que elas ficassem permanentemente ali. E elas ficam no caminho do Museum Park District, onde se localizam o Museu de História Natural e o Planetário.  E é perfeitamente possível visitar tudo isso num dia. E é lá onde planejam construir um museu sobre o George Lucas e sua obra, ou seja: vamos ter de voltar um dia. ;)

Blues Trail Mark . Há uma trilha inteira marcada com placas como esta, espalhada por vários estados americanos. Fãs de Blues podem fazer uma viagem tomando-as como base. Visitamos algumas ao longo desta viagem. Muito legal!

Blues Trail Mark. Há uma trilha inteira marcada com placas como esta, espalhada por vários estados americanos. Fãs de Blues podem fazer uma viagem tomando-as como base. Visitamos algumas ao longo desta viagem. Muito legal!

Ágora. Incrível!

Ágora. Incrível!

A viagem foi tão incrível e cheia de coisas pra fazer que acabamos esquecendo de comer a pizza símbolo da cidade, a chamada Deep Dish Pizza. A gente até tentou comer uma nas últimas horas na cidade, mas fomos pegos por um jogo de futebol que congestionou a cidade inteira, bem no dia em que fomos visitar o museu mais distante do centro. Essa vai ter ficar pra próxima visita! 

[Filmoteca] Kings of Pastry

Kings of Pastry mostra a loucura que é participar de uma das certificações mais severas e criteriosas da Gastronomia mundial, o MOF. Este é um título conferido aos aprovados nesta longa e estressante avaliação, cujo nome Meilleur Ouvrier de France significa algo como "Melhor Artesão da França". Trata-se de um título concedido pelo governo francês para os melhores em sua área de atuação, contemplando confeiteiros, estilistas, serralheiros e uma infinidade de outras profissões onde o trabalho manual é decisivo para o atendimento das necessidades do cliente. Os que a conseguem, podem ostentar um colarinho com as cores da França em sua Dolmã. É usado como uma condecoração! 

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/7/75/Kings_of_Pastry_poster.jpg

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/7/75/Kings_of_Pastry_poster.jpg

O filme aborda a luta de vários concorrentes confeiteiros para conseguir o título. O prêmio ocorre de 4 em 4 anos e exige um nível de destreza similar ao de um atleta olímpico. Esculturas em açúcar, em Chocolate, doces feitos em vários tamanhos e formatos... Todos apresentados numa mesa conceito, como se fosse uma coleção de desfile de alta costura. Acompanhamos mais precisamente a trajetória de um chef patissier, americano de Chicago, que possui em sociedade com um Francês, detentor do MOF, uma escola de confeitaria na cidade. 

Vale a pena assistir e ver o nível de excelência que aquelas pessoas atingiram em sua vida profissional e tudo o que elas têm de deixar de lado para conseguir ser um dos melhores. Uma das coisas mais interessantes é ver o sofrimento dos jurados quando algum acidente acontece e um concorrente não consegue a certificação. Vale demais! 

[Mississippi River] Subindo o rio num barco à vapor super charmoso!

Dias atrás eu li um artigo no The New York Times que falava sobre como o tipo de férias que você tira pode dizer bastante ao seu respeito. Achei o texto tão bacana que fiquei pensando com meus botões sobre as viagens que tenho feito ultimamente e deu vontade de escrever sobre elas novamente. A audiência do blog é mais de 90% de acessos em busca de receitas. E por isso, mesmo que um dos temas aqui sejam minhas viagens, eu as estava negligenciando. Resolvi por um fim nisso. E decidi recomeçar pela viagem que fizemos pelo Rio Mississippi em dezembro de 2013.

O barco, na primeira parada que fez para visitarmos as  Plantations  da Louisiana.

O barco, na primeira parada que fez para visitarmos as Plantations da Louisiana.

Desde que chegamos aos EUA, eu saí pesquisando lugares pra irmos, coisas que eu queria ver, cidades que queria conhecer, pontos turísticos, etc. Um dia, sem querer, esbarrei num artigo que mostrava esse passeio pelo rio Mississippi num barco a vapor. Fiquei com esse passeio na listinha de sonhos, porque ele era muito caro e proibitivo, porém bastante interessante e inusitado. Daí, tempos depois minha mãe quis vir passar o natal conosco, por conta da morte da minha avó. Ela queria fazer um cruzeiro, mas odeia praia e os que saem daqui de Miami em dezembro só fazem o roteiro do Caribe. Comentei sobre esse passeio, frisando que era um sonho, porque caro, e ela insistiu pra que eu pesquisasse mais sobre ele. Na mesma noite eu recebi a newsletter da empresa, oferecendo 50% de desconto no passeio de Holidays e eu pensei: "É agora!". Todos toparam entusiasmados. E daí nós fomos.

O barco ancorado no porto de  NOLA . Fomos recebidos com banda de  Jazz  e tudo. 

O barco ancorado no porto de NOLA. Fomos recebidos com banda de Jazz e tudo. 

A empresa oferece passeios que sobem ou descem o rio, com temas diversos (Guerra Civil, Música, Literatura e Festividades de fim de ano) e vários pontos de partida e chegada (New Orleans - Memphis; Memphis - Cincinnati, Cincinnati - St. Louis, etc). Como viajamos no inverno, tivemos um pouco de cada um dos temas incluídos no programa de 8 dias embarcados, que é a programação do período de feriados de fim de ano. Escolhemos o trecho Nova Orleans - Memphis por conta da estação e os outros trechos seriam inviáveis, porque mais ao norte do país. Os outros trechos devem ser ótimos, mas só em outras épocas do ano. Eu iria em todos se pudesse!

É importante dizer que este é um passeio pensando pra o americano. Isso é legal porque é o tipo de viagem onde você pode conhecer o que são os Estados Unidos, fora das bolhas que os pontos turísticos mais procurados pelos brasileiros costumam ser. Por outro lado, não é fácil encontrar um funcionário que fale português no barco. No nosso, tinha um que estava aprendendo a língua, mas falava e compreendia muito pouco. Portanto, se você não fala e nem entende nada de inglês, nem ninguém da turma que vai viajar, faça outros planos. Apesar de a equipe do barco ser super solícita, o passeio seria um tanto quanto frustrante pela barreira da língua. Nos passeios os guias falam só inglês também, eu tive de traduzir tudo pros meus pais.

Um barco a vapor menor, mas semelhante ao nosso, na saída de Nova Orleans.

Um barco a vapor menor, mas semelhante ao nosso, na saída de Nova Orleans.

Quando fomos, éramos os únicos estrangeiros além de uma família de chineses e um casal suíço. Os outros 300 hóspedes eram americanos mais velhos, na casa dos 70 anos pra cima. Havia uma família jovem com crianças, mas a maioria dos hóspedes eram americanos aposentados aproveitando a vida. Porém, isso não significa dizer que é um cruzeiro de jogo de biriba, não! Foi bastante divertido, eles eram todos muito animados, conversadores interessados e simpáticos. A programação do barco era bem movimentada também! Além disso, 3 refeições diárias bem servidas, à vontade! Vou tentar escrever um pouco sobre as paradas do barco:

Escadaria que dá acesso ao primeiro piso do barco, onde ficavam o teatro, o bar, o piano lounge e o restaurante. Pra ver mais fotos do interior do barco, clique aqui.

Escadaria que dá acesso ao primeiro piso do barco, onde ficavam o teatro, o bar, o piano lounge e o restaurante. Pra ver mais fotos do interior do barco, clique aqui.

Nova Orleans

Nós decidimos subir o rio, partindo do seu delta. Chegamos um dia mais cedo pra poder curtir um pouco a cidade, mas vou falar sobre ela em outro post, porque voltamos lá recentemente. O pacote incluía uma diária de hotel em NOLA, onde fomos recepcionados pela equipe da empresa, que tomou todas as providências para o nosso embarque. Saímos da cidade no fim da tarde e fizemos nossa primeira refeição à bordo do barco.

Codornas assadas e acompanhamento. Os pratos não eram muito bem montados, mas a comida era bem feita. Havia sempre opção entre  buffet  e serviço a  la carte . Incluído, uma taça de vinho ou cerveja. Se quisesse algo diferente, teria de ser pago por fora, no cartão magnético do barco. 

Codornas assadas e acompanhamento. Os pratos não eram muito bem montados, mas a comida era bem feita. Havia sempre opção entre buffet e serviço a la carte. Incluído, uma taça de vinho ou cerveja. Se quisesse algo diferente, teria de ser pago por fora, no cartão magnético do barco. 

A cada dia 3 opções de prato principal. Ainda tinha entrada e sobremesa. No almoço e no jantar. Tive de tormar cuidado pra não voltar rolando pra casa, porque era muita comida. E ainda tinha um café com petiscos (sorvete,  cookies , pipoca, etc.) disponível para boquinhas ao longo do dia. E bebidas quentes! Afe...

A cada dia 3 opções de prato principal. Ainda tinha entrada e sobremesa. No almoço e no jantar. Tive de tormar cuidado pra não voltar rolando pra casa, porque era muita comida. E ainda tinha um café com petiscos (sorvete, cookies, pipoca, etc.) disponível para boquinhas ao longo do dia. E bebidas quentes! Afe...

Oak Alley e Laura Plantations

Vista da casa principal, quando os portões de entrada ainda estava fechados. Logo cedinho pela manhã, já estávamos na porta. Estes carvalhos enfileirados já existiam antes da construção da casa. São 28 no total e alguns têm mais de 300 anos! Passar por este corredor arborizado é uma sensação incrível. E pensar que certamente esta fazenda foi palco de tantas injustiças...

Vista da casa principal, quando os portões de entrada ainda estava fechados. Logo cedinho pela manhã, já estávamos na porta. Estes carvalhos enfileirados já existiam antes da construção da casa. São 28 no total e alguns têm mais de 300 anos! Passar por este corredor arborizado é uma sensação incrível. E pensar que certamente esta fazenda foi palco de tantas injustiças...

Fomos recebidos por funcionários trajados como na época da escravidão. Uma questão de ambientação que ocorre com muita frequência em casas históricas do sul. Para acessar o site da fazenda, clique no nome dela em destaque logo abaixo.

Fomos recebidos por funcionários trajados como na época da escravidão. Uma questão de ambientação que ocorre com muita frequência em casas históricas do sul. Para acessar o site da fazenda, clique no nome dela em destaque logo abaixo.

Estas são duas fazendas remanescentes do período escravocrata dos EUA. Ambas tornaram-se ponto de visitação turística e foi interessante ver as duas, porque enquanto a OAK Alley é grandiosa, parecida com as casas onde filmaram "E o Vento Levou..." e "Forrest Gump", Laura já é uma fazenda onde é possível vermos, inclusive, as listas com os nomes dos escravos que pertenceram à ela. Há passeios guiados nas duas, em inglês. Uma curiosidade sobre a OAK Alley é que a novela americana "Days of our Lives" teve episódios gravados nela. A original, não a que o Joey de Friends fazia, bem entendido. Outra coisa é que na OAK há vários funcionários vestidos com roupas da época, meio que para simular a experiência de volta ao passado. Aliás, este tipo de abordagem é muito comum nas casas históricas que visitamos nestas férias e em outros lugares no sul do país. A inclinação para o entretenimento dos americanos está sempre presente, em tudo. E sempre com as indefectíveis lojinhas o fim do tour! Foi um passeio muito bacana e instrutivo.

Fonte: https://teresastraveladventures.files.wordpress.com/2012/08/img_2909.jpg

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A Laura é uma fazenda Creole, ou seja, uma propriedade de europeus, mais precisamente franceses, que moravam na Louisiana. O estado foi batizado em homenagem à Luis XVI e pertenceu à França até 1803 (antes pertenceu à Espanha) e era muito maior que as suas atuais delimitações. Uma parte foi cedida para a Inglaterra e a outra foi comprada pelo país que se tornaria os EUA que conhecemos hoje. Muitas das famílias francesas que lá estavam, permaneceram; transformando o estado num grande caldeirão de culturas, como a espanhola, a africana, a alemã, além da francesa e inglesa.

A estrutura de funcionamento da fazenda está toda lá, pra gente ver. Em algumas casas, é possível entrar pra ver como eram as habitações dos escravos. Diferente do que acontecia no Brasil, os escravos dos EUA nÃo viviam em senzalas, mas em casas como esta. Para ver mais, clique  aqui .

A estrutura de funcionamento da fazenda está toda lá, pra gente ver. Em algumas casas, é possível entrar pra ver como eram as habitações dos escravos. Diferente do que acontecia no Brasil, os escravos dos EUA nÃo viviam em senzalas, mas em casas como esta. Para ver mais, clique aqui.

Muitas das edificações estão bem maltratadas pelo tempo. Mas isso dá um certo charme à propriedade, que manteve-se intacta. Daí a importância de fazer a visita às duas  plantations , porque na  OAK  há restauração e reconstrução de muitas coisas, com intenção de dar um ar renovado e de volta ao passado. Eles inclusive têm hotel lá! Já a Laura tem a intenção de mostrar como a realidade era, sem retoques.

Muitas das edificações estão bem maltratadas pelo tempo. Mas isso dá um certo charme à propriedade, que manteve-se intacta. Daí a importância de fazer a visita às duas plantations, porque na OAK há restauração e reconstrução de muitas coisas, com intenção de dar um ar renovado e de volta ao passado. Eles inclusive têm hotel lá! Já a Laura tem a intenção de mostrar como a realidade era, sem retoques.

Angola Prison - St. Francisville

Fonte: http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSYnmhWlpn5Iehhr6wzNRKwrqC-FhxL12Q7cH74UVo8UAetiqwW

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Compramos um passeio para conhecer as dependências da Angola Prison, uma das maiores prisões de segurança máxima em funcionamento nos EUA. Foi considerada, durante muito tempo, a prisão mais perigosa do país. É onde se passa o filme "Dead Man Walking - Os últimos passos de um homem", com o Sean Penn e a Susan Sarandon. Eu achei meio mórbido o passeio antes de concordar em fazê-lo, mas meu marido queria muito ir pra conhecer um pouco sobre essa cultura do encarceramento dos EUA. E como é uma prisão histórica, com uma parte antiga desativada e aberta pra visitações. Eu pensei "Por que não?". Foi um passeio um pouco perturbador, porque eu pude ver de fato que para eles essa coisa de prisão é algo até meio batido, com tantos filmes à respeito e com a maior população carcerária do mundo... Parece que é algo bastante banal. Eu fiquei especialmente chocada com gente sentando na cadeira-elétrica desativada pra tirar foto sorrindo ou mesmo retorcendo o corpo, ou gente entrando nas celas, fechando as portas gradeadas e sorrindo pro flash. Enfim... Outra parte da visita nos levou a uma igreja dentro do presídio, onde um cara de 40 anos, condenado à prisão perpétua desde os 20 (quase todos os condenados hoje em dia no estado da Louisianna são "life in prison". É mais barato para o estado manter o cara preso a vida toda do que custear todo o processo necessário para matar um condenado. Mas ainda há alguns condenados à pena capital  - algo em torno de 20% das condenações - no corredor da morte, aguardando a última refeição). Ele nos contou sobre a sua história de transformação por meio da fé e do trabalho dentro da prisão. Hoje, Angola é conhecida por este trabalho de evangelização dos presos, onde trabalham todos os dias e que tem até um campeonato de rodeio famoso no país inteiro. Não me arrependi de ter feito o passeio, de jeito nenhum. Foi muito instrutivo até. Mas não foi algo divertido. Não tirei fotos porque não senti vontade. Ah! Tem lojinha no final, tb. Um museu e os souvenires.

Natchez, MS e Frogmore Plantation:

Quase todos os dias o barco aportou numa pequena cidade às margens do rio. Cidades com história pra contar sobre a Guerra Civil americana. Uma das opções, incluídas no pacote, é pegar um ônibus daqueles de city-tour e ir conhecer os pontos importantes da cidade de parada. A outra, eram as excursões premium pagas a parte, por pessoa. Em Natchez, resolvemos fazer os dois: passeamos pela cidade durante o dia e à tarde fomos conhecer outra fazenda de algodão, longe dali.

Na cidade, descemos na Rosalie Mansion, que é mais uma das casas-museu sobre o período da Guerra Civil americana. Uma casa interessante, que passou por vários proprietários antes de tornar-se museu. Bastante preservada, o mais interessante pra mim foi a cozinha, que ficava fora da residência numa casa à parte. Uma pena que não pudemos passear mais na cidade, porque tivemos de voltar ao barco pra irmos visitar a Frogmore Plantation.

Fonte: http://mshistorynow.mdah.state.ms.us/images/148.jpg

Fonte: http://mshistorynow.mdah.state.ms.us/images/148.jpg

Na Frogmore foi possível ver todo o processo de colheita e fabricação de fios de algodão. A fazenda preservou todas as casas dos escravos, a capela que usavam... Assistimos a simulações de casamentos dos escravos, cantos de igreja e tudo o mais. Foi muito interessante ver de perto tudo isso, inclusive o maquinário antigo para a limpeza e preparação do algodão, certificado pela fundação Smithsonian como raro, em bom estado e funcionando. Quem nos guiou pela propriedade foi a dona, que faz parte da família proprietária desde o período escravocrata.

Essa é a sede da fazenda. Não estava aberta pra visitação porque ainda é moradia da família. 

Essa é a sede da fazenda. Não estava aberta pra visitação porque ainda é moradia da família. 

A capela onde aconteciam os cultos e os casamentos. para saber mais, clique  aqui .

A capela onde aconteciam os cultos e os casamentos. para saber mais, clique aqui.

Lavoura de algodão.

Lavoura de algodão.

As casas onde moravam os escravos.

As casas onde moravam os escravos.

O lugar onde fica a máquina separadora de algodão.

O lugar onde fica a máquina separadora de algodão.

Visitamos também a Longwood, que é uma mansão com arquitetura inspirada no oriente e que começou a ser construída alguns anos antes da Guerra Civil. A casa, que era de um magnata com família grande, ficou inacabada porque o ele faliu com o conflito. O primeiro piso chegou a ser finalizado e hoje funciona como um museu, mas é possível visitar a casa toda e ver ainda os materiais comprados dentro das caixas, esperando para ser usado. Uma construção que foi parada pela guerra e que permaneceu parada no tempo. Muito interessante também, a propriedade inteira é muito bonita!

Na volta para o barco, vimos papai noel desfilar pelas ruas, distribuindo doces. 

Passamos dois no barco por conta de problemas de navegação pela cheia do rio. Com isso, o passeio que eu mais queria foi cancelado! Estava toda animada de poder ir a Clarksdale, no Delta do Mississippi, uma das cidades mais importantes do berço do Blues. Fiquei tão chateada que programamos uma ida lá depois, sobre a qual escreverei mais tarde.

A estada no barco foi bastante agradável. Muitas atividades pra fazer, shows para assistir, livros pra ler, jogos... A vista lá fora também era incrível e, mesmo estando muito frio, íamos de vez em quando dar uma espiada na paisagem e tirar umas fotos. Um passeio memorável! Uma das coisas que mais me chamaram a atenção é que o barco desliza tão calmamente sobre as águas que faz você jurar que está em terra firme. 

Desembarque em Memphis, TN.

Na cidade berço do Rock N' Roll, é claro que fomos visitar Graceland. E como fizemos uma viagem somente em busca de boa música recentemente, onde voltamos a Memphis, escreverei sobre ela no novo post. Ficamos apenas um dia em Memphis mas deu pra ver que a cidade mereceria uma nova ida. Além da Beale Street, Graceland e os vários museus relacionados à música, a cidade ainda tem um Museu de Direitos Civis incrível, que funciona onde o reverendo Martin Luther King Jr foi assassinado. Muito mais do que um memorial, o museu conta toda a trajetória dos negros nos EUA, desde sua chegada como escravos, até os dias em que Barack Obama foi eleito. É imperdível! E ainda tem, é claro (americanos), a oportunidade de você olhar pela janela vizinha à que foi usada pelo assassino do Dr. King e observar a trajetória que a bala fez até matar um dos grandes líderes do país no século 20. O prédio onde o assassino se hospedou também faz parte do museu. É um dia inteiro de muita instrução. 

Por conta disso, reserve uns 3 ou 4 dias pra poder curtir a cidade. Você vai me agradecer por isso depois. 

[Belo Horizonte] Minha segunda casa no Brasil.

Esta cidade foi minha casa por intensos, difíceis e também divertidíssimos 5 anos. Foi a primeira vez em que me senti confortável numa cidade estranha. Talvez, pelo fato de eu ter frequentado o estado de Minas Gerais desde pequena e usar o "Uai" como gatilho para quase todo início de resposta a uma pergunta, essa identificação tenha sido tão fácil. Claro que durante a minha infância eu já havia passado por lá algumas vezes. Era o caminho natural que se fazia para ir de Brasília até Boa Esperança. Mas foram poucas as vezes em que passei mais de metade de um dia na cidade antes de me mudar.

Até ir morar lá, eu morria de inveja de gente que já tinha morado em várias casas e vivido em cidades diferentes. Achava um tédio ter nascido e vivido quase 20 anos no mesmo apartamento, da mesma quadra, da mesma asa sul, da mesma Brasília. Mesmo sabendo que isso tinha muitas vantagens, eu queria era ter vivido uma vida cheia de moradas diferentes. Mal sabia eu que meu desejo se tornaria uma realidade muito gritante e que minhas muitas casas estariam espalhadas pelo mundo um dia... Bom. Só em Belo Horizonte eu morei em 6 casas diferentes. Entre hotel, pensões e repúblicas, me vi dividindo a vida com gente que eu nunca tinha visto na vida, vindas das regiões mais diferentes do país, com as idades mais variadas e as profissões mais distintas possíveis. Dividi espaço com estudantes, nutricionistas, enfermeiras, frentista de posto de gasolina, profética, administradoras... Morei no Centro, no Carlos Prates, no Santa Teresa, no Santa Efigênia, no Grajaú e, por fim, no Alto Barroca.

Me enfiei em enrascadas das mais diversas: virei quase uma sem-teto por um fim de semana; fui resgatada por uma pessoa incrível; virei mascote de turma de pós-graduação; virei pivô de briga entre amigas que dividiam uma casa; vi duas colegas de quarto quase arrancarem os cabelos uma da outra porque uma delas supostamente havia roubado um cheque do talão da outra; vi bilhetinhos, colados em caixas de leite na geladeira, que fariam o bilhete da Phoebe para o sanduíche do Ross parecer brincadeira de criança. Depois, fui morar em lugares mais legais e estáveis, voltei a estudar, terminei o segundo grau que eu tinha largado, fiz um curso técnico, entrei na faculdade, trabalhei nas mais variadas empresas... E fiz amigos pra vida toda!

Recentemente estive no Brasil pra visitar minha família e fazer um check-up de rotina. As despesas com saúde aqui nos EUA são tão absurdas que a gente nem pensa duas vezes: dá pra pagar as passagens de ida e volta, as consultas e exames todos e ainda dar uma passeadinha que fica mais barato. Daí, aproveitei que iria a Boa Esperança e dei uma chegadinha a BH. Pelas minhas contas, tirando duas idas-relâmpago à cidade para dois casamentos, eu não voltava à cidade com calma havia 14 anos. Eu precisava resolver este problema. 

Tirei 4 dias e fui pra lá, me jogar na cidade e tentar me reconhecer nestes 14 anos de mudanças.  Ambas mudamos muito, a cidade e eu, mas tanta coisa permaneceu em seu lugar! Foi um momento bacana de redescoberta, onde pude rever alguns dos meus lugares favoritos da época e conhecer novas coisas. Aproveitei também pra rever gente muito querida com quem eu havia perdido contato. E ainda faltaram tantas outras pessoas pra ver que, no fim, acabou sendo pouco tempo. Ah! Tive a sorte de conhecer o filho do meu primo-irmão, que resolveu nascer mais cedo só pra conhecer a xará dele! Fui embora com a certeza de que ainda seria muito feliz se voltasse a morar em BH um dia. Uma cidade que apesar de todos os seus problemas nos recebe de braços abertos, nos fazendo sentir em casa. 

Fui super bem recebida por uma amiga querida que já conheço há 18 anos. Ela me levou pra casa dela, passeamos um bocado, rimos juntas, fizemos farra, tomamos cerveja, conversamos sobre as coisas da vida, sobre meditação e ela até me levou pra comer canjiquinha com costela de porco na casa da avó dela! Tão bom a gente perceber que tem gente na nossa vida com quem é tão fácil estar junto, né? A Letícia é assim... Foram realmente dias muito gostosos.

Como você pode imaginar, muitas das minhas andanças na cidade foram atrás de comida. Revi lugares que eu frequentei e conheci alguns outros excelentes, como o restaurante Trindade. Ainda tirei um dia inteiro para ir a Inhotim, mas sobre o instituto virá um novo post. Seguem as fotos:

A Praça da Liberdade é uma lugar incrível, onde vou sempre que posso pra passear. E agora está muito mais legal ir lá, porque os prédios que circundam a praça, antes secretarias do estado, foram transformados em Museus incríveis! Se você tirar um dia só pra passear por lá, vai voltar pra casa cheio de estórias pra contar. 

A Praça da Liberdade é uma lugar incrível, onde vou sempre que posso pra passear. E agora está muito mais legal ir lá, porque os prédios que circundam a praça, antes secretarias do estado, foram transformados em Museus incríveis! Se você tirar um dia só pra passear por lá, vai voltar pra casa cheio de estórias pra contar. 

Para saber mais sobre Circuito Cultural Liberdade: http://circuitoculturalliberdade.com.br/plus/

Para saber mais sobre Circuito Cultural Liberdade: http://circuitoculturalliberdade.com.br/plus/

Visitei, junto com a Letícia, o muito mais que bacana Museu de Minas e Metais. Legal à beça, usa de recursos de interação com o expectador para explicar a composição das rochas e metais, a tabela periódica (foto) e muito mais. Eu classifico de imperdível e divertidíssimo! http://www.mmgerdau.org.br

Visitei, junto com a Letícia, o muito mais que bacana Museu de Minas e Metais. Legal à beça, usa de recursos de interação com o expectador para explicar a composição das rochas e metais, a tabela periódica (foto) e muito mais. Eu classifico de imperdível e divertidíssimo! http://www.mmgerdau.org.br

Já que estávamos pertinho, fomos ao Café Belas Artes para eu matar um pouco as minhas saudades. Perdi a conta de quantas vezes eu vim aqui para assistir a filmes de arte, que nunca chegariam às telas dos cinemas comerciais da cidade. Assisti uma enorme quantidade de filmes excelentes nesse lugar. Era aqui que eu, invariavelmente, vinha para curar alguma dor existencial ou quando eu estava muito cheia de dúvidas sobre as coisas que aconteciam na minha vida. Aliás, a esquina das ruas da Bahia e Gonçalves Dias tem muita participação em momentos importantes da minha vida em BH. Acesse: http://www.belasartescine.com.br/cafe-belas-artes.php

Já que estávamos pertinho, fomos ao Café Belas Artes para eu matar um pouco as minhas saudades. Perdi a conta de quantas vezes eu vim aqui para assistir a filmes de arte, que nunca chegariam às telas dos cinemas comerciais da cidade. Assisti uma enorme quantidade de filmes excelentes nesse lugar. Era aqui que eu, invariavelmente, vinha para curar alguma dor existencial ou quando eu estava muito cheia de dúvidas sobre as coisas que aconteciam na minha vida. Aliás, a esquina das ruas da Bahia e Gonçalves Dias tem muita participação em momentos importantes da minha vida em BH. Acesse: http://www.belasartescine.com.br/cafe-belas-artes.php

Ainda no Circuito Cultural Liberdade, mas em outro dia, fui à exposição de Kandinsky no CCBB/BH e conheci, também, a filial do Café com Letras que abriram lá. O Lugar é cheio de placas deste tipo da foto, bem divertidas e representativas da gente trabalhadeira e simples que é a brasileira. Jantamos no Café e a comida estava bem boa. Fui também ao Café com letras original, da Savassi, para almoçar. E senti uma nostalgia incrível de quando a gente ia lá tomar uma café e assistir aos Saraus. http://www.cafecomletras.com.br

Ainda no Circuito Cultural Liberdade, mas em outro dia, fui à exposição de Kandinsky no CCBB/BH e conheci, também, a filial do Café com Letras que abriram lá. O Lugar é cheio de placas deste tipo da foto, bem divertidas e representativas da gente trabalhadeira e simples que é a brasileira. Jantamos no Café e a comida estava bem boa. Fui também ao Café com letras original, da Savassi, para almoçar. E senti uma nostalgia incrível de quando a gente ia lá tomar uma café e assistir aos Saraus. http://www.cafecomletras.com.br

Eu tenho para mim que o dia em que eu for a Portugal eu vou sair rolando pelas ladeiras de lá. Eu simplesmente adoro doces feitos com ovos e quindim sempre foi uma perdição pra mim. Quando eu morava em BH, frequentei uma lanchonete do Barro Preto que tinha um maravilhoso. Ela fazia parte de uma rede de lojas que existe até hoje na cidade, mas a unidade do Barro Preto tinha o melhor quindim. Passei por uma loja deles na saída do Café com Letras e eles não tinham quindim. Saí de lá desiludida e fiquei passeando sem rumo pela Savassi, bairro onde eu também vivi muitas histórias. Até que eu tropecei na Doces de Portugal e entendi: Deus escreve mesmo certo por linhas tortas. Ele me mandou aqui só pra comer o melhor-quindim-da-vida-por-favor-um-suplemento-vitalício-dissaê! http://docesdeportugal.com.br

Eu tenho para mim que o dia em que eu for a Portugal eu vou sair rolando pelas ladeiras de lá. Eu simplesmente adoro doces feitos com ovos e quindim sempre foi uma perdição pra mim. Quando eu morava em BH, frequentei uma lanchonete do Barro Preto que tinha um maravilhoso. Ela fazia parte de uma rede de lojas que existe até hoje na cidade, mas a unidade do Barro Preto tinha o melhor quindim. Passei por uma loja deles na saída do Café com Letras e eles não tinham quindim. Saí de lá desiludida e fiquei passeando sem rumo pela Savassi, bairro onde eu também vivi muitas histórias. Até que eu tropecei na Doces de Portugal e entendi: Deus escreve mesmo certo por linhas tortas. Ele me mandou aqui só pra comer o melhor-quindim-da-vida-por-favor-um-suplemento-vitalício-dissaê! http://docesdeportugal.com.br

Outro lugar que eu não poderia deixar de ir era a Casa Bonomi. Essa padaria foi o meu primeiro contato com uma  boutique  de pão. Achei tão a minha cara que até fiz o projeto de formatura do curso técnico em administração inspirado nela. Era aqui que eu parava quando descia a Afonso Penna todinha, indo do Telemar até o Palácio das Artes que ficava perto de onde eu estudava. Entrava, sentia os cheiros, namorava os produtos e saía sempre com o mesmo pão. Uma focaccia de ervas, que não existe mais por lá. Desta vez em sentei na mesona comunitária deles e pedi uma Eclair de chocolate, um caneleé, expresso e um suco deliciosos. Nessas horas eu fico pensando nas voltas que o mundo dá e fiquei olhando pra porta me imaginando aos 22 anos e entrando pela porta. É tão legal que hajam lugares que duram em BH!  site: http://www.casabonomi.com.br

Outro lugar que eu não poderia deixar de ir era a Casa Bonomi. Essa padaria foi o meu primeiro contato com uma boutique de pão. Achei tão a minha cara que até fiz o projeto de formatura do curso técnico em administração inspirado nela. Era aqui que eu parava quando descia a Afonso Penna todinha, indo do Telemar até o Palácio das Artes que ficava perto de onde eu estudava. Entrava, sentia os cheiros, namorava os produtos e saía sempre com o mesmo pão. Uma focaccia de ervas, que não existe mais por lá. Desta vez em sentei na mesona comunitária deles e pedi uma Eclair de chocolate, um caneleé, expresso e um suco deliciosos. Nessas horas eu fico pensando nas voltas que o mundo dá e fiquei olhando pra porta me imaginando aos 22 anos e entrando pela porta. É tão legal que hajam lugares que duram em BH!

site: http://www.casabonomi.com.br

A  Cum Panio  me foi indicada pela amiga de um grande amigo. Ela me recomendou tanto que eu não pude deixar de pesquisar a respeito. Acabei ficando interessada e indo lá. Pra quê? Morri mil vezes, especialmente porque a casa não aceitava cartão de crédito e eu só tinha 30 reais na carteira. Pra quem teria comprado um pão de cada sabor e formato só pra experimentar, acabei comprando 3 tipos e indo pra casa chateada. Eles tinha de ver isso aí!   A casa é bem pequena, não haviam mesas para comer por lá. Uma padaria mesmo. Os pães um mais lindo que o outro e o cheio de matar de vontade de comer tudo. Adorei a dica!   Fonte: site da Cum Panio http://cumpanio.co

A Cum Panio me foi indicada pela amiga de um grande amigo. Ela me recomendou tanto que eu não pude deixar de pesquisar a respeito. Acabei ficando interessada e indo lá. Pra quê? Morri mil vezes, especialmente porque a casa não aceitava cartão de crédito e eu só tinha 30 reais na carteira. Pra quem teria comprado um pão de cada sabor e formato só pra experimentar, acabei comprando 3 tipos e indo pra casa chateada. Eles tinha de ver isso aí! 

A casa é bem pequena, não haviam mesas para comer por lá. Uma padaria mesmo. Os pães um mais lindo que o outro e o cheio de matar de vontade de comer tudo. Adorei a dica! 

Fonte: site da Cum Panio http://cumpanio.co

[Brasília] O lugar pra onde nunca me canso de voltar!

Eu nunca consegui ver Brasília com olhos de turista. Afinal, nasci e morei nesta cidade mais da metade da minha vida; a vi crescer e desabrochar. Eu achava que desta vez eu poderia fazer este relato sob este ponto de vista, mas me enganei. Porque, com tanta história aqui, eu não consigo deixar de visitar lugares que gosto para matar as saudades. Há muita afetividade envolvida, o olhar daqueles que quem viaja como eu persegue insistentemente: o local, nativo. Que te levaria a lugares que tradicionalmente estão fora dos guias turísticos. 

Bom, como todos mundo sabe, Brasília é um lugar de encontro de várias regiões brasileiras. Aos 55 anos, a cidade mostra que tem a capacidade de acolher gente de toda a parte. Apesar das dificuldades de locomoção e da falta de um centro propriamente dito, há bons lugares espalhados na cidade. E este post tem um pouco de cada coisa: lugares preferidos e novas descobertas. É importante frisar a quem me lê que uma das minhas propostas neste blog é só escrever sobre os lugares que eu gosto, não havendo espaço pra detonar o trabalho de ninguém, muito menos promover aquilo ainda não está bom na minha opinião. E que esta lista é, portanto, algo bastante pessoal. Como os lugares que eu te levaria pra comer se eu ainda morasse lá e você estivesse me visitando. Outra coisa importante de salientar é que, infelizmente, só falarei sobre pontos no Plano Piloto. No mais, vamos lá!

Matando as saudades:

Passear pelas entre-quadras das Asas Sul e Norte: Este é um prazer enorme! As quadras costumam ser bem arborizadas e fresquinhas, a luz do sol passando pelos espaços entre as folhas e, se você tiver sorte e for primavera, além dos Ipês florescendo por todo canto, você ainda terá o canto das cigarras. É uma pena que hoje seja algo raro ver adolescentes e crianças aproveitando do espaços embaixo dos blocos ou dos parques das quadras. Eu aproveitei-os demais!

Visitar o Templo da Boa Vontade: sou agnóstica há bastante tempo e nunca consegui me encaixar em uma religião. Visitei inúmeros templos e nenhum deles me atraiu, com excessão deste. Aqui eu venho sempre que posso; sempre que quero um tempo comigo pra fazer uma pausa, uma conexão de energia pra agradecer. O templo possui um cristal gigante no topo, cuja energia incide bem no centro da espiral que há no piso do salão principal. Cada um tem um jeito de percorrê-la, de colocar-se sob o cristal e exercitar sua gratidão de uma maneira diferente. A única regra aqui é não ir com pressa.

Comer uma Éclair de Chocolate na La Boulangerie: Eu não fiz uma pesquisa comparativa na cidade, levando um monte de eclairs de chocolate pra minha casa pra eleger o melhor deles, mas até hoje eu não comi uma bomba de chocolate melhor do que a deles em Brasília. A massa é fresca e o creme patissiére do recheio é liso, sem grumos e com uma consistência agradável, macio e aveludado. Bomba de chocolate é um dos meus doces favoritos desde criança e essa Éclair nunca me decepciona. Ah! Os pães da casa também são ótimos, sendo o de Cereais e o de Nozes os meus favoritos. 

Tomar um suco e comer um sanduíche frio no Marietta: Desde quando mudei-me pra Belo Horizonte que eu desejo que haja Mariettas em todos os lugares que eu moro. Particularmente acredito que se abrissem uma unidade na Lincoln Road aqui em Miami Beach a loja ia bombar. Tudo a ver com o clima da cidade e seus habitantes, comida saudável, fresca e - principalmente - sucos frescos, feitos na hora (coisa que o povo daqui não sabe muito bem o que é). Belo Horizonte já é uma das cidades que têm a sorte de ter lojas da rede. Quem sabe o mesmo não aocntece por aqui? Pra matar as minhas saudades, um clássico: sanduíche de salpicão com salada e suco Sinfonia Verde-Amarela. Eles costumavam ter um brigadeiro gigante e ótimo, que já consumiu muito do meu salário há bastante tempo. No ponto que eu gosto, na loja onde estive não tinha. 

O sanduíche deles já foi mais bonito, mas continua delicioso!

O sanduíche deles já foi mais bonito, mas continua delicioso!

Comer uma tarta de Limão no Chocolat Glacê: dentro do Brasília Design Center você encontra o que eu considero a melhor tarta de limão da cidade. Equilíbrio entre massa sequinha e levemente crocante, recheio cremoso e azedinho-doce com uma camada de suspiro não muito doce. Na verdade eu só vou comer lá por causa desta tarta. É almoçar esperando pelo paraíso na sobremesa. E o melhor: quem define o tamanho da fatia é você. Claro, é você também quem paga o peso dela. Mas vale cada centavo!

Almoçar no Marietta Café do Casa Park: o buffet de almoço deles é sensacional, apesar de caro. Como eu gosto muito de salada e as opções do buffet frio deles são ótimas, vou sempre que posso. Destaque para o tomate seco da casa... Arrematar a ida com um passeio na Livraria Cultura, um filme no cinema do shopping e um sorvete na Saborella significa uma tarde de passeio bem aproveitada. 

Esqueci de tirar uma foto do buffet deles e achei que encontraria uma bacana na internet. Como não achei nada, vai a foto do meu prato mesmo. Um salada! ;)

Esqueci de tirar uma foto do buffet deles e achei que encontraria uma bacana na internet. Como não achei nada, vai a foto do meu prato mesmo. Um salada! ;)

Comer um picadinho no Fred: este é um dos restaurantes mais tradicionais de Brasília, famoso pelo brasileiro picadinho. O Fred é um restaurante de comida alemã, porém o picadinho deles é tão bom que eu nunca consegui ir lá e pedir outra coisa pra comer. Muito embora eu seja fã de joelho de porco (eu quase criei coragem pra pedir um da última vez), é sempre ele, principalmente porque a casa conseguiu padronizar a receita, fazendo com que o sabor se mantenha ao longo de anos, o que é raro em Brasília. Prato farto para duas pessoas, é servido pelo garçon na sua frente. E sempre sobra um pouquinho pra repetir. Vale demais!

Todo organizadinho. Delícia!

Todo organizadinho. Delícia!

Comer o enroladinho de queijo com côco da Monjolo: Esse é um clássico lá em casa. É só comprar uma bandeja e botar no forno pra aquecer um pouco e derreter o queijo dentro. Bom demais!

Algumas casas têm mesinhas pra você tomar um café por lá mesmo e eu aproveitei pra comer meu enroladinho lá mesmo. Frio também é bem gostoso. 

Algumas casas têm mesinhas pra você tomar um café por lá mesmo e eu aproveitei pra comer meu enroladinho lá mesmo. Frio também é bem gostoso. 

Comer uma Nhá-Benta acompanhada de café na Kopenhagen: tá, este não é um prazer exclusivo de Brasília. Mas é uma das coisas que gosto de fazer, porque o doce é um dos poucos prazeres infantis que tinha que se mantém. Nhá Benta sempre foi igual. Apesar de recentemente ter recebido sabores diferentes no recheio, a de marshmallow simples é imbatível. Acompanhada de um expresso fica perfeita!

Conhecendo novos lugares:

Ernesto Café: Eu já conhecia da outra vez que estive no Brasil. O lugar é pequeno e charmoso, com uma área externa bastante agradável pra tomar um café da manhã. O cardápio é variado, com boas opções de quitutes brasileiros para provar junto aos cafés servidos na casa. Desta vez eu comi uma tapioca recheada com ovos mexidos (pra mim, o melhor recheio para tapiocas. Faltou só o requeijão cremoso!), um bolo de mandioca divino e o café. A única coisa que falta para que a experiência seja fantástica é um atendimento mais atento. Este, um dos calcanhares-de-Aquiles da cidade.

La Paniére: Uma padaria francesa super bacana. Pequenininha, com algumas opções diferentes da La Boulangerie. Destaque pra o Carré, massa de Baguette assada em forma retangular de pão (pra quem adora miolo de pão, este é um desbunde!). Há algumas mesinhas pra tomar um café e eu acabei pedindo um pain aux raisins e um espresso, isso depois de dizer à uma das donas que era a minha primeira vez na loja e ela gentilmente me explicar a proposta da casa e apresentar os pães, sugerindo um ou outro pra eu experimentar. Ah, os croissants da casa também são muito bons!

Os pães que eu levei pra comer em casa. 

Os pães que eu levei pra comer em casa. 

É uma pena que eu não tenha tido tempo de visitar mais lugares; minha lista era extensa! Mas o motivo de não ter conhecido todos os lugares que eu queria é dos melhores: revi amigos queridos e passei muito tempo com eles! 

Isso tudo debaixo deste céu de Brasília! <3

Isso tudo debaixo deste céu de Brasília! <3

[Saint Petersburg] A surpreendente cidade da Flórida que possui um Museu de Salvador Dalí

Desde que chegamos à Miami, tenho pesquisado lugares ao redor da cidade pra podermos aproveitar os feriados. E eu não me lembro muito bem como aconteceu isso, mas descobri que Saint Petersburg, uma cidade a 4 horas daqui, com 250 mil habitantes e localizada na costa oeste do estado, possuía um museu dedicado à Salvador Dalí, o mais completo acervo do artista fora da Europa. Somente agora, quase 3 anos depois, conseguimos realizar minha vontade de conhecer o tal museu. Só que ele foi o responsável por apresentar-nos uma cidade encantadora. Além do museu, a cidade conta com um centro cultural de primeira linha (tinha até show da Alanis Morrisete programado), vários outros museus e galerias de arte, além um calendário de eventos bastante movimentado, o que faz a sua visita muito mais rica. Acabou faltando mais tempo pra conhecer mais e mesmo tendo nos concentrado em Downtown, deixamos de ver muita coisa.

Foram 2 dias intensos, cheios de coisas interessantes pra gente fazer. Assim que chegamos já tivemos uma provinha do que seria a nossa visita. Nos hospedamos num hotel pequeno, familiar, onde os donos te atendem na recepção com um sorriso no rosto e um papo pra lá de animador. Nos deram dicas, perguntaram o que tínhamos programado, deram pitaco... Pra ser um hotel imperdível, só faltou um café da manhã decente. Mas querer isso nos EUA é um tanto quanto difícil. 

Começamos visitando o Saturday's Farmers Market, onde é possível encontrar "de um tudo", inclusive muita coisa boa pra comer. Devíamos ter deixado pra tomar o café da manhã por lá.

Uma barraca só de massas secas...&nbsp;

Uma barraca só de massas secas... 

...&nbsp; com cores e sabores mais diferentes que você já viu.&nbsp;

... com cores e sabores mais diferentes que você já viu. 

Picolés de frutas  pedaçudas e fresquinhas, pro calor que tava fazendo lá. Esse daí era de morango, banana e abacaxi.

Picolés de frutas pedaçudas e fresquinhas, pro calor que tava fazendo lá. Esse daí era de morango, banana e abacaxi.

Na barraca de hortaliças e verduras também tinham flores, como estes lindos girassóis.

Na barraca de hortaliças e verduras também tinham flores, como estes lindos girassóis.

Estes brócolis estavam tão lindos que me deu vontade de levar, mas como estávamos indo ao museu depois deixei pra lá.&nbsp;

Estes brócolis estavam tão lindos que me deu vontade de levar, mas como estávamos indo ao museu depois deixei pra lá. 

Brincadeira com bolhas de sabão gigantes.

Brincadeira com bolhas de sabão gigantes.

Até aparecer um menino chato que insistia em estourar todas as bolhas, quem brincava tentava mantê-las o máximo de tempo possível flutuando. Bacana demais!

Até aparecer um menino chato que insistia em estourar todas as bolhas, quem brincava tentava mantê-las o máximo de tempo possível flutuando. Bacana demais!

O mercado fica bem pertinho do museu, dá pra ir à pé. Escolhemos andar margeando uma pista que tinha sido, recentemente, usada numa corrida de carros - ainda com guard-rails e tudo o mais. A calçada é utilizada pelos moradores para a prática de esportes e cruzamos com vários deles fazendo seus exercícios enquanto caminhávamos. Como estava tudo gradeado à nossa esquerda, foi um tanto estranho andar por um corredor daqueles e meu marido ficava o tempo todo me perguntando se estávamos indo no caminho certo (Bruno costuma ficar nervoso com as minhas opções por caminhar nas cidades. Em Nova Orleans ele quase teve um ataque. Em outro post eu conto.). Mas logo percebemos que chegar por lá foi a melhor coisa, porque de repente surge o primeiro prédio do complexo cultural deles, o Mahaffey Teather. E logo depois, o prédio do The Dali Museum

O Museu. Todo pimpão esperando a gente.

O Museu. Todo pimpão esperando a gente.

O acervo deles não é grande, mas é significativo. Possui obras acadêmicas, passando por algumas representantes do Surrealismo que consagrou Salvador Dalí, até chegar à etapa mais religiosa do artista plástico e a influência dos 8 anos em que morou nos EUA. Porém não se engane. Pequeno acervo não significa que dá pra fazer uma visitinha rápida. Não pra mim. Eu preciso me descolar de quem estiver comigo e curtir o momento sozinha, pra descobrir as coisas que mais me chamam a atenção. Como a representação do pai de Salvador Dalí em várias de suas obras, levando-o pela mão pra conhecer o mundo. Ou, que o artista pintava quadros minúsculos e quadros monumentais. 

Um dos destaques do museu é uma tela onde Dalí, iconoclasta como só ele, quis provar à Scientific American Magazine que um dado divulgado em uma matéria estava errado: a de que só seria possível reconhecer um rosto humano com representações com mais de 150 pixels. Gala Contemplating the Mediterranean Sea  é uma obra monumental, que vale a visita ao museu. Daqueles trabalhos que você precisa ver de perto e de longe, voltar pra perto e afastar-se novamente. 

Depois da visita, decidimos almoçar. Há uma avenida que margeia um parque à beira do mar, onde há inúmeros bares, cafés e restaurantes para todos os gostos, bem como lojas com os mais variados artigos. É a Beach Drive NE, pra onde é possível ir caminhando do museu. Comemos em um restaurante bastante festejado no dia em que chegamos, mas eu sinceramente não achei nada demais. Estivemos em outros pontos que também não foram nenhuma surpresa. O único lugar que é bacana, mas nada do outro mundo, é a Confeitaria do Restaurante Cassis Brasserie. Eu comi uma Eclair de Chocolate bastante correta e meu marido e casal de amigos foram de sorvete. O de maracujá estava muito bom!

Como nosso hotel oferecia happy-hour a partir das 17h00 como cortesia aos hóspedes, fomos até lá pra descansar um pouco e aproveitar pra conhecer algumas pessoas. O sol estava muito forte. Durante a conversa o proprietário nos mencionou um mercado ali próximo que era muito bacana. Como eu falei que era formada em Gastronomia ela se empolgou e disse que eu precisaria ir até lá. Assim que o sol se pôs, fomos eu e meus amigos (Bruno teve princípio de insolação e ficou no quarto) até o Locale Market. E daí, morri de amores! 

A entrada do lugar.

A entrada do lugar.

Esses disquinhos voadores amarelos e verdes são abobrinhas, que exalavam perfume de dama-da-noite.

Esses disquinhos voadores amarelos e verdes são abobrinhas, que exalavam perfume de dama-da-noite.

Heirloom Tomatoes  que eu adoro!

Heirloom Tomatoes que eu adoro!

Há várias opções de take-out ou mesmo pra comer na casa, numa das mesas internas ou externas (que ficam no segundo andar).

Há várias opções de take-out ou mesmo pra comer na casa, numa das mesas internas ou externas (que ficam no segundo andar).

O balcão refrigerado de peixes.

O balcão refrigerado de peixes.

As carnes, com várias opções de cortes de  Dry Aged Steaks.

As carnes, com várias opções de cortes de Dry Aged Steaks.

Algumas opções de proteínas curadas ou cozidas. Destaque para o Confit de Canard bem ali no meio.&nbsp;

Algumas opções de proteínas curadas ou cozidas. Destaque para o Confit de Canard bem ali no meio. 

Mais carne!

Mais carne!

A loja de queijos. Há, espalhados pelo mercado, vários quiosques/lojas especializados.&nbsp;

A loja de queijos. Há, espalhados pelo mercado, vários quiosques/lojas especializados. 

Como era Páscoa, uma escultura de Ovo de chocolate na Confeitaria.

Como era Páscoa, uma escultura de Ovo de chocolate na Confeitaria.

As mesas do pátio térreo externo. Ainda tem mais mesas no segundo piso, onde há uma adega bastante variada, com mesas coletivas pra reunir os amigos, apreciar um bom vinho e petiscar alguma coisa. Eu aproveitei e comi uma pizza e abrimos um vinho que minha amiga comprou. Eles cobram 15 dólares a rolha (quando você compra o vinho originalmente pra levar pra casa, e decide beber lá mesmo, na loja.

As mesas do pátio térreo externo. Ainda tem mais mesas no segundo piso, onde há uma adega bastante variada, com mesas coletivas pra reunir os amigos, apreciar um bom vinho e petiscar alguma coisa. Eu aproveitei e comi uma pizza e abrimos um vinho que minha amiga comprou. Eles cobram 15 dólares a rolha (quando você compra o vinho originalmente pra levar pra casa, e decide beber lá mesmo, na loja.

O Locale me pareceu inspirado no conceito do Eataly de Nova Iorque. O que eu sei é que nem Miami tem algo com o tamanho e a seriedade deste lugar. Fiquei com inveja dos moradores de St. Pete e com muita vontade de voltar. Quem sabe quando minha mãe vier me visitar?

[Filmoteca] Today's Special: a força da herança familiar.

Meu marido implica com os coitados dos garçons americanos, porque eles são forçados a dizer aos clientes os pratos especiais do dia antes que o cliente tenha tempo de apreciar o menu. De fato é um tanto quanto chato o garçon falar sobre tantas opções quando você nem esquentou a cadeira do restaurante... eu gosto de sentar e esperar um tempo, até me sentir no lugar, criando uma espécie de conexão com ele. Sou do tipo que lê o menu devagarinho, imaginando como seria se estivesse comendo o prato à medida em que leio as descrições do prato. E este costume americano me tira um pouco deste clima.

Fonte: IMdb

Fonte: IMdb

Bom, tudo isso para falar de um filme que assisti na semana passada. O Today's Special é um filme que descobri por acaso no Netflix. Fico procurando filmes com a gastronomia como tema para ir treinando minha compreensão auditiva do inglês. E escrever sobre filmes gastronômicos, aqui no blog, tem o objetivo de fazer uma lista daqueles que a gente gosta, num universo cada vez maior de longa metragens sobre o assunto.

O filme conta a história de Samir, um bem sucedido sous-chef de restaurante badalado de Nova Iorque, que se vê preterido a assumir a máxima função em outro restaurante porque o Chef atual acredita que falta inspiração à ele. Tecnicamente, Samir é perfeito. Mas falta alguma coisa. Ele se irrita, pede demissão e resolve mudar radicalmente sua vida, quando o pai sofre um ataque cardíaco. Isso faz com que Samir adie seus planos e assuma temporariamente o restaurante indiano da família. A partir daí, muita coisa acontece, mudando a percepção que o protagonista tem de sua própria vida, compreendendo o peso que sua herança cultural e familiar têm sobre ele. É um filme com algumas passagens bastante inspiradoras e tem belas (mas poucas, na minha opinião) cenas de elaboração de comida indiana. Foi uma bela surpresa!

Me fez pensar que, como estou fora da cozinha, a minha visão do especial do dia é a de cliente. Porém, o prato especial tem, ou deveria ter, a característica de revelar o talento que o chef tem de mesclar ingredientes e produzir uma sensação prazerosa. A tão aclamada inspiração ou o dom de se conectar com os ingredientes e, partindo de um palpite ou uma lembrança, transcender uma trivial combinação de ingredientes transformando-os em algo novo.

[Filmoteca] The Hundred Foot Journey

Filmes sobre comida têm sido cada vez mais comuns na indústria cinematográfica. Provavelmente a elevação dos melhores cozinheiros do mundo à posição de celebridade tenha contribuído pra isso. Afinal, nunca foi tão intenso o interesse pelo assunto como nos dias de hoje. Se bem que, se existisse Instagram na época do grandioso jantar oferecido por Vatel a Luís XIV...

Fonte: Wikipedia

Fonte: Wikipedia

A cena de Helen Mirren segurando um aspargo cozido e murcho ao dizer "A cozinha não é uma casamento antigo e cansado, mas um caso de amor apaixonado!" diz muito sobre este filme. Culinária indiana e francesa se misturam e influenciam a vida de duas pessoas: a dona de um restaurante estrelado Michelin e o jovem chef de cozinha indiano em busca de sucesso. Não é o melhor filme sobre gastronomia da vida, mas vale como bom entretenimento. De preferência, com um bom restaurante indiano nas redondezas quando acabar. É, como todos os bons filmes sobre o universo da cozinha, de dar fome! 

[Produtos] Sarabeth's Jams

Sarabeth's é uma rede de restaurantes especializados em brunch e café de Nova Iorque. A proprietária da marca (advinha o nome dela?) começou fazendo geléia de laranja com damasco pra vender na vizinhança e transformou-se no sucesso que vemos hoje. Comer numa de suas casas é algo memorável e a geléia que deu origem ao seu império continua sendo imbatível! Uma das minhas favoritas, até hoje não consegui encontrar geléia de laranja melhor.

Os outros sabores são bons e inusitados (tem umas que levam ruibarbo, um caule rosado de uma hortaliça, bastante festejado pelos americanos e ingleses e desconhecido por nós.), mas nenhuma das que provei supera a primeira. Vale demais experimentar! Melhor ainda se for num de seus restaurantes. Em tempo: é possível comprar as geléias e outros produtos pela internet. Clique aqui!

Fonte:&nbsp;http://strandedfoodie.com/wp-content/uploads/2013/07/DSC_2647.jpg

Fonte: http://strandedfoodie.com/wp-content/uploads/2013/07/DSC_2647.jpg


[Produtos] Cidra Sueca Rekorderlig

Descobri esta cidra sueca no BlackBrick Chinese, restaurante que adoramos e sobre o qual já escrevi (acesse o link no nome do restaurante). É como um refrigerante, leve e com teor alcoólico de cerveja, super refrescante e gostosa. Me lembra um refrigerante de abacaxi que é vendido na região onde fica Boa Esperança, em Minas Gerais. Há vários sabores: já experimentei o de Pêra, Morango e Maracujá e aprovei todos. Um boa alternativa pra aqueles dias onde não se quer tomar vinho, nem cerveja, mas uma bebida alcoólica vai bem. Custa, em média, 10 dólares a garrafa. Vale demais! 

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[Filmoteca] Chef

Os loucos por Friends, como eu, reconhecerão Jon Favreau como o namorado milionário de Mônica, aquele que depois de 86 tentativas criou um sistema operacional para computadores que o deixou tão rico e entediado que acabou por decidir tornar-se lutador de vale tudo.

Fonte: IMdb

Fonte: IMdb

Pois esse mesmo cara escreveu e dirigiu um dos filmes mais festejados sobre o universo da Gastronomia dos últimos tempos. Tido como uma "história verossímil" e que "lida com várias das questões humanas na indústria de restaurantes", o filme aborda a história de um Chef de cozinha talentoso, mas decepcionado com sua carreira porque atua num restaurante onde o dono não aceita correr riscos. Cansado de repetir sempre o mesmo menu, ele passa por situações bastantes atuais do ramo, como o alcance e o poder das redes sociais, até conseguir compreender que seu caminho é outro. O ator e diretor fez laboratório com um dos chefs mais bem sucedidos no ramo dos Food Trucks, Roy Choi.

É um filme competente, com boas cenas de comida sendo preparada, elenco estrelado e história bastante envolvente. Vale a pena ter na estante de filmes pra ter sempre que quiser ver! E é de dar fome!

[Filmoteca] Comer, Beber, Viver.

Passeando no Netflix ontem, resolvi assistir a um filme com a temática gastronômica. Escolhi  Comer, Beber, Viver porque é um filme de Ang Lee. Mal sabia eu o que estava por vir...

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Logo no início do filme há uma sequência absolutamente fantástica de cenas de preparo de pratos da cozinha chinesa. Abaixo, um clip disponível no Youtube, onde é possível assistí-la:

Chu é um conceituado chef de cozinha do Taipei Grand Hotel e pai viúvo de três filhas mulheres. Ele sofre com a viuvez e a dificuldade de relacionamento com as filhas, que por sua vez estão às voltas com problemas amorosos e seus planos para o futuro. Permeada por lindas cenas de preparo de pratos chineses, a história é bem bacana. Vale conferir, mas prepare-se para levar sua Wok para a cozinha ou pedir sua entrega de comida chinesa favorita. Porque uma coisa é certa: você vai ficar com fome!!! ;)

A comida e a cidade: Nova Iorque em sua melhor forma!

Na primeira vez que estive em Nova Iorque, cheguei à noite. Durante o traslado do aeroporto para o hotel, assim que avistamos Manhatan, o motorista colocou Frank Sinatra para cantar a música que celebra a cidade que nunca dorme. Isso ficou tão marcado na minha memória que depois disso, procuro vôos que chegam à Big Apple depois que o sol já se pôs. Ver as luzes da cidade e seus prédios monumentais faz-me sentir como se Sinatra cantasse para me receber. Quando não é possível chegar no melhor horário, abro a visita indo ao Empire States à noite, só pra ver a cidade ali, me recebendo e convidando pra eu me perder por suas ruas. 

Estive novamente em NYC na última semana de julho e a sensação de pertencimento me invadiu mais uma vez. Lá eu me sinto em casa. Desde 1997, ano em que lá estive pela primeira vez, a sensação se repete. Lembro-me que tudo o que eu queria quando a viagem terminou era que meus pais me deixassem ficar por lá, pra sempre. Essa vontade permanece. Quem sabe um dia?  Esta viagem de agora tinha por objetivo comemorar o aniversário da minha tia, que fazia sua primeira viagem internacional. Como estou morando em Miami, ela e minha mãe vieram me visitar e aproveitaram para dar uma esticadinha. Acabei sendo convidada para esta semaninha mais que agradável na Big Apple.

Pra todo foodie que se preza, ir à NYC significa algo como ir à Disney. Tenho uma lista de restaurantes que quero conhecer: morro de vontade de comer no Per Se, no Daniel, no Eleven, no Momofoku e fazer um tour pelos Foodtrucks espalhados pela cidade, pra fazer um mapeamento da comida de rua por lá - coisa que nunca experimentei (que vergonha!). Porém, tínhamos uma agenda apertada. Elas me incumbiram de ser sua guia turística e acabamos comendo em restaurantes encontrados pelo caminho. Isso foi bastante interessante e fiquei maravilhada com a tecnologia atual, que nos permite ter um GPS no bolso e internet 3G à disposição para consultar as opções, fazer reservas e consultar o mapa pra ver como fazer pra chegar ao destino.

Alguns dos restaurantes e lanchonetes visitados e listados aqui foram obra pura do acaso, com várias pitadas de Google e Apple MapsTripAdvisor, Foursquare, Opentable e Yelp. Tinha coisa medíocre, como em qualquer cidade, mas também experimentamos coisas muito boas. Abaixo seguem os lugares que foram boas surpresas nas minhas duas últimas idas à cidade:

Fonte:&nbsp;http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7f/Pret_a_Manger_(6387745805).jpg

Fonte: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7f/Pret_a_Manger_(6387745805).jpg

Pret A Manger: Este café/lanchonete é um concorrente inglês do Starbuck's - lugar que frequentávamos até meados de nossa última viagem, em janeiro de 2013. Encontramos a Pret quando buscávamos uma alternativa,  já que a cafeteria da sereia vive sempre lotada e com poucas opções de desejum. Ficamos maravilhados com a variedade para o breakfast! Gostei especialmente dos parfaits e das saladas de frutas, mas o croissants também são bem bons. A rede serve sopa quente no horário do almoço, mas não chegamos a provar, ficou pra próxima. As saladas são boas, os sanduíches idem e eles têm algumas opções de sobremesa, como o Carrot Cake. Vale a pena conferir, tomar um café mais saudável e garantir energia para percorrer as ruas da cidade. Para conhecer mais, ver as unidades na cidade e ver fotos, basta clicar no nome da rede, em azul.

Fonte:&nbsp;http://media-cdn.tripadvisor.com/media/photo-s/03/20/0d/b0/balkanika.jpg

Fonte: http://media-cdn.tripadvisor.com/media/photo-s/03/20/0d/b0/balkanika.jpg

Balkanika: este restaurante foi escolhido por ser localizado próximo ao hotel, mas longe o suficiente da área turística. Lugar frequentando quase que essencialmente por gente que quer matar as saudades da comida de casa, o destaque do restaurante são as entradinhas de pão sírio com pastas variadas, como as de berinjela defumada, pepino com iogurte, pimentão assado, etc. Ao todo são 18 opções, que sozinhas, já garantem uma senhora refeição. Na noite em que fomos, um trio se apresentou com música típica dos Bálcãs. Vale uma conferida!

La Colombe Torrefación: Estávamos indo visitar o memorial do Marco Zero e tínhamos resolvido tomar café no caminho desta vez. Assim que saímos da estação de metrô, alguns passos depois, surgiu esta cafeteria na nossa frente. Um fila gigantesca na porta, entramos e pedimos nossos cafés pra tomar lá mesmo. As louças usadas são lindas (italianas), o café muito bem tirado e o atendimento perfeito.

Fonte:&nbsp;http://bevacco.com/wp-content/uploads/2012/01/bevacco-background-medium1.jpg

Fonte: http://bevacco.com/wp-content/uploads/2012/01/bevacco-background-medium1.jpg

Bevacco: Eu sempre quis atravessar a Brooklyn Bridge à pé. Mas, além de haver um trecho da ponte em reformas, minha mãe estava com problemas no pé esquerdo neste dia. Daí, fomos de táxi. Chegando lá, procuramos um restaurante pra almoçar e achamos este, bem ao lado de onde estávamos. Eram umas duas horas da tarde e o restaurante estava com 20% de seu salão ocupado. Salão muito bem decorado, com cimento aparente e objetos vermelhos. Sentamos, demos uma olhadinha no cardápio enxuto e resolvemos dividir salada, primeiro prato e segundo prato (sugestão da simpática garçonete). Os pratos tem tamanho normal individual, mas quem quer se aventurar na refeição completa de pratos segundo os italianos (Insalate, Primo Piato, Secondo Piato, Dolce), não consegue comer sozinho. Deu pra perceber que o forte da casa não são as sobremesas, mas os pratos antes dela estavam incríveis!

Fonte:&nbsp;http://nymag.com/images/2/daily/food/08/03/07_barboulud_lg.jpg

Fonte: http://nymag.com/images/2/daily/food/08/03/07_barboulud_lg.jpg

Bar Boulud: Apesar de seus restaurantes estarem na minha lista de desejos, este integrante da família de Daniel Boulud foi escolhido por acaso. Tínhamos uma exposição para ver no Lincoln Center e queríamos almoçar primeiro. Este restaurante fica ao lado de outros dois do mesmo chef e foi escolhido por oferecer um menu interessante pré-espetáculos para o almoçoa preço fixo convidativo (US$ 29,00). A atmosfera é bastante interessante, parece que o local foi construído dentro de um túnel. A adega, que fica no piso inferior, é de babar! O atendimento começou meio torto por problemas de comunicação com o garçon indiano e seu sotaque confuso (creio que meu sotaque o atrapalhou também). No meio do almoço houve troca de turnos e a nova garçonete saiu-se bem melhor. Comida pra se abraçar, vale demais ir!

Fonte:&nbsp;http://images.nymag.com/images/2/daily/2010/10/13_carmines_560x375.jpg

Fonte: http://images.nymag.com/images/2/daily/2010/10/13_carmines_560x375.jpg

Carmine's: Nosso primeiro contato com este restaurante foi em 97. Localizado na 44st com a 7av, em plena região da Broadway, é um restaurante muito apreciado por turistas nos dias de hoje. Naquela época tinha apenas 2 anos e foi fácil chegar e conseguir lugar na hora, hoje é preciso fazer reserva. O grande lance deste lugar é que nele servem-se, apenas, pratos em tamanhos familiares. Ou seja, as mesas são grandes e vê-se um passa-passa de pratos de mão em mão, como um jantar em casa. Impossível fazer uma refeição à dois, é coisa pra muita gente. A comida é muito boa e o restaurante ficou na memória por dois motivos: a Caesar's Salad - a primeira vez que comi (1997) e a referência por muitos anos, de como se deve fazer uma; e um dos donos da casa - o austríaco Joaquim (40 e poucos anos, alto, olhos verdes, loiro e falando português com um sotaque encantador). Fomos ao restaurante 15 anos depois pra matar as saudades e comemorar o aniversário do meu pai. Não perguntei se o Joaquim estava lá: tem coisas que devem permanecer na memória. ;)

Fonte:&nbsp;http://www.shakeshack.com/wp-content/uploads/2012/04/Gallery_W_3.jpg

Fonte: http://www.shakeshack.com/wp-content/uploads/2012/04/Gallery_W_3.jpg

Shake Shack: a rede de fast-food procura oferecer lanches feitos com ingredientes de boa qualidade, sem agrotóxicos e hormônios, num cardápio enxuto e inteligente. Destaque para o 'Shroom Burger, que é o sanduíche vegetariano da casa e é delicioso! Feito com duas cúpulas de cogumelo Portobelo recheadas com um creme de queijo cheddar branco, empanadas e fritas por imersão. Arrisco dizer que é o melhor sanduíche da casa. Melhor até que o Smoke Shack Burger, que vem com muita pimenta vermelha picadinha dentro. Os hot-dogs são muito bons também. Para beber, além dos refrigerantes, há opção de chá gelado, limonada ou os dois misturados. Os sanduíches têm o tamanho semelhante aos dos do McDonald's, ou seja: suficiente para matar a fome, junto com uma porção de batata fritas dividida. 

Fonte:&nbsp;http://images.nymag.com/listings/restaurant/EpicerieBoulud-1.jpg

Fonte: http://images.nymag.com/listings/restaurant/EpicerieBoulud-1.jpg

Épicerie Boulud: Um dos empreendimentos de Daniel Boulud na cidade, esta mercearia chique fica ao lado de outros dois restaurantes do chef. Próximo ao Lincoln Center, é um lugar bacana pra tomar um café acompanhado das mais variadas delícias. Não há cadeiras para se sentar, mas mesmo assim não há como resistir à tentação de dar uma paradinha pra comer uma guloseima. Quando estive lá, eles tinham disponíveis pra venda uns kits para fazer piquenique no Central Park. É só encher a cestinha e correr pra passar momentos muito agradáveis no coração da Big Apple.

Fonte:&nbsp;http://www.theshopsatcolumbuscircle.com/wp-content/uploads/plugins/CustomSlides/slideshows/1311173399/restaurant-bouchon-bakery-05.jpg

Fonte: http://www.theshopsatcolumbuscircle.com/wp-content/uploads/plugins/CustomSlides/slideshows/1311173399/restaurant-bouchon-bakery-05.jpg

Bouchon Bakery:  Uma das filiais do restaurante mais acessível de Thomas Keller, a unidade que conheci fica no Columbus Circle, dentro do Time Warner Center. É como um café dentro de um shopping center, bastante informal mas com opções incríveis de comida fabulosa a preços acessíveis. Comi um Lombo de porco tão úmido e saboroso que me deu vontade de ficar ali pra sempre, comendo micro pedaços pra que não acabasse nunca. O cardápio é enxuto, mas as opções são bem convidativas. Ah... O suflê de chocolate deles é de morrer!

Nova Iorque é uma cidade nova a cada vez que se vai. Muita coisa pra fazer, desde deixar-se levar sem rumo pelo fluxo das ruas até seguir um roteiro pré-definido. Eu gosto de deixar a cidade me absorver e conduzir. E mesmo tendo repetido alguns lugares nas 3 vezes em que a visitei, a cidade continua sedutora e surpreendente como sempre!

[Produtos] Talenti Gelato e Sorbetto: um dos melhores sorvetes nos supermercados nos EUA!

Muita gente, quando viaja, gosta de experimentar coisas e situações que as faça sentir como se morassem na cidade visitada. Parece que é a melhor forma de viajar, né? Porque você realmente se desconecta de seu mundo pra experimentar o do outro. Muito mais do que cumprir todas as visitas a pontos turísticos do local visitado, ou de fazer todas as compras desejadas - e este é o motivo principal pelo qual as pessoas vêm à Miami -, existe gente que gosta de saber como seria a vida naquela cidade. Foi por isso que resolvi escrever sobre alguns produtos que encontrei aqui. Pensando que essas pessoas gostariam de provar estas coisas. E no caso deste sorvete torna-se algo ainda muito fácil, porque ele é encontrado em praticamente todos os supermercados da cidade.

Nesta imagem tem sabores que eu ainda não vi disponíveis pra venda. Ou seja, diversão garantida!

Nesta imagem tem sabores que eu ainda não vi disponíveis pra venda. Ou seja, diversão garantida!

Talenti Gelato/Sorbetto não é produzido aqui. Nunca tinha ouvido falar da marca. Tínhamos amigos que moravam aqui e estavam acostumados a comprar Häagen-Dazs quando precisavam. Um dia, passeando pelo supermercado, resolvi comprar um sorvete e fiquei perdida tamanha a quantidade de marcas e diferentes sabores que existem disponíveis. É quase que um corredor inteiro de geladeiras repletas de todos os tipos de sorvetes que você possa imaginar. O Talenti acabou me chamando a atenção por conta da embalagem. Transparente, somente com o nome da marca e do sabor no rótulo impresso em marrom, a embalagem é bem elegante. E você pode ver a cor do sorvete que está comprando. Os sabores oferecidos são diferentes e refinados. Isso fez com que, apesar de ser chocólatra assumida, eu tenha provado os sabores com chocolate somente agora. De primeira, comprei o de Caramelo Salgado pra experimentar, porque a combinação açúcar/sal tem me interessado bastante ultimamente. E morri de amores!

Desde então, sempre que vou às compras eu experimento um sabor diferente. Lendo mais atentamente o rótulo, percebi que não são usados corantes, espessantes e conservantes artificiais nas receitas. Isso é importante num contexto onde a indústria abusa do uso de HFCS, hormônios na produção de leite, glúten... A gordura existente na receita vem do creme de leite. Adicionam óleo de côco para ajudar na cremosidade, ovos quando a receita pede, lecitina de soja pra auxiliar na estabilização da emulsão gelada. Normalmente é encontrado em embalagens de 1 pint (473ml), mas já vi embalagens com o dobro desta quantidade. Os melhores sabores na minha opinião até agora, são:

  1. Sea Salt Caramel - sorvete cremoso e aveludado, tem uns pequenos bombons de caramelo misturados à massa. Se você não tomar cuidado, come tudo de uma vez. 
  2. Amarena - Black Cherry - a mistura de sorvete de nata e pedaços de cerejas negras é de matar.
  3. Sicilian Pistachio - pedaços de pistache misturados a um creme esverdeado feito à base de manteiga de pistache e creme de leite. O melhor sorvete de pistache que já comi.
  4. Caribean Coconut - pedacinhos de côco num sorvete macio. Eu sempre gostei de sorvete de côco esse é realmente muito bom.
  5. Alphonso Mango -  é como se você estivesse comendo um creme gelado e aveludado de manga fresca, colhida no pé. É impressionante como não há cristais de gelo na massa!
  6. Fudge Brownie - sorvete de chocolate ao leite com pedaços incríveis de brownie mesclados na massa. 
  7. Roman Raspberry - este é azedinho de um jeito que dá pra comer o pote. 
  8. Lisbon Lemon - sorvete de limão pra mim é sinônimo de verão. Este é muito bom, mas não é o melhor que já comi na vida. 
  9. Tahitian Vanilla Bean -  achei este um pouco doce pro meu paladar. Mas, se preciso de um sorvete neutro pra servir com uma sobremesa feita por mim, vou nele sem pestanejar. Pelo menos enquanto eu não tento fazer meus sorvetes em casa. ;)
  10. Banana Chocolate Swirl -  esse me deixou confusa. Eu não sei dizer se gostei verdadeiramente. Me lembrou vitamina de banana daquelas grossas, que se faz só com leite. Eu adoro vitamina de banana mas não sei se gosto deste sabor num sorvete. Na massa ainda há doce de leite mesclado e calda de chocolate também, mas dentre todos os sabores que já provei (que não chegaram ainda à metade dos disponíveis) este é o menos melhor. 

A marca lançou recentemente embalagens com 3 picolés no estilo Magnum que também são bem bons! Se você estiver de passagem pelos EUA e quiser tomar um sorvetinho pra aplacar o calor, entre no supermercado mais próximo e procure pela marca. Ah! Em recente viagem a NYC, encontrei por acaso um quiosque da marca em pleno Bryant Park! É uma loja pop-up, portanto não sei até quando ficará por lá. No site da marca é possível ver onde encontrar. Basta colocar o Zip Code.

As embalagens de 1 pint custam menos de 6 dólares e são uma aposta e tanto. Pode confiar!

[Buenos Aires] Patagonia Sur

Na última semana de julho de 2011, fui a Buenos Aires para fazer um curso de Cozinha Argentina no IAG. Foi a minha primeira vez na cidade e a primeira em que viajei sozinha ao exterior. Cheguei à cidade junto com um tornado, que fez o tempo mudar absurdamente rápido e cair uma chuva de granizos gigantes enquanto eu era transportada de carro pela Autopista. No primeiro dia tive alguns contratempos: restaurantes que só aceitavam dinheiro (eu costumo andar com cartão de crédito e quase nada de dinheiro na bolsa); o padrão das tomadas argentinas que me impedia de recarregar meu celular; os raros caixas eletrônicos da cidade que me permitiam sacar dinheiro... O fato foi que eu cheguei a Buenos Aires meio de mau-humor com a cidade e ela comigo.

Com a intenção de resolver meu problema mais urgente (recarregar a bateria do meu celular), escolhi uma rua na cidade - como sempre faço quando estou num lugar desconhecido - e me joguei. Andei sem destino até encontrar a tal da Calle Florida. Entrei nesta rua e andei mais um pouco até que vi um ponto daqueles ônibus de City-tour da cidade. Eram mais ou menos umas oito horas da manhã e eu tinha apenas 2 dias para girar livremente pela cidade antes do curso. Resolvi embarcar. Na certa eu veria pelo caminho uma loja revendedora da Apple pra comprar o tal do adaptador e, de quebra, conheceria um pouco a cidade. Teto do ônibus, 13 graus lá fora, nariz congelando, eu tremendo e batendo o queixo, lá fui eu: San Telmo, La Boca, La Bombonera, Caminito... Foi aí que, numa esquina, chamou-me a atenção a fachada vermelha e bem pintada de um restaurante, cujas janelas e porta tinham grades de proteção. Sem indícios de que algo já funcionava por ali, fiquei com esta imagem na cabeça. Mais tarde, de volta ao hotel e com adaptador de tomadas providenciado, resolvi ver os meus guias sobre aquele restaurante misterioso: "Imperdível", diziam todos. Opa!

No dia seguinte, lá fui eu de novo! Desta vez, para descer nos lugares que desejava conhecer. Ao chegar no Caminito, por volta das 14 horas, resolvi ver se o tal Patagonia Sur estava aberto. As grades de proteção tinham sido removidas. Tinha uma campainha na porta de vidro, fechada. Toquei. Nada! Toquei pela segunda vez e surgiu uma mulher jovem, que ao abrir a porta olhou desconfiada para os dois lados e me perguntou se eu desejava almoçar. Resposta afirmativa, fui guiada pelo salão estreito do lugar, que só tinha uma mesa ocupada de 8 lugares. Sentei-me, sentindo que havia adentrado uma sociedade secreta, era uma intrusa num lugar desconhecido. A sensação me encantou. Trouxeram-me água, o cardápio, e me veio o susto: 510 pesos argentinos por couvert, entrada, prato principal, sobremesa e água! Titubeei um pouco, fiquei em dúvida se permaneceria lá. Foi aí que os pratos principais da mesa ao lado chegaram e eu fui arrebatada pelos seus aromas, tal qual o Mickey pelo cheiro do bolo de queijo feito pela Minnie, naquele longínquo desenho da minha infância. O ambiente do restaurante e aqueles aromas me fizeram decidir: eu comeria ali nem que precisasse viver de churros até a minha volta ao Brasil. E aí, Buenos Aires me arrebatou pelo estômago!

Escolhi minhas etapas do almoço e esperei. De resto, só me restam as fotografias abaixo:

Visão que tinha da primeira mesa que ocupei. A que estava ocupada por 8 homens estava exatamente atrás de mim.&nbsp;

Visão que tinha da primeira mesa que ocupei. A que estava ocupada por 8 homens estava exatamente atrás de mim. 

A mesa posta, enquanto eu esperava. A decoração do lugar é bastante interessante, um rústico-chique que cria certa intimidade. Estantes com livros sobre culinária e apenas 2 garçons, que surgiam de vez em quando.&nbsp;

A mesa posta, enquanto eu esperava. A decoração do lugar é bastante interessante, um rústico-chique que cria certa intimidade. Estantes com livros sobre culinária e apenas 2 garçons, que surgiam de vez em quando. 

Os pães que foram servidos. Destaque para a Cremoninha fofa (este que parece uma estrela)!

Os pães que foram servidos. Destaque para a Cremoninha fofa (este que parece uma estrela)!

As batatas fritas mais gostosas que comi, em muito tempo. Só perdem para as que a minha avó fazia. Nunca consegui fazer igual e não encontrei nada parecido até hoje. Estas foram cozidas, rasgadas e fritas por imersão, finalizadas com flor de sal.&nbsp;

As batatas fritas mais gostosas que comi, em muito tempo. Só perdem para as que a minha avó fazia. Nunca consegui fazer igual e não encontrei nada parecido até hoje. Estas foram cozidas, rasgadas e fritas por imersão, finalizadas com flor de sal. 

Las empanadas Mendocinas! Perfectas! Destaque para o vinagretinho de tomates que está delicioso e temperava as empanadas muito bem.

Las empanadas Mendocinas! Perfectas! Destaque para o vinagretinho de tomates que está delicioso e temperava as empanadas muito bem.

Meu principal se chamava "Cordero Siete Horas", cozido lentamente em vinho Malbec, guarnecido de purê de batatas com  pinholes  e rúcula e servido com o molho reduzido do próprio assado. Eu ainda vou tentar replicar esta receita um dia! Divino.

Meu principal se chamava "Cordero Siete Horas", cozido lentamente em vinho Malbec, guarnecido de purê de batatas com pinholes e rúcula e servido com o molho reduzido do próprio assado. Eu ainda vou tentar replicar esta receita um dia! Divino.

Panquecas de maças carameladas, sorvete de creme e um shot de Dulce de Leche pra fechar. Acompanhei todo o almoço com um copo dágua porque não tinha dinheiro pra harmonizá-lo com vinho. Mas vou te falar que nem senti falta (mentira!).&nbsp;

Panquecas de maças carameladas, sorvete de creme e um shot de Dulce de Leche pra fechar. Acompanhei todo o almoço com um copo dágua porque não tinha dinheiro pra harmonizá-lo com vinho. Mas vou te falar que nem senti falta (mentira!). 

Não me lembro bem o porquê, mas eu pedi pra trocar de mesa e fiquei de lado pra mesa de homens misteriosos. Alá o Francis Mallman de costas pra mim! Só fui descobrir depois.&nbsp;

Não me lembro bem o porquê, mas eu pedi pra trocar de mesa e fiquei de lado pra mesa de homens misteriosos. Alá o Francis Mallman de costas pra mim! Só fui descobrir depois. 

Descobri que Francis Mallman é idolatrado como chef na Argentina, talvez do mesmo modo como Alex Atala o é no Brasil. Possui formação clássica francesa, mas em dado momento de sua vida decidiu que só seria feliz como cozinheiro em sua terra natal, executando pratos da cozinha argentina e desenvolvendo ou apurando técnicas para fazer um bom assado. E foi daí que veio a sua fama! Hoje, ele possui, além de dois restaurantes no Uruguai, um em Buenos Aires e um outro em Mendoza que sou louca para conhecer. Abaixo, o próprio cozinhando ao ar livre, uma das suas marcas. 

Nossa ida de carro até Savannah

Passei alguns dias fora do blog e da minha rotina normal. Minha sogra veio nos visitar e fizemos com ela uma viagem de 6 dias, visitando duas cidades que há muito estavam na fila das infinitas que eu quero conhecer. Esta fila parece com outra que tenho, de livros a serem lidos. Tanto a minha estante, quanto as livrarias e meu Kindle têm uma infinidade de livros a serem devorados e que só cresce. Espero conseguir cumprir mais da metade das duas listas durante a minha vida. 

Tínhamos só 6 dias porque a Pet Sitter, que fica com a Jurema quando viajamos, tinha compromisso de viagem ao exterior. Portanto, foi uma viagem mais corrida do que eu gostaria, mas que serviu pra acalmar um pouco a minha necessidade de ver o mundo. Nos planos, Saint Augustine, cidade da Flórida de colonização espanhola mais antiga nos EUA; e Savannah, no estado da Geórgia. Da primeira eu ouço falar desde que cheguei a Miami. Muitas pessoas a visitam e elogiam bastante, mas eu confesso que nunca me empolguei tanto em ir até lá. Foi somente quando ouvi uma colega de inglês contar que foi com a família até Savannah, passando por Saint Augustine, que achei que a cidade seria uma ótima parada no caminho daquela que realmente me interessava. 

Saint Augustine fica a 5 horas de carro daqui de Miami. Saímos de casa no meio da manhã, a tempo de conseguirmos passear brevemente por Palm Beach e almoçarmos por lá. Foi tempo suficiente para vermos alguns pontos a serem visitados posteriormente, já que o restaurante onde comemos não era nada de especial. Eu havia feito reserva de hotel em Saint Augustine Beach, que fica localizada em Anastasia Island - onde há um parque de conservação grande (que não visitamos ), um Farol antigo bem preservado e mais alguns pontos turísticos. Nosso hotel ficava bem perto da praia, que ainda visitamos antes de o sol se por.

Pier em Saint Augustine Beach.

Pier em Saint Augustine Beach.

Perto do Hotel, às quartas, há uma feira muito bacana onde vendem-se produtos orgânicos, artesanato e muitas coisas interessantes, com algo em torno de 60 expositores e gente muito simpática (Saint Johns County Pier Park - 350 A1A Beach Blvd in St Augustine Beach). 

O pôr-do-sol em Saint Augustine Beach.

O pôr-do-sol em Saint Augustine Beach.

Passamos um dia e meio na cidade e achei que foi o suficiente para conhecermos os pontos principais. Há alguns pontos históricos originais para se visitar, como o Castillo de San Marcos, o pórtico de entrada da cidade antiga e alguns outros. No centro histórico, há ainda alguns prédios construídos por Henry Flagler: magnata do petróleo, pioneiro do sistema ferroviário, colega e sócio de Rockfeller e um dos maiores benfeitores da Flórida, que aqui veio parar por acaso, com o objetivo de restabelecer a saúde da primeira mulher. Ficando viúvo, casou-se com a dama de cuidados da esposa morta, viajando em lua de mel a Saint Augustine, que achou um charme, mas com sistema hoteleiro muito ruim. Esta é a origem do atual prédio da Flagler College, construído para ser um hotel luxuoso e onde hoje funciona uma faculdade de Artes. Há ainda uma boa quantidade de prédios contruídos por ele nos arredores da escola. A sensação que se tem ao visitar o centro histórico é a de se estar visitando uma maquete, é tudo muito bonitinho e limpo. Mas nada especial.

Torre mais alta do Castillo de San Marcos, parte histórica de Saint Augustine.

Torre mais alta do Castillo de San Marcos, parte histórica de Saint Augustine.

Vista de uma das pontas do Castillo de San Marcos.

Vista de uma das pontas do Castillo de San Marcos.

Prédio da Flagler College. Antigo hotel de luxo, hoje uma faculdade de artes.

Prédio da Flagler College. Antigo hotel de luxo, hoje uma faculdade de artes.

Próximo ao complexo de prédios, há algumas ruas fechadas para veículos onde concentram-se lojas, bares e restaurantes. Almoçamos muito bem num deles, o Columbia, restaurante cubano de inspiração espanhola na Saint George Street , que possui unidades em outras cidades e está instalado em um prédio enorme, com pátios internos decorados com azulejos pintados à mão e fontes, num clima bem espanhol. Eu e minha sogra dividimos um prato que no cardápio estava batizado de 'Fideua de Mariscos'. Tradicionalmente, este prato é uma versão da Paella, onde troca-se o arroz pelo macarrão cabelo de anjo. Porém, o prato do restaurante era um rico linguine com frutos do mar, um dos melhores que já comi. Apesar de o prato ser diferente do que eu esperava ter pedido, eu hoje voltaria à cidade só para comê-lo novamente. É a minha melhor memória de Saint Augustine. Para podermos vasculhar um pouco melhor a cidade em um dia, resolvemos comprar tickets para os trens de turismo que passeiam por ela. Minha sogra não gosta muito de andar e essa foi a melhor solução. O interessante foi descobrir que há na cidade uma vinícola, a San Sebastian Winery. Ficamos tão surpresos com a descoberta que resolvemos descer para conhecer. Fizemos o tour, conhecemos parte do processo de produção e fizemos a degustação de vários vinhos produzidos por eles, incluindo rosé, "Porto" (eles usam a denominação, mesmo não podendo), vinho de sobremesa... A maioria dos vinhos não era muito boa, mas dois deles nos chamou a atenção quanto à riqueza aromática: o Rosa, que me lembrou Caju e que só por isso me fez morrer de amores e o Castillo Red, que após ser agitado na taça desenvolveu um aroma de pimenta do reino incrível. Compramos uma garrafa de cada pra podermos conhecer melhor em casa. No fim, a cidade vale uma passada, mas eu não me demoraria muito por lá se tivesse pouco tempo. 

Saint Augustine Lighthouse.&nbsp;

Saint Augustine Lighthouse. 

Savannah fica a quase 3 horas de Saint Augustine. Chegamos a tempo de jantar. Optamos por um restaurante que fica à beira do Savannah River, onde há uma rua cheia de restaurantes e lojas, muito bacana! O Vic's on the River tem entrada pela River Street, onde funciona um simpático café, e pela East Bay Street que é bem mais alta que a primeira, fazendo com que o restaurante fique no quarto andar se você entra pelo café. É um restaurante muito aconchegante, com janelões de onde se pode ver o rio e a movimentação de pessoas na rua. Chegamos atrasados, porque tivemos dificuldades para encontrar estacionamento, mas o hostess foi muito atencioso e aproveitou a reserva que eu havia feito para meia hora antes. Quem usa o Opentable sabe que quando você comparece ao restaurante onde fez a reserva, ganha pontos que - acumulados - dão desconto em outros restaurantes. Fomos acomodados numa mesa bacana, ao lado da adega climatizada. Havia música ao vivo, com um pianista de Jazz. O atendimento continuou muito simpático e a comida estava deliciosa! 

Apesar de saber que eu deveria ter pedido o Fried Green Tomatoes, não consegui me conter e pedimos um Filé Wellington, de entrada, pra provar. Bem gostoso!

Apesar de saber que eu deveria ter pedido o Fried Green Tomatoes, não consegui me conter e pedimos um Filé Wellington, de entrada, pra provar. Bem gostoso!

Prato do Bruno: Ribeye com manteiga de ervas, batata assada recheada com lagosta e espinafre salteado.

Prato do Bruno: Ribeye com manteiga de ervas, batata assada recheada com lagosta e espinafre salteado.

Prato da minha sogra, que me pediu para escolher por ela: Shrimp and Grits! Perfumado e muito gostoso.

Prato da minha sogra, que me pediu para escolher por ela: Shrimp and Grits! Perfumado e muito gostoso.

Eu acabei me rendendo à descrição do risoto cítrico com mateira de limão e ervas e vieiras. Nada de southern food neste dia! Mas eu não me arrependo não, viu?&nbsp;

Eu acabei me rendendo à descrição do risoto cítrico com mateira de limão e ervas e vieiras. Nada de southern food neste dia! Mas eu não me arrependo não, viu? 

Peach Trio: Mini-Cheesecake, sorvete e Pudim de pão com Pêssego frito. Dividimos e gostamos.&nbsp;

Peach Trio: Mini-Cheesecake, sorvete e Pudim de pão com Pêssego frito. Dividimos e gostamos. 

Savannah tem pouco menos de 150 mil habitantes. Os moradores são muito simpáticos e várias foram as vezes pudemos comprovar isto. É a cidade mais antiga do estado da Geórgia (1733). Foi porto estratégico durante a Guerra Civil Americana e tem muita história pra contar. Vários museus, igrejas, 22 praças-parque e ruas encantadoras que nos fazem querer ter tempo de sobra pra degustar a cidade aos poucos. Infelizmente, tivemos somente dois dias para fazer isto e por este motivo nos concentramos no centro histórico. Caminhamos bastante, passeamos pelas praças, entramos em lojas, fizemos um City-tour pra termos uma idéia das atrações e pegamos uma fila de quase 2 horas para almoçar. Mas isto será assunto pra outro post, sobre o restaurante que almoçamos. Ficou uma vontade de voltar, ficar uns 3 ou 4 dias e dar uma esticadinha até Charleston, na Carolina do Sul. As duas são consideradas cidades-irmãs, e Charleston é um dos novos centros gastronômicos aqui nos EUA. Oxalá seja possível fazer isto! 

A River Street lembra um pouco o French Quarter de New Orleans. Fica cheia de gente passeando, curtindo a vista, as apresentações de rua, os bares, restaurantes e lojas.&nbsp;

A River Street lembra um pouco o French Quarter de New Orleans. Fica cheia de gente passeando, curtindo a vista, as apresentações de rua, os bares, restaurantes e lojas. 

Pôr do sol na River Street.

Pôr do sol na River Street.

Os carvalhos, que estão por toda a cidade e uma das inúmeras praças do Distrito Histórico.

Os carvalhos, que estão por toda a cidade e uma das inúmeras praças do Distrito Histórico.

[Filmoteca] Jiro Dreams of Sushi

Recentemente assisti ao documentário poetico "Jiro dreams of Sushi", sobre um dos mais velhos sushiman em atividade no Japão, Jiro Ono de 85 anos.  O cara é nada menos que o embaixador do Sushi no Japão e seu minúsculo restaurante, localizado numa galeria de metrô de Tókio, possui 3 estrelas no Guia Michelin. Reservas, para serem feitas, precisam de meses de antecedência!

Fonte: Amazon

Fonte: Amazon

Assistir Jiro falar de sua história é comovente. Como todo japonês que se preze, dedica-se religiosamente ao trabalho e busca sempre melhorar aquilo que faz. Julga que, aos 85 anos de idade, ainda está longe da perfeição. Executa com maestria o menu de sushis que serve pessoalmente (e na hora) aos clientes, com a dose de tempero certo, o tamanho das peças milimetricamente observado. O relacionamento de Jiro com seus fornecedores é antigo e eles orgulham-se de ter seus produtos sendo transformados pelas mãos do mestre. Uma aula de humildade, paciência, perseverança, método, disciplina e muito amor pela profissão. Vale demais assistir ao filme! Vou mais longe: vale a pena comprar e assistir sempre que quiser e precisar. Trabalho lindo!